28 de nov de 2007

Assassinos...

[...] todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo. (Mt 5:22)
Jesus completa o que foi dito aos antigos da sua época a respeito do homicídio. Confronta nossa ética e faz-nos perder toda a compostura frente a afirmações de que, também, somos passivos de juízo quando somos ofensivos, iracundos, violentos, agressivos e deselegantes com outras pessoas. Equipara o assassinato físico com o assassinato emocional ou espiritual. Para Jesus, tanto o maníaco do parque quanto o funcionário que pragueja o chefe do departamento, cometem o mesmo pecado sujeito ao mesmo julgamento.
“Pau, pedras e, é claro, palavras podem ferir. Jesus chega até a fonte interior do pecado: o estado do coração. O assassinato começa com uma atitude homicida que deseja o mal de outra pessoa. Jesus considera a intenção tão perigosa quanto o ato. Palavras iradas podem ferir a pessoa que as profere tanto quanto o alvo pretendido.” (comentário da Bíblia de estudo Vida, p.1487, O que há de tão mau em proferir insultos? (5.22)).
Quantas vezes já não sentimos raiva de alguém? Aquele “Bom dia!” engasgado que disfarça um f...*@#$>a-+&%? Aqueles três beijinhos que escondem sua repulsa pela pessoa. Quem nunca se irou como pai, com a mãe, com os irmãos ou com os colegas? Qual o pai, ou a mãe que nunca se irou contra o filho? Constantemente somos tentados a dizer “poucas e boas” ao camarada que já não agüentamos mais! Por vezes, somos arrogantes com o vizinho impertinente e sem escrúpulos. Raros os momentos que somos cordiais com os da nossa própria casa: pais, mães, filhos, avós...
Quantas vezes já não assassinamos o sonho de outrem com uma palavras áspera e desestimulante? Ou já não matamos sentimentos de alguém? Ou deixamos grandes feridas em quem tanto amamos? Ou até mesmo naqueles que pouco convivem conosco? Parece que essa geração stress pouco faz questão dos frutos do Espírito longaminidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5:22). Não levamos desaforo para casa! Não voltamos a outra face para ninguém (Mt 5:39). Com nossas pressões diárias resta pouca energia e consideração para agüentar certos “malas” como Paulo nos recomenda: Suportai-vos uns ao outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. (Cl 3:13).
Arrependo-me de muitas palavras impensadas e levianas que, penso terem causado enormes feridas em pessoas que realmente prezo. Como assassino de sentimentos e projetos alheios arrependo-me de tal crueldade e frieza. Às vezes esquecemos que apenas possuímos o Presente para nos reconciliarmos com o irmão. Só tenho hoje para pedir perdão por ser assassino de quem amo. Por ter-me irado contra meu próximo. Por ter insultado alguém. O futuro não me permite segurança alguma para protelar a obediência á Palavra. Não posso deixar o sol se pôr sobre minha raiva, minha mágoa, minha ferida ou orgulho (Ef 4:26).
Como C.S. Lewis disse certa vez, “não existem pessoas comuns”, e que “aqueles de quem fazemos troça, com quem trabalhamos ou casamos, os que menosprezamos ou exploramos, são todos imortais”. Podemos não ter pedido perdão ou ter perdoado neste mundo por ofensas e insultos, contudo, seremos réu de assassinato juntamente com psicopatas, estupradores e ladrões caso adiemos o nosso perdão ou pedido de desculpas ao irmão.
Reconciliemo-nos uns com os outros por causa do Passado, no Presente, porque o Futuro não pertence a nós. (Tg 4:14).


Talvez possa ser tarde demais...

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