30 de nov de 2007

Vingança

Como diz o sábio sr. Madruga: "A vingança nunca é plena; mata a alma, e a envenena!".
A vingança é um sentimento intrínseco ao ser humano, não há o que discordar. Desejamos a vingança quando nos vemos prejudicados por um ente, um indivíduo ou grupo qualquer. Desde que estes tenham nos causado algum mal sentimo-nos injustiçados. Parece que a vingança fala de justiça. De equiparar as casualidades entre os envolvidos. Tantos quantos tiveram a oportunidade de vingar-se ao menos uma vez na vida, sabem que realmente é, deveras, uma realização doce. É quase um alívio! Um gozo! Alguns chegam ao êxtase! Mas, todos estes concordaram que o doce torna-se em amargo. A consciência interfere e acaba com a festa. Justificamos nossa vingança invocando a justiça. Vingança é uma questão ética há muito discutida pela humanidade.
Sobre as bases morais, psicológicas e culturais da vingança o filósofo Martha Nussbaum escreveu: "O senso primitivo do justo — notadamente constante de diversas culturas antigas a instituições modernas . . . — começa com a noção de que a vida humana . . . é uma coisa vulnerável, uma coisa que pode ser invadida, ferida, violada de diversas maneiras pelas açoes de outros. Para esta penetração, a única cura que parece apropriada é a contrainvasão, igualmente deliberada, igualmente grave. E para equilibrar a balança verdadeiramente, a retribuição deve ser exatamente, estritamente proporcional à violação original. Ela difere da ação original apenas na sequência temporal e no fato de que é a sua resposta em vez da ação original — um fato freqüentemente obscurecido se há uma longa sequência de ações e contra-ações".
A violência, o homicídio, os estupros e as chacinas constantemente noticiadas no Brasil e no mundo deixam-nos em estado de choque. Particularmente, tenho andando muito indignado com toda essa crueldade humana deliberadamente solta por aí. São casos que nos deixam sem palavras. A única coisa que nos arrebata a mente é que tais desertores, homens cruéis, deveriam pagar todo o mal que causaram com a mesma moeda. Como cristão, ciente da doutrina de Jesus, sinto quase que um sentimento de revolta diante de tão 'absurda' graça.
As vezes, desejo que o nosso Deus haja como hagia no Antigo Testamento. Imagine só, você -um levita- estar peregrinando rumo a Casa de Deus com sua mulher e aceitar com gratidão a hospitalidade de um bom cidadão de uma cidade, da qual precisa pernoitar antes de seguir viagem. E durante a noite, um grupo de homens cercam a casa e exigem que o anfitrião entregue o hóspede para que seja estuprado e violentado por eles. O anfitrião tenta negociar sua filha virgem e a mulher do hóspede para não desonrar sua hospitalidade - fala sério! Que cultura!?. Enfim, os vagabundos levam a mulher do hóspede. Ela é abusada, violentada e estuprada pelo grupo de forma desumana e brutal durante toda a noite até o amanhecer. Depois, a abandonam deploravelmente, e esta consegue chegar até a porta da casa onde hospeda seu senhor, o levita, e morre, enfim, agarrada ao limiar da porta. Quando leio esta história - Juízes 9-20 - posso sentir a revolta e o desejo de vingança deste homem. O interessante é que essa maldade foi vingada e tornou-se em guerra. Todo um povo tomou as dores de um homem e declarou guerra ao povo do qual pertenciam aqueles desgraçados. Leio esta história com certo gozo. Com alívio! Tenho a impressão de que justiça foi feita. E com patrocínio de Deus!
Para nós cristãos, dependentes e salvos pela graça de Cristo, tal empreitada seria desobediência total às palavras de nosso Senhor. Deus não mais nos acompanhará em nossas vinganças pessoais ou sociais. E nos consola com a certeza de que a vingança pertence a Ele somente. Resta-nos, amar nossos inimigos ( mesmo o pior deles?!), voltar a face em vez de revidar (mesmo quando estupram uma criança?!), e permitirmos que o Único que não tem pecado algum possa, de fato, atirar pedras em alguém...

Nem todo sagrado é divino

Toda experiência com o divino é sagrada, mas nem toda experiência sagrada é divina.

As experiências sagradas colocam o crente em contato com o numinoso, com o mistério, com as dimensões que transcendem os mecanismos biológicos e físicos da vida. As experiências sagradas acontecem em lugares específicos, através de objetos especiais, com rituais ou na meditação e assimilação de textos místicos. As experiências sagradas precisam de contornos religiosos definidos – que não são, obrigatoriamente, próprios de uma igreja.

Uma torcida organizada numa arquibancada de estádio também pode proporcionar uma experiência sagrada - e que será muito parecida com a de uma religião. Arrepios, enlevos e arrebatamentos na hora do gol, ou quando a taça de campeão é erguida, possuem características religiosas. Assim, as experiências sagradas não se limitam, exclusivamente ao campo religioso. Uma tarde em Itapoã, um reencontro de amigos saudosos, bebericar café com pão-de-queijo num dia chuvoso, podem ser sagrados sem que signifiquem um encontro com Deus.

Já as experiências com o Divino não precisam de focos específicos (Deus é mistério e espírito, e não pode ser contido num foco); não se restringem a lugares (adora-se a Deus em espírito e em verdade, nunca em templo feitos por mãos humanas).

Repito, a experiência com o Divino será sagrada, mas nem sempre religiosa. Quando o Samaritano ajudou o homem que agonizava numa beira de caminho, ele encarnou, e experimentou, o amor divino numa dimensão que estava longe de ser religiosa. Também, quando no último dia, Deus separar os bodes das ovelhas, o critério não será religioso. O destino eterno das pessoas será definido por ações muito naturais como dar de comer a quem teve fome, vestir os nus e solidarizar-se com os encarcerados.

As instituições religiosas, sempre ávidas de defenderem o direito de existirem, tentam confundir as duas experiências. Afirmam, sem titubear, que seus rituais, cultos e militância são Divinos. Nem sempre!

O que as diferencia o Divino do Sagrado? As experiências religiosas, por mais arrebatadoras, por mais deslumbrantes, por mais apavorantes, não conseguem transbordar para a vida. Restritas a uma hora e a um lugar, no máximo, provocam sentimentos piedosos. Segundo Rudolf Otto, geram, simultaneamente, “medo e fascínio”, mas ficam nisso.

Por outro lado, as experiências com o Divino suscitam integração, mudança de consciência, compromisso com a vida; uma práxis transformadora. Para encontrar-se com Deus, não se precisam de ritos, compromissos com o rigor dogmático ou de obediência institucional, mas de fé. (Aqui, defino fé como uma coragem existencial). Deus se revela e apostamos que seus princípios e verdades são suficientes para tenhamos vida e vida com abundância.

As igrejas se especializaram em reproduzir experiências sagradas, que podem ser estereotipadas, massificadas e desejadas como um fim em si mesmas.

As experiências com o divino, porém, são sempre únicas e irrepartíveis; elas fogem do controle sacerdotal (o Espírito sopra onde quer e como quiser) e não podem ser ideologicamente manipuladas.

As experiências sagradas se mantêm na vertical: mulheres e homens em busca do transcendente; são também intimistas: mulheres e homens emocionalmente afetados pelo misterium tremendum.

Todavia, as experiências com o Divino se expressarão na horizontalidade (a fé sem obras é morta); sempre na relação com o próximo. Eis o motivo porque Jesus enviou seus discípulos para fora dos contornos religiosos. Eles deveriam ir pelas estradas, atalhos e vielas para promoverem a vida e, para isso, a religião é desnecessária.


Soli Deo Gloria.
Retirado do site de Ricardo Gondim.

29 de nov de 2007

Hillsong Conference 2007 Opening

Ahhh, que vontade de morar na Austrália... Imagine só presenciar uma abertura destas? Com direito a Amazing Grace como desfecho? Fala sério!

Hillsong Conference 2007 Opening

"As concessões mágicas feitas pelas igrejas pentecostais às massas desafortunadas, por certo, não constituem tão somente meras concessões (...) observa-se que a oferta pentecostal de serviços mágicos segue cada vez mais uma dinâmica empresarial, ditada pela férrea lógica do mercado religioso, que pressiona os diferentes concorrentes religiosos a acirrarem seu ativismo e a tornarem mais eficazes suas ações e estratégicas evangelisticas."

Ricardo Mariano


“O louvorzão, assim como as vigílias e as reuniões de oração, e até mesmo o mais simples culto de domingo, muitas vezes não passam de um tipo de superstição que beira a feitiçaria, uma vez que ele é realizado com o intuito de ‘forçar’ uma ação benévola da parte de Deus, como se o culto e o louvor fossem um ‘sacrifício’, como os antigos sacrifícios pagãos. Neste caso, não temos mais liturgias, mas sim teurgias, nas quais procura-se manipular o poder de Deus”“A Piedade Pervertida” (Grapho Editores)

Ricardo Quadros Gouvêa.
Retirado do excelente blog Saindo da zona de conforto.

28 de nov de 2007

Misericórdia de mim pobre pecador...

Jesus, tenha misericórdia de mim! Porque se o Senhor não a tiver não aproveito em nada minha insignificante existência.

Querido Jesus, Filhooo de Daviiii, tem compaixão de mim mendigo espiritual. Volte-se para minha pobreza de espírito. Toca em minha vida e cura-me de toda minha impureza. Perdoa meus pecados, meus muitos pecados. Atenta para meus frutos, meus poucos frutos.

Jesus, pegue o fracasso que sou e ao menos torne-me favorecido perante Ti. Não te peço riqueza, status ou que seja bem-sucedido, mas, peço-te milagres. Torna o fracasso que sou comigo mesmo em amor próprio e equilibrada auto-estima. Consciente da minha condição vulnerável e passiva de erros, muitos erros. Torna a decepção que sou para as pessoas em sal e luz. Oh, Deus! Trata meu interior em declínio com seu acolhimento e respaldo. Jesus, tenha muita compaixão de mim! Corrije meu mal humor e stress para com aqueles que nada tem partido em minhas frustrações particulares. Faz-me, como tu, manso e humilde para com estes. Ajuda-me a reter palavras agressivas e impensadas que ferem aquele que persevera em ser meu amigo.

Jesus, tenho muita vergonha de Ti. Quantas são as vezes - e só Tu o sabes - que portei-me como o mais descarado hipócrita sujo, impuro e desgraçado em minhas externas atitudes carolas? Perdoa-me, Jesus, quando por trás de cada crítica radical e efusiva contra os religiosos fariseus desta geração, está o pior deles. Como me envergonho de Ti meu Senhor! Porque conhece todos os meus pensamentos. Pensamentos que não revelaria ao mais íntimo dos íntimos. Mas, Tu, o conheces e sabes muito bem o quão imundo sou! Jesus, perdoa-me pela pouca oração - talvez pela total falta dela. Deus, tenha pena de mim desgraçado que sou em meus caminhos. Conduz-me pelas veredas da Tua justiça por Teu inefável e inextinguível amor! Oh, Soberano Deus! Jesus, não me direcione ásperas palavras como tu o fazias aos fariseus, escribas e versados na lei. Perdo-me pelas máscaras que carreguei e pelas tantas outras que ainda não abandonei! Destrua-me totalmente e refaça-me como um vaso novo para Tua honra e glória Senhor! Talvez doa, doa bastante, mas, não me deixe assim! Faça-me de novo, Jesus! Limpo, puro, santo, justo e reto! Remido de toda concupiscência! Aumenta minha fé Senhor Jesus - talvez ainda não a tenha para que aumente. Perdoe-me pelo péssimo filho que sou! Perdoe-me pelo péssimo namorado/noivo que sou! Perdoe-me pelo péssimo amigo que sou! Perdoe-me pelo péssimo colega de trabalho que sou! Perdoe-me pelo péssimo colega de faculdade que sou! Perdoe-me pelo péssimo vizinho que sou! Perdoe-me pelo péssimo membro infrutífero que sou enfermizando Teu Corpo!

Meu Salvador, lava-me no Teu sangue e tira de mim todos os meus pecados. Mas, repita o processo amanhã! Senhor, me ensina a depender totalmente de Ti. Me ensina a entender a Tua Graça e o Teu Evangelho. Senhor Jesus, nada em mim é digno de agradá-Lo. Quero morrer para mim mesmo e nascer para Ti. Não permita que eu ressucite. Estou cansado de ser um zumbi devorador de espiritualidade alheia para sobreviver e fingir que vivo para Ti. Deus meu, Deus meu! me ajude a edificar meu próximo com minha vida. Perdo-me por tantas vezes ser um projeto de verdadeiro discípulo que mais se mostra como um indivíduo pedante. Pretensioso e afetado pela sabedoria que sobrepuja aos meus próprios olhos. Senhor Jesus, preciso que faça comigo tanto quanto o fez com aquele assassino de cristãos, com aquele covarde mentiroso que O negou, com aquele ladrão oportunista que morreu ao seu lado e com tantos outros, escórias da humanidade redimidos pela Tua maravilhosa Graça. Justifica a mim pobre desertor!

Senhor Jesus, esta é a mais sincera oração de um vil pecador! Amém!

Não basta não fazer o mal

O final será tão simples quanto o começo de tudo.
Já que a Árvore era do Conhecimento do Bem e do Mal, ao final o que se terá será apenas o bem ou o mal na sua forma mais simples.
Assim...
Se houve ação para o bem-menor, mesmo que o mais singelo, como dar um copo de água, agasalhar, abrigar, socorrer, defender, confortar a todos os necessitados que tenham estado efetivamente diante de nós... — então, se vai para a Vida.
Assim...
Se houve omissão como perversidade auto-denfensiva, a qual simplesmente cega tanto o indivíduo que faz com que ele pense que se não fez nada de errado, se cumpriu as leis e manteve a moral da maioria moral, então ele fez a sua parte e deu à sua vida o nobre significado de não pedir e nem oferecer ajuda. Ou seja: um perfeito cidadão!
A uns Jesus dirá:
Vinde! Entrai no gozo! Pois a mim vocês serviram a todos aos quais se deram na existência! Era eu quem estava lá. Entrem todos! Muitas são as moradas para os que são morada.
A outros Ele dirá:
Vocês nunca quiseram me conhecer. Eu persegui vocês com tantas oportunidades. Mas vocês fugiram de mim como quem foge de um necessitado! Nunca pude conhecer vocês: vocês nunca deixaram!
Simples assim é o Caminho do Evangelho!
Antes o que se tinha era a escolha de saber sobre o Bem e o Mal. Agora que se sabe, então, a escolha é mais do que deixar de fazer o bem e o mal, como se pudesse haver uma existência para a qual bem e mal tenham ficado suspensos pela moral ou pelas obrigações contratadas.
Não! Agora já não há mais o lugar do saber mais... Todos sabem... O que há é a decisão de fazer ou não o que é bom conforme a vida.
A quem deseja Saber Mais, Jesus diz:
“Vai tu, e faze o mesmo!”

Nele, Caio

Retirado do site de Caio Fábio.

Pergunto porque me angustio

A fé cristã não deveria promover simplicidade e desprezar qualquer pompa?Os crentes não teriam obrigação de chorar a morte dos chacinados em becos desertos com as mesmas lágrimas que vertem quando morrem pessoas famosas?
Não precisaria haver uma comoção maior pelo assassinato de cem mil iraquianos, meros efeitos colaterais de uma guerra mentirosa, do que preocupação pelos ricos que viram suas casas pegar fogo?
Secaram-se as lágrimas para os haitianos que vivem como ratos entre monturos?
Por que não se escutam lamentos pelo holocausto de milhões de meninas e meninos africanos que agonizam com Aids?
Não deveria haver um dia para protestar contra o abandono de brasileiros idosos que mendigam o pão diário antes de partirem desta vida?
Por que as bandeiras dos paços públicos não ficam hasteadas a meio pau pelo homicídio negligente e silencioso nos corredores dos hospitais públicos?
Se as igrejas anunciam um Deus que odeia a balança enganosa, por que tratam alguns valendo mais do que outros?
Onde estão os líderes cristãos que desejam mais parecerem executivos bem sucedidos do que discípulos de Jesus de Nazaré?
Não seria obrigação da igreja fugir da ostentação; evitar o luxo das vestimentas clericais e a suntuosidade de suas catedrais?
O culto a Deus precisa virar espetáculo?
Os piedosos crentes que temem o avanço homossexual não deveriam também denunciar a complacência material ou o desprezo ambiental?
Vale a lógica de que os fins justificam os meios, quando esses fins forem divinos?

Soli Deo Gloria.

Retirado do site de Ricardo Gondim.

Assassinos...

[...] todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo. (Mt 5:22)
Jesus completa o que foi dito aos antigos da sua época a respeito do homicídio. Confronta nossa ética e faz-nos perder toda a compostura frente a afirmações de que, também, somos passivos de juízo quando somos ofensivos, iracundos, violentos, agressivos e deselegantes com outras pessoas. Equipara o assassinato físico com o assassinato emocional ou espiritual. Para Jesus, tanto o maníaco do parque quanto o funcionário que pragueja o chefe do departamento, cometem o mesmo pecado sujeito ao mesmo julgamento.
“Pau, pedras e, é claro, palavras podem ferir. Jesus chega até a fonte interior do pecado: o estado do coração. O assassinato começa com uma atitude homicida que deseja o mal de outra pessoa. Jesus considera a intenção tão perigosa quanto o ato. Palavras iradas podem ferir a pessoa que as profere tanto quanto o alvo pretendido.” (comentário da Bíblia de estudo Vida, p.1487, O que há de tão mau em proferir insultos? (5.22)).
Quantas vezes já não sentimos raiva de alguém? Aquele “Bom dia!” engasgado que disfarça um f...*@#$>a-+&%? Aqueles três beijinhos que escondem sua repulsa pela pessoa. Quem nunca se irou como pai, com a mãe, com os irmãos ou com os colegas? Qual o pai, ou a mãe que nunca se irou contra o filho? Constantemente somos tentados a dizer “poucas e boas” ao camarada que já não agüentamos mais! Por vezes, somos arrogantes com o vizinho impertinente e sem escrúpulos. Raros os momentos que somos cordiais com os da nossa própria casa: pais, mães, filhos, avós...
Quantas vezes já não assassinamos o sonho de outrem com uma palavras áspera e desestimulante? Ou já não matamos sentimentos de alguém? Ou deixamos grandes feridas em quem tanto amamos? Ou até mesmo naqueles que pouco convivem conosco? Parece que essa geração stress pouco faz questão dos frutos do Espírito longaminidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5:22). Não levamos desaforo para casa! Não voltamos a outra face para ninguém (Mt 5:39). Com nossas pressões diárias resta pouca energia e consideração para agüentar certos “malas” como Paulo nos recomenda: Suportai-vos uns ao outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. (Cl 3:13).
Arrependo-me de muitas palavras impensadas e levianas que, penso terem causado enormes feridas em pessoas que realmente prezo. Como assassino de sentimentos e projetos alheios arrependo-me de tal crueldade e frieza. Às vezes esquecemos que apenas possuímos o Presente para nos reconciliarmos com o irmão. Só tenho hoje para pedir perdão por ser assassino de quem amo. Por ter-me irado contra meu próximo. Por ter insultado alguém. O futuro não me permite segurança alguma para protelar a obediência á Palavra. Não posso deixar o sol se pôr sobre minha raiva, minha mágoa, minha ferida ou orgulho (Ef 4:26).
Como C.S. Lewis disse certa vez, “não existem pessoas comuns”, e que “aqueles de quem fazemos troça, com quem trabalhamos ou casamos, os que menosprezamos ou exploramos, são todos imortais”. Podemos não ter pedido perdão ou ter perdoado neste mundo por ofensas e insultos, contudo, seremos réu de assassinato juntamente com psicopatas, estupradores e ladrões caso adiemos o nosso perdão ou pedido de desculpas ao irmão.
Reconciliemo-nos uns com os outros por causa do Passado, no Presente, porque o Futuro não pertence a nós. (Tg 4:14).


Talvez possa ser tarde demais...

27 de nov de 2007

Chega de promessa de benção

Não dá mais para agüentar tanta promessa de bênção. Enche ter de ouvir pastores oferecendo os mais ricos votos de felicidade e proteção divina a cada culto. Ser abençoado tornou-se quase uma obsessão evangélica nacional.
Promete-se tanta riqueza, saúde física e felicidade que, pelo número de campanhas de oração realizadas, o Brasil já deveria ter melhorado em algum dos índices de qualidade de vida das Nações Unidas; com algum alívio na distribuição de renda ou menos fila nos ambulatórios públicos.
Chega de promessa de bênção. A espiritualidade cristã com suas orações, ritos e expectativas não gira em torno da vontade de ganhar o benefício celestial. A ênfase dos Evangelhos não se resume a um só tema. Jesus lembrou Seus primeiros discípulos que antes de se preocuparem em salvar a vida, eles precisariam estar dispostos a perdê-la (Marcos 8:35).
A grandeza de uma causa não é determinada pelo que seus seguidores ganham ao segui-la, mas pelo preço que estão dispostos a pagar por ela.
Chega de promessa de bênção. Os auditórios lotados de pessoas ávidas por receber mais favor divino favorecem o egocentrismo. Quanto mais se promete, mais se quer receber. Esse caminho não tem fim. O Salmo 106 narra o comportamento dos judeus no período da sua libertação do cativeiro egípcio.
Depois de sucessivos milagres, o povo parecia não se saciar, sempre exigindo mais. Esse fascínio pela próxima intervenção transformou-se em cobiça, e o versículo 15 trás uma dura sentença: ?[Deus] concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma.?
Chega de promessa de bênção. A Bíblia não pode ser encolhida a uma caixinha de afirmações otimistas. Para continuar com seu discurso de caráter prático, a maioria dos pastores só cita textos tirados do Antigo Testamento e, ainda, do período judaico anterior ao exílio.
Os sermões que procuram enfatizar bênçãos deixam de lado os textos contundentes do Novo Testamento em que os cristãos são convocados a viverem em um mundo cruel e doloroso. Jesus não tentou dourar a pílula e nem encobriu a verdade: ?No mundo, passais por aflições? (João 16:33).
Paulo advertiu a Igreja a não se imaginar numa redoma de prosperidade: ?E, tendo anunciado o Evangelho naquela cidade e feito muito discípulos, voltaram... fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, por meio de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus? (Atos 14:21-22).
Jesus revelou à igreja de Esmirna, no Apocalipse, o teor de sua missão: ?Não temas as coisas que tens de sofrer? (Apocalipse 2:10).
Chega de promessa de bênção. Quem se obriga verbalmente a dar tudo, se adorado, é o diabo, nunca Deus (Mateus 4:9). A espiritualidade judaico-cristã não se estabelece sobre utilitarismos. Deus não quer adoração por aquilo que Ele dá, mas por quem Ele é.
No livro de Jó, Satanás fez uma acusação gravíssima contra Deus. Ele tentou incriminar Jeová por só ser amado por Seus filhos por suborno: ?Porventura, Jó debalde teme a Deus?? (Jó 1:9). A narrativa poética do livro inteiro deixa claro que o Senhor não era amado por Suas inúmeras bênçãos sobre a vida e a família de Jó que, pobre, ainda pôde exclamar: ?Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!? (Jó 1:21).
Chega de promessa de bênçãos. A virtude cristã que se deve buscar prioritariamente é justiça. No Sermão da Montanha, os que tiverem fome e sede de justiça serão fartos (Mateus 5:6). Quando o cristianismo destaca a promoção da justiça, todas as demais bênçãos se tornam secundárias (Mateus 6:33). Aliás, não existe pregação legitimamente evangélica sem a busca do direito: ?O reino de Deus não é comida, nem bebida, mas justiça e paz e alegria no Espírito Santo? (Romanos 14:1). Antes de quererem para si a benevolência do Senhor, os crentes deveriam almejar a promessa de Isaías 61:3: ?A fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.? A Igreja Evangélica cresce velozmente no Brasil, mas será que percebeu todas as implicações do que significa seguir a Cristo?

Soli Deo Gloria.

Retirado do site do Ricardo Gondim.

Dia-a-dia, converto-me...

"Jesus Cristo nos chama a segui-lo. Tal convite não pode ser respondido com um mero levantar de mãos em cruzadas evangelísticas. Falo como evangelista acostumado a este fenômeno: milhares de mãos se levantando, respondendo "sim" ao apelo de seguir Jesus. Na realidade, pode ser que o gesto seja o primeiro de uma sucessão benéfica que inclua: apertar a mão de irmãos, lavar os pés dos santos, enxugar lágrimas a aflitos, dar água e pão aos pobres, curar as feridas dos flagelados, impor as mãos sobre os doentes ou uni-las em oração e prece. Se este for o processo, então aquele gesto foi válido. No entanto, se não propiciar tal fluxo de vida e sucessão de atos, não passou de coreografia de trabalho religioso, ilusão pra os servos da idolatria estatística e fantasia para os que pretendem povoar o céu a partir da "graça barata".
Seguir Jesus não não é ser modelado dentro do apertado terreno dos condicionamentos psicológicos, culturais e religiosos dos nossos guetos evangélicos. Entre nós, a conversão é muitas vezes um fenômeno de mimetismo, não o nascer de uma nova criatura (II Co 5:17). A conversão é, na nossa superficial e frequentemente hipócrita cultura evangélica, a assimilação de chavões, palavras, gestos feitos, tom de voz e indumentária própria. Não tenho medo de ser julgado. O que disse está dito, pois conheço a igreja de Cristo no Brasil e sei que ela precisa ser liberta da religiosidade que por vezes Jesus odiou e reprovou (Mt 23:1-36)." Caio Fábio.
Lembro-me quando ergui minha mão em resposta a um apelo do pastor (inclusive não posso dizer bem ao certo sobre o que se tratava o apelo) durante um culto que visitei por convite do meu primo. Sei que a música era boa e gostava de ouvir. O fato é que ergui minha mão várias vezes em vários cultos, sempre inseguro se havia ou não cumprido a ritual de forma correta para a minha iniciação nessa nova religião.
A conversão é, na nossa superficial e frequentemente hipócrita cultura evangélica, a assimilação de chavões, palavras, gestos feitos, tom de voz e indumentária própria.
Bom, de uma coisa eu sabia. Eu não era mais católico-ateu-espírita-à toa. Mas, lembro-me com certo embaraço e divertimento que desejoso de pregar o Evangelho acabava por vezes atacando Maria, santos e imagens católicas e reencarnação que falando de Jesus. Acho que foi esse o apelo. Trocar de religião! E foi esse "evangelho" que me empenhei em pregar (rss). Economizei muita simpatia dos meus chegados e discípulos em potencial.
Mas, a Verdade, enfim, me alcançou pela Graça. O Evangelho me foi revelado "nu e cru" sem aditivos religiosos, segregaristas, sectaristas e facciosos. Ante-ontem, levantei minha mão e aceitei seguir Jesus, neguei-me a mim mesmo e tomei minha cruz. Ontem, levantei minha mão e aceitei seguir Jesus, neguei-me a mim mesmo e tomei a minha cruz. E, hoje levanto minha mão e aceito seguir Jesus, nego-me a mim mesmo e tomo a minha cruz (Lc 9:23).

Recomendo a leitura do pequeno livro Seguir Jesus: O mais fascinante projeto de vida de Caio Fábio. Conteúdo incisivo e prático.

26 de nov de 2007

Senhor, obrigado pelo herege

Minha admiração pelos hereges é indisfarçável. Eles mexem com os meus desejos mais escondidos. São capazes de me sensibilizar mais que quaisquer outros. Falam a minha alma. Adrenalizam meus pensamentos. Suas déias desconcertantes é que me fazem continuar vivo.
Eu confesso, preciso de suas heresias como da endorfina espalhada pelo meu corpo ao fim de cada corrida. Como um prazer vital. A estética da alma. A cada exercício fico suado e mais feliz. A cada heresia, desestabilizado e mais humano.

Mas antes que minha declaração de amor e gratidão aos hereges seja confundida com um delírio, preciso expor meus motivos e compreensões. Estou certo de que ganharei sua companhia em meus afetos.

Heresia é uma escolha e essa é a sua gravidade. A conceituação não é aleatória. A palavra grega para a 'heresia' que conhecemos é /haíresis/, seu significado literal é 'escolha'. Heresia é como chamamos algo que não deveria ser escolhido como algo a dizer. Herege é o que faz a escolha que, mesmo podendo ser feita, não deveria.

Mas heresia nunca é um nome que quem nela incorre se dá. É uma palavra que apenas se encontra na boca de quem se sente contrariado, nunca na boca de quem contraria. Herege não é como quer se sentir quem discorda de um pensamento.

Herege é como quem sofre a oposição de idéias precisa que se sinta quem ousa fazê-lo. Porque a escolha feita por quem sofre a sentença de que é um herege é a escolha de não se submeter à hegemonia representada por quem pode assim sentenciar. Portanto, heresia não é uma questão sobre a verdade das coisas. Mas sobre quem manda de verdade.

Rubem Alves fala dos fortes e dos fracos como uma relação marcada pela heresia. "A heresia é a voz dos fracos. Do ponto de vista dos sacerdotes, os profetas sempre foram hereges. Do ponto de vista dos fariseus e escribas, Jesus foi também herege. E, como as Escrituras sistematicamente se situam ao lado dos fracos contra os fortes, é melhor dar mais atenção às heresias do que às ortodoxias.

É preciso situar a heresia, portanto, nas relações de poder. Quem levanta a suspeita de heresia não é quem está ingenuamente interessado na verdade, mas quem precisa se livrar de alguém que ameaça sua condição de dono da razão. O herege assalta o que se sente no direito de ter a última palavra.

Quem se sente com a última palavra é aquele que pratica o poder mais que o pensamento. Quem pratica o poder busca sempre se afirmar em detrimento do outro, do diferente. É preciso esvaziar de valor aquele que ameaça sua condição de superioridade.

Declarar que alguém é um herege é bem mais que dizer que ele discorda de suas idéias. Mas é fazer convergir sobre ele toda a violência acumulada em uma sociedade por seus medos, culpas, inadequações, acidentes, injustiças, frustrações. O herege é como o "bode expiatório" de René Girard. Alguém sobre quem incide a violência de todos em um acordo social silencioso, em uma compensação inconsciente.

Como aconteceu na tradição cristã com a personagem Judas Escariotes, aquele que traiu. Todos vacilaram e negaram fidelidade a Jesus, mas apenas Judas encarnou, no imaginário coletivo, o mal da humanidade. Como as bruxas na Idade Média, responsabilizadas por todas as desventuras de uma sociedade, eliminá-las era livrar-se do próprio mal humano.

Com o herege parece ser repetida a mesma mística coletiva e inconsciente. Ele é o culpado pela instabilidade da vida. Declará-lo herege é eliminá-lo de sua influência no destino de uma comunidade, como quem se livra do próprio mal da humanidade. Em uma sociedade ocidental do século XXI a fogueira tornou-se simbólica, mas não menos violenta. Destruído em sua integridade, o herege tem sua humanidade apagada. Suas palavras são pulverizadas e perdem o poder legítimo de interação.

Alguém sob a suspeita de heresia é sempre ouvido por todos com pedras nas mãos. Como nas cenas freqüentes dos evangelhos, quando os religiosos acusavam Jesus de blasfemar contra Deus ao se afirmar como um ser que sua religião não concebia: Filho de Deus. Em suas mãos, registra bem o detalhe quem narra, já estavam as pedras preparadas para serem desferidas em punição contra o blasfemo. O herege é alguém cujas idéias são ouvidas com as pedras nas mãos.

Há quatro palavras que precisam se associar para uma melhor compreensão do fenômeno herege. Instituição, ortodoxia, contingência e heresia.A instituição é via de mão única para um ser finito não entrar em inércia. Ninguém segue em frente em nenhum projeto ou relação sem institucionalizar.

Ninguém precisa parar e organizar friamente uma instituição para que ela surja. Basta seguir em frente no desenvolvimento natural de qualquer projeto ou relação.

Porque instituir é estabelecer a memória de uma viagem feita em comum com outros viajantes. Esta memória é constituída pelos hábitos, critérios, compromissos, regras, objetivos e teorias confeccionados ao longo do caminho. Eles são o mapa do caminho que já se fez e o que ainda precisa ser feito.

Sem esses valores nos transformamos em Sísifos, cujos trabalhos nunca se concluem. Sísifo foi o deus da mitologia grega conhecido por sua esperteza.

Por várias vezes conseguiu enganar /Tanatos /e /Hades/, deuses da morte e dos mortos. Ao morrer de velhice, Sísifo foi condenado a rolar montanha acima uma pedra de mármore. Cada vez que se aproximava do topo a pedra rolava montanha abaixo de novo com uma força insuperável, obrigando a começar de novo sem nunca terminar a tarefa.

Uma instituição é assim. Uma igreja, para falar mais de perto, precisa de uma programação a ser cumprida como uma agenda sagrada. São seus cultos. De uma linguagem que expresse suas crenças nos cultos. É a sua liturgia. De um conteúdo que responda aos seus questionamentos. É a sua pregação. De idéias que solidifiquem sua fé.

São seus dogmas. De pessoas que zelem por seus valores. É a sua hierarquia. É a memória que se cria ao longo de um caminho de fé compartilhado. Esta memória é que dará condição de sustentar um projeto com o passar do tempo, conquistando a confiança daqueles que a ele aderem e que anseiam por estabilidade. Esta adesão em busca de estabilidade é que autoriza a instituição.

A autoridade de uma instituição é o modo como é mistificada. A instituição, seja ela casamento, igreja, estado, partido político, agremiação, clube, faz o discurso, sempre e necessariamente, convincente de que é a resposta mais confiável para satisfazer determinadas necessidades ou aspirações. É a resposta persuasiva de que veio para ficar de tão pertinente.

O que a torna, então, um valor que precisa ser religiosamente perpetuado, com o risco de se desperdiçar algo essencial para a vida. Não demoram tanto, muitos estarão persuadidos sobre sua hegemonia: ela é a melhor resposta.

Sua perpetuidade: parece que sempre foi assim e, portanto, não deve ser de outro jeito. Sua heteronomia (uma regra que vem de outro): um deus a determinou, logo, é sagrada. Sua intocabilidade: opor-se a ela é quebrar um ciclo sagrado e, por isso, provocar a ira dos deuses, ou de Deus.

Mas curiosamente, a força que a torna necessária, a princípio, é a mesma que a fará questionável, depois. A contingência. Essa é a dinâmica da vida, sua "irresistível leveza de ser", como no romance de Milan Kundera. A vida é fluida demais para ser emoldurada por uma instituição. O que hoje é, amanhã não mais será. Lulu Santos e Nelson Mota compuseram uma das mais belas canções que conheço: "Como uma onda no mar", nela os poetas retratam a fluidez da vida. Uma de suas estrofes diz: "Tudo o que se vê não é/ Igual ao que a gente viu a um segundo/ Tudo muda o tempo todo no mundo/ Não adianta fugir/ nem mentir pra si mesmo agora/ Há tanta vida lá fora/ Aqui dentro sempre/ Como uma onda no mar!"

A vida não se repete. É inédita, imprevisível e incontrolável. As necessidades que geraram determinada instituição e suas respostas ou deixam de existir ou mudam.

Tornam-se mais complexas ou sem importância diante das outras e novas necessidades. Se mudam as necessidades, ou se deixam de existir para existirem outras, mudam também as perguntas ou novas questões se impõem. É nessa dinâmica que surgem os hereges, "como uma onda no mar". Como aqueles que ousam sugerir as novas respostas para as perguntas que ninguém quer ouvir. Quebram o encanto da estabilidade falando do que não estava previsto ou do que não era plausível dentro das teorias da instituição.

O herege é um desritmado. Todos dançam na mística do que está instituído, em seu único ritmo. O herege por razões várias sai do ritmo. Viveu uma crise, divagou em um insight, sentiu-se entediado e insatisfeito, intuiu variações possíveis.

Qualquer ou quaisquer coisas que quebrem a seqüência e a unanimidade podem fazê-lo perceber o diferente. Ao sair do ritmo descobre uma nova possibilidade de dançar no mesmo salão. Descobre o improviso e o contratempo. Percebe que é possível, faz sentido e é bom ser diferente.

Thomas Kuhn chama o fenômeno que inicia a quebra de um paradigma de anomalia, um fator não explicado satisfatoriamente pela Ciência Normal. Até que um cientista, desprovido de muitas explicações, movido mais por intuição que por certeza, arrisca uma outra e heterodoxa explicação.

Logo terá em torno de si outros cientistas que também trabalharão com o candidato a novo paradigma até que ele venha a se tornar a Ciência Normal. O herege é como o cientista que, diante do acúmulo de perguntas não respondidas, destoa arriscadamente do modo como se vinha fazendo e explicando as coisas.

Mas há ainda outra palavra a ser associada para a compreensão do fenômeno herege, a ortodoxia. Ela é o discurso a serviço da instituição.

Tem o seu bom valor em seu tempo real. Em determinadas condições aquelas respostas eram boas o bastante para serem levadas a sério e às últimas conseqüências. Ninguém constrói uma crença sem acreditar que ela faz sentido, que precisa ser ampliada e deve ganhar a coerência interna de seus argumentos.

Tanto quanto é relevante o bastante para ser objeto de persuasão do maior número de pessoas. Mas o grande problema da ortodoxia não é ela mesma e sim os ortodoxos.

Os ortodoxos são aqueles que atrelam ao discurso da ortodoxia seus valores pessoais. Um discurso feito sempre se confunde com o valor próprio de quem o publica. Quem doutrina sente a necessidade de perpetuar o pensamento ora defendido como quem salva a própria pele. São os ortodoxos que por auto-afirmação precisam sustentar a hegemonia de um pensamento: uma ortodoxia.

A perpetuação de uma doutrina a todo custo é sempre auto-perpetuação. Os estudiosos da psicologia interativa tratam da relação da fala com as paixões ideológicas. Uma vez que alguém se pronuncie a favor de determinada posição tende a associá-la a seu valor pessoal e, em defesa deste valor, lutar incansavelmente. Por isso o engajamento e a passionalidade. Certamente é por essa razão que quando alguém discorda de uma ortodoxia sofre uma reação tão violenta dos ortodoxos. Porque feriu sua própria carne.

Sem os ortodoxos a ortodoxia seguiria seu curso finito e natural: a morte. Mas como a morte de uma ortodoxia é o fim dos valores de um ortodoxo e de sua auto-perpetuação, é preciso impedi-la como quem luta contra a própria morte.

Com o desenvolvimento das novas tecnologias na medicina, passamos a conviver com mais uma difícil ambigüidade. Algumas pessoas, ao fim anunciado de suas vidas, que já deram sinais de extrema debilidade física e, às vezes, de morte 'existencial', porque já não mais respondem às conversas, nem demonstram qualquer afetação emocional, mas estão tecnicamente vivas, sobrevivem mecanicamente.

São assim mantidas pelo enorme recurso tecnológico da ciência médica, com os antibióticos cada vez mais potentes, os aparelhos que substituem o funcionamento de órgãos vitais e o monitoramento fino que rastreia qualquer aproximação da morte. É a morte adiada. A complexidade está em definir até que ponto se pode manter um corpo vivo artificialmente sem o comprometimento ético da vida.

Afinal de contas somos seres finitos e a morte é o destino natural de todos. Fico sempre com a sensação de que se macula a dignidade de quem precisa se despedir com naturalidade da vida, mas é tecnicamente impedido.

Decidir por não usar recursos que vão apenas adiar a morte e protelar uma vida vegetativa, já tão bem anunciada, é muito difícil. Mas pode ser uma alternativa mais digna e, por que não, mais reverente à vida. Sei que o assunto é mais complexo do que minha intenção de que apenas sirva como ilustração.

A ortodoxia parece seguir a mesma terrível ambigüidade. Já não responde mais ao seu tempo como outrora. Tem aporias diversas em seu interior que comprometem sua pertinência. Não se comunica mais com as pessoas ao seu redor. Mas é mantida viva pela mística da instituição e o monitoramento zeloso dos ortodoxos.

A ortodoxia morre existencialmente, asfixia quem a ela está sujeito, combate com altas doses de apologia seus oponentes, mantém com culpa muitos ao redor de si e impede que a vida prossiga com a fluidez que a torna tão surpreendente e bela.

A heresia é a reverência à vida quando se escolhe não adiar a morte de uma ortodoxia. São as línguas confundidas do mito da Torre de Babel na Bíblia. Desaba a torre com suas pretensões de poder eterno, mas a vida se espalha sobre a terra em sua rica diversidade.

A confusão da linguagem libertou a humanidade da escravidão da ortodoxia. E no mito babélico, Deus é o grande herege: /"Vinde! Desçamos! Confundamos a sua linguagem para que não mais se entendam uns aos outros. (...)Deu-se-lhe por isso o nome de Babel, pois foi lá que Iahweh confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra e foi lá que ele os dispersou sobre toda a face da terra.

Mas não foi a primeira e a única vez que Deus agiu hereticamente ou se colocou ao lado dos hereges. A história dos profetas confirma a sacralidade das heresias. Chama à atenção a profecia de Jeremias.

Enquanto grassa entre o povo a idéia otimista de que tudo estava bem e que o futuro seria de paz e prosperidade, Jeremias contrapõe. Denuncia as ruínas da nação dos judeus e anuncia a tragédia que bate a porta.

Todos se revoltam, alguém feriu a ortodoxia de uma ilusão. O profeta herege é lançado ao calabouço para que a sua voz não fale o que todos não aceitam que se diga. Somente depois, tudo o que o profeta-herege vaticinou fez sentido na mente de todos. Sem sua heresia, sequer haveria lucidez e aprendizado no meio da destruição da nação. Mas essa história é a história freqüente dos profetas, razão porque Deus se queixou do modo como o povo perseguia os profetas.

Mas a maior e redentora heresia de todos os tempos foi a encarnação de Deus. Deus feito gente, Cristo Jesus. Sua relação com a ortodoxia de então foi de profunda tensão: /"ele veio para o que era seu e os seus não o receberam. Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que crêem em seu nome."

Jesus não foi o que a ortodoxia de sua religião e cultura determinava que fosse, uma reafirmação sobrenatural e violenta do judaísmo frente ao poder ultrajante dos romanos. Ele foi uma negação pacífica e radicalmente humana da pretensão sempre perversa de qualquer tipo de dominação sobre quem quer seja.

Não foi pela prática da força que Jesus anunciou a chegada do Reino de Deus. Ele escolheu praticar a fraqueza em uma cultura de forças, o amor que amadurece contra o poder que infantiliza. Acolheu a humilhação em uma disputa cujas armas eram a imponência e a ovação popular. Espalhava quando todos queriam aderir. Escondia-se quando todos reivindicavam visibilidade. Pedia silêncio quando os resultados serviam a mais poderosa propaganda.

Questionava e afligia as mentes quando muitos pressionavam pelas respostas simplistas e conclusivas. Era agressivo quando o mais politicamente estratégico era a polidez. Era Jesus quando todos esperavam um outro Cristo.

Jesus foi o vinho novo que reivindicou um novo odre, ou um tecido novo em negação aos remendos que apenas adiavam o fim de uma cultura e espiritualidade esgarçadas por suas contradições.

A cruz era a mão mais pesada do poder dominante. A mão forte do Império que só se justificava contra a mais terrível ameaça. Tanta força e violência convergindo sobre alguém tão frágil e suscetível – / "como uma ovelha muda que vai para o matadouro", que não desejou os tronos instituídos de Roma ou dos judeus, tiveram ação reversa.

Refluíram contra os próprios autores, contra os poderosos de Roma e dos Judeus, como uma exibição de sua mesquinhez e tolice. A morte de Jesus foi a vitória da vida contra as forças mórbidas da ortodoxia. O Cristo morto desmascarou o perverso e tolo poder das instituições e ortodoxias sobre a vida e libertou a humanidade de sua tirania. O que parecia um poder inquestionável tornou-se um poder idiotizado.

A ressurreição de Jesus é muito mais que a vingança de Deus contra o mal. A ressurreição é insurreição. É Deus se insurgindo ao nosso lado contra toda e qualquer forma de sentença final sobre a vida humana.

Jesus ressuscitando é Deus se insurgindo a favor da vida. Contra todas as forças que pretendem congelar a vida para perpetuar poderosos. A ressurreição é a heresia de Deus contra a ortodoxia da morte.

Por isso, Senhor, obrigado pela heresia.

Elienai Cabral Júnior
Retirado do site do Ricardo Gondim .

25 de nov de 2007

À procura da felicidade

Há muito estava querendo assisitir este filme. O título me atraiu bastante. E a quem não atrai? Assisti, e gostei! Tem uma moral impressionante! Nunca devemos deixar ninguém dizer que não podemos alcançar nossos sonhos. Devemos lutar, sim, por nossos alvos! No filme, Chris Gardner (Will Smith) narra sua história - baseada em fatos verídicos - apresentando sua vida em partes. No desenvolver da trama deparamo-nos com conflitos frustrantes, deprimentes, tristes e desmotivadores nessa procura da felicidade. Mas, o que me chamou a atenção foi a parte da sua vida em que ele chama de "felicidade", como ele disse: "... essa pequena parte da minha vida..."! Afinal, será isso felicidade? Lutar toda uma vida, sofrer o que tiver que sofrer, passar por anos à fio esperando uma pequena parte de nossa vida onde julgamos não sofrer, e chamá-la felicidade?
Será que, felicidade, enfim, é será uma pequena parte da minha vida?

Viver é muito perigoso

Quem sou eu: Apenas uma partícula de existência nesse universo imenso. Sentimentalmente, uma pessoa realizada. Estou sempre de bom humor! Pela graça divina, me esqueço das coisas que para trás ficam e avanço para as que estão diante de mim. Deus é fiel!

Religião: Cristã/protestante.

Paixões: Deus, minha família e meus amigos da igreja.

Livros: A Bíblia.

Música: gospel.

Os dados acima foram compilados e combinados do perfil no Orkut de vários jovens. Em comum, todos eram cheios de energia e de um profundo amor por Jesus. O pretérito é necessário porque eles não estão mais conosco. Todos colocaram um ponto final em sua trajetória terrena nos últimos meses.

Acostumados a fechar os olhos para vários problemas que afligem o rebanho, muita gente fica atônita ao descobrir que todas as semanas alguns jovens evangélicos cometem suicídio. Ao conhecer a trajetória dos que nos deixaram, ficam estarrecidos ao descobrir que o estereótipo de “jovem problema” não se encaixa na maior parte dos casos.

Para quem está longe, a solução é fácil. Basta teorizar que o suicida vai para o inferno, corroborando a opção que Davi fez de se submeter a Deus. Se dependesse das penalidades impostas pelos homens, jamais teria sido usado para compor boa parte das páginas que nos inspiram até hoje.

Aos que vivenciaram essa dor inexprimível, o restante dos dias será permeado por questionamentos temperados com certa dose de culpa.

Ó quão cego eu andei

Geralmente entretidos na área musical da igreja, os jovens nem sempre têm com quem conversar sobre suas angústias mais esconsas. Numa estratégia que combina dessintonia e falta de sensibilidade, os insepultos acampamentos continuam marcados por “sexo oral” em profusão. No caso, palestras e mais palestras sobre o assunto, rep(r)isando o que acontece há várias décadas.

Alas mais radicais defendem teorias obtusas como, por exemplo, que o beijo na boca deve acontecer apenas depois do casamento. Imaginem o exército de profissionais da área de psicologia que será necessário para ajudar futuramente esses casais a desfrutar dos prazeres da “bênção chamada sexo”, como dizia Robinson Cavalcanti na década de 70.

Enquanto drenava minha indignação (mal)digitando estas linhas, soube de mais uma pá de casos de suicídio entre os jovens, vários deles ocorridos em universidades. Simultaneamente, minha caixa postal continuava sendo entupida por SPAM de eventos que vão “impactar a vida” de quem colar por lá. Triste período em que os “lugares altos” perigosamente tornaram-se apenas o ponto escolhido por muitos jovens para o “impacto” final.

Zumbis de Jesus

Tudo quanto me ameace de mudar-me
Para melhor que seja, odeio e fujo
Ricardo Reis

No livro Sobre a Esperança, Frei Betto afirma que “vivemos numa cultura da desgraça”, na qual “as pessoas têm medo da vida, em vez do medo da morte”. Ser íntegro e autêntico é uma decisão que poucos intimoratos tomam quando o patrulhamento é acirrado. O caminho mais confortável é optar por corresponder às expectativas alheias, adotando o que Paul Tournier chama de “persona” e Brennan Manning trata por “impostor”.

Se para alguns esse expediente é rotulado de “vida dupla”, classifico a tática como suicídio do eu verdadeiro. A existência resume-se a uma fastidiosa encenação em lugares marcados no procênio pela expectativa alheia. São meros mortos-vivos que não aquiesceram ao conselho do compositor mineiro e foram incapazes de “abrir o peito à força numa procura”.

A frase de Guimarães Rosa que intitula este texto somente é veraz enquanto as máscaras permanecerem intactas. Que Deus abra nossos olhos e ouvidos para distinguir os gemidos cifrados de tanta gente sofrendo ao nosso redor. Sejam nossos braços abertos um dos sinais visíveis e terapêuticos do amor inaudito e sem reservas do Pai. Hic et hunc.

meu texto p/ a segunda edição da revista CristianismoHoje.
Retirado do excelente Pavablog.

24 de nov de 2007

Adesão ou Conversão?

Adesão é uma atitude frente à uma instituição; conversão é a atitude frente ao Evangelho! Infelizmente temos visto muito mais adesão das pessoas por uma instituição, uma religião que uma conversão das pessoas pelo Evangelho...

Caio Fábio fala sobre conversão:

Gospel Easy Money

É como costumo dizer para minha namorada: Eu queria tanto ganhar na Mega Sena! Já imaginou? Compraria nossa casa! Dois carros! Faríamos o casamento mais lindo do mundo! Pagaria sua faculdade! Investiria na minha carreira profissional! Abriria um negócio próprio! Comprava alguns imóveis para alugar! Construiria a casinha da minha mãe! Não precisaríamos depender de ninguém! Não precisaríamos sujeitar-nos as vontades dos outros porque não necessitaríamos de suas ajudas! Seríamos donos do nosso nariz! Faríamos a nossa vontade! Ahhh... Imagine só!? Mas, creio que não teríamos a oportunidade de crescer em nada! Sei que me tornaria arrogante! Confesso que só de pensar nesse dinheiro já fico arrogante! Não me sujeitaria a ninguém! Minha segurança não estaria em Deus, mas, no meu dinheiro! Não me sentiria ansioso pelo dia de amanhã quanto ao que comer, ao que vestir, ao que beber... Ah, não me preocuparia em pagar o aluguel - ou as vezes em ter o dinheiro para pagar! Não me preocuparia em pagar a água, a energia! Não precisaria agir de forma econômica para garantir a quitação de todas as dívidas e as despesas fixas! Não sentiria a necessidade de cultivar bons amigos suportando-os sabendo que um dia poderia precisar da ajuda deles! Não precisaria ouvir desaforos, humilhações porque não tenho dinheiro, porque nao posso dar um futuro pra alguém, porque não tenho onde cair morto! Nesse não precisaria disso, não precisaria daquilo, creio que acabaria não precisando de Deus!
Aprecio, claro que com muito desconforto, os problemas da minha vida! Sinto-me grato pela dificuldade financeira, pelo problema com o próximo, pela dificuldade para estudar e trabalhar! Sei que em tudo isso, cresci! Tornei-me maduro e forte. Aprendi! Sobrevivi! Sei que em tudo isso fui mais que vencedor! Ser vencedor é fácil! As pessoas vêem quando você vence! Uma promoção, um carro novo, um casamento, um ótimo emprego, uma casa própria... um mestrado! Mas, ser mais que vencedor, é diferente! Apenas Deus e você perceberão sua vitória na perda de um emprego, na dificuldade financeira, na luta para conseguir se formar, na simplicidade da sua casa, nos poucos recursos que você tem. A maturidade, a fé, a esperança, o crescimento, a experiência e a sabedoria adquiridas em todas estas coisas é a vitória! A vitória é que você aprende a depender de Deus, e dos outros! Você pode jamais se tornar um vencedor, mas, sempre será mais que vencedor! Como Jesus que no ápice da sua vitória aparentou poço de fracasso: a Cruz! Podem até olhar para mim e pensarem que estou derrotado; pensaram o mesmo do Rei pendurado numa cruz!
Ser vencedor é fácil! Essa Teologia da Prosperidade é fácil! Esse Evangelho do Dinheiro é fácil! Servir um deus rico, próspero, de sucesso, "valente", "vitorioso" como Mamom é fácil!

O nome do cara já diz tudo ( Creflo Dollar):

O Pastor dos Picadeiros

Respeitável Público, é com grande prazer que anúncio um mundo mágico, com místicos poderes, unções espetaculares, batalhas espirituais e muito, muito mais.

Respeitável público, peço a vocês que fechem seus olhos e nos escutem, pois o que falamos é lei, (1) somos os criadores do novo modo de se adorar a “deus”. A bíblia diz que a fé remove montanhas, mas em nossa fraqueza humana é difícil ter fé, mas não se preocupem, temos a solução para vocês!!!

Acaba de chegar dos céus uma nova visão, uma grande estratégia!!! Quão maravilhoso é nosso “deus” (mamon). Trazemo-lhes agora Patuás, para lhes estimular a fé perdida! (2) Ah, mas é claro, esses objetos são ferramentas nas mão de “deus”, como crer no que não vemos não é mesmo? Falem a verdade, não é muito mais fácil crer quando temos algo em mãos, amém? Vamos levantar nossos patuás, e agradecer a “deus” que nos permitiu usar dessa ajuda! Vamos queimar nossos envelopes de orações na (3) fogueira santa, e quando a fé é pouca para ganharmos de “deus” o que queremos, (4) podemos também comprar aquilo que desejamos! É claro, ele é o “deus” do ouro e da prata, graças aos dízimistas fiéis, amém? Ele quer ver o seu sacrifício, a sua fé, ele quer te por a prova. Podemos nos dar a cajados poderos, se “deus” conferiu um a Moisés por que não a nós? (5) E por que não podemos ter a arca da aliança se ela foi deixada para o povo?

E por que deixarmos de ser abençoados pelo (6) som dos shofares, se ele foi criado para nós? Vamos usar o (7) thalith, o kippah, o menorah e todos objetos judaicos, afinal eles são para todos, inclusive para nós gentios não é mesmo? A mística presente neles é poderosa demais para ficarmos de fora dessa não é mesmo? Será que ouvi um amém? Um glória a “deus”? É claro irmãos que devemos rever nossos conceitos, Jesus é o cara! Ele não é aquele quadradão que você pensa não irmão(Risada Sarcástica)! Ele é um cara descoladão que te prometeu os céus e a terra! As coisas mudaram irmãos, estamos no tempo da graça, não precisamos mais desse negócio de nos colocarmos como vermes, agora somos embaixadores de Cristo na terra! Amém?

Respeitável Público!
Na hora de cantarmos, elevemos nossos olhos para os céus e afirmemos nossa vitória, vamos declarar que SOMOS mais que vencedores, vamos declarar que SOMOS herdeiros de todas as riquezas, que SOMOS filhos do dono do ouro e da prata. Vamos em nosso louvor cobrar de “deus” todas as promessas que ele nos fez, afinal nós viemos para ele um dia, fizemos o que ele pediu, agora vamos cantar nosso direito por escolha! Vamos declarar para que o diabo escute que nada mais é dele e que ESTAMOS indo pegar de volta aquilo que ele NOS tirou! Vamos inverter os papéis e inferniza-lo, DESPREZAR E ZOMBAR do inimigo enquanto ele foge. (8) Vamos Louvar a NOSSA PROSPERIDADE em “deus”! Amém? Mas claro né “deus é o centro não esquecam” (cara de Sarcasmo). Irmãos, na atual situação que estamos no mundo temos apenas que pedir a restituição divina, afinal “deus” nos serve com alegria não é mesmo? Sua palavra por ventura não diz: Pede-me e lhe darei as nações? Então... o irmão tem que pedir mesmo! Ele nos ensinou isso! Pedir, pedir, pedir! Essa é a chave da vitória. Pra que ter vergonha de pedir para o pai irmão? Amém?

Respeitável Público !

Nossa igreja vai de vento em popa, e o senhor tem abençoado e trazido cara dia mais pessoas para cá... ah esse nosso senhor de PROMESSAS... quão bom é ser vitorioso nele amém? Ele tem mandado unções para nossa igreja, coisas das quais os homens nunca sonharam... (9) a belissíma unção do leão que nos leva a engatinhar pelos cantos, (10) a urinar ao derredor da igreja para demarcar e território como o leão faz , e claro, assim declarar que a nossa igreja é casa do leão! (11) Temos também a Unção do riso, onde o nome diz todo, e a alegria que NOSSO senhor nos manda, e ela é tamanha que loucamente caímos no riso sem perceber o horário passar.

Respeitável Público!

Quão divertido é servir a um “deus” que não te julga pelo que é, e sim pelo que deseja seu coração, tudo se fazer novo não quer dizer que você tem que mudar o que é, e sim deixar alguma coisas que fazem mal apenas... álcool, bebida em excesso, drogas, mas se lá fora você curte uma boate, isso não te fazendo mal tá jóia, aliás, (12) até podemos transformar a igreja em uma boate no sábado a noite só para nós, e dançarmos de boa, louvando a “deus” com nossos passos de break e muita energia.. só não pode trazer doce e nem outras drogas amém? E é uma boa chance para os solteiros conhecerem-se e ter uma união em “deus”. (13) Você pode aqui expressar o seu amor sem preconceitos, se você era homosexual, amém, você nasceu assim, “deus” quem te fez assim e ele não vai contra a criação dele, basta você se batizar, dar o dízimo, e reconhece-lo... e ele não vai te deixar, afinal “O senhor é meu pastor e me ama como sou”, amem? Oh

Respeitável Público!

Vamos mostrar que seguimos nossos líderes pois toda liderança é instituída por “deus” e ai daquele que se levantar contra mim..er.. digo... contra um ungido de “deus”, este receberá a morte! (14) Vamos mostrar que estamos com a igreja, com os líderes da mesma, até nossa morte amém? Oh Aleluias!

E agora todos em pé para a benção apostólica!
1 – Gl 1:8-9 2 – JO 20:29 / II Reis 18:3-43 - http://www.youtube.com/watch?v=Q9BFaahdp5o (By: Igreja Universal do Reino de “deus” – só podia)4 - http://www.youtube.com/watch?v=k6OGN9dzQ9A (By: Universal – De novo!)5 - http://www.youtube.com/watch?v=pc18ELa5nN0 ( By: Igreja Jerusalém Celestial – Notem que o pastor é a cara do James Brown, WOWWWW I feel Good!)6 - http://www.youtube.com/watch?v=mz4Jgqih9rc7 - http://www.youtube.com/watch?v=2R0L1ydK1Lk8 - http://www.youtube.com/watch?v=6or_FI2mrGQ (Ministério ultra ligado a teologia da prosperidade, Apascentar de nova iguaçu) / (Mat 6:33)9 - http://www.youtube.com/watch?v=J3leVA6j2P0 ( Santa Paula Valadão – Min. Diante do Trono) 10 – Ato ensinado por Mike Shea e Davi Silva ao pessoal da Casa de Davi de Londrina.11 - http://www.youtube.com/watch?v=gAPrwXU23xw (Keneth Hagin, igreja de Toronto... bom... preciso comentar? Virou palhaçada de vez! Ap 2.9, 3.9 - ) http://www.youtube.com/watch?v=A9SNb9_hRP4 (Engraçado, o culto acontecendo e a PASTORA, rindo feito uma hiena doida... será que o espírito não está sujeito ao profeta? E será que não havemos de ter decência, ou será que podemos esculhambar com tudo por que o Senhor está a frente? [I Cor – 14:31-40].12 - http://www.youtube.com/watch?v=iBUINqjwEEg (Uhu! Ta fácil hein!)13 - http://www.youtube.com/watch?v=i7hgt9tWn1Q / http://www.youtube.com/watch?v=fULR8Y8iqu0 – Nossa.. é o fim do poço ou tem mais lama? Acho que esqueceram dessa parte na bíblia deles, ou fazem vista grossa vai saber... (I COR – 6:9).13 - http://www.igospel.com.br/2005/materia/show.php?id=650 (Idolatria é dose né)

Se deliciem com pipoca e algodão doce!

Retirado do blog Saindo da zona de conforto

23 de nov de 2007

Ahhhhhhhhh


Que vontade de responder àquelas perguntas idiotas! Que vontade louca de extravazar minha raiva dessas pessoas mimadas! Que vontade de gritar com as pessoas que deixam essas pessoas mimadas! Parece que minha garganta está sufocada! Sinto meu sangue subir por meu pescoço e bombando meu cérebro. Que vontade de dar uma má resposta. Daquelas que acho que tenho todo o direito! Que vontade de brigar! De enraivecer! De emburrar! De apelar! Como gostaria de gozar da oportunidade de não ter que olhar na cara de quem não quero olhar na cara! De jogar na cara tudo quanto tenho vontade e não precisar pedir desculpas por uma mínima palavrinha fortemente impensada! Meu semblante não mostra esse vulcão iminente dentro de mim... Ahhhhh, ai vem as palavras: "Voltar a outra face", "Não deixar o sol se por sobre minha ira", "amar os inimigos", "amar o próximo com a mim mesmo", "não me irar contra meu irmão", "suportar uns aos outros", "ter o outro em honra acima de mim", "ser manso e humilde", "servir", "amar"... Isso me segura! Ahhhhhhhhhhh

22 de nov de 2007

Palavras da Salvação ou da Capitalização?

"E chamando a si a multidão com os discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, salva-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que daria o homem em troca da sua vida? Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seu domésticos? Portanto, não os temais; porque nada há enconberto que não haja de ser descoberto, nem oculto que não haja de ser conhecido. O que vos digo às escuras, dizei-o às claras; e o que escutais ao ouvido, dos eirados pregai-0. Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, a sua filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; e assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim acha-la-á. Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro para calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar? Para não acontecer que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a zombar dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pode acabar. Ou qual é o rei que, indo entrar em guerra contra outro rei, não se senta primeiro para consultar se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? No caso contrário, enquanto o outro ainda está longe, manda embaixadores, e pede condições de paz. Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo.
Como dizem os católicos: Palavras da Salvação...
Quanto mais me deparo com as palavras de Jesus mais repuno e regorgito essa onda do Evangelho Superman, do Evangelho Capitalizado. Super-Apóstolos, Super-Bispos e Super-líderes que estupram as mentes de cidadãos fracos e pobres de espírito(bem-aventurados) que, diante da miséria e pobreza em que vivem, engolem fácil e até mesmo com esperança esse Evangelho podre e sujo da Prosperidade. Apelam para promessas veterotestamentárias com sagaz imaginação e eloquência(característica indispensável aos portadores da Teologia da Prosperidade) e conduzem massas inteiras a acreditar que "são Cabeça e não Cauda". Fazem como Jacó que cobiçou a benção do irmão mais velho e intrometeu-se a ponto de torna-la para si. Esses vendedores de esterco cobiçam bençãos direcionadas a Israel enquanto nação e floreiam e adaptam(com um sentido espiritual do texto) trechos que nada dizem respeito à Igreja. O povo, coitado, face ao descaso do Estado e a condição de pais que precisam sustentar sua casa, mães solteiras, empresas falidas, e, dificuldades finaceiras seguidas de enormes dívidas, se entrega entorpecidamente à esse apelo imoral dos Super-homens-de-Deus em seus carrões do ano, suas mansões, suas gordas contas bancárias e suas caras deslavadas e hipócritas.
Não, não consigo concatenar as palavras duras e difíceis de seguir de Jesus com esse Evangelho da Prosperidade. Não imagino Pedro voltando-se para aquele mendigo à porta do templo dessa forma: "Sou cheio de ouro e prata, é tudo que tenho; Deus me deu. Deus não quer ve-lo assim. Se você for um dizimista fiel e um generoso ofertante do pouco que tens, Deus fará descer chuva de bençãos sobre sua vida... e talvez, possa até comprar uma cadeira de rodas motorizada!"

Teólogo e escritor, John Piper, fala sobre a Teologia da Prosperidade exportada pelos americanos:

Você mudou?

Primeiro, eu me revoltei, esperneei, me chateei. – Mas, como, mudou?, eu retrucava a quem me sabatinava. Depois, passei a responder baixinho, só para mim mesmo: - Sim, mudei bastante.

Esse tipo de pergunta, obviamente, sempre trata de assuntos doutrinários (só exatidão doutrina interessa aos crentes), mas quando aquiesci para mim mesmo que havia mudado, considerei dimensões bem mais amplas. Olho para minha vida e vejo restos de mim espalhados pelo corredor.

Já mudei de pele várias vezes, igualzinho a um réptil que se descasca. Não, não falo de exterioridades. É que os olhos, que são as janelas da alma, mudam de acordo com os movimentos do espírito e percebo outra cor em meus olhos.

Sim, mudei. Abandonei a minha “ingenuidade teológica” e por “ingenuidade teológica” refiro-me à repetição do discurso institucional. Reconheço que argumentei muito sem a preocupação de questionar meus pressupostos. Eu me sentia satisfeito de enxergar o mundo com binóculos emprestados e, pior, invertidos.

O drama humano se dava numa distância confortável de minha alma. Por exemplo, eu saberia explicar a morte de crianças miseráveis em Bangladesh como resultado do castigo divino sobre os "idólatras pecadores". Em diversas ocasiões, ouvi e não retruquei que os “pagãos” foram criados por Deus como “vasos de desonra” e já que eles vão arder eternamente no inferno, suas mortes só têm a função de despertar o ímpeto dos salvos para que saiam em busca dos eleitos, os predestinados para o céu; esses sim, "vasos de honra".

Sim, mudei. Essa lógica não me serve. Caso ela pareça coerente para algum puritano de plantão, já não estou nem aí; perdi o medo das pedradas que ouço no meu telhado (que é de vidro, admito, mas fazer o quê?); não tenho indigestão com os comentários maldosos daqueles que concebem um mundo micro-gerenciado por Deus, que a todo nano instante controla tudo e todos. E que é a sua "vontade permissiva" que, em última análise, condena sempre os mais miseráveis a sofrerem com as tempestades, os terremotos e os tufões. Ufa, como é bom mudar!

Sim, mudei. Trabalho agora com um novo senso de responsabilidade histórica, com uma nova concepção de parceria, com uma nova noção de privilégios e responsabilidades. Sinto um novo impulso em minha missão; ao andar nas pegadas de Jesus de Nazaré vou tentar, com a ajuda de seu Espírito, multiplicar entre mulheres e homens o que ele começou a fazer e dizer.

Sim, mudei. E estou consciente dos perigos de minha mudança. Reconheço que posso descambar para o relativismo teológico pós-moderno; posso cortejar com o liberalismo teológico alemão; posso abraçar o existencialista humanista.

Porém, com mais de 50 anos de idade e 30 como pastor, não me sinto mais como aquele menino que não olha por cima da cerca porque tem medo do “bicho-que-faz-careta”. Já me sinto grandinho o suficiente para comer peixe sem engasgar com as espinhas.

Sim, mudei. Desejo aprender a fazer teologia, mesmo que capenga, mesmo que teórica ou academicamente tosca. Quero, tão somente, ser honesto com minha alma, com minha geração e com meu Deus.

Sim, mudei. Eu antigamente me insurgia contra os rótulos que tentavam colar em minha testa, mas me frustrei. Não adianta, já estou mesmo estigmatizado como o herege da “teologia relacional”.

Eu procurava argumentar sobre conceitos, preservados como vacas sagradas no mundo evangélico, e que alguns, simploriamente, jogavam no ventilador com o intuito claro de criar animosidade contra mim. Vejo que não deu certo. Quase todo dia alguém me pergunta se é verdade que eu não acredito nos atributos de Deus.

Peço que as pessoas leiam o que escrevi sobre o assunto, mas em vão. A maioria tem uma antipatia preconceituosa e não arredam pé. "Heresia" é pecado sem perdão para um crente. Vou continuar aparecendo nas lista dos bandidos mais procurados da “inteligentsia” gospel. Ninguém se assuste se meu rosto aparecer em algum cartaz pendurado no mural dos Correios, com o título: “Procura-se, vivo ou morto”.

Sim, mudei. Não quero passar o resto de minha existência dando explicações. Desejo, tão somente, viver com integridade diante de Deus, da minha família, da minha igreja e dos meus amigos; e também cantar o Gonzaguinha:

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...

Soli Deo Gloria.

Por Ricardo Gondim.

O problema do prazer

De algum modo, os cristãos adquiriram a reputação de serem contra o prazer, apesar de acreditarem que o prazer foi invenção do próprio Criador. Temos que fazer uma escolha. Podemos apresentar-nos como pessoas rígidas, enfadonhas, que são privadas, sacrificialmente, de metade da graça da vida, limitando nosso deleite no sexo, nos alimentos e em outros prazeres dos sentidos. Ou podemos dispor-nos a aproveitar ao máximo o prazer, o que significa usufruir dele da maneira que o Criador pretendia ao nos moldar.
Nem todos adotarão a filosofia cristã do prazer. Alguns céticos zombarão de qualquer insistência quanto à moderação, com uma atitude de condescendência. Para estes, tenho algumas perguntas simples. Por que o sexo é prazeroso? Por que é gostoso comer? Por que existem cores? Ainda estou á espera de uma boa explicação que não inclua a palavra Deus.
Como abordado por Philip Yancey no texto acima, os cristãos geralmente são tidos por inimigos do prazer. Somos muito mais apontados pelo nosso estilo de vida restritivo e sacrificial no tocante aos prazeres do que pelo amor de uns pelos outros (João 13.35). O mundo conhece-nos pelo que não fazemos: "Eles não bebem cerveja, não fumam, não dançam e não contam piadas!". Normalmente, é assim que as pessoas se referem aos "crentes".
Lembro-me de ouvir casos que me estarreciam e até me divertiam: "Naquela igreja os casais têm que fazer sexo com a luz apagada para não incitar a concupiscência dos olhos; os lençóis tem os buracos necessários para o ato de forma que não precisem se despir; e devem evitar ao máximo tomar banho de todo pelado para não ocasionar que Jesus volte e deixe-o, por pegá-lo tão desprevinido!". A igreja perdeu muito tempo encabeçando sua lista de prioridades com investidas contra o prazer. Por conseguinte, poupou a simpatia das pessoas.
Segundo G.K. Chesterton, "o modo apropriado de agradecer por tudo é através de uma forma de humildade e restrição. Deveríamos agradecer a Deus pela cerveja e o vinho da Borgonha não bebendo muito deles". O prazer, diferentemente de como a igreja o têm tratado, é dádiva de Deus.
Um Deus bom e amoroso naturalmente iria desejar que suas criaturas sentissem prazer, alegria e satisfação pessoal. Philip Yancey.
Deveríamos usufruir do sexo de forma plena e grata através do casamento (monogamia). Não, deturpando e profanando tal dádiva com a promíscuidade. Deveríamos apreciar os alimentos e as bebidas na sua diversidade paladar. Não desonrando tais dádivas com glutonaria e dependência.
É interessante que o livro de Eclesiastes trata de forma extremamente radical o problema do prazer. O autor mostra-nos que quando fazemos mal uso do prazer em nossa vida, esta perde todo o sentido, então tudo se torna vaidade e correr atrás do vento. Na opinião de Chesterton, a promiscuidade sexual descrita em um livro como Eclesiastes (o autor presumido tinha 700 esposas e 300 concubinas) não supervaloriza o sexo; antes, desvaloriza-o.
Reclamar de só poder me casar uma vez é como reclamar de só ter nascido uma vez. Essa reclamação era desprorcional à excitação terrível da qual se falava. Mostrava não uma sensibilidade exagerada ao sexo, mas uma curiosa insensibilidade a ele... A poligamia é a ausência de realização sexual; é como um homem que colhe cinco pêras sem prestar qualquer atenção a elas.
Concluímos a dicotomia que é o prazer. É um grande bem e um grande perigo. Quando buscamos o prazer como um fim em si mesmo, corremos o iminente risco de perder o foco da origem do prazer: Deus. Tornamo-nos vazios e insatisfeitos, ao invés de, realizados e gratos.
Como cristãos deveríamos mostrar ao mundo que momentos de prazer são vestígios assim como os objetos levados para a praia depois do naufrágio. São como bocadinhos do Paraíso dispersos pelo tempo.

21 de nov de 2007

A RELIGIÃO E O EVANGELHO


A religião é obra do homem. O Evangelho nos foi dado por Deus.

A religião é o que o homem faz por Deus. O Evangelho é o que Deus tem feito pelo homem.

A religião é o homem em busca de Deus. O Evangelho é Deus buscando o homem.

A religião é o homem tentando subir a escada de sua própria justiça, na esperança de encontrar-se com Deus no último degrau. O Evangelho é Deus descendo a escada da encarnação de Jesus Cristo e encontrando-se conosco, na condição de pecadores, no primeiro degrau.

A religião é constituída de bons ponto-de-vista. O Evangelho de boas novas.

A religião traz bons conselhos. O Evangelho, uma gloriosa proclamação.

A religião toma o homem e o deixa como está. O Evangelho toma o homem como está e o transforma naquilo que ele deveria ser.

A religião termina como uma reforma exterior. O Evangelho termina com uma transformação interior.

A religião passa uma caiação. O Evangelho alveja.

A religião muitas vezes torna-se uma farsa. O Evangelho é sempre uma força, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16).

Há muitas religiões, mas apenas um Evangelho.

A religião enfatiza o "fazer", enquanto o Evangelho enfatiza a condição de "ser".

A religião diz: "Faça o bem, continue a fazer o bem e eventualmente você se tornará bom". O Evangelho diz: "Primeiro, você nasce de novo, pela Graça de Deus. A conseqüência natural disso assim como o dia segue a noite, é que você fará o bem".

A religião coloca em destaque princípios e preceitos, códigos e credos. O Evangelho coloca em destaque uma pessoa: JESUS.

A religião diz: "Alcance". O Evangelho: "Obtenha".

A religião diz: "Tente". O Evangelho: "Receba".

A religião diz: "Esforce-se". O Evangelho: "Confie".

A religião diz: "Desenvolva-se a si mesmo". O Evangelho: "Negue-se a si mesmo".

A religião diz: "Salve-se". O Evangelho: "Entregue-se".

A religião diz: "Faça... faça isso, faça aquilo, e será salvo". O Evangelho afirma: "Já foi feito. Creia e será salvo".

Fonte: Jornal Semeador (Pr Glenio Fonseca Paranaguá).


20 de nov de 2007

Cara, sou fã... 2

Veja trecho do livro "Bono: In Conversation With Michka Assayas", onde Bono (vocalista do U2) fala sobre sua interessante espiritualidade e princípios do cristianismo. Há vários livros que falam sobre o U2 e o irônico vocalista Bono Vox (a maior estrela do rock), porém até agora Bono não havia contado sua história. No livro "Bono: In Conversation With Michka Assayas", o roqueiro compartilha seus pensamentos com um jornalista francês e seu amigo, que está junto da banda desde o começo dela. Em uma série de perguntas e respostas, Bono discute vários assuntos, como a morte de sua mãe, quando era criança, e de seu pai, que morreu há alguns anos, o começo da banda, seus companheiros de banda, seu casamento, sua paixão por ações sociais, o efeito que sua vida tem por ser uma celebridade, sua fé e como isso permeia tudo.

A conversa entre Bono e Assayas aconteceu devido ao ataque terrorista em Madri, onde foram colocadas bombas em um trem no ano de 2004, deixando 1800 pessoas feridas e 191 mortas. Os dois estavam discutindo como o terrorismo é carregado pela religião quando Bono começou a falar do cristianismo, expressando sua preferência pela graça de Deus sobre o "carma", mostrando sua visão apologética da morte de Cristo e sua clara mensagem sobre a palavra de Deus.

Bono: A minha compreensão das escrituras foi feita simplesmente pela pessoa de Cristo. Cristo ensina que Deus é amor. O que isso significa? Significa para mim um estudo sobre a vida de Cristo. Amor aqui é descrito como uma criança nascida num lar pobre, vulnerável e sem honra. Eu não deixo minha religião muito complicada. Bem, eu penso que eu conheço quem é Deus. Deus é amor e quanto mais eu falo deste amor, mais eu permito ser transformado pelo amor e agir por esse amor, que é minha religião. As coisas se tornam complicadas quando eu tento viver esse amor. Não é fácil.

Assayas: E o Deus do Antigo Testamento? Ele não era tão "paz e amor"?

Bono: Nada afeta a minha visão de Cristo. O evangelho mostra uma figura de exigência, às vezes até dividindo o amor, mas mesmo assim, continua sendo amor. Eu acredito no Antigo Testamento como um filme de ação: sangue, carros se batendo, efeitos especiais, o mar se abrindo, assassinatos, adultérios, a criatura de Deus com desejo de matar, rebelde. Mas a maneira que eu vejo uma relação de Deus é como um amigo. Quando você é criança você precisa de instruções e regras. Mas com Cristo, nós temos acesso a um relacionamento mais íntimo, enquanto no Antigo Testamento, a relação de adoração era mais vertical. No Novo Testamento, por outro lado, nós olhamos para um Jesus familiar, horizontal. A combinação é o que faz Ele na cruz (o credo da cruz).

Assayas: Falando sobre filmes de ação, nós falávamos sobre a América Central e do Sul, em nossa última conversa. Os jesuítas falavam sobre a palavra de Deus com uma mão trazendo a Palavra e a outra uma arma.

Bono: Eu sei, eu sei. A religião pode ser inimiga de Deus. Isso acontece quando Deus, assim como Elvis, sai da jogada (risos). As instruções foram ditas e dogmas são seguidos em uma congregação liderada por um homem, em que ele e os outros são guiados pelo Espírito Santo. O problema é quando a disciplina substitui o discipulado. Por que você está me atirando isso?

Assayas: Eu estava imaginando se você disse tudo isso ao Papa no dia em que você o encontrou.

Bono: Não sejamos tão duros com a igreja romana aqui. A igreja católica tem seus problemas, mas quanto mais velho eu fico mais estímulo eu encontro aqui (para lutar pelo que é certo). A experiência de estar em uma multidão de pessoas humildes, oprimidas, de pessoas que oram murmurando...

Assayas: … Então aí você não seria tão crítico.

Bono: Eu posso criticar (a igreja católica). Mas quando eu vejo irmãos e irmãs ajudando no trabalho de AIDS na África, padres e freiras ficando doentes e pobres por estarem dando de si pelas vidas na África, eu sou menos agressivo.

Um pouco mais tarde na conversa:

Assayas: Eu acho que estou começando a entender religião porque eu estou agindo e pensando como um pai. O que você acha disso?

Bono: Eu acho que é normal. É a mente se transformando com conceitos de que Deus, que criou o universo, pode estar querendo companhia, um relacionamento de verdade. Mas o que me deixa ajoelhado é a diferença de graça e carma.

Assayas: Eu nunca ouvi você falar disso

Bono: Eu acredito que nós somos movidos pelo carma, mas um nos move pela Graça.

Assayas: Eu não entendi

Bono: A idéia de todas religiões é o carma. Sabe, o que você fala volta pra você, olho por olho, dente por dente, ou na física, toda ação causa uma reação. É muito claro para mim que o carma é o coração do universo. Eu tenho certeza absoluta disso. Mas aí surge uma idéia chamada Graça, em que mesmo com o "tudo o que você planta, colherá" desafia a razão e a lógica. O amor "interrompe" as conseqüências de suas ações (com o perdão), que no meu caso é algo muito bom, pois eu faço muitas besteiras.

Assayas: Eu ficaria interessado em ouvir isso

Bono: Isso é entre eu e Deus. Mas eu teria grandes problemas com carma se ele definisse meu julgamento (seria condenado). Estou me mantendo pela Graça. Creio estar livre, pois Jesus levou todos os meus pecados na cruz, porque eu sei quem eu sou e espero não depender da minha religiosidade.

Assayas: "O filho de Deus que tira o pecado do mundo". Eu queria acreditar nisso.

Bono: Mas eu amo a idéia do sacrifício de Cristo. Eu amo a idéia de Deus dizer: "Olhem seus cretinos, terão conseqüências o que vocês estão fazendo, vocês são muito egoístas e são pecadores por natureza e, vamos encarar, você não está vivendo uma vida muito boa, está?" E existem conseqüências para os atos. A idéia da morte de Cristo é que Cristo levou os pecados desse mundo, então ele (o pecado) não pode mais habitar em nós, e a nossa natureza pecaminosa não nos levará para a morte. Esta é a idéia. Isso deveria nos fazer mais humildes... não é por sermos bons que vamos para o paraíso.

Assayas: É uma grande idéia, e não estou negando. Esperança é algo maravilhoso, até mesmo quando parece ser alucinação, em minha percepção. Cristo tem seu status ao redor do mundo nos maiores críticos e pensadores. Mas o "Filho de Deus", isso não é um pouco forçado?

Bono: Não, isso não é forçado para mim. Olhe bem, a história de Cristo como não sendo ligada a religião sempre é vista assim: Ele era um grande profeta, um rapaz muito interessante, tinha muito o que dizer de importante até para outros profetas. Mas na verdade Cristo não permite dizer isso. Cristo diz: "Não, eu não estou dizendo que eu sou um professor, não me chamem de professor. Eu não estou dizendo que sou um profeta. Eu digo: "Eu sou o Messias". Eu digo: "Eu sou Deus encarnado". E as pessoas dizem: "Não, não, por favor, seja somente um profeta. Um profeta nós conseguiremos aceitar".

E Bono diz mais tarde, como considerar Jesus:

Bono:… Se nós pudéssemos ser um pouco mais como Ele, o mundo seria transformado. Quando eu olho para a Cruz de Cristo, o que vejo é que lá estão todos os meus pecados e os pecados de todas as pessoas do mundo. Então eu pergunto a mim mesmo uma pergunta que muitos fazem: Quem é esse homem?

Fonte: Christianity Today