21 de dez de 2007

Não existe Superman

Tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus. Quando vejo que não sou mais que pó e carne fétida que aguarda a Redenção do meu Criador, percebo que devo ser mais transparente e menos teatral (na verdade, quero usar a palavra hipócrita, mas, darei um descanso a ela, pois ainda, a usarei muito).
Esforço-me (talvez, com certeza, esteja aí o problema) para fazer das tripas coração para viver uma vida santa e rendida à vontade do Pai. Mas, como sempre, mas... Tenho a intrínseca tendência de romper meus penosos feitos com o fracasso. Fracasso como homem que diz-se cristão. Fracasso porque quando estou oscilante e errante no Caminho não posso falar. Não posso gritar contra os muros de Jericó. Não posso estampar em minha camiseta: Santidade ao Senhor. Quando no mínimo seria a maior das farsas (legal, ainda não precisei usar a palavra hipócrita).
Recordo de Davi se desgastando e se esvaindo por causa do pecado que continuamente o acusava diante de seus olhos. Seus ossos enfraqueciam. Sua alma definhava. Sinto-me dessa maneira quando não posso ostentar uma vida espiritual que não desenvolvo sequer numa pequena devocional no meu trabalho. O pecado me acusa. Está ali, diante de mim. Está a minha volta. Encucando-me do meu erro. Da minha vergonha. Da minha cauterização.
Minha hexitação em tão logo pedir perdão (de pleno conhecimento de que serei perdoado e de que tais confissões serão lançadas no mar do esquecimento) é que certamente tornarei a fracassar para com Deus. É um grande dilema. Sinto-me tentado a quase chutar o balde e entregar os pontos. Mas, me falta ânimo e coragem pra desferir tal atitude (pela Graça me falta ânimo e pelo Julgamento me falta coragem).
Pelo menos posso encontrar grande consolo no heróis da fé que mais que ninguém extrapolaram em fracassos e erros. Mas, que nem por isso deixaram de serem considerados homens e mulheres de Deus. Procuro qual o segredo de Davi, adúltero, assassino, lascivo, cobiçoso, mentiroso e, incrivelmente, segundo o coração de Deus. Deve haver algum detalhe que me escapa. Como? E Paulo, dos pecadores o maior? Que ministério vivo, ousado, radical e eficiente. Se fez tudo como o maior dos pecadores, imagino se fosse o menor! Abraão, pai da fé? Que fé demonstrou em sua ansiedade pela promessa ao se render nos braços de sua escrava? Ao mentir? Onde está o "Quê" desses homens que pelo fracasso tornaram-se heróis vitoriosos?
Em parte me identifico muito com eles, mais quando erraram e deram com os burros n'água que em suas demonstrações de fé e santidade. Tenho percebido que as maiores quedas não são de homens integros, humildes e santos, mas, de homens integros, soberbos e legalistas. Temo estar incorrendo nestes. Procuro ao máximo jamais orgulhar-me da minha "santidade". Procuro não gloriar-me no "não toques nisso, não toque naquilo" porque, por fim, estarei sendo hipócrita (acabei usando, é difícil perceber que no final das contas, posso ser da raça de víboras). É meu dever como servo e discípulo de Jesus, não um objeto do qual devo me vangloriar. Mas, não há nada mais tentador que estar acima de outrem. É fácil desembocarmos na fidúcia da oração do Fariseu e perdermos de vista a singeleza e a sinceridade suscinta da oração do Publicano.
Sou perseguido pela antítese do meu comportamento e da minha vontade. O que quero fazer isso não faço, mas, o que não quero esse faço. Ainda bem que não estou só nesse dilema. Creio que o espinho que tanto incomodava Paulo tinha um propósito. O de lembrá-lo que ele não era o Superman. Creio que Paulo era assediado pela grandeza do seu ministério. Ele era chicoteado, era torturado, era preso, passava fome, não tinha uma vida normal. Com certeza, é o perfil que torna alguém digno de ser beatificado e canonizado pelo Papa. Alguém que não é como os meros seres mortais que pecam, e pecam, e pecam... e mais pecam. O espinho na carne de Paulo, creio, o lembrava da sua condição de pecador, de alguém que necessita, ainda, apesar da "santidade" de ser lavado e remido pelo Cordeiro. E quando peco, posso entender o quanto isso incomodava Paulo, e o porquê dele se referir a isso como espinho.
Quando peco julgo menos (pelo menos deveria). Quando peco percebo que sou igual àquele que critico. Quando peco tenho receio de criticar o pecado de outrem. Quando peco restrinjo-me a apenas ser gracioso e não condenatório. Porque com a mesma medida com que julgo serei julgado. Meu pecado me lembra que não sou o Superman. Não sou um super-espiritual que caminha num nível acima das meras ovelhas que necessitam de cuidado.
Meu pecado me entristece sim, e me consterna, me abate, me subjulga, me oprime, me escraviza, mas, volto meus olhos para a Graça do meu Senhor, lembro que sou indigno desse amor tanto quanto qualquer um, e como perdão, me alegro, me exulto, me animo, me liberto, me alivio e alço o...

Superman - Fruto Sagrado

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