20 de ago de 2008

A igreja local

Não há nada inerentemente errado com o envolvimento em uma *igreja local. Compreenda, entretanto, que fazer parte de um grupo que se chama de "igreja" não torna você salvo, santo, justo ou piedoso, mais do que um estádio torna você um jogador profissional de beisebol. Participar de atividades da igreja não aproxima você necessariamente de Deus ou prepara você para uma vida que satisfaz a Ele ou realça a sua existência. Ser membro de uma congregação não torna você espiritualmente justo, mais do que ser membro do Partido Democrático faz de você parte da ala liberal.

O que importa é ter um relacionamento autêntico com Deus e seu povo. A Escritura ensina que dedicar sua vida a amar a Deus de todo coração, mente, força e alma é o que dá honra a Ele. Fazer parte de uma igreja local pode facilitar isso. Ou talvez não.

Muitos irão lamentavelmente rotular este conceito como "blasfêmia". Todavia, você deve compreender que a Bíblia não descreve nem promove a igreja local como a descrevemos hoje. Há muitos séculos os líderes religiosos criaram a forma predominante de "igreja" tão difundida em nossa sociedade para ajudar as pessoas a serem seguidoras melhores de Cristo. Mas, a igreja local que muitos passaram a apreciar - os serviços, cargos, programas, prédios, cerimônias - não é bíblica nem não-bíblica. Ela é abíblica - isto é, tal organização não é mencionada na Bíblia.

De fato, se você pesquisar as passagens bíblicas incluídas no começo do capítulo três, não encontrará alusões ou descrições de um tipo específico de organização religiosa ou forma espiritual. A Bíblia não define rigidamente as práticas, rituais ou estruturas corporativas que devem ser usadas para termos uma igreja. Ela oferece, porém, instruções relativas à importância e à integração de disciplinas espirituais básicas na vida do indivíduo. Algumas vezes esquecemos que as formas correntes de prática religiosa e de comunidade foram desenvolvidas centenas de anos atrás, muito depois da Bíblia ter sido escrita, numa tentativa de ajudar os crentes a terem vidas cristãs mais satisfatórias. Devemos ter em mente que aquilo que chamamos de "igreja" é apenas uma interpretação de como desenvolvemos e vivemos uma vida centrada na fé. Nós a construímos. Ela pode ser sadia ou útil, mas não é sacrossanta.

A Revolução não cuida de eliminar, ignorar, ou depreciar a igreja local. Ela trata de construir relacionamentos, compromissos, processos e ferramentas que nos capacitem a ser pessoas que adoram a Deus como fomos feitos para ser desde a criação. Os revolucionários, algumas vezes com relutância, compreendem que o ponto crítico não é o fato do indivíduo estar envolvido em uma igreja local; mas, sim, se ele está ligado a um corpo de crentes que busca a piedade e a adoração. A Revolução, portanto, envolve o remanescente de cristãos dedicados à prática das mesmas sete **paixões que definiram a primeira Igreja, a fim de serem agentes da transformação neste mundo.

Veja bem, não se trata da igreja. Trata-se da Igreja - isto é, pessoas que participam ativamente do avanço deliberado do Reino de Deus em parceria com o Espírito Santo e outros crentes.

George Barna em Revolução.

* [...] quero advertir que em todo o livro uso as palavras igreja (i minúsculo) e Igreja (I maiúsculo) de maneiras muito diferentes. A distinção é crítica. O i minúsculo se refere à experiência de fé baseada na congregação, que envolve uma estrutura formal, uma hierarquia de liderança e um grupo específico de crentes. O termo Igreja, por outro lado, refere-se a todos os crentes em Jesus Cristo, abrangendo a população de indivíduos a caminho do céu e unidos pela sua fé em Cristo, sem levar em conta as ligações ou envolvimentos da igreja local. Alguns chamam isso de Igreja universal, em oposição à igreja local. Como vê, a Revolução está destinada a fazer avançar a Igreja e redefinir a igreja. (Revolução, pág. 12 - Apresentação.)

** 1.Adoração íntima, 2.Conversas apoiadas na Fé, 3.Crescimento espiritual deliberado, 4.Serviço, 5.Investimento de recursos, 6.Amizades espirituais e 7.A família da Fé. (Revolução, págs.36,37,38 - As sete paixões dos revolucionários.)

Um comentário:

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