15 de fev de 2008

Porque gosto de sonhar

Vivo em mundos paralelos. Sim, eles existem! Não são meras invenções da ficção!
Existe a selva capitalista que chamam de realidade (pseudo realidade) e também há a verdadeira realidade. Esta última geralmente desconhecida pela maioria. Mas, reside de alguma forma no mais resoluto sentimento de abstração e percepção da selva.

A verdadeira realidade é invisível. A selva não nos permite enxergá-la. O usurpador da selva é quem cega a capacidade das criaturas de verem além da violência, da desigualdade, da morte, da pobreza, da labuta, da injustiça, da burocracia e de todos os eventos selvagens deste lugar.

Nesta selva da qual usualmente exclamam "a vida é assim..." não passa de um lugar há muito deturpado. Há indícios - e estas provas são invisívelmente reais - de que esta selva já foi um belo jardim. Um lugar de alento e plena beleza. Dizem que era um lugar onde a harmonia envolvia cada criatura. Havia beleza e esplendor neste maravilhoso jardim. Ouvi dizer que Deus caminhava na viração do dia e conversava com cada habitante. Ouvi dizer que, a face de Deus era conhecida e todos podiam admirar-se da Sua glória sem nenhum embaraço. Sem nenhuma culpa...

O Homem era o guardador deste belo templo inefável de criatividade e novidade. Mas, são conjecturas das quais devemos crer apenas por fé. Isso mesmo, fé! Nesta selva há cinco sentidos para que possamos perceber a pseudo realidade. Mas, há o sexto sentido... A fé! Esta nos permite ter percepção da verdadeira realidade. Das coisas invisíveis! Aliás, conta a tradição que tudo que se vê veio de tudo que não se vê! Daí a reivindicação que faço de nomear esta a "verdadeira realidade". A realidade primeira!

A selva em que vivemos parece ser uma perversão daquele belo jardim. Onde reinava a paz, a igualdade, a excelência, a verdade, o amor, a amizade, a vida, a justiça, a acessibilidade e tantas outras ricas descrições...

Parece-me que foi o próprio Homem que o entregou à decadência. Mas, há muito, muito tempo... Tanto tempo que parece uma lembrança há muito adormecida e cauterizada na consciência das criaturas da selva! Restou apenas um sentimento de esperança e saudade. Ainda sim, sentimentos que não se traduzem na pseudo realidade da selva!

Nesta selva impera o lucro, a desonestidade, a arrogância, o orgulho, o poder, a perversão do sexo e a falta de amor... Tudo isso fruto de um passado longínquo e triste! Acho que foi por isso que Deus deixou de frequentar o jardim. E sem sua presença aquele belo jardim acabou tornando-se em selva. Nesta horripilante selva! Destruída! Horrível! Enganosa e traiçoeira! Cheia de pântanos e areia movediça! Cheia de espinhos e veneno! Fome e doenças! Guerra e ódio...
Creio que a falta dos passeios de Deus neste lugar contribuíram para a total decadência! Dizem que a Santidade de Deus não podia compactuar com o erro do Homem...

Nesta temível selva capitalista, tudo é comprável, tudo é comprado, tudo é vendido, tudo é comercializado... Trocaram a gratuidade de Deus pelo capitalismo de Mamom...

Mas, há rumores - de fatos invisíveis - de que Deus retorna! Parece-me que está cultivando outro jardim no meio desta selva. Ou talvez, vários jardins! Ouvi que são homens. Isso mesmo, homens que morreram e ressucitaram. Dizem que se transformam em jardins quando tornam à vida. E Deus passa a habitar nesse jardim. Jardins suspensos sobre esta deplorável selva. Parece-me que há muitos jardins e em todos Deus habita. Uma espécie de restauração, de redenção instaurada pelo próprio Deus.

Estes novos homens embora estejam ainda dentro desta escura selva, não vivem conforme sua perversa e mórbida consciência. Vivem na verdadeira realidade espalhando de volta o que antes se perdeu: amor, paz, perdão, verdade, honestidade, gozo, amizade, união, bondade e gratuidade!
Um dia nada será pago quando os jardins onde Deus habita tomarem toda a selva. Nada... porque aqui nesta selva sonhar é uma ofensa aos selvagens e chamam de utopia aquilo que com fé se aguarda. Chamam de loucura aquilo que se vive por fé. Chamam de tolice a esperança de que as flores retornem... Acho que por fim os selvagens não gostam da idéia de não lucrarem com os sonhos! E é por isso que gosto tanto de sonhar... da gratuidade de sonhar!

Um comentário:

  1. ...Pelo menos ainda podemos sonhar. E sonhar pricipalmente com nosso novo jardim...Mas nao basta tambem apenas sonhar temos que cultivarmos e espalhar novos jardins...

    Otimo texto, para definer dois "mundos" , em um so lugar, mais de "especies" diferentes...

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