7 de jan de 2008

Comunhão


Estava precisando muito de reconforto quando findou o ano que passou. Tenho sentido muito a falta de relacionar-me com pessoas que compartilham das mesmas idéias, ou que, se não compartilham, ao menos sejam pessoas das quais valha a pena conversar sem melindros e requintes religiosos.
Sinto-me sozinho e marginalizado, para não dizer pouco relacionado. Estou recluso com minhas inquietações e indagações inerentes a fé. Lá fora não é fácil encontrar pessoas livres de preconceito religioso e social. Antes só do que mal influenciado, é o que eu digo. Cansei de fingir ser um simples "crente", quando no mínimo, não o sou. Mantenho o coleguismo com muitos amigos "crentes". Percebo neles uma incapacidade assustadora de pensamento próprio. De reflexão. Se não concordo com eles é porque estou desviado. Se concordo com eles estou no Caminho do Senhor. São pessoas que vivem de dogmas e conceitos irrefutáveis. Não é muito divertido, nem edificante gastar tempo batendo de frente com gente assim. Minha noiva é a única que compartilha e vivencia juntamente comigo ideais e princípios de fé afins. Mas, nós dois sentimos falta de comunhão. Não digo ir a igreja, frequentar cultos, missas, reuniões e blá, blá, blá... Falo de COMUNHÃO. De amizade, de cumplicidade, de amor, respeito mútuo e dedicação coletiva. É como sempre escuto: Thiago, você tem que congregar! "Não deixeis de congregar como é o costume de muitos e siriri sarará...". Tenho sim. Mas se congregar é estar reunido no mesmo recinto com outras pessoas fazendo a mesma coisa infrutífera, - nada - ouvindo, sendo manipulado e esperando a assembléia terminar para ir para casa assistir Fantástico, não, não quero congregar. Se congregar é ficar sentado ao lado de duas pessoas, que também estão ao lado de outras pessoas, formando uma massa uniforme, sem vida, sem graça, sem contato e sem intimidade, não olhando uma para as outras, fitos num palhaço dando gritos logo a frente, não, não quero congregar.
Meu primo e sua esposa - blog Fadário - que estão morando em Jundiaí-SP, vieram passar vinte dias aqui em Anápolis-GO, onde moro. Foi um bálsamo para minha alma poder deflagrar uma conversa inteligente, edificante e motivadora como há muito não experimentava. Compartilhar experiências, conceitos, observações e percepções da vida, de Deus, da fé, da Igreja, da família, dos amigos. Alimentar-nos uns aos outros com a fé, com a perseverança e o amor. É sublime o quanto podemos sentir a presença de Deus durante uma maratona de filmes e depois discorrer e trazer para a esfera espiritual temas abordados e incitados num bom filme. É maravilhoso cantarmos juntos músicas que não sabemos a letra direito, mas, mesmo assim, cantar... louvar...
Como é bom reunirmos em volta de uma mesa, e de posse do melhor cuscuz do mundo, que só meu primo é capaz de fazer, com uma boa Boemia e muita alegria, fazer uma refeição, uma grande ceia. Como é bom saber que há amigos bem ali, perto e acessíveis. Amigos mais chegados que irmãos. É aliviante podermos relembrar o passado, as divergências, as rixas e os desentendimentos com Graça, com Amor e com Perdão.
Isso é Igreja. Isso é Comunhão. Isso é Congregar.
Primos, amamos vocês.

2 comentários:

  1. você não está sozinho, bróder! Tenha ânimo! A igreja sem cara de igreja, invisível, virtual e real está por aí! Um abraço,

    Gustavo K-fé

    http://gustavofrederico.blogspot.com/

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  2. Muito legal poder viver essa comunhão com pessoas tão amigas, tão intimas de nossas experiências, vontades... Muito bom estar com elas.
    Essa é a esperança das pessoas ao sentarem num baquinho da igreja, mais infelizmente a igreja ta muito longe desse papel.
    Numa boa comunhão você pode compartilhar sua vida com pessoas diferentes de você, e não é que pensar igual que vão tornar vocês amigas...mais sim entende-las, aconselha-las, ouvi-las, rir delas...
    É muito gostoso compartilhar isso, pena que poucas vezes vivo isso...
    Isso que é comunhão...

    Amo vocês...
    http://fadario7.blogspot.com/

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