31 de dez de 2007

É, acabou...


Olho para trás e o que vejo? Chorei pouco menos do que gostaria de ter tido a oportunidade de chorar. Irei-me muito mais do que gostaria de ter precisado me irar. Ri comedidamente quando deveria faltar com a etiqueta e dar gargalhadas. Critiquei muito, zombei demais, ajudei muito pouco(acho que nem ajudei). Fui ferido por pessoas que prezo(ou pelo menos prezava). Feri estas pessoas também. Amei muito pouco quem mais me era difícil amar. Amei demasiadamente quem me era fácil amar. Orei muito menos do que gostaria ter orado. Pequei muito mais do que gostaria de ter pecado. Demorei muito pedir perdão. Demorei muito aceitar que posso ser perdoado.
Olho para trás e o que vejo? Houve momentos que achei que avancei. Mas, logo a frente, percebi que retrocedi. Acreditei em coisas vis. Tive muito pouca fé. Muito menos obras. Acho que não fiz novas amizades. Aliás, acho que perdi antigas amizades. Tenho a impressão de inércia.
Olho para trás e o que vejo? Um reflexo do mundo no espelho.


28 de dez de 2007

Placas


Uau! Quanta diferença? Quanta picuinha e pormenores desprovidos de relevância? Que reino é este que não celebra a diversidade? Que reino é este que não dá valor ao preto, ao branco, ao azul, ao vermelho, ao rosa, ao verde? Que tipo de reino é este que faz acepção de mulheres, homens, adolescentes, jovens, crianças, velhos, gays, lésbicas, prostitutas, pobres, ricos? Que reino é este que impõe que os cabelos longos do homem, o cabelo cortado da mulher, os brincos, as tatuagens, as calças, o batom, as correntes, as pulseiras traduzam o interior e a fé de alguém? Que reino é este que segrega a variedade e a criatividade?
Tantas desigualdades e distinções incompreendidas e mal interpretadas levam a cabo a multiplicação e a sectarização das pessoas. Ao invés de, gerar unidade pela diversidade e pela multiforme sabedoria de Deus, a igreja particionou a fé e a comunhão do Corpo. Não entenderam o "suportai-vos uns aos outros em amor". Criaram repartições diferentes e de vários sabores. Se não vou com a cara dos "crentes" e não gosto de suas gritarias e fanatismo, posso frequentar uma boa missa. Se não vou com a cara dos católicos e sua "idolatria"(interessante que os evangélicos batem o pé contra a idolatria católica, mas, não enchergam o próprio rabo atolado de idolatria, amor ao dinheiro, ao "apóstolo num sei das quantas", ao "pastor", à denominação, avareza, etc) e me simpatizo com a farra evangélica, mas, sou mais conservador posso instalar-me numa comunidade mais sã, mais cautelosa, legalista, moral, tradicional. É o tipo de igreja que condiz com meu perfil. Mas, se sou mais aberto, mais liberal, mais desinibido, mais "extravagante", posso acomodar-me numa igreja avivada, alegre, que bate palmas, que pula, que dança, que grita. Seria o tipo de igreja que me satisfaria. Há diversas modalidades de cultos, shows, rituais, liturgias, programações, costumes tantos quantos há de denominações. Nesse embalo, logo, logo, poderemos dizer que igreja é igual "nariz", cada um tem um. É questão de gosto, de conforto e de comodidade a nossa escolha pela denominação tal.
Lembro-me de quanto estourou esse lance de G12, igreja em células, "visão" e o discurso de que era "A Visão" de Deus para a evangelização, a multiplicação da igreja. Analizando bem a situação atual depois do passar dos anos acabo por concordar com "A Visão". Foi realmente um fenômeno a multiplicação de evangélicos que ocorreu. Inclusive, multiplicação por meiose, porque quando metade da igreja não concordava em aderir "A Visão" ocorria a divisão "celular" da mesma(rs). E assim, ia se multiplicando muitas e muitas vezes pela divisão "celular".
E por conseguinte, novas denominações, novas doutrinas, novas placas...
Como se já não bastasse o cristianismo sectarista no mundo inteiro, aqui nas Índias Ocidentais o teor do "cúmulo do absurdo" da diversidade de placas de igrejas é um portento.
Placas promovem a divisão, a rotulação, a classificação, a ordenação e a anunciação de uma retórica deprimente envolvida de falácias, corrupção religiosa, discrepância doutrinária e hipocrisia.
Placas escravizam as mentes moucas e sedentárias. Inviabilizam o pensamento criativo. Subjugam a capacidade intelectual daqueles que empocilgam-se nos arraiais nominativos. Ser católico não é ser livre. É ser católico, porque você pertence a uma caixa predeterminada, já esquematizada, convencionada e institucionalizada. Ser protestante não é ser livre. É ser protestante, porque você está incluído num rol de membros que compartilham da mesma situação. Presos, interditados e alienados dentro de um cerco religioso. Ser evangélico não é ser livre. É ser evangélico, porque você enquadra-se num conjunto elaborado de pré-requisitos de comportamento. Ser/pertencer à alguma placa não é ser livre, porque ser livre é SER.
Livre para ser o que na verdade você é. Um pecador que arrepende-se do seu pecado, mas que, ainda está sujeito a pecar, aceito pela Graça e que crê que há esperança para si mesmo através da Cruz. Livre para não esconder seus defeitos, suas vaidades, suas fraquezas, seus erros e tudo aquilo que te torna humano. Tudo aquilo que te torna totalmente dependente da Salvação de Deus.
As placas nos deixam de pés e mãos atadas. Se classifico-me como católico não posso participar de um culto evangélico. Se classifico-me como evangélico não posso participar de uma missa. Se sou tradicional não posso me envolver com os pentecostais. Se sou pentecostal não posso me envolver com os tradicionais. E assim prorroga-se o amor, a Unidade e a Fé.
Se sou tradicional, e pego-me falando em línguas, ou renuncio a experiência ou mudo de time.
Até onde as placas podem nos levar?
Porque quando abre-se uma nova igreja é imprenscidível que esta tenha um nome e uma placa? Não consigo imaginar Paulo pregando nos umbrais das portas das casas a plaquinha:
Igreja Apóstolica Paulina Corintiana
Coordenação geral Apóstolo Paulo de Tarso
Terça-feira: Estudo bíblico às 19h
Quinta-feira: Tarde da benção às 15h
Sábado: Culto dos jovens às 20h
Domingo: Escola Bíblica às 9h e Culto da família às 19h
Aí, Pedro não iria querer ficar por baixo:
Igreja Apóstolica Pedrina Israelita
Coordenação geral Apóstolo Simão Pedro
Terça-feira: Campanha de Daniel às 19h
Quarta-feira: Culto de libertação às 19h
Sábado: Culto da galera radical apaixonada extravagante... shuuuuhhhh
Domingo: Curso de líderes de células às 9h e Culto de Louvor e Adoração às 19h
A que ponto chegamos? É esse o Evangelho que devo levar para os pobres e necessitados, para os oprimidos e doentes, para os perdidos e feridos? Devo carregar uma bandeira, uma camiseta, uma Bíblia, aderir à indumentária e as gírias e sotaques oriundos da religião? Devo carregar nas minhas costas a placa da igreja da qual estou inerte? NÃO! Devo carregar a minha cruz! Mostrar às pessoas que agora sou LIVRE do pecado, da religião institucional, dos caprichos do mundo, dos meus desígnios decaídos e espiritualmente falidos. Devo mostrar ao mundo, como uma luz que brilha no alto da montanha, que conheci a Verdade e ela me libertou.
Não aceito mais vincular minha vida, meu testemunho, minha obras, minhas idéias, meus amigos, minha fé, também, meus erros, minhas derrotas, meus tombos e minha incerteza a nenhuma placa que tenta explicar de forma suscinta toda a complexidade que envolve a simplicidade da minha fé. Não. Sou livre para pensar, para SER e simplesmente livre para não PARECER. Não quero estampada na minha testa nenhuma vertente institucional relgiosa ou não religiosa. Não quero que olhem para mim e apontem para o "crentinho", o "partozinho", o "carismático", o "tradicionalzinho", o "mundanozinho"(embora desse não dê pra escapar devido a modesta eficácia do pensamento minguado evangeliquês), nem como o "roqueiro", ou o "pagodeiro", quero ser apontado pelo Amor. Quero ser lembrado como aquele cara que compreendeu ao invés de condenou, que perdoou ao invés de vingou, que pediu perdão ao invés de fingiu que não erra, em detrimento, da minha postura superficial ideológica, espiritual, musical, sexual, social e religiosa. Não quero carregar nas minhas conversas o slogan de placa de igreja alguma. Quero ser inteligente, pensante, crítico, analítico, filósofo, sincero e saber explanar sobre diversos assuntos "seculares". Quero carregar o caráter transformado e renovado pelo Espírito, forjado na cruz do meu Senhor.
Afinal, placa não salva ninguém. Antes separa, segrega, destrói e dissipa. Denominação sufoca a liberdade de plenitude, de abrangência de visão de mundo, de percepção da vida. Placas e denominações reduziram a Palavra de Deus à mera liturgia de embromar, durante meia hora ou mais, só porque o assunto que se está embromando(chamam Pregação) foi distorcido da Bíblia. Reduziram a Palavra de Deus à mera letra, e por sinal, mal interpretada, mal conduzida e mal divulgada. A Palavra de Deus a vejo no pássaro que canta pela manhã, no Sol que brilha fortemente, na chuva que rega a terra, na arte, na música(sim, indiscriminadamente, sem classificação gospel/secular), nos filmes, na literatura(sim, indiscriminadamente, sem classificação cristã/secular), nos gestos de carinho, na fidelidade conjugal, na cumplicidade paterna e até mesmo em mim. Quem tem o direito de reduzir a meras tagarelices eloquentes e dissimuladas a Palavra do Todo-Poderoso que expressa toda sua glória na Criação? Placas não me dizem a Verdade. Placas são marketing. Chamam atenção e desfocam o verdadeiro Cristo.
Doutrina não salva ninguém, código de conduta não salva ninguém, indumentária e verbos peculiares não salvam ninguém, paredes não salvam ninguém, placas não salvam ninguém... Jesus, pela fé e pela graça, não por obras para que ninguém se glorie, salva todo aquele que crê nele.


26 de dez de 2007

Conselhos de um grande amigo...

"Não compre nada que não seja de primeira necessidade"

"Não presenteie ninguém"

"Não atrase os compromissos onde deu sua palavra de HOMEM"

"Não reclame de seus compromissos"

"Não pense na falta de dinheiro"

"Não viva querendo fazer dinheiro"

"Nunca se esqueça do amor de Deus"

"Nunca vire a bunda branca para a Graça de Deus"

"Pague o que deve rápido"

"Chore na presença de Deus SEMPRE"

"Não murmure para homens" incluindo a você quando está sozinho

"Agradeça a Deus pela Esperança"


Obrigado grande amigo!

22 de dez de 2007

? Enfim, Feliz Natal para todos... !

Lembro-me de que, já jovenzinho, tinha um senso crítico aguçado e inconformado. Como toda criança fui convencido do Natal. Claro que com o fundo temático da manjedoura. Mas, nunca consegui concatenar esse fundo com a real temática e celebração do Natal. Recordo-me como se fosse hoje o dia em que decidi nadar contra a corrente do sistema ( acho que é meu hobby). Conclui que não comemoraria o Natal como todos celebravam a data impregnada de marketing, comercialização, capitalismo e total deturpação do sentido religioso que me foi ligeiramente apresentado e pouco investido. Se o Natal era a comemoração do nascimento de Jesus, então, cantaria Parabéns pra você para Jesus, afinal era seu aniversário. Em vez de esperar o tal do Papai Noel, dos presentes (até porque meus pais não tinham condição de ostentar o "espírito do Natal"), entraria no meu quarto e com a porta fechada, apenas Deus e eu, entoaria Feliz aniversário Jesus.
Bom, cresci e continuo com o hábito de nadar contra a corrente do sistema. Com a perspicácia um pouco mais aguçada e uma percepção e visão de mundo mais apurada é claro. Mas, ainda o bom e ingênuo menino incorfomado com as ilusões e mentiras desse mundo.
Confesso que todo esse "auê" de Dezembro, do Natal não me sensibiliza como podemos notar nas pessoas em geral. Até porque acho uma falácia todo esse "embromation" natalino. Na realidade, aproveito a existência desta data "cristã" não neotestamentária e dissimuladamente "pagã" para extrair o que há de proveitoso. Torno a conceber a mesma conclusão, embora agora mais fundamentada, de quando menino e entro no meu quarto, com a porta fechada, apenas Deus e eu e agradeço pessoalmente o milagre do Advento. Estendo minha prece até o Calvário, agradeço, por fim a Ressurreição e demonstro minha ansiedade quanto a Volta do meu Senhor nesta terra.
Pra não ficar alienado às gentilezas peculiares e restritas do momento natalino deixo aqui meus votos de Graça, paz e alegria.
E que possamos celebrar a chegada salvífica de nosso Senhor Jesus dentro de nossos corações no decorrer do próximo ano. Comemorando o dia-a-dia com amor, respeito, fraternidade, paciência, educação e harmonia.
Deixo um pequeno vídeo para críticas e descontração... Por fim, (rss) um Feliz Natal e um próspero Ano Novo!!!



A Igreja está lá fora

Estava pensando em algumas coisas da minha vida que eu gostaria de ter feito e não fiz, uma delas foi quando cheguei aos 18 anos (muito tempo atrás), tinha uma vontade enorme de sair pelo mundo em cima de uma moto, com uma mochila cheia de esperanças e um violão, mesmo sem saber tocar. E depois de muito tempo, voltar pra minha casa e mostrar as aventuras que eu passei, os apertos, etc.

Era uma vontade de liberdade, de atitude, de ter uma resposta para as minhas perguntas e ninguém as respondia. Tá certo que o tempo passou e eu não realizei essa minha proeza, mas muita coisa eu aprendi nesse tempo.

Tenho visto pessoas que amam a Deus, buscam a sua palavra e vivem por ela, mas que não aguentam mais a estrutura ou a instituição igreja. Essas pessoas estão fora dos templos, dos arraiais dos santos… esperando respostas.

Enquanto vivemos tempos onde ser crente ou evangélico, é ter uma postura globalizada diante das situações da vida, ter jargões e clichês ao invés de verdades e respostas bíblicas, possuir uma mente cauterizada pelas tradições impostas e nunca questionadas.

Jesus disse: olhai e vede que o campo está preparado para a colheita. Isso nos dá conta de olhar para fora das nossas janelas, da nossa zona de conforto.

A igreja está lá fora, à margem da instituição estabelecida. Depende de como você enxerga. Se você olha pras pessoas e vê apenas pessoas, ou se você olha pras pessoas e vê alguém que precisa ter um contato com o Deus de amor, aceitação e inclusão?

Jesus também disse: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado;”

Sabe, talvez eu deveria voltar a pensar em andar por esse país, em busca de liberdade, não correndo atrás de repostas, mas na medida do possível, respondendo as perguntas, mas hoje não sairia com uma moto, mas com um Motohome, levando minha família, meus Cds, muita fé e uma Bíblia…

Texto retirado do blog Nitrogênio.

21 de dez de 2007

Não existe Superman

Tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus. Quando vejo que não sou mais que pó e carne fétida que aguarda a Redenção do meu Criador, percebo que devo ser mais transparente e menos teatral (na verdade, quero usar a palavra hipócrita, mas, darei um descanso a ela, pois ainda, a usarei muito).
Esforço-me (talvez, com certeza, esteja aí o problema) para fazer das tripas coração para viver uma vida santa e rendida à vontade do Pai. Mas, como sempre, mas... Tenho a intrínseca tendência de romper meus penosos feitos com o fracasso. Fracasso como homem que diz-se cristão. Fracasso porque quando estou oscilante e errante no Caminho não posso falar. Não posso gritar contra os muros de Jericó. Não posso estampar em minha camiseta: Santidade ao Senhor. Quando no mínimo seria a maior das farsas (legal, ainda não precisei usar a palavra hipócrita).
Recordo de Davi se desgastando e se esvaindo por causa do pecado que continuamente o acusava diante de seus olhos. Seus ossos enfraqueciam. Sua alma definhava. Sinto-me dessa maneira quando não posso ostentar uma vida espiritual que não desenvolvo sequer numa pequena devocional no meu trabalho. O pecado me acusa. Está ali, diante de mim. Está a minha volta. Encucando-me do meu erro. Da minha vergonha. Da minha cauterização.
Minha hexitação em tão logo pedir perdão (de pleno conhecimento de que serei perdoado e de que tais confissões serão lançadas no mar do esquecimento) é que certamente tornarei a fracassar para com Deus. É um grande dilema. Sinto-me tentado a quase chutar o balde e entregar os pontos. Mas, me falta ânimo e coragem pra desferir tal atitude (pela Graça me falta ânimo e pelo Julgamento me falta coragem).
Pelo menos posso encontrar grande consolo no heróis da fé que mais que ninguém extrapolaram em fracassos e erros. Mas, que nem por isso deixaram de serem considerados homens e mulheres de Deus. Procuro qual o segredo de Davi, adúltero, assassino, lascivo, cobiçoso, mentiroso e, incrivelmente, segundo o coração de Deus. Deve haver algum detalhe que me escapa. Como? E Paulo, dos pecadores o maior? Que ministério vivo, ousado, radical e eficiente. Se fez tudo como o maior dos pecadores, imagino se fosse o menor! Abraão, pai da fé? Que fé demonstrou em sua ansiedade pela promessa ao se render nos braços de sua escrava? Ao mentir? Onde está o "Quê" desses homens que pelo fracasso tornaram-se heróis vitoriosos?
Em parte me identifico muito com eles, mais quando erraram e deram com os burros n'água que em suas demonstrações de fé e santidade. Tenho percebido que as maiores quedas não são de homens integros, humildes e santos, mas, de homens integros, soberbos e legalistas. Temo estar incorrendo nestes. Procuro ao máximo jamais orgulhar-me da minha "santidade". Procuro não gloriar-me no "não toques nisso, não toque naquilo" porque, por fim, estarei sendo hipócrita (acabei usando, é difícil perceber que no final das contas, posso ser da raça de víboras). É meu dever como servo e discípulo de Jesus, não um objeto do qual devo me vangloriar. Mas, não há nada mais tentador que estar acima de outrem. É fácil desembocarmos na fidúcia da oração do Fariseu e perdermos de vista a singeleza e a sinceridade suscinta da oração do Publicano.
Sou perseguido pela antítese do meu comportamento e da minha vontade. O que quero fazer isso não faço, mas, o que não quero esse faço. Ainda bem que não estou só nesse dilema. Creio que o espinho que tanto incomodava Paulo tinha um propósito. O de lembrá-lo que ele não era o Superman. Creio que Paulo era assediado pela grandeza do seu ministério. Ele era chicoteado, era torturado, era preso, passava fome, não tinha uma vida normal. Com certeza, é o perfil que torna alguém digno de ser beatificado e canonizado pelo Papa. Alguém que não é como os meros seres mortais que pecam, e pecam, e pecam... e mais pecam. O espinho na carne de Paulo, creio, o lembrava da sua condição de pecador, de alguém que necessita, ainda, apesar da "santidade" de ser lavado e remido pelo Cordeiro. E quando peco, posso entender o quanto isso incomodava Paulo, e o porquê dele se referir a isso como espinho.
Quando peco julgo menos (pelo menos deveria). Quando peco percebo que sou igual àquele que critico. Quando peco tenho receio de criticar o pecado de outrem. Quando peco restrinjo-me a apenas ser gracioso e não condenatório. Porque com a mesma medida com que julgo serei julgado. Meu pecado me lembra que não sou o Superman. Não sou um super-espiritual que caminha num nível acima das meras ovelhas que necessitam de cuidado.
Meu pecado me entristece sim, e me consterna, me abate, me subjulga, me oprime, me escraviza, mas, volto meus olhos para a Graça do meu Senhor, lembro que sou indigno desse amor tanto quanto qualquer um, e como perdão, me alegro, me exulto, me animo, me liberto, me alivio e alço o...

Superman - Fruto Sagrado

A Universidade da fé

Todos cremos em alguma coisa. Religiosidade e credulidade são coisas próprias da raça humana. Carl Gustav Jung, famoso psicólogo desenvolveu a tese do arquétipo humano ou inconsciente coletivo, segunda a qual, todos os seres humanos teriam introjetados em si determinados conceitos culturais e universais e um destes seria Deus.
Nenhuma sociedade humana, exceto o modernismo, com o princípio fundamental da razão acima de todas as coisas, ousou prescindir a idéia de Deus. O resultado foi interessante, porque enquanto Nietzche proclamava a morte de Deus, uma chuva de outros deuses desceu sobre a humanidade, e um dos conceitos característicos da pós-modernidade é o da espiritualização. Os homens estão cada vez mais fascinados pelo místico e sobrenatural, algumas vezes com grandes prejuízos para si mesmos, porque enveredam por caminhos desconhecidos e por fronteiras do inimaginável, de onde, muitas vezes, não se tem condições de retornar com sanidade mental.
Bem já dizia Mário Quintana no seu pequeno verso a grande surpresa: "Ma que susto não irão levar essas velhas carolas se Deus existe mesmo..."(Caderno H)
Fé significa fundamentar a vida nun fundamento fora de si mesmo". Segundo Rubem Alves, "mesmo na ciência não se pode ir para a frente sem o risco da fé a uma visão de esperança" (R. Alves, o enigma da religião, pg. 136). Assim, segundo Alves, "estamos condenados à religião. Não se pode viver por certeza, mas por visões, riscos e paixões. É provável que nos envergonhemos disto e que vistamos nosso valores e sonhos com as vestes da ciência" (Rubem Alves, o enigma da religião, Pg. 137), mas "todos aqueles que tiveram que criar, tiveram seus sonhos proféticos e sinais astrais - e fé na fé" (R. Alves, O enigma da religião, pg.137 citando Nietzche).
"Não cremos porque chegamos a uma conclusão... Ou porque fomos vencidos por alguma emoção. É uma transformação dentro da mente causada por um poder que está acima da mente, uma colisão com o inacreditável que nos força a crer" (Abraham J. Heschel - O homem não está só, pg. 79).
Basta sermos humanos para crer. Todos cremos em alguma coisa. Os pagãos constroem seus templos e os ateus glorificam seus deuses, criados à sua imagem. Aliás, este é o conceito fundamental de um ídolo: Uma idéias, ou deus, ou santo que construo à minha imagem e semelhança, mas ainda assim, constituo-o no meu deus, com todos vícios e defeitos imanentes em mim mesmo.
A maioria de nós é capaz de dizer o que pensa a respeito da sociedade, da ordem, da política e da lei, mas estes pensamentos são construídos não dentro de um vácuo, mas dentro de um sistema de crença que consideramos valioso, por isto, os homens se parecem com seus deuses.
Pessoas que crêem num Deus duro e inflexível tendem a se comportar de forma legalista e acusatória com os outros - reproduzem assim seu conceito de Deus. Pessoas com um conceito de um Deus amoroso, tendem a construir relacionamentos também fundamentados no amor. Não é de admirar que no Islamismo o conceito de Deus como Pai não exista. Alá é forte, poderoso, soberano, mas Alá não é Pai.
Jesus, no entanto, ao se referir ao seu Pai, o chama escandalosamente de paizinho ( A expressão Aba Pai, que ele emprega tem esta conotação). Alguém carregado de afeto, onde podemos reclinar nosso ombros e dormir despreocupadamente.
Nenhum homem é maior que seu Deus. Sua divindade determina seu caráter. Falando nisto, se você não sabe ainda qual é o seu Deu, pergunte a si mesmo: "A quem tenho amado, temido e servido mais do que a Deus?". Este é o seu ídolo, mas também este é o seu Deus.


Samuel Vieira, Mestre em Teologia, PUC-Rio, Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Anápolis. Texto retirado do Jornao Contexto Livre.

20 de dez de 2007

Uma História de Natal

Há muito tempo atrás um poeta decidiu escrever sua obra. Poetas são seres mágicos, suas palavras têm o poder de criar mundos. Basta que digam e as coisas acontecem, surgem do nada, ex nihilo, desejos que se transformam em coisas.

Esse poeta criou mundos assim, pela sua palavra. Bastava dizer e as coisas vinham à existência. Era característica dele o gosto pela criação, e sempre ao final de cada criação ele via que tudo aquilo era bom... e seguia adiante... criando coisas, até que decidiu encerrar a sua criação. Era hora de escrever a sua obra prima, sua grande ária da magnífica ópera que começava a existir.

Havia um cuidado especial para a criação de seu mais grandioso poema, não bastariam as palavras ao vento, Ele as queria escrever com as próprias mãos, seria diferente, ao invés de simples palavras, barro... e então a obra foi feita, imagem e semelhança dEle. O grande poeta então, ao ver sua obra ali, como ele queria, soprou sobre ela... e a poesia ganhou vida, ganhou palavras novas, ganhou o sopro do criador... inspiração... expiração... vento...

Mais tarde, ao contemplar sua magnífica obra percebeu um ar de tristeza na sua poesia, faltava-lhe algo, faltava-lhe rima, algo que o completasse inteiramente... havia um vazio em meio a algumas linhas e o poeta fez com que sua poesia dormisse, e sonhasse... nos sonhos os mundos também se criam...

Ao acordar de seu sono o poema se viu completo, as palavras agora se encaixavam perfeitamente, e havia sentimentos novos... desejo... amor... coisas que só um poeta entende, e sua poesia também. E assim conviviam bem, poeta e poesia, autor e obra, e da criação passou-se à nomeação das coisas, palavras novas, imaginação, imagem em ação, nomes, palavras, seres... vidas...

Até que um dia um cientista resolveu aparecer para complicar a história. Cientistas detestam poetas e odeiam poesias. Afinal, cientistas são conhecedores do bem e do mal... então o cientista resolveu oferecer ao poema a “grande chance” de deixar de ser poesia e tornar-se uma grande tese acadêmica, afinal a poesia é para os sonhadores, loucos, boêmios, amantes, mas as teses científicas é que dominam o “mercado” e nos dão garantia de sermos deuses, conhecedores de todo o bem e todo o mal.

A poesia cedeu sua beleza e encanto à praticidade do texto científico... houve um borrão no poema original, que perdeu sua essência... tornou-se um texto chato, cansativo, longo demais... textos desses que ninguém consegue entender, dizem até que num determinado momento tal era a confusão que a tese se dividiu em línguas diferentes, nem ela mesmo se entendia... babel... confusão...

Algo deveria ser feito para se reconquistar a poesia original... mas... o que ? Um poema como o original, algo tão belo que, ao morrer poesia (e toda poesia traz em si um pouco de morte) apagasse as manchas do primeiro poema e restaurasse a beleza que havia escondida sob os borrões das teses cientificas, sob o conhecimento do bem e do mal.

Os filósofos, amigos dos poetas, chamavam o criador de poemas de Verbo, verbo é a alma do poema, poemas sem verbos são chatos. Imagine um poema sem amar, sentir, chorar, sonhar, ver, ouvir, tocar, cheirar, sofrer...

Pois o verbo... se fez carne... o poeta se fez poesia, e mais...se fez criança. Crianças e poesias tem muito em comum... não se levam a sério demais. Brincam com a vida, brindam a vida. Como diria o poeta Rubem Alves: “O natal é um poema. Nele Deus se revela como criança (...) Prefiro o Deus criança. No colo de um Deus criança, eu posso dormir tranqüilo.”

Isto é natal!! Poesia, amor, canção... tudo embalado e regido por uma criança... deixai vir a mim os pequeninos porque dos tais é o reino da poesia. Deus é o poeta... nós somos o poema... Jesus é o poeta-poema feito criança... natal!!

Já quis muito ser teólogo... hoje não quero mais.... quero ser poeta. Um teólogo vê uma criança e trata de elaborar uma tese, talvez sobre a soteriologia infantil, pedobatismo, idade da razão, etc. O poeta vê uma criança e brinca, faz poesia, e a criança brinca com ele, vira poema! Viva a poesia! Que o natal seja o renascimento de poetas e poemas, de canções de amor, de sonhos, de jardins repletos de felicidade...

Que o poeta seja reverenciado, que o poema-criança seja amado, e que o poeta que se fez poesia seja lembrado como o criador dos versos mais maravilhosos que ele já fez, mudando de vez a história... mudando a nossa história...

Feliz Natal!!!

José Barbosa Junior

Sobre a Causa Homossexual, a Justiça de Deus e as Bandeiras da Igreja

"Sobre a vida que não vivi;

Sobre a morte que não morri;

Sobre a morte de outro, a vida de outro,

Minha alma arrisco eternamente."

O inferno para qual mandam os homossexuais é o mesmo no qual habitarão todos os chamados "injustos", conforme I Coríntios 6 .

Sim, "não herdarão o Reino": os impuros (sabe aquele pessoal que se contamina com tudo que sai de dentro de si mesmo?), os adoradores de outros deuses (sejam os que adoram as figuras do panteão católico ou hindu, sejam os que idolatram Mamom - deus da mais "afortunada" teologia evangélica), os adúlteros (aqueles que mesmo "ao olharem para uma mulher com intenção impura no coração já adulteraram com ela"), além dos que roubam – os trapaceiros e oportunistas, dos que maldizem despudoradamente, dos que se embriagam e se entregam aos excessos, dos que cobiçam e não repartem (melhor escrever assim, porque o termo 'avarento' ninguém admite, ninguém o é, até porque a avareza também cega a percepção de quem só vê o umbigo...), e claro, puxando a fila, os gays, lésbicas e simpatizantes! – numa verdadeira marcha rumo à justa condenação!

O que a "Apologia Homocentrada" não percebe é que essa relação de Paulo contém os "tipos existenciais" presentes na sociedade de Corinto. Hoje, muito provavelmente, o escritor inspirado incluiria pedófilos e corruptos – execrados contemporâneos - no mesmo time de praticantes da injustiça contra a alma humana e contra a criação divina.

Sim, os coríntios são maquetes das doenças dos homens. São arquétipos da Queda, eles são a escalação da nossa feiúra. São símbolos de tudo que existe dentro de nós, ao menos em potencial. E a igreja de Corinto é uma representação do que acontece com a experiência comunitária quando o direito ao juízo se arvora como bandeira vergonhosa, quando o senso de justiça produz personalidades melindradas e relações litigiosas entre irmãos intolerantes, que para se proteger do dano sofrido o devolvem num toma-lá-da-cá que só vai aumentando. Quando o juízo triunfa, a beligerância cresce, para desapontamento do apóstolo (Leia como Paulo introduz o assunto dos "injustos sem herança" desde o primeiro verso desse capítulo seis e você entenderá tudo, se quiser).

Esses tais que o apóstolo descreve e adverte com tiradas irônicas são os mesmos que ele chama de "injustos", segundo o polêmico texto (Texto eleito como um dos estandartes fundamentalistas contra o ativismo gay, mas que podia muito bem também servir para puxar o coro contra o individualismo pós-moderno, por exemplo, pois os não-generosos estão no mesmo barco paulino rumo à perdição!).

Bom... Tais in-justos... os não-justos... ficarão de fora junto com "os cães, feiticeiros, os adúlteros, os assassinos" e todo esse pessoal da pesada, conforme acrescenta Apocalipse 22.

Injustos – segundo o espírito do Evangelho de Paulo - são todos os que não foram justificados, pois justo MESMO ninguém é... Não há UM sequer! Não é?

Os injustos são os que foram convidados para a Festa, mas não quiseram ir. São também representados pelo convidado que foi, mas não se vestiu da Justiça do Anfitrião - achando que se bancava na "carteirada"!

Injusto, é quem não volta justificado para sua casa, mesmo depois da oração-currículo-comparação (Lucas 18. 9-14).

Injusto é esse cara que dá graças a Deus de "não ser como este outro!"

II - A Condenação Preventiva

Meus irmãos, não está claro que o versículo selecionado como uma base legal para o julgamento antecipado do mérito homossexual é o mesmo que nos condena a todos - a não ser que TODOS se encontrem "lavados... santificados... e justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus"? – conforme o mesmo texto?

Não sabem que todos pecaram e todos estão carentes até que estejam sob cobertura do Sangue Daquele que tira o pecado do mundo? Não percebem que ninguém foi aprovado? Não percebem que somos todos nós listados ali?

Amigos, eu não estou atenuando pecados, ao contrário, estou expondo-os: Homossexuais precisam parar com essa viadagem como eu preciso parar de mentir, de enrolar, de brigar pelo poder, de idolatrar a grana, de tirar do outro o que é dele ou cobiçar-lhe a mulher gostosa!

É simples: Quem "olhou" para uma mulher é merecedor do mesmo inferno que aqueles que se deitaram com um homem!

Você não vê que o que Paulo está dizendo é que todos nós estamos fora até que Alguém nos ponha para dentro? Daí os injustos não herdarem o Reino; pois "ninguém será justificado diante Dele" (Rm 3:20) com justiça própria. E quem não é por Ele justificado, morrerá em seus pecados.

Do ponto de vista do Evangelho, portanto, os justos não são justos, eles são ímpios agora justificados. São ramos enxertados, são filhos adotados, são ovelhas de outro pasto, são salvos pelo "gongo": "Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso!!!"

Mas quem pode agüentar o escândalo de Amor que se vislumbra nos encontros humanos com um Salvador que justifica ímpios, embora não recompense hipócritas??? Que "filho mais velho" ha de suportar as "injustas" parábolas da Graça sem espernear, já que a "felicidade" dele depende da não-aceitação do outro no mesmo seio paterno, pois ele só se concebe justo e merecedor do amor e da herança visto "nunca ter transgredido um só dos mandamentos!" Segundo o filho fundamentalista, felicidade maior do que ir para o céu, e ir sem que "esse outro teu filho" vá! Em paralelo, os "justos" da religião gozam com a condenação dos "ímpios" que gozaram com a vida enquanto os primeiros se reprimiam!

III - A conversão de Sodoma

Sim, mas nas narrativas dos evangelhos tais "ímpios" salvos se arrependeram, irmão Marcelo? - alguém dirá.

É verdade! A questão não é essa.

A questão é: Como se arrependeram? Qual a jornada rumo ao arrependimento empreendida por publicanos, meretrizes e pecadores que O cercavam?

Faça um exercício de mínima acuidade textual... Volta lá e procura uma única narrativa na qual eles se arrependeram antes de terem sido amados, antes de terem sido alvejados pelo Amor Incondicional do Deus Encarnado, antes de terem sido por Ele acolhidos, reconciliados, chamados e servidos! Sim, mostra um único texto onde Ele não nos amou primeiro! Mostra um!

"Eu não me arrependo para ser perdoado, eu me arrependo porque fui perdoado!" O arrependimento só se faz possível porque há perdão disponível! Isso é claro como a luz do sol, mas quem pode olhar para ele?

Quem, em "sã" consciência religiosa, pode suportar tal "heresia"?

É por isso que as próximas manifestações do Amor de Deus na Terra serão clandestinas à igreja que O representa! O Evangelho crescerá à margem porque a igreja provou-se excessivamente "justa": Quando chama, ameaça; quando recebe, segrega; quando converte, clona; e quando santifica, infla o indivíduo de si próprio! Daí cruzarem os mares para fazer um prosélito e o tornarem duas vezes mais merecedor do inferno; pois agora ao pecado comportamental juntou-se o cinismo e a hipocrisia religiosa!

Dessa forma, percebo com pesar que aqueles que mandam descer fogo do céu sobre os homossexuais não sabem de que espírito são!

O Filho do Homem veio salvar, ainda. Veio buscar a mim e a eles, visto sermos todos iguais. Os segredos dos corações dos homens ainda não foram revelados e a História ainda não acabou; contudo a "igreja" impôs-se a incumbência de passar o restante dela julgando preventivamente, querendo administrar o caos, nominar-se trigo, classificar o joio, organizar a Queda.

Sinceramente, penso que a cristandade segue aperfeiçoando sua "herança romano-puritana" de domar genitálias alheias, como quem circuncida gentios para apresentá-los diante da Santa Grei em Jerusalém, a fim de torná-los palatáveis dentro de nossas Sinagogas Cristãs...

Mas Deus não precisa da igreja. Aleluia! Deus não é doido!

O fator Melquisedeque está em operação: zaqueus, levis, madalenas, pedros, ladrões e até nicodemos da vida são atraídos pelo Perdão que dá herança nos Céus e não pela ameaça do fogo do Inferno.

Jesus não faz a Pedagogia do Terror! E toda vez que se aproxima dela e na direção do pessoal da "carteirada" ou é para dizer que haverá menor juízo para sodomitas do que para as cidades abrâmicas que testemunharam o amor de Deus e não se curvaram sobre Seus pés e nem O lavaram com lágrimas! Porque se aqueles des-graçados de Gomorra tivessem tido a experiência da Dádiva desmedida em Jesus, há muito já teriam se convertido!!!!

Então, saibam todos: milagres serão realizados em Sodoma, sinais acontecerão em Gomorra! E então virá o fim!

Aí muitos e muitos e muitos virão do Ocidente e do Oriente e sentar-se-ão à Mesa com Abraão, Isaque e Jacó!!!

IV - Nossa Bandeira também tem muitas cores!

E se eu e você quisermos participar desse derramamento do Espírito sobre toda carne, é melhor mudar o coração; e ao contrário de sair em defesa de Deus por que não sair às ruas com Deus?

Proponho o fim de toda bandeira cristã! Alguém já disse que aqueles que estão crucificados não têm mãos disponíveis para levantar bandeiras!

Não temos bandeiras a não ser o Evangelho!

Nossa bandeira é a Reconciliação. Esse é nosso ministério, isto é, "Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, não imputando aos homens os seus pecados, e nos confiou a Palavra da Reconciliação. De modo que somos Embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse ao mundo...: Reconciliem-se comigo! [Isso é possível, porque]... Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós, para que Nele fôssemos feitos justiça de Deus!"

Quem entendeu, entendeu; quem não entendeu, distorça tudo!

"... o Seu estandarte sobre mim é o amor!" Cantares 2.4

V - A Embaixada da Reconciliação e a Utopia do Evangelho

Sugiro mudar a pauta, então. Mudar o tom. Mudar o discurso. Abaixar as mãos. Todos fomos flagrados em falta!

Sugiro, então, o abraço ao diferente, a amor ao "torto", o acolhimento do equivocado, a inclusão da turba marginalizada em quase dois mil anos de uma igreja preocupada em fazer justiça. Nem a gente se agüenta mais... Vamos virar a página!

Sugiro que os mais des-graçados sejam os mais abraçados!

Sugiro que larguemos as pedras da intolerância e a linguagem da ufania!

Sugiro que pitbulls da severidade e poodles raivosos abandonem a arena...

Sugiro que o ranger dos dentes ativistas dê lugar a um simples sorriso de paz!

Sugiro que ao corpo se dê um pouco mais de alma! Sugiro a Calma.

Sugiro o final do juízo até que ele comece.

Suplico que os discípulos de Jesus sigam Jesus!

E não per-sigam seus semelhantes tão distintamente semelhantes.

E amem o mundo até o limite do insuportável!

E amem o mundo até o mundo odiar o amor!

E amem o mundo até brilhar o SOL DA JUSTIÇA! - A "justiça" que vem pela fé no Filho de Deus!

Arrisquem-se, pelo Amor de Deus!

Vamos precisar de todo mundo!

Amar não nos tornará cúmplices de ninguém e de nada!

Deus é amor!

"(...) toda Terra se encherá da Glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.

Naquele dia, as nações perguntarão pela raiz de Jessé, posta por Estandarte dos Povos, e o lugar do seu repouso será glorioso!" Isaías 11.9-10


Primavera de 2007

Marcelo Quintela

"A gente espera do mundo e o mundo espera de nós um pouco mais de paciência!"

Retirado do site Crer é também pensar.

A transição de São Nicolau

É época da pintura alucinada de ícones de São Nicolau, pintados à mão e para usos seculares, no scriptorium do Monastério. Sobra pouco tempo, devo confessar, para meditações, leituras diárias, cântico de salmos, cópia de manuscritos e outras disciplinas do espírito e de mortificação da carne.

Como se sabe, Papai Noel é a encarnação mais recente e pasteurizada de São Nicolau de Mira, santo gente-boa do século IV e padroeiro da Rússia, da Grécia e da Noruega.

O bem-cuidado Saint Nicholas Center é uma boa fonte (em inglês) a respeito de São Nicolau e de sua transição para Santa Claus. Interessou-me em particular saber que nas lendas que descrevem sua visita tradicional de Natal, em que chega trazendo presentes para as criancinhas de boa vontade, São Nicolau muitas vezes não comparece sozinho, mas na companhia de ajudantes que variam de uma cultura para outra. Quem diria que na França São Nicolau aparece acompanhado de um burrinho, na Holanda por um mouro da África (Zwarte Piet, “Negro Pedro”) e na [antiga] Tchecoslováquia pelo próprio Diabo?

Em 2005 o prefeito de Demre (Turquia), cidade Natal do Noel, mandou desalojar uma estátua tradicional do santo da praça da Igreja de São Nicolau e colocou no lugar uma mais imediatamente consumível versão de plástico de “Noel Baba”.

Deixo-vos então com minha própria versão de Baba: faces rosadas, olhos azuis, rosto bonito, barba branca e abundante, coração puro e sorriso angelical. Como não comprar um produto endossado por esse sujeito?

Chupinhado do Bacia das Almas.

O mundo é das loiras (2)

19 de dez de 2007

Mateus 7: 7-12 NVA (2)

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.
Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.
E qual de entre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?
Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?
Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas. (Versão Almeida Corrigida e Fiel)

“Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.
Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.
“Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? 10 Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra?
Sevocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus,
dará coisas boas aos que lhe pedirem!
Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes
façam; pois esta é a Lei e os Profetas. (NVI - Nova Versão Internacional)

Ordenai, e obedecer-se-vos-á; declarai, e cumprireis; arrombai, e escancarar-se-vos-á.
Porque, aquele que ordena, é obedecido; e, o que declara, cumpre-se; e, ao que arromba, escancarar-se-lhe-á.
E qual de entre vós é o homem que, ordenando-lhe um carro o seu filho, lhe dará uma bicicleta?
E, ordenando-lhe um caviar, lhe dará uma sopa?
Se vós, pois, sendo maus dizimistas, sabeis dar as melhores coisas aos vossos mimados filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará riquezas aos que lhe ordenarem?
Portanto, tudo o que vós desejais que os homens vos dêem, ofertai-lho também vós, porque esta é a Doutrina e os Apóstolos. (NVA - Nova Versão Apostólica)

O fracasso do Cristianismo

O título pode parecer um tanto quanto incoerente para muitos, inconseqüente para outros, mas na verdade precisamos reconhecer que o cristianismo de certa forma falhou em sua nobilíssima missão de transformar o mundo num lugar mais justo à vida. O sonho de uma comunidade que seguisse fielmente os ensinos de Cristo teve pouca duração na história, basta ler os primeiros capítulos de Atos dos apóstolos para perceber que a natureza humana, com sua forte inclinação para o pecado, determinou os caminhos a serem trilhados pelos seguidores de Jesus.

Apontar um marco histórico exato, a cristianização do ébrio Império Romano, para explicar o declínio do cristianismo é cair em simplificações estapafúrdias. É sabido que acontecimento como aquele não surge do acaso, mas é fruto de um silencioso processo de adequação aos interesses de quem dita as regras. Evidentemente que nunca houve escassez completa de homens e mulheres cheios de piedade e temor ao Senhor, mas é fato inconteste que as estruturas de poder seduziram os líderes do passado e desde então capitulamos.

O cristianismo impôs um código de regra, mais conhecido como dogma, de difícil execução, restringiu os privilégios religiosos aos “selecionados” e perpetuou uma “espiritualidade” de elite. A preservação do status adquirido determinou as ações posteriores, instalou-se uma relação promíscua com o estado e a morte prevaleceu, vidas foram destruídas com a demoníaca desculpa de que prevaleceram os interesses do “reino”. O eurocentrismo cristão do século XV devastou o novo mundo, dizimando povos, violentando mulheres, assassinando crianças e perpetuando a miséria como legado social.

A partir do século XVIII a elite capitalista cristã da Europa fatiou a África e a Ásia como uma pizza, enquanto os EUA e a Inglaterra fixaram seus tentáculos na América Latina para garantir mercado para os seus produtos. Apenas para exemplificar, com o patrocínio da Inglaterra o Paraguai foi quase dizimado pela tríplice Aliança - Brasil, Argentina e Uruguai – pois sua industrialização colocava em risco os interesses britânicos na região. Para combater o avanço comunista no pós-guerra de maneira mais efetiva os Estados Unidos lançam a “Doutrina de Segurança Nacional”, cujo objetivo era fortalecer os militares dos paises latino-americanos no combate aos partidos de esquerda e conduzir os seus países ao desenvolvimento econômico, sob a égide do imperialismo americano é claro. Este período se transformou em mais um triste episódio na tão sofrida história dos latino-americanos, que tiveram seus direitos cerceados; com a ausência da liberdade de expressão, imposição da censura, fim dos partidos políticos, repressão, fechamento dos sindicatos e proibição de movimentos sociais. É correto afirmar que os EUA na defesa de seus interesses imperialistas patrocinaram o terror nas ditaduras militares da América Latina e sustentaram seu subdesenvolvimento.

Em suma a fé cristã se distanciou tão fortemente de suas origens que vergonhosamente se voltou contra Jesus, crucificando-o ao defender os interesses dos poderosos e negligenciando os oprimidos. As pisadas do Mestre desapareceram sob a espuma suja dos interesses egoístas dos “seguidores de Cristo”.

Hoje temos um mundo à beira do colapso, os séculos de dominação das nações cristãs esgotaram os recursos naturais, essas mesmas nações continuam sangrando a economia dos países pobres, e o mundo não está melhor para quase dois bilhões de pessoas em todo o mundo. O cristianismo continua sua trajetória de alianças espúrias, oprimindo as massas com sua mensagem adocicada, prometendo triunfo aos seus seguidores e cauterizando as mentes rebeldes.

Onde estão os verdadeiros seguidores de Cristo?

Tentando sobreviver sob os escombros fétidos da decadente história do Ocidente cristão.

Por: Valdinei Ramos Gandra, retirado do blog Frenesy.

Morte a Gezuz


"Dê o dízimo se não o devorador vai te pegar! Corra, grite, dance extravase em “adoração”, isso é ser livre! Não peça, ordene, pois vc é filho do rei!! Doença? Nem pensar pois ninguém que é filho do rei fica adoecido! Teus inimigos não prevalecerão, vc terá dupla honra! Vc precisa pedir perdão pelos pecados do teu avó se não jamais será liberto! Vc terá restituição de tudo que o diabo te roubou! teu avó se não jamais será liberto! Se vc está passando dificuldade alguma coisa tá errada na sua vida! Mora de aluguel? Está em pecado!"

É comum ouvir esse tipo de chavão nos rádios, programas de TV evangélicos e nas “igrejas”. Pregar a prosperidade material e terrena dos fiéis que se voltam a Gezuz, através da participação nos cultos e donativos à “igreja” é cada vez mais comum. Honra e glória ao homem que é “fiel”, ele será exaltado, será o primeiro em tudo, sete vezes mais de bênçãos e blablablá.

Em Gezuz o melhor de Deus pra nós esta sempre relacionado a coisas materiais e sucesso, se for ao contrário é pq VC FALHOU diante dele. Sabe eu cansei desse Gezuz, por isso eu o matei! Ele está morto pra mim.

Trecho de Eu matei Gezuz!, texto no blog da Cris Corrêa.

Jogos Mortais

Quais são os verdadeiros valores? Melhor, quais são os mais importantes? Qual o caráter de urgência do meu projeto de vida? O quanto sou grato por minha existência, por minha saúde, por minha família?

O filme Jogos Mortais, que rendeu uma quadriologia, pode não ser um gênero que agrade aos mais sensíveis de estômago fraco, ou, até mesmo aqueles "crentes" que não assistem filmes de horror por convicções e princípios religiosos. Que evitam serem vítimas de mensagens subliminares e etc... Mas, a bem da verdade, em detrimento dos recursos e postura de John (JigSaw) na forma como radicaliza sua visão de mundo e percepção da vida, sua motivação me inspira.

Longe de mim, ser vítima de um inteligentíssimo louco com uma inegável lógica de relevância de vida. Mas, pergunto-me: Qual seria meu limite posto minha vida em cheque? No filme, surpreendemo-nos com pessoas ingratas pelo estilo de vida que levavam e vazias de sentido, cortar o pé, abrir o estômago de outrem, matarem, sequestrarem e, enfim, tudo que fosse proposto pelo jogo doentio de grande significado para que conseguissem sobreviver.

Pessoas que não demostravam nenhuma gratidão por viver. Viciados em drogas, adúlteros, glutãos e oportunistas inescrupulosos são os perfis de pessoas que não dão valor à vida. Estas, escolhidas para ultrapassarem limites extremos em troca da sobrevivência. Pessoas que não apreciavam suas vidas agora se deparavam com situações psicopatas que as impulsionavam a ter reações mortais para garantir que continuassem com suas vidas medíocres. O cara é um gênio! Consegue despertar em suas vítimas a real importância de simplesmente viver. De ter uma família, um emprego e amigos. De amar e ser amado. De ser grato!

Não é um simples filme de suspense/terror que explora ao extremo cenas chocantes e pesadas, mas, uma obra-prima repleta de filosofia, moral e questionamentos que levam-nos a refletir em como estamos vivendo. Se gratos por viver ou se zombando do dom da vida.

O enredo traz à tona indagações radicais para minha vida. Peguei-me refletindo qual seria minha reação diante de uma morte iminente, um câncer irresolvível, uma aids, um acidente de sequelas mortais... um desenganado médico! E fiquei atordoado com minhas resoluções e conclusões.

Constatei que, frente a qualquer um dos infortúnios citados, minha postura seria adversa a tudo quanto tenho vivido. Percebi-me arrancando do meu coração sonhos pelos quais anseio realizar dos quais não haveria mais nem tempo nem sentido diante de uma morte certa. Vi-me renunciando meu sonhado casamento e a instituição de uma linda família ao lado de quem tanto amo, por não haver mais tempo e nem razão para começar algo que terminará tão cedo e precocemente. Peguei-me trocando todas minhas veredas de sucesso como marido, pai, cidadão e profissional para tomar uma direção totalmente oposta, menos exigente, mais excêntrica, não confortável, não racional, sem retornos palpáveis, sem reconhecimento e sem incentivo. Um caminho sobremodo excelente. Um caminho de desprendimento, de desapego a este mundo. Eu abandonaria minha faculdade, meu emprego, minha namorada e derramaria minhas últimas gotas de vida em pró do Evangelho no meio dos pobres, dos perseguidos, dos injustiçados, das prostitutas, dos ladrões, dos assassinos e dos doentes. Passaria um tempo na África servindo àquele povo que tanto necessita da nossa ajuda. Passaria outro tempo no Nordeste brasileiro servindo de alguma forma aquelas famílias carentes. Passaria um tempo nos guetos e favelas do Rio de Janeiro procurando aliviar a dor de viverem no descaso e no crime. Esgotaria meus suspiros derradeiros amando os homossexuais, os aidéticos, os leprosos, os bêbados e os viciados em drogas. Passaria fome com os que passam fome. Comeria o que comem os que pouco tem para comer. Dormiria junto dos que não tem onde dormir. Conversaria mais com os idosos. Gastaria o restante da minha vida fazendo todas as coisas que a sociedade considera perder a vida. Não aproveitar a vida. Quem sobrevive no jogo mortal de JigSaw estranhamente fica com uma sensação de aprendizado. O forte impacto do que passaram representa pra eles a inversão dos valores efêmeros deste mundo para uma apreciação de gratidão pelo sopro de vida. Infelizmente essa percepção na maioria dos casos é fruto de intenso sofrimento e forte impacto psicológico. As vítimas de JigSaw - quando sobrevivem é claro, rss - aprendem a dar valor ao que realmente tem valor e a negligenciar o que não tem valor. Em toda essa minha reflexão percebi que se não houvesse mais razão, nem tempo para buscar as coisas deste mundo... buscaria o Reino em "primeiro lugar". (in)felizmente acho que enquanto não for "vítima", de fato, das garras da Graça não entenderei realmente o que importa de verdade nesta vida...

18 de dez de 2007

Natal?

O que é Natal? Quem inventou o Natal? Porque comemoramos o Natal? O Natal é uma festa cristã? Porque tanto cristãos como não-cristãos comemoram o Natal? Porque não encontro a Igreja Neotestamentária comemorando o Natal? Eu, hein?
Quer tomar a pílula vermelha? Clique na caveira natalina:

16 de dez de 2007

Thinks

A ciência dá ao homem [e às mulheres] poderes cada vez maiores, porém significação cada vez menor; aprimora seus instrumentos e despreza seus propósitos; silencia sobre suas origens, valores e objetivos finais; não dá à vida ou à história significação ou valor que não seja cancelado pela morte ou pelo tempo que tudo consome.

Portanto os homens [e as mulheres] preferem a garantia do dogma à duvida da razão; cansados do pensamento indeciso e do julgamento incerto, acolhem alegremente a orientação de uma igreja autoritária, a catarse do confessionário, a estabilidade de um credo há muito firmado. Envergonhados com o fracasso, privados daqueles que amam, manchados pelo pecado e temerosos da morte, sentem-se redimidos pelo auxílio divino, limpos da culpa e do terror, confortados e inspirados pela esperança, e elevados a um destino divino e imortal.

Will Durant em "A Reforma" - na série História da Civilização - Editora Record.

14 de dez de 2007

Púlpito ou Picadeiro?

E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado... Efésios 4:11,12 – NVI (Nova Versão Internacional)


E ele contratou alguns para superastros-ídolos, outros para cantores-popstars, outros para marketeiros-paparazzi, e outros para showman e ilusionistas, com o fim de entreter os pagantes para o show business, para que o Mercado de Cristo seja fomentado... Efésios 4:11,12 – NVA (Nova Versão Apostólica)

S2


No intuito de fazer resplandecer os sentimentos que se conturbam dentro em mim, julgo-me incapaz de cumprir tamanha façanha. Pois, são tantos!

Mal posso defini-los ou até traduzi-los em qualquer tipo de expressão já desenvolvida pela humanidade. As palavras são finitas e, muitas vezes, insuficientes para expor tudo o que sinto. Os sinais são poucos!

Acabo me perdendo na tentativa de tornar revelado o amor que vem crescendo, expandindo e tomando todo meu ser.

Só me resta apelar para a mais simples forma de expressão! Fazer uso de meus sentidos. Fazer conhecido o meu amor por meio do olhar. Espelhar tão sublime sentimento no mar dos seus olhos.

Exalar o perfume da paixão! Para que, não importe a distância que nos separe, você possa sentir o doce aroma fluindo do meu coração.

Que através do meu toque você possa sentir o ritmo acelerado com que circula meu sangue por todo mo meu corpo.

Efeito da adrenalina constante que me toma só de estar ao teu lado.

E, por fim, que meus lábios sejam tocados pelos teus e somados então, que todo o mundo exploda à nossa volta...

Pôr do Sol


Tão lindo é o pôr do Sol

A serenidade, a paz,

A bela aurora nos traz


Sonho e encanto, ora

Faz-nos ir além do limite horizonte

Faz-nos querer buscar mais longe


Uma jornada cumprida

Um sonho realizado

Um mundo contornado

É o pôr do Sol


Conselho


- Se eu fosse você não teria dito que estava cansado para conversar. Claro, eu entendo o seu lado, mas, e você? Entende o lado dela? Responda-me. Quando chegou, o jantar estava preparado? Muito bom! Então, ela dispensou algum tempo com isso, certo?
- Não, Marcos! Ela não tem que entender que você não quer ouvi-la. É você que deve entender que ela passou todo o dia esperando por você.

- Tudo bem! Mas quantas vezes você pensou nela durante o trabalho, enquanto estudava todos aqueles processos, ou quando defendia alguma causa jurídica?
- Não, não estou dizendo que não trabalha por ela. Estou dizendo que, talvez, não viva com ela.
- Marcos, quando você acorda, seu café da manhã já está preparado, não está? Éh, alguém acordou mais cedo para agradá-lo.
- Não, isso não se trata de rotina conjugal. Trata-se de disposição na relação. Ela necessita de qualidade de tempo, conversa, atenção e carinho. E tudo isso deve ser introduzido na primeira vez que a vê ao seu lado quando acorda, e na última vez que a vê ao seu lado quando dorme. Sublime seria se nesse intervalo você acordasse e a observasse dormindo e agradecesse a Deus por ela estar ali do seu lado.
- Claro, eu compreendo. Ás vezes, estamos com a cabeça cheia e nos esquecemos das flores, do romance, da paixão. Mas, tente se doar um pouco. Conquiste-a todo dia uma vez mais. Apaixone-se todo dia uma vez mais.
- Isso! Você entenderá que só será feliz quando decidir faze-la feliz. Na verdade, casar não é esperar que o outro o faça feliz, mas, esperar fazer todo o possível para fazer quem a gente ama, a pessoa mais feliz do mundo.
- Ok, Marcos! Sem problema! Sempre que precisar pode me ligar novamente. Afinal, seu amigo não estudou psicologia à toa.

13 de dez de 2007

Ser ou não ser, eis a questão...


Prefiro não ser "santo" e ser do que ser "santo" e não ser.

Fim do mundo (1)

"Mas quem(?) PERSEVERAR até o FIM(?), esse será SALVO." Mt 24:13

...Mas, até o FIM(?)mesmo...

O mundo é das loiras(1)

Uma loira pergunta para a outra:

O que está mais distante Londres ou a Lua?

A outra responde:

- Nossa!!! Que pergunta mais sem sentido!!! Você consegue ver Londres daqui???

Não!!!

- Então... Amigaaaaaaaaaaaaaa...

12 de dez de 2007

Blattaria


Blattaria ou Blattodea é uma ordem de insetos cujos representantes são popularmente conhecidos como baratas. É um grupo cosmopolita, sendo que algumas espécies (menos de 1%) são consideradas como sinantrópicas.
Philip Yancey faz uma analogia de Deus se tornando homem para poder ter acesso aos homens com ele mesmo e seu aquário de peixes exóticos. Ele explica que mesmo que ele esteja cuidando, alimentando e administrando o aquário, os peixes simplesmente fogem quando ele se achega para dar-lhes comida. Não entendem que ele está cuidando com amor e carinho, mas, só percebem um gigante que vez ou outra volta para assusta-los e atormentá-los. Então, Philip presupõe que Deus talvez tenha tido a mesma sensação diante da sua Criação, o homem. E, imagina que haja semelhança nos dois conflitos. Deus se tornar homem poderia soar com ele se tornando um peixe para poder comunicar o seu amor pelos peixes do aquário.
É nesse ponto que viajo em meus pensamentos. Esforço-me para imaginar quão grande feito seria Deus se tornar como um homem, sua criação. Como não sou Deus, transfiro para uma relação mai próxima e tento tirar alguma conclusão válida.
No entanto, acho que os peixinhos são seres muito adoráveis e graciosos para este estudo de caso. Creio que a dimensão da relação Deus se tornando criatura seja muito mais humilhante. Afinal, Deus se esvaziou a si mesmo da Sua glória.
Creio que esta iniciativa de dimensões cósmicas de humilhação do Deus Todo-Poderoso, Onipotente, Onipresente, Onisciente e Soberano de tornar-se como um de nós assemelha-se, com mais precisão, com minha relação com as baratas. Digo as baratas porque são repugnantes, nojentas, odiosas, irritantes, deprimentes, feias e... já disse nojentas? E não são dignas por si mesmas de serem amadas como os peixinhos. E a cada dia que percebo em minha volta a corrupção, a violência, o desamor, o desafeto, a inescrupolosidade, a ganância, a ambicão, o orgulho, a soberba e tudo quanto deriva do Pecado, creio que Deus é Deus porque para amar ao homem em detrimento de todas essas características, só Deus mesmo. São características que causam a mesma aversão ou pior, que das baratas.
Então, imagine só eu com uma capacidade (Graça) que só eu teria de amar esses "serezinhos" indignos do meu amor me tornando uma barata para comunicar-lhes que as amo? Esvaziar-me de toda minha inteligência, racionalidade, intelectualidade, espirituosidade e criatividade para ser uma barata. Barata pensa? Como seria eu, um ser muito mais avançado que uma barata, abandonar tudo que me torna avançado para me tornar uma barata? Minha mente quase dá um nó... É grandioso ao mesmo tempo que dispendioso e humilhante! Mas, para elas não correrem de mim por não me entenderem, eu me rebaixaria a uma delas só para anunciar-lhes que elas me são muito caras e que as amo muito! Affff... não dá pra engolir! rsss
Grazie Signore!

Salmos 37.4

Nunca me senti à vontade em "campanhas". Principalmente em suscessivas campanhas. Algo me deixava com o pé atrás. Pareciam mais com os apelos dos programas de televisão como Porta da Esperança, Topa-Tudo Por Dinheiro, Namoro ou Amizade, Festival da Casa Própria... sei lá! Me sentia como se estivesse fazendo força para entortar uma colher com a força do pensamento. Enrugando o rosto, apertando os olhos para conseguir algum favor - na maioria das vezes efêmero - de Deus.
Campanha de Daniel, Campanha da Vitória, Campanha da Vida Amorosa, Campanha do Carro Novo, Campanha da Casa Própria, Campanha Vencendo o Inimigo, Campanha Rompendo na Vida Financeira... e por aí vai, tantas quantas a criatividade e, por vezes, a inescrupulosidade permitir!
E, já não é de se espantar que, como todos os anos, tenhamos uma Campanha Projetando 2008 em diversas igrejas. Mas, uma em especial me chamou a atenção em sua chamada na rádio de sua propriedade: "Eu projetei sucesso na minha vida financeira e deus me concedeu!", "Eu projetei um carro novo e Deus me deu!", "Eu projetei ser um Grande Homem de Deus!" CAAAAMPANHA PROOOOJETAAANDOOO DOOOIS MIIILLL EEEEE OOOITOOOO... PROJETE NO SENHOR, E ELE SATISFARÁ OS DESEJOS DO TEEEUU CORAÇÃO...
Será que é uma Nova Versão Apostólica do Salmo 37:4 ?

Felizes são os infelizes

[...]Jesus pregou o famoso sermão numa ocasião em que sua popularidade estava no auge. Multidões o seguiam por onde quer que fosse, obcecadas com uma pergunta: O Messias chegou finalmente? Nesta ocasião fora do comum, Jesus deixou de lado as parábolas e garantiu ao auditório um sopro cheio de “filosofia de vida”, assim como um candidato revelando uma nova plataforma política. E que plataforma.[...]

Nas bem-aventuranças, Jesus honrou pessoas que não podem desfrutar de muitos privilégios nesta vida. Para os pobres, os que choram, os mansos, os famintos, os perseguidos, os puros de coração, oferecia a certeza de que o seu trabalho não deixaria de ser reconhecido. Receberiam ampla recompensa. “Na realidade”, escreveu C. S. Lewis, “se considerarmos as promessas pouco modestas de galardão e a espantosa natureza das recompensas prometidas nos evangelhos, diríamos que o nosso Senhor considera nossos desejos não demasiadamente grandes, mas demasiadamente pequenos. Somos criaturas divididas, correndo atrás de álcool, sexo e ambições, desprezando a alegria infinita que se nos oferece, como uma criança ignorante que prefere continuar fazendo seus bolinhos de areia numa favela, porque não consegue imaginar o que significa um convite para passar as férias na praia”.

Sei que para muitos cristãos uma ênfase das recompensas futuras saiu de moda. Meu antigo pastor Bill Leslie costumava observar: “Conforme as igrejas vão ficando mais ricas e têm mais sucesso, sua preferência por hinos muda de ‘Aqui não é meu lar, um viajante sou’ para ‘Este é o mundo do meu Pai”. Nos Estados Unidos, pelo menos, os cristãos têm tanto conforto que já não nos identificamos com as condições humildes a que Jesus se referiu nas bem-aventuranças — o que pode explicar por que elas parecem tão estranhas aos nossos ouvidos.

Mas, como CS. Lewis nos faz lembrar, não nos atrevemos a menosprezar o valor das futuras recompensas. Só precisamos ouvir os hinos compostos pelos escravos americanos para perceber esse consolo da fé. “Balança-te lentamente, doce carruagem, que vem vindo a fim de me levar para o lar.” “Quando eu chegar no céu, vou vestir meu manto, vou gritar pelo céu de Deus.” “Logo estaremos livres, logo estaremos livres, quando o Senhor nos chamar para o céu.” Se os senhores dos escravos tivessem escrito esses hinos para os escravos cantar, seriam uma obcenidade; mas não, brotaram da boca dos próprios escravos, gente que tinha poucas esperanças neste mundo, mas esperança permanente em um mundo por vir. Para eles, toda esperança se centralizava em Jesus. “Ninguém conhece o meu labutar, ninguém, somente Cristo.” “Vou deitar todos os meus problemas nos ombros de Jesus.”[...]

Com o tempo aprendi a respeitar e até a esperar as recompensas que Jesus prometeu. Mesmo assim, essas recompensas se encontram em algum lugar no futuro, e as promessas pendentes não satisfazem as necessidades imediatas. Ao longo do caminho, cheguei a crer que as bem-aventuranças referem-se ao presente também, além do futuro. Precisamente contrapõem o sucesso no reino do céu ao reino deste mundo.

J. B. Phillips traduziu as bem-aventuranças que se aplicam ao reino deste mundo:

Felizes os “intrometidos”: pois subirão a postos elevados no mundo.

Felizes os que têm pavio curto: pois nunca permitirão que a vida os machuque.

Felizes os que se queixam: pois conseguem fazer o que querem no final.

Felizes os blasés: pois nunca se preocupam com os seus pecados.

Felizes os escravizadores: pois obterão resultados.

Felizes os homens notáveis deste mundo: pois se aproveitam das circunstâncias.

Felizes os perturbadores: pois são notados pelos outros.1

A sociedade moderna vive por regras de sobrevivência dos mais capacitados. “Aquele que morre com mais brinquedos é o vencedor”, diz a frase de um pára-choque. Da mesma forma a nação com as melhores armas e com o maior PIB. O proprietário dos Chicago Bulls apresentou um resumo compacto das regras que governam o mundo visível na ocasião da aposentadoria (temporária) de Michael Jordan. “Ele está vivendo o sonho americano”, disse Jerry Reinsdorf. “O sonho americano é atingir um momento na vida em que não é preciso fazer nada que você não queira e em que pode fazer tudo o que quer.”

Esse pode ser o sonho americano, mas sem dúvida não é o sonho de Jesus conforme revelado nas bem-aventuranças. As bem-aventuranças expressam com bastante clareza que Deus avalia este mundo por um conjunto de lentes. Deus parece preferir os pobres e os que choram, à Loteria Federal e aos supermodelos que se divertem na praia. É estranho, Deus pode preferir a América Latina do Centro e do Sul à praia de Malibu, e Ruanda a Monte Carlo. Na verdade, poder-se-ia colocar um subtítulo no sermão do monte, não a “sobrevivência dos mais aptos”, mas o “triunfo das vítimas”.[...]

“Bem-aventurados os pobres de espírito”, disse Jesus. Um comentário traduz para “Bem-aventurados os desesperados”. Não tendo a quem buscar, os desesperados se voltam para Jesus, o único que pode oferecer a libertação por que anseiam. Jesus realmente cria que uma pessoa pobre de espírito, ou chorosa, ou perseguida, ou faminta e sedenta da justiça tem uma “vantagem” especial sobre o restante de nós. Talvez, apenas talvez, a pessoa desesperada clame a Deus pedindo ajuda. Nesse caso, essa pessoa é verdadeiramente bem-aventurada.

Os estudiosos católicos cunharam a expressão “a opção de Deus pelos pobres”, em referência a um fenômeno que encontraram no Antigo e no Novo Testamento: a parcialidade de Deus para com os pobres e os prejudicados. Por que Deus destacaria os pobres para atenção especial em detrimento de qualquer outro grupo?, eu ficava imaginando. O que “faz os pobres merecerem a preocupação de Deus? Recebi ajuda nessa pergunta de uma escritora chamada Monika Hellwig, que faz uma lista das seguintes “vantagens” de ser pobre:

Os pobres reconhecem não apenas sua dependência de Deus e de gente poderosa como também sua interdepen­dência uns dos outros.

Os pobres depositam a segurança não nas coisas, mas nas pessoas.

Os pobres não têm um senso exagerado de sua própria importância e nenhuma necessidade exagerada de privaci­dade.

Os pobres esperam pouco da competição e muito da coope­ração.

Os pobres conseguem distinguir entre necessidade e luxo.

Os pobres podem esperar, porque adquiriram uma espécie de paciência obstinada nascida de uma dependência reconhecida.

Os temores dos pobres são mais realistas e menos exage­rados, porque já sabem que a pessoa pode sobreviver a grandes sofrimentos e necessidades.

Quando os pobres ouvem a pregação do evangelho, ele soa como boas novas e não como uma ameaça ou repre­ensão.

Os pobres podem reagir ao apelo do evangelho com certo abandono e com uma inteireza descomplicada porque têm tão pouco a perder e estão prontos para tudo.

Em suma, não por escolha própria — podem intensamente desejar o contrário —, as pessoas pobres encontram-se em uma postura que se encaixa na graça de Deus. Em sua condição de necessidade, de dependência e de insatisfação com a vida, podem dar boas vindas ao livre dom do amor de Deus.

Como exercício voltei à lista de Monika Hellwig, substituindo a palavra “pobres” pela palavra “ricos”, e alterando cada frase para o seu inverso. “Os ricos não sabem que precisam prementemente de redenção... Os ricos não depositam a confiança nas pessoas, mas nas coisas...” (Jesus fez uma coisa parecida na versão de Lucas das bem-aventuranças, mas essa parte recebe muito menos atenção: “Mas ai de vós, os ricos! Pois já tendes a vossa consolação...”.)

A seguir, tentei uma coisa ainda mais ameaçadora: substituí “ricos” pela palavra “eu”. Revendo cada uma das dez declarações, perguntei-me se minhas próprias atitudes se pareciam mais com as dos pobres ou com as dos ricos. Reconheço facilmente minhas necessidades? Rapidamente dependo de Deus e das outras pessoas? Onde fica a minha segurança? Estou mais pronto a competir ou a cooperar? Posso distinguir entre necessidades e luxos? Sou paciente?

As bem-aventuranças me parecem boas novas ou uma espécie de repreensão?

Quando fiz esse exercício comecei a perceber por que tantos santos voluntariamente se submetem à disciplina da pobreza. A dependência, a humildade, a simplicidade, a cooperação e um senso de abandono são qualidades grandemente prezadas na vida espiritual, mas extremamente fugidias para as pessoas que vivem no conforto. Podem existir outros caminhos para Deus mas — ah! — são difíceis, tão difíceis como um camelo se espremendo pelo buraco de uma agulha. Na grande inversão do reino de Deus, os santos prósperos são muito raros.

Não creio que os pobres sejam mais virtuosos do que qualquer outra pessoa (embora tenha descoberto que são mais compassivos e com freqüência mais generosos), mas são menos inclinados a fingir que são virtuosos. Não têm a arrogância da classe média, que pode habilmente disfarçar seus problemas sob uma fachada de justiça própria. São mutuamente mais dependentes, porque não têm escolha; precisam depender dos outros simplesmente para sobreviver.

Agora vejo as bem-aventuranças não como divisa protetora, mas como profundas perspectivas dentro do mistério da existência humana. O reino de Deus vira a mesa. Os pobres, os famintos, os que choram e os oprimidos de fato serão bem-aventurados. Não, naturalmente, por causa de seu estado de infortúnio — Jesus passou grande parte da vida tentando remediar esses infortúnios. Antes, são bem-aventurados por causa de uma vantagem inata que têm sobre os mais privilegiados e auto-suficientes. As pessoas ricas, com sucesso e belas podem muito bem passar pela vida descan­sando em seus dotes naturais. As pessoas que têm falta de tais privilégios naturais, uma vez desqualificadas para o sucesso no reino deste mundo, têm simplesmente de se voltar para Deus no momento da necessidade.

Os seres humanos não admitem prontamente o desespero. Quando o fazem, o reino do céu se aproxima.[...]

Trecho do livro O Jesus que eu nunca conheci, Philip Yancey.