10 de jan de 2008

Cara, sou fã... (4)


Cara, sou fã da Igreja! Sou fã destes meus irmãos desaprisionados de qualquer aprisco religioso. Livres para amar. Livres para levar a mensagem da Graça sem vínculos com instituições autodenominadas cristãs. Não sei se pessoas como Bono, Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King Jr, Nelson Mandela, Gandhi e outros, são para mim exemplos particulares de espiritualidade e relacionamento pessoal com Deus, mas, sei que são ótimos exemplos de Cristianismo. Exemplos, há muito, a frente de igrejolas que apenas se esmeram em cuidar do próprio umbigo. Personalidades como estas é que me fazem crer que realmente as portas do inferno não prevalecem contra a Igreja. Porque enquanto a massa evangélica preocupa-se com o próprio nariz com novos moveres, novas visões, novas doutrinas, novas unções, novas alfinetadas em denominações alheias e, por aí vai... Há verdadeiros membros do Corpo místico de Cristo, a Igreja, que realmente estão sendo luz no meio dos homens. Estão sendo sal da terra e são como cidades construídas sobre os outeiros. Este corpo invisível é que faz a real diferença para os pobres. Este corpo não está preocupado com qual a doutrina correta, qual a teologia infalível, se Salvação se perde ou não, se isso é pecado ou não, se mergulhar ou se aspergir é o verdadeiro batismo, se veneram Maria ou não, se apreciam arte, esculturas ou não, se é gospel ou não. A ortodoxia para estes agentes do Reino não é a regra de fé. Mas, antes o Amor a Deus acima de qualquer coisa e o Amor ao próximo. Sim, amor ao próximo gay, ao próximo aidético, ao próximo negro, ao próximo leproso, ao próximo alemão, ao próximo judeu, ao próximo que vende o corpo, ao próximo que passa fome, ao próximo que não tem onde repousar a cabeça... São tantos próximos que acho que a "i"greja achou por bem não se envolver com um rol de aflitos, pobres, cativos e necessitados. Devem ter compreendido que neste tipo de envolvimento não há lucros. Antes, apenas doação de energia, tempo, amor e, sim, dinheiro. Penso que seria muito difícil trocar a Teologia da Prosperidade com suas rentáveis articulações e efeitos por um estilo de vida despreocupado com o amanhã, com o que comer e beber, e com o que vestir. Lista esta, que é muita estranha para esta geração do consumo, capitalista e vazia. Penso que seria doloroso demais trocar as reuniões, conferências, acampamentos e seminários com êxtases espirituais, seguidos de estripulias extravagantes e moveres do "Espírito", com muita "adoração apaixonada e extravagante" por visitas a hospitais de câncer, hospitais de hanseníase, lar de idosos, casas de recuperação de dependentes químicos, orfanatos e lares carentes. Acho que esse tipo de experiência espiritual ninguém quer. Acho que não trocariam o mundinho alienado e tapado de vãs tradições pelo "mundo". São cristãos dopados de religião morta, falsa e ineficaz. Viciados nesse ópio que os coloca distantes da realidade. São como porcos remexendo na lama fétida, regurgitando suas próprias regras, doutrinas e liturgias. Ruminando placas, denominações e discutindo besteiras teológicas que não vão tirar ninguém do império das trevas. Muito menos vão apaziguar a fome dos famintos, a sede dos sedentos, libertar os cativos, consolar os pobres e transparecer Amor. Esses preferem apontar para os erros da Igreja Católica em detrimento do perfeito exemplo de amor, fé e cristianismo de Madre Teresa. Preferem colocar os dedos em riste contra as peripécias sexuais de Martin Luther King Jr, ao invés de juntarem-se a ele como pacificadores, filhos de Deus. Preferem classificar a música como secular, como mundana, de rockeiros cristãos como Bono, ao invés de, fazer um terço do que ele faz para mostrar as boas notícias de Jesus para os injustiçados e oprimidos. Cara, sou fá dessa Igreja invisível que não faz questão de rótulos, denominações, placas e registros no cartório para fazer o que esta "i"greja autoproclamada detentora da última verdade não faz. Não reivindicam status quo na lista de religiões. São membros espalhados por este mundo afora, no mesmo Espírito, que estão fazendo um enorme diferencial para os povos, nações e indivíduos alvos em potencial do Evangelho da Graça de Deus. Sou fã desses blogueiros determinados a apontar os nossos erros como discípulos de Cristo. Que refletem, pensam, maquinam uma forma de intrigar os carolas de que fora dos arraiais religiosos estão os verdadeiros necessitados de amor, paz e graça. Fora dos cercos da "i"greja estão as pessoas esperando a manifestação dos filhos de Deus. Em todos os lugares não sagrados, além das quatro paredes luxuosas de um templo, de um santuário ou de um salão estão aqueles que precisam da nossa fé, da nossa justiça, da nossa vida, do nosso sangue. O vinho da nossa festa tem o preço de Sangue. O preço do sangue do nosso Senhor. Quando é que o nosso sangue será o vinho da festa de alguém?

U2 e a Igreja chamada Vertigo
Publicado em 07/03/2006 às 17h02 - Por Assessoria de Imprensa

“Hello, hello! I’m at a place called vertigo...” Foi ouvindo estes versos que eu me dei conta de onde estava: no estádio do Morumbi, assistindo ao show da banda U2, que tocava a segunda música do dia, em São Paulo. Perto de mim, o prefeito José Serra. A reação à apresentação dos roqueiros irlandeses é geralmente essa mesmo. Ficamos meio que tontos diante do cenário gigante, da performance perfeita, do carisma de Bono. Depois do show, recebi vários e-mails de irmãos questionando o conteúdo cristão das músicas do U2 e das bandeiras sustentadas pelo vocalista. Resolvi escrever o que penso.

Seriam eles cristãos? Sim, eles são. Alguns podem torcer o nariz para essa afirmação. Conheço todos os argumentos contrários de cor, e, sobre isso, penso sobre como o nosso olhar se tornou superficial nos últimos anos, ou, então, como a nossa teologia se tornou rasa. Excluímos do nosso círculo quem não segue os mesmos padrões de comportamento. Enquanto isso, o “Você também” do U2 prefere incluir.

Não sei se a maioria quer enxergar o miolo da questão, se quer tocar a alma desses artistas. Aos que desejam isso, sugiro uma leitura atenta das músicas. O U2 fala, principalmente, da loucura da vida moderna, das nossas cidades, da ausência de sentido das guerras, das conquistas, dos fracassos. Num mundo vertiginoso, eles procuram algo que os faça “sentir” –é o que diz “Vertigo”. Mas é também o que diz “I still haven’t found what I’m looking for”, na qual Bono canta a sua busca por entender o sentido da condição humana.

As cidades sem nome, onde as luzes cegam, os arranjos eletrônicos que causam estranhamento... São esses os cenários desenhados pelo U2 em seu lamento pela tristeza do mundo, que vem desde o domingo sangrento de “Sunday Bloody Sunday”. A crítica musical muitas vezes o classifica como piegas. Porém a maneira como os irlandeses se colocam no hit parade, carregados de influências que vão dos Beatles aos punks Ramones, apresentando criações originalíssimas e baladas que marcam gerações, é surpreendente. Em todas as letras, há conceitos cristãos claros, e as bandeiras –como a coexistência pacífica das religiões, e não o ecumenismo— são as mais evangélicas que conheci.

Há canções específicas em que o Evangelho é declarado de forma explícita, porém os que não são cristãos não a compreendem dessa forma. Dos primeiros CDs da banda até o consagrado “War”, as referências à fé predominam. Em “Boy”, o trabalho de estréia do U2, Bono canta em “I Will Folow” (“Eu Seguirei”): “I was on the outside when you said/ You needed me/ I was looking at myself/ I was blind, I could not see. (Eu estava por fora quando você disse. Preciso de você. Eu estava observando a mim mesmo/ Eu estava cego, não podia ver)”. Entre “Boy” e “War”, está “October”, considerado um dos trabalhos mais cristãos da banda.

Além das declarações de fé do U2, o testemunho público de Bono confirma o que ele canta. O envolvimento do vocalista no Jubileu 2000, movimento que propõe o perdão da dívida externa dos países africanos, o forçou a atrasar em um ano o lançamento do novo CD. Há 25 anos casado com a mesma mulher, Bono fala com presidentes, discursa, prega em seus shows usando o palco como púlpito. Em qualquer oportunidade, ele está chamando atenção para a pobreza e a injustiça social.

Tudo isso pode parecer novidade para nós, brasileiros, mas para irlandeses e americanos, a confissão de fé dos roqueiros do U2 é praticamente domínio público. Este fato está sendo corrigido com o lançamento de “Walk On A Jornada Espiritual do U2”, tradução do livro de Steve Stockman (Editora W4 Endonet). Neste ensaio, vemos a compilação de milhares de entrevistas de Bono Vox ao longo dos anos e descobrimos que ele mesmo parou de tocar no assunto igreja para evitar maiores transtornos pessoais e na carreira da banda. Mas há muitas outras coisas interessantes a conferir no livro.

O passado do jovem vocalista em Dublin, o tempo de escola bíblica, é um dos capítulos interessantes. Entendemos o que era o movimento evangélico daquele lugar naqueles tempos. Era o auge da guerra entre católicos e protestantes e a igreja não estava encerrada entre as quatros paredes do templo, e sim nas trincheiras. As canções não eram apenas de louvor, mas também de protesto por tamanha incoerência de ambos os lados da batalha. Quem não se lembra da cena de Sinéad O’Connor, a cantora careca de “Nothing Compares 2 U”, queimando a fotografia do Papa?

O U2 é um produto da Igreja, mas não para consumo interno. Hoje, vejo em Bono inúmeras expressões do Evangelho, e dos valores que aprendemos aos domingos (ou que deveríamos estar aprendendo), vejo a tentativa frutífera de atingir para além do gueto que criamos, para além dos muros do templo. E isso, convenhamos, assusta a qualquer um. Ao mesmo tempo revela uma coragem que a maioria dos nossos músicos maravilhosos não tem. Aqui eu escrevo sem ironia: nós, cristãos, abastecemos o setor fonográfico há anos, com músicos que, fora da igreja, ajudam a embalar multidões com boa música cantada por não-cristãos, enquanto dentro produzem canções muitas vezes repetitivas e sem criatividade, sem força para ir além do muitas vezes mesquinho e vazio mercado evangélico.

Não conheço Bono o suficiente para saber se ele é um exemplo a ser seguido, mas não posso ignorar a verdade de suas bandeiras. Quando assisto a um megashow como o que ele fez em São Paulo, considerado por muitos o maior show de rock da história do Brasil, não posso deixar de me sentir desafiado e de me identificar com a proposta desses malucos irlandeses. Como político, sempre rejeitei o gueto. Sempre me recusei a, como vereador, me restringir a ser um despachante de igreja, a viver de favores, fechado num mundinho autodenominado cristão.

Nunca entendi que Jesus pregava a salvação para aqueles que fossem “bonzinhos”. Entendi que o céu era para aqueles que acolhessem o estrangeiro, para os que desse água ao sedento, comida ao faminto. Talvez seja essa a pergunta perseguida por Bono: o que é a salvação? A julgar por algumas letras e discursos da banda, a salvação é sinônimo de humanização. A partir do momento em que nos tornamos mais humanos, mais parecidos com Jesus nos tornamos. E, acima de tudo, a salvação é para todos, não apenas para um grupo de iniciados.

Para concluir, o U2 nos ensina que o projeto de expressar os valores da Igreja para o além-muro pode dar certo, seja em canções, seja em políticas públicas. Não sei se poderia considerar heresia ouvir uma multidão como a que lotou o Morumbi cantando os versos de “40”, composição do CD “War”, na qual Bono é explícito em sua fé. Na música, ele diz: “You set my feet upon a rock. And made my footsteps firm. Many will see, many will see and hear (Você pôs meus pés sobre a rocha. E firmou os meus passos. Muitos verão, muitos verão, e ouvirão)”. Posso dar o testemunho de quem viu isso ao vivo, como eu. É emocionante. Ouvir o nome do Senhor exaltado dessa forma é de arrepiar.

CARLOS BEZERRA JR. é médico ginecologista e obstetra, pastor da Comunidade da Graça e vereador de São Paulo.

U2 - Grace / Mother Teresa


A Tribute to Martin Luther King Jr.


Mahatma Gandhi Inspirational Documentary


Nelson Mandela


2 comentários:

  1. hahahaha calm down thy! calm down! rs tá certo q tá faltando mais ação social na igreja e menos interesse no próprio umbigo mas não concordo quando você ataca a questão da adoração, retiros e blábláblá pois há o perigo de pender para o outro lado, o da igreja como mera instituição de caridade e não uma ministradora de conteúdos eternos! O foco principal da igreja está em seu relacionamento com Deus, na busca do Senhor! Pois só conhecendo a Deus poderemos levar mais que pães e peixes ao mundo. A ação social é importantíssima mas se não tivermos o conhecimento de Deus ela se torna vã, pois para que serve a Igreja? Jesus mesmo censurou a multidão pois buscava apenas pães e peixes e o que ele tinha a oferecer era algo muito maior....

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  2. não posso dizer absolutamente nada sobre a pessoa de Sir Paul David Hewson, como o autor deste artigo também reconheceu, já sobre Bono Vox, essas três questões podem "definir o seu 'cristianismo'" (ou de qualquer pessoa, na verdade):

    1) o que ele pensa de Jesus Cristo?
    2) ele é ecumênico?
    3) não será ele um arauto da Nova Ordem Mundial?

    agora, sendo sincero a respeito destes artigos sobre a fé e as ações sociais de Bono Vox, confesso que me emocionei bastante lendo-os, pois sou cristão evangélico e "bereiano" desde que me entendo por gente e gosto do U2 (ñ me digo fã, pois aí já é querer d+) desde que sei o que é boa música.

    uma última colocação:
    obras sociais não fazem de ninguém cristão.
    (Rm10,3-11; Ef2,8-10)

    abraço e obrigado!!

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