1 de fev de 2008

Para os pensadores e/ou não...

“[…] a eternidade existe, e também a morte. Tais realidades nos ameaçam a cada instante e tornam inevitável o fato de que um dia as enfrentaremos face a face […].

Inegavelmente, as conseqüências são terríveis. As pessoas arriscam uma eternidade de condenação, muito embora a desconsiderem como se não valesse a pena pensar nela, ou como se não fosse possível, ainda que apresente fundamentos sólidos, embora ocultos. Como eles não se importam em saber se é verdadeira ou falsa, ou se as provas são fracas ou fortes, desconsideram as provas que estão diante de seus olhos, recusando-se a olhar, preferindo permanecer na mais completa ignorância. É como se, deliberadamente, escolhessem cair nessa calamidade esperando pelas provas após a morte, agindo de maneira aberta e orgulhosa. Nós, os que pensamos a esse respeito com seriedade, não deveríamos nos sentir horrorizados com tal comportamento?

[…] Quando um herdeiro encontra os documentos que lhe dão direito à sua herança, ele diz que talvez sejam falsos e não valem o esforço de uma olhadela? Certamente, a sensibilidade que o ser humano apresenta com respeito às coisas menos importantes e a insensibilidade que apresenta com relação às coisas mais importantes são evidências de uma estranha desordem.

[…] Imagine um prisioneiro num cárcere - desconhecedor da sentença a que foi condenado e dispondo apenas de uma hora para descobrí-la - sabe que há tempo suficiente para que sua sentença seja revogada. Não seria natural que gastasse aquela última hora jogando algum passatempo, indiferente quanto à situação de sua sentença. Portanto, é totalmente contrário à natureza humana que o homem seja indiferente quanto ao peso que as coisas têm nas mãos de Deus. Não é somente o zelo dos que O buscam que prova a existência de Deus, mas também a cegueira dos que O buscam.

[…] A verdadeira fé nos coloca a obrigação de sempre ter consideração por essas pessoas, enquanto viverem, enquanto forem capazes de receber graça e iluminação, e acreditar que em um breve tempo elas possam ser preenchidas com uma fé maior do que a que possuímos, e que nós, ao contrário, podemos ser atingidos pela mesma cegueira que agora as aflige (*quem pensa estar de pé, cuide para que não caia). Portanto, devemos fazer por elas o que gostaríamos que fosse feito conosco se estivéssimos em seus lugares”.

Trechos retirados do livro Mente em Chamas - Fé para o Cético e Indiferente, de Blaise Pascal

*I Coríntios 10-12 (nota minha)
Retirado do Celva.

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