3 de jun de 2008

Religiosidade Assassina


Pobre, cego é nú! É assim que me vejo hoje não só em analogia do que sou na presença de Deus, mas também nas experiências de vida no mundo. Um relato do que restou de um primeiro amor que nunca se acabou e nem se acabará. O resquício de todo o investimento nas aparências de cristianismo que vivi!


"Pobre" porque não tenho nada nas mãos, nada palpável; assaltado pelas doutrinas e repressões religiosas que, vez por outras, procuravam atingir toda a minha vida, submergindo meu poder de escolha (livre arbítrio) no âmbito espiritual, social, pessoal e familiar.

Me sinto sem tesouro no céu! Porque os tesouros que garimpei não valem nada além das quatro paredes da sede institucional da igreja. Fora de lá, só o que sou por dentro glorifica a Deus!

"Cego" porque já nem sabia mais como era enxergar a Deus, a meu amado Jesus e as obras do meu doce Espírito Santo com minha própria visão, com meus próprios olhos espirituais; como uma criança que logo após a vida e o vislumbre da luz do primeiro novo dia foi cegada e ensinada de que seus olhos só podem contemplar maldade e por isso melhor seria mesmo retirá-los. Não vendado, mas destituído de percepção! As únicas verdades que contemplei foram deturpadas pelo consuetudinarismo e subordinacionismo religioso numa sociedade de crenças platônicas.

Mas por que nú?

- O primeiro sentimento de vergonha no princípio da humanidade foi o reconhecimento de que se estavam nús, por parte de Adão e Eva. Assim estou eu diante do meu Deus Altíssimo e nas relações sociais; envergonhado, depreciado e ligeiramente nú.
Aprendi a sentir vergonha da imagem que eu queria vender; como se tivesse vergonha do Evangelho. Talvez, porque dentro de mim, meu espírito não quisesse se rebaixar à longínqua intimidade com Deus dentro dos templos; uma intimidade conceitual e abstrata.

Escrevo não como forma de julgo, porque só existe um Juiz, mas externando a minha esperança no amor de Deus revelada no Evangelho de Cristo em tamanha e maravilhosa graça.
Hoje anseio ser o templo o qual fui criado para ser! E não mais materializar isso sob os pilares da religiosidade assassina!

Quero matar o meu "eu" dia após dia, e não evidenciá-lo por minhas crendices.

Quero voltar ao primeiro amor do qual me distanciei por querer ver a Deus como todos viam, conhecer como todos conheciam, ser como todos pareciam ser.

Quero ser como uma criança com toda a capacidade de sonhar e idealizar, me esquecendo dos dogmas e pragmatismos que me acorrentaram outrora.

Quero sonhar com Deus como sonhava antes, mesmo sabendo muito pouco sobre Ele; ao invés do medo que se desenvolveu em mim pelo reconhecimento do pecado.

Quero idealizar os Seus planos na minha vida!

Quero ser um vaso moldado, um motivo de honra a Deus, já que não passo de barro.

Porque o que Deus quer de mim não está materializado em minha carne mas em meu espírito, quando sonda a minha alma.

Serei eterno na mais profunda intimidade com Deus!

Porque eu sei que o meu Redentor VIVE; e jamais pude dizer isso entendendo o real sentido que isso faz para mim.

Lindoélio

Um comentário:

  1. Thiago,tudo muito bonito o que você expressou. Corajoso, firme, inovador... coisas de poeta. Você tem veia poética. O texto deixa você nú. Brilhante! Escreva mais!

    O nosso único compromisso é conosco mesmo.

    Parabéns pelo posicionamento.

    Luzes!

    Antônio Padilha de Carvalho - Cuiabá-Mt
    apadilha35@gmail.com

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