15 de jul de 2008

Evangelho Mundano

Narciso por Caravaggio

“Deus prefere obediência a sacrifícios”. Essa foi à frase dita por Samuel ao rei Saul, que se encontra em (I Sm 15 v 22). Até a alguns dias atraz não via nesta frase um significado tão gracioso, mas hoje a vejo e a interpreto como uma das frases mais fantasticas e reveladoras do que Deus busca em nós.

No meio evangelico percebe-se, hoje, um pré-condicionamento de estagnação por parte dos fiéis. Muitos crentes enxergam a fé e a espiritualidade como algo do tipo freqüentar cultos; essa não só é a mentalidade de muitos como, tambem, a prática vivida. Todas as igrejas adoram fazerem festas, congressos, shows, encontros, palestras e mais um monte de coisas que so aumentam as agendas das mesmas. Crentes desejosos a realizarem espetáculos enormes com a premissa “é tudo para a glória de Deus, pois para ele tem que ser o melhor”. Esta frase causa bastente efeito e até é comovedora – convenhamos! - mas reveladora: as pessoas estão se enclausurando ainda mais dentro dos templos na busca desse “melhor para Deus”. E se tal evento não for grandioso, concluem: não foi o melhor apresentado a Deus.

Só que, quando me volto para o que a bíblia chama de vida cristã e suas devidas práticas me pergunto: o que muitos crentes achariam de um banquete que, para encher a casa, os empregados pegaram, às pressas, todos os sujos da rua, para a festa não ficar vazia? Acho que muitos não gostariam de ir num evento onde encontrariam mendigos, doentes, fracos, todos estes chamados pelo próprio Deus? (Mt 22). Este foi o que a Bíblia chamou de “A festa das bodas” e por que não falamos que essa festa não foi o melhor para Deus?

Isso nos traz a tona que nossos espetáculos enchem os olhos, mas nao enchem o coração; são realizações que emocionam, mas não transformam a ninguém; eventos que revelam a grandiosidade humana, mas não manifestam e revalam a Deus; produções que comovem a alma, mas não inclinam as pessoas em direção ao próximo; festas que enobrecem o ego, mas não acrescentam nada no caráter. Congressos que só servem para mostrar que ofertamos a Deus a oferta de Caim (veja a mensagem do Rev. Caio Fábio, intitulada “a verdade que liberta do caminho de Caim”, disponível no Youtube). Pois se estivessemos preocupados em ofertar o melhor para Deus, nunca realizariamos congressos, ou gastariamos nossas ofertas com shows, e etc, antes sairiamos ao encontro dos pobres, dos marginalizados, dos doentes, dos fracos; resumindo, iriamos para o campo que se chama mundo; lembremos: Deus prefere obediência a sacrifícios, e é isso que não entendemos.

A igreja se institucionalizou e transformou Jesus num ídolo de templos. Nossos objetivos e valores mudaram: Já não buscamos mais uma comunhão na comunidade e com todos homens; estamos vivendo segundo o espírito mundano do individualismo e da fama. Do individualismo, pois nos fechamos entre as paredes dos templos; e da fama, pois nossos espetáculos são apenas para nos promoverem. Nos encontramos no estado da igreja de Laodicéia: miseráveis, pobres, cegos e nus e o problema é que já nem nos damos conta disso. Apresentar o melhor a Deus hoje se restringe a quatro paredes, o que se torna agravante a situação, e, com isto, nos faz refletir: será que haverá salvação para esta geração de crentes, visto que para Deus a religião pura, verdadeira e imaculada, aquela que AGRADA ao PAI que estas nos céus, é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas e não se corromper com o mundo (Tg 1 v 23)?

Alfred Nobel, Madre Teresa de Calcuta, Oskar Schindler, Charlie Chaplin e tantos outros nunca realizaram congressos, shows, eventos e nunca se restringiram aos templos feitos por maos humanas, mas com certeza horaram a Deus com seus exemplos de dedicação ao próximo. Posso afirmar, segundo nos escreveu Tiago, que estes sim serviram a religião que Deus busca nos homens. Em contra partida a esses exemplos, a igreja de nossos dias vive enclausurada nos templos e se deixou corromper pelo espírito mundano, o individualismo e a fama em detrimento do próximo, e mesmo assim continua arrogantemente dizendo: vou morar no ceu. No entanto, diante do que Deus busca em nós, uma pergunta fica sem resposta: será que de fato subiremos ao céu?

Pois a advertência divina é esta: Deus prefere obediência a sacrifícios [porque] a religião pura, verdadeira e imaculada, aquela que agrada ao Pai que estás nos céus é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas e não se corromper com o mundo.

Deus tenha piedade!

Fonte: Celebrai!


P.S. É engraçado como a grande maioria dos "irmãos" que geralmente vem me inquirir quanto ao meu "modelo" de cristianismo não esboçam sequer o mínimo de preocupação com GENTE... Parece que não conseguem tirar os olhos dos "templos", dos gracejos do "pastor", do alívio de consciência do "dízimo", do conforto de uma agenda "eclesiástica" com cara de piedade e coisas afins... Oxalá, fosse inquirido e exortado por não estar amando meus amigos, minha família(e ressalto que amar minha família não é fácil), meus colegas de trabalho e todas as pessoas que se encontram comigo nesta estrada que chamamos Vida. Ou, quem sabe, poderíam me dar um sermão por não considerar o outro em maior honra que eu próprio... Mas, não! Infelizmente, tenho que disponibilizar(ainda me proponho a ouvir procurando não ser arrogante) meu tempo e meus ouvidos a ouvir "sermões" sobre como é importante bancar o conforto, o lazer, o carro, a casa e os luxos de um cara que não tem o mínimo vínculo comigo, com minha família e amigos! Sobre como é importante "doar" para sustentar um prédio que desvia a atenção dos pobres, necessitados e doentes... Como é importante gastar meu tempo passando em torno de 90 a 120 minutos olhando para diversas nucas a fim de fitar o cara que tenho que "sustentar" exibindo a falta de um curso de oratória... ou no mínimo de um pouco de "unção"!

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