31 de mai de 2008

Viva o lado Coca-Cola do Evangelho


Já ouvi diversas vezes alguns sermões que exortam a pregar o Evangelho com urgência e desespero. E, é engraçado... Talvez já tenham ouvido a comparação entre Jesus e a Coca-Cola, ou entre Jesus e o McDonalds!

"É inconcebível que o mundo inteiro conheça a Coca-Cola ou o McDonalds e ainda existam pessoas que nunca ouviram falar sequer no nome de Jesus!", vociferam alguns!

Há outros ainda que pregam o Evangelho com uma urgência e um desespero como se estivessem com o prazo findado ou findando de um projeto. E acabam por se esquecerem do Evangelho e pregam qualquer outra coisa que pensem ser Evangelho de olho apenas na meta: Alívio de consciência ou alcançar uma meta, como antecipar a volta de Jesus.

Nesse processo, as pessoas tornam-se objetos e matéria-prima para uma operação tática de disseminação de idéias, valores, usos e costumes que, via de regra, não são o Evangelho. "Você conhece Jesus? Tome um folhetinho meu amigo! Jesus te ama!", pronto contabiliza aí pastor! Preguei o Evangelho para mais uma pessoa...

Não quero dizer que não deva-se entregar folhetinhos. Conheço muitos que receberam Cristo por este recurso. Mas, não está na hora de repensarmos o nosso conceito de Evangelho e, então, refletirmos em como temos concebido o IDE?

A igreja tem seguido uma tendência empresarial em vários âmbitos e se apartando da idéia de Corpo orgânico, ou organismo e se moldando na idéia de Corpo Empresarial, Corporativo ou Organização. E, resultante disso, temos testemunhado um Evangelho que é tratado como um produto e as pessoas como consumidores deste produto, no sentido mais mercantil da frase. Pastores tornam-se grandes administradores de grandes organizações ("i"grejas), com grandes patrimônios, templos, imóveis e etc. E como administradores, propagandeiam um produto, um pseudo-Evangelho juntamente com um pseudo-Jesus, que mais atende aos apelos do consumismo, capitalismo e egoísmo que à doação, a comunidade (vida comum) e ao altruísmo tão bem representados no caráter de Cristo nos Evangelhos. As pessoas deixam de ser "doentes" que precisam de médico, de "perdidas" que precisam se encontradas, para consumidores ávidos de um "Evangelho" meia boca latente em barganhas espirituais, troca de favores com Deus e, por muitas vezes, uma "revolta santa" contra Deus por causa da situação financeira. E essas pessoas se perdem mais nesse emaranhado que irreverentemente chamam de Evangelho.

Dessa forma, a urgência em pregar o Evangelho reflete uma necessidade de alimentar esse nicho de mercado criado em volta da religião, da própria Bíblia e da pessoa de Jesus. Quanto mais pessoas se converterem mais inchado torna-se esse sistema famigerado e corrupto. Dos dois lados são atendidas as necessidades materiais, superficiais, carnais e egoístas. O vendedor desse "Evangelho" espera um retorno ao pregá-lo: um ligeiro crescimento nas finanças "eclesiásticas" no mínimo. O consumidor, ou comprador desse "Evangelho" espera sanar seus problemas, sua vida financeira, sua vida amorosa, pessoal, profissional e etc. E dessa forma atende aos apelos do produto que compra. E temos o abuso espiritual, a exploração da fé e a sórdida ganância. E dessa feita, sobra um Evangelho estigmatizado, e adulterado...

Então, analisando por esse prisma, a revolta com o maior sucesso da Coca-Cola em proclamar seu produto constrange os que também querem vender um produto que serve para dar prazer somente. Em comparação com o verdadeiro Evangelho de Cristo, a Coca-Cola em nada se assemelha. Porque a mensagem da Coca-Cola não infere na total mudança e transformação de vida e de caráter como a mensagem de Cristo. Sendo, assim, uma grande desvantagem na comparação. Com certeza a mensagem doce da Coca-Cola será largamente mais aceita em detrimento de uma mensagem que confronta nossa intensa e egoísta busca pela auto-satisfação.

Contudo, se esse "Evangelho" que andam vendendo por aí continuar crescendo, logo, logo, a Coca-Cola passará a ser menos conhecida...

2 comentários:

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