10 de jun de 2008

A lição do lavador de pratos e do agricultor

Na tentativa de nos fazer compreender o elo entre os aspectos íntimos da personalidade e o modo como ela se revela nos atos, para assim elaborar uma estratégia que nos possibilite ser aquilo que Deus quer que sejamos, Jesus nos ensina lançando mão dos conhecimentos mais prosaicos, como era o seu modo de agir (Mt 13:52).

Primeiro vejamos o lavador de pratos: “Ai de vós”, diz ele aos religiosos do seu tempo, “escribas e fariseus hipócritas! Porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes por dentro estão cheios de rapina e intemperança, Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo” (Mt 23:25-26).

É fácil limpar o lado de fora de um copo sem lavar o interior, mas é difícil lavar bem o lado de dentro e deixar o exterior sujo. Quem lava por dentro naturalmente lava também por fora. No máximo fica uma sujeirinha aqui ou ali.

Outra lição vem do agricultor. É uma a que Jesus se refere repetidamente, e que outros autores do Novo Testamento também utilizam. A árvore boa, observa ele, dá bom fruto, e a árvore má dá mau fruto (Lc 6:43-45). Seu irmão menor Tiago desenvolve o argumento observando que a figueira não dá azeitonas, nem a videira, figos (Tg 3:12).

Os atos não surgem do nada. Eles revelam fielmente aquilo que está no coração, e podemos saber o que há no coração observando os atos. De fato, todos sabem faze-lo. Isso faz parte do que significa ser um homem mentalmente capaz. O coração não é um mistério no plano das relações humanas triviais. Enxergamos facilmente o que há no coração uns dos outros.

Ouvindo diariamente a ladainha de atos iníquos que nos chega via os meios de comunicação, por exemplo, deduzimos com muito acerto (bastando refletir um pouco) que tipo de vida espiritual e de caráter gera esses atos – embora, em certo sentido, ainda possamos dizer: “não consigo entender como alguém pode fazer uma coisa dessas”. O mesmo vale para a conduta em casa ou no trabalho.

É a vida espiritual da alma que devemos buscar transformar, pois então a conduta correta nos será fácil e natural. Não adianta tentar o inverso. Um termo especial é usado no Novo Testamento para assinalar o caráter da vida espiritual correta. Esse termo é dikaiosune.


Dallas Willard em A conspiração Divina.

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