28 de dez de 2007

Placas


Uau! Quanta diferença? Quanta picuinha e pormenores desprovidos de relevância? Que reino é este que não celebra a diversidade? Que reino é este que não dá valor ao preto, ao branco, ao azul, ao vermelho, ao rosa, ao verde? Que tipo de reino é este que faz acepção de mulheres, homens, adolescentes, jovens, crianças, velhos, gays, lésbicas, prostitutas, pobres, ricos? Que reino é este que impõe que os cabelos longos do homem, o cabelo cortado da mulher, os brincos, as tatuagens, as calças, o batom, as correntes, as pulseiras traduzam o interior e a fé de alguém? Que reino é este que segrega a variedade e a criatividade?
Tantas desigualdades e distinções incompreendidas e mal interpretadas levam a cabo a multiplicação e a sectarização das pessoas. Ao invés de, gerar unidade pela diversidade e pela multiforme sabedoria de Deus, a igreja particionou a fé e a comunhão do Corpo. Não entenderam o "suportai-vos uns aos outros em amor". Criaram repartições diferentes e de vários sabores. Se não vou com a cara dos "crentes" e não gosto de suas gritarias e fanatismo, posso frequentar uma boa missa. Se não vou com a cara dos católicos e sua "idolatria"(interessante que os evangélicos batem o pé contra a idolatria católica, mas, não enchergam o próprio rabo atolado de idolatria, amor ao dinheiro, ao "apóstolo num sei das quantas", ao "pastor", à denominação, avareza, etc) e me simpatizo com a farra evangélica, mas, sou mais conservador posso instalar-me numa comunidade mais sã, mais cautelosa, legalista, moral, tradicional. É o tipo de igreja que condiz com meu perfil. Mas, se sou mais aberto, mais liberal, mais desinibido, mais "extravagante", posso acomodar-me numa igreja avivada, alegre, que bate palmas, que pula, que dança, que grita. Seria o tipo de igreja que me satisfaria. Há diversas modalidades de cultos, shows, rituais, liturgias, programações, costumes tantos quantos há de denominações. Nesse embalo, logo, logo, poderemos dizer que igreja é igual "nariz", cada um tem um. É questão de gosto, de conforto e de comodidade a nossa escolha pela denominação tal.
Lembro-me de quanto estourou esse lance de G12, igreja em células, "visão" e o discurso de que era "A Visão" de Deus para a evangelização, a multiplicação da igreja. Analizando bem a situação atual depois do passar dos anos acabo por concordar com "A Visão". Foi realmente um fenômeno a multiplicação de evangélicos que ocorreu. Inclusive, multiplicação por meiose, porque quando metade da igreja não concordava em aderir "A Visão" ocorria a divisão "celular" da mesma(rs). E assim, ia se multiplicando muitas e muitas vezes pela divisão "celular".
E por conseguinte, novas denominações, novas doutrinas, novas placas...
Como se já não bastasse o cristianismo sectarista no mundo inteiro, aqui nas Índias Ocidentais o teor do "cúmulo do absurdo" da diversidade de placas de igrejas é um portento.
Placas promovem a divisão, a rotulação, a classificação, a ordenação e a anunciação de uma retórica deprimente envolvida de falácias, corrupção religiosa, discrepância doutrinária e hipocrisia.
Placas escravizam as mentes moucas e sedentárias. Inviabilizam o pensamento criativo. Subjugam a capacidade intelectual daqueles que empocilgam-se nos arraiais nominativos. Ser católico não é ser livre. É ser católico, porque você pertence a uma caixa predeterminada, já esquematizada, convencionada e institucionalizada. Ser protestante não é ser livre. É ser protestante, porque você está incluído num rol de membros que compartilham da mesma situação. Presos, interditados e alienados dentro de um cerco religioso. Ser evangélico não é ser livre. É ser evangélico, porque você enquadra-se num conjunto elaborado de pré-requisitos de comportamento. Ser/pertencer à alguma placa não é ser livre, porque ser livre é SER.
Livre para ser o que na verdade você é. Um pecador que arrepende-se do seu pecado, mas que, ainda está sujeito a pecar, aceito pela Graça e que crê que há esperança para si mesmo através da Cruz. Livre para não esconder seus defeitos, suas vaidades, suas fraquezas, seus erros e tudo aquilo que te torna humano. Tudo aquilo que te torna totalmente dependente da Salvação de Deus.
As placas nos deixam de pés e mãos atadas. Se classifico-me como católico não posso participar de um culto evangélico. Se classifico-me como evangélico não posso participar de uma missa. Se sou tradicional não posso me envolver com os pentecostais. Se sou pentecostal não posso me envolver com os tradicionais. E assim prorroga-se o amor, a Unidade e a Fé.
Se sou tradicional, e pego-me falando em línguas, ou renuncio a experiência ou mudo de time.
Até onde as placas podem nos levar?
Porque quando abre-se uma nova igreja é imprenscidível que esta tenha um nome e uma placa? Não consigo imaginar Paulo pregando nos umbrais das portas das casas a plaquinha:
Igreja Apóstolica Paulina Corintiana
Coordenação geral Apóstolo Paulo de Tarso
Terça-feira: Estudo bíblico às 19h
Quinta-feira: Tarde da benção às 15h
Sábado: Culto dos jovens às 20h
Domingo: Escola Bíblica às 9h e Culto da família às 19h
Aí, Pedro não iria querer ficar por baixo:
Igreja Apóstolica Pedrina Israelita
Coordenação geral Apóstolo Simão Pedro
Terça-feira: Campanha de Daniel às 19h
Quarta-feira: Culto de libertação às 19h
Sábado: Culto da galera radical apaixonada extravagante... shuuuuhhhh
Domingo: Curso de líderes de células às 9h e Culto de Louvor e Adoração às 19h
A que ponto chegamos? É esse o Evangelho que devo levar para os pobres e necessitados, para os oprimidos e doentes, para os perdidos e feridos? Devo carregar uma bandeira, uma camiseta, uma Bíblia, aderir à indumentária e as gírias e sotaques oriundos da religião? Devo carregar nas minhas costas a placa da igreja da qual estou inerte? NÃO! Devo carregar a minha cruz! Mostrar às pessoas que agora sou LIVRE do pecado, da religião institucional, dos caprichos do mundo, dos meus desígnios decaídos e espiritualmente falidos. Devo mostrar ao mundo, como uma luz que brilha no alto da montanha, que conheci a Verdade e ela me libertou.
Não aceito mais vincular minha vida, meu testemunho, minha obras, minhas idéias, meus amigos, minha fé, também, meus erros, minhas derrotas, meus tombos e minha incerteza a nenhuma placa que tenta explicar de forma suscinta toda a complexidade que envolve a simplicidade da minha fé. Não. Sou livre para pensar, para SER e simplesmente livre para não PARECER. Não quero estampada na minha testa nenhuma vertente institucional relgiosa ou não religiosa. Não quero que olhem para mim e apontem para o "crentinho", o "partozinho", o "carismático", o "tradicionalzinho", o "mundanozinho"(embora desse não dê pra escapar devido a modesta eficácia do pensamento minguado evangeliquês), nem como o "roqueiro", ou o "pagodeiro", quero ser apontado pelo Amor. Quero ser lembrado como aquele cara que compreendeu ao invés de condenou, que perdoou ao invés de vingou, que pediu perdão ao invés de fingiu que não erra, em detrimento, da minha postura superficial ideológica, espiritual, musical, sexual, social e religiosa. Não quero carregar nas minhas conversas o slogan de placa de igreja alguma. Quero ser inteligente, pensante, crítico, analítico, filósofo, sincero e saber explanar sobre diversos assuntos "seculares". Quero carregar o caráter transformado e renovado pelo Espírito, forjado na cruz do meu Senhor.
Afinal, placa não salva ninguém. Antes separa, segrega, destrói e dissipa. Denominação sufoca a liberdade de plenitude, de abrangência de visão de mundo, de percepção da vida. Placas e denominações reduziram a Palavra de Deus à mera liturgia de embromar, durante meia hora ou mais, só porque o assunto que se está embromando(chamam Pregação) foi distorcido da Bíblia. Reduziram a Palavra de Deus à mera letra, e por sinal, mal interpretada, mal conduzida e mal divulgada. A Palavra de Deus a vejo no pássaro que canta pela manhã, no Sol que brilha fortemente, na chuva que rega a terra, na arte, na música(sim, indiscriminadamente, sem classificação gospel/secular), nos filmes, na literatura(sim, indiscriminadamente, sem classificação cristã/secular), nos gestos de carinho, na fidelidade conjugal, na cumplicidade paterna e até mesmo em mim. Quem tem o direito de reduzir a meras tagarelices eloquentes e dissimuladas a Palavra do Todo-Poderoso que expressa toda sua glória na Criação? Placas não me dizem a Verdade. Placas são marketing. Chamam atenção e desfocam o verdadeiro Cristo.
Doutrina não salva ninguém, código de conduta não salva ninguém, indumentária e verbos peculiares não salvam ninguém, paredes não salvam ninguém, placas não salvam ninguém... Jesus, pela fé e pela graça, não por obras para que ninguém se glorie, salva todo aquele que crê nele.


2 comentários:

  1. pelo menos Pedro e Paulo tem realmente as credenciais de apóstolos né? kkkkk pq hj em dia... hehehe e esse negócio de asa quebrada do querubim thy? hasuhaushauhsua

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  2. Olá Thiago,

    Entrei em teu blog por acaso e até gostei de algumas opiniões q li aqui. Só tem um detalhe que considero curioso: "Doutrina não salva ninguém, código de conduta não salva ninguém, indumentária e verbos peculiares não salvam ninguém, paredes não salvam ninguém, placas não salvam ninguém... Jesus, pela fé e pela graça, não por obras para que ninguém se glorie, salva todo aquele que crê nele."
    OK! Porém fica a seguinte dúvida: Quem não é cristão, portanto se pressupõe q não acredita em Jesus, está destinado ao inferno por td a eternidade? E homens como Gandhi, Sidharta Gautama, Dalai Lama, os quais não eram cristãos (no caso de Lama o qual não é cristão), mas se dedicaram ao bem mais do q muitos "representantes de Deus", amargarão as portas do inferno qdo não forem escolhidos durante o juízo final, pois não seguiram Jesus? Nunca paraste para pensar se as interpretações bíblicas estão realmente certas? Pois se raciocinares, mais da metade da população mundial não está salva, uma vez que a maior religião atual é a muçulmana. Já imaginaste que eles podem ter a mesma opinião em relação aos cristãos? Daí suscitaria a seguinte pergunta: Quem realmente está salvo? Aquele que o segue, q se diz crente em Jesus, porém tem o comportamento semelhante aos padres do Vaticano e pastores dessas igrejas q se proliferam pelo país, ou aquele q talvez nem conheça Jesus, mas pratica mais o bem do q o "verdadeiro cristão"?

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