28 de fev de 2008

"Teologia Fanática": Precisamos de outra reforma?

Diante de tudo aquilo que temos visto e ouvido sobre os evangélicos no Brasil, constata-se que uma reforma é mais que urgente, para que se resgate os princípios cristãos que foram abandonados por essa nova fase cristã brasileira. Embora tudo isso seja apenas um resultado do não acompanhamento da teologia em conexão com a realidade vivida, o nosso congelamento teológico proporcionou o surgimento desse modelo de cristianismo que temos acompanhado.

Os ortodoxos, aqueles que defendem essa teologia estagnada, combatem as irregularidades vistas, como por exemplo, o fato de muitas bandas evangélicas enfatizarem tanto costumes do antigo testamento, ressuscitando práticas que contrariam o conceito de graça. Isso se combate. No entanto, este enfrentamento restringiu-se apenas em conceitos de hermenêutica – texto fora do contexto, e não no âmbito filosófico – repensar as doutrinas teológicas; tornou-se restrito a isso, pois estes que comentem tais erros, não contrariam, em partes, o que a teologia de hoje pensa sobre Deus, homem, Jesus Cristo, etc.

Talvez alguns podem contrariar esse fato e falar que o combate não se restringe apenas na hermenêutica, mas me responda: por que estes que contrariam as doutrinas, fazem tanto sucesso no circulo evangélico? Ou melhor, por que parte de nossos cultos é tomada pelas músicas dessas bandas contraditórias? Isso nos faz concluir que a teologia que eles pregam nos hinos não está em desacordo com o que os ortodoxos pensam, pois se estivessem, já teriam sido banidos do cenário evangélico. Ou existe uma outra conclusão: as igrejas estão interessadas mais em lucrar do que com preservação doutrinária, pois é inegável o fato de que esses hinos conseguem manipular multidões.

Como prefiro ficar com a primeira opção – embora seja fato que a segunda afirmação seja verdadeira, defino que o temos praticado chama-se Teologia Fanática. Por quê? Segundo Paul Tillich, fanático é aquele que não enfrenta com coragem as contingências existenciais da vida, antes, prefere olvidar os questionamentos inerentes a essas contingências, e todas as vezes que é indagado sobre assuntos que ele decidiu isolar, ele se torna áspero e agressivo, pois ele se aflige ao se sentir como que se estivesse sem apoio. Ainda, segundo Paul, estes problemas devem ser enfrentados com coragem, que é, por sua vez, a confirmação do ser (pessoa) na realidade em que está inserida.

Então, classifico o momento teológico em que vivemos como teologia fanática, pois não temos coragem de alterar conceitos que são totalmente adequados à época antiga da Europa. Nossos conceitos não se renovaram. Não acompanharam os desdobramentos da vida. Cada vez mais se torna evidente que o que os teólogos afirmam nos centros acadêmicos, não tem comportado mais as realidades vividas pelo ser humano. E todas as vezes que alguém se atreve a pensar em conceitos que se adaptem a vida, são taxados como hereges, inimigos da fé, blasfemos, etc.

Não é permitido pensar. Parece que estes teólogos têm medo de se sentir sem apoio. Mas a verdade é que pessoas abandonaram a fé, ou trataram o cristianismo como uma religião qualquer, por causa desse congelamento, que não nos aproxima do Deus empático que se revelou em Jesus. Esse modelo que vivemos somente é capaz de gerar uma fé sem responsabilidade, que usa Deus e que trata o ser humano como objeto. Mas Cristo nos convida a participar, não de uma religião fanática, mas de um projeto que nos torna semelhantes a Ele, que se fez homem para nos socorrer em nossa fraquezas no tempo oportuno, ou seja: nos convida a participar de uma teologia que tem conexão com a vida.


Ctrl+c e Ctrl+v do excelente Celebrai!

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