6 de ago de 2008

Purgatório

O purgatório, segundo a doutrina católica, é um lugar de purificação para os já salvos. Um lugar de expiação por pecados que não puderam ser totalmente purificados durante em vida. Essa idéia é baseada em alguns passagens mais esparsas mas, encontra sua base central em Macabeus, livro considerado apócrifo pelos que aderiram à Reforma Protestante. Estes, conseguintemente, não aceitam tal idéia por que viola uma doutrina de extrema importância do cristianismo protestante: a graça.

Longe de uma crítica extensa sobre tal doutrina católica e sua ascendência no judaísmo, observemos o quanto essa doutrina influencia quem mais a critica: os evangélicos atuais.

Soa absurdo, para o que entende a Graça, o fato de haver um possível lugar para expiação e purificação de pecados, pois o sacrifício de Cristo gerador de salvação purifica todo e qualquer pecado para aquele que reconhece sua misericórdia, independente de penitências.

Evangélicos, no entanto, criaram um sistema totalmente novo de purgatório e o incorporaram na doutrina eclesial. A igreja em si tornou-se algo parecido com um purgatório, as semelhanças são verossímeis.

Afinal, o que mais pode ser uma purificação enxertada e alheia à de Cristo do que o manual de regras sem sentido criado pelos protestantes atuais? Como já tinha dito Paulo em Colossenses 2:20-23:

"Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies
(as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens?
As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne."

Infelizmente, assim como no purgatório, criaram um sistema em que cada tipo de pecado é catalogado, apurado e penalizado como uma legislação. Aliás, legislação que assim como as "mundanas" também está sujeita a interpretações subjetivas de acordo com a propina.

No purgatório, a idéia básica é a de preparar a pessoa para que possa ver Deus. Na igreja atual a idéia é a mesma, afinal somente sendo freqüente em cultos e liturgias podemos estar preparados para ficarmos face a face com o divino.

Na igreja atual existe uma necessidade implícita de auto-penitência através de longas orações e jejuns, necessidade essa, também observada na teorização do que é o purgatório.

As indulgências e obras de penitência para com os mortos é prática comum no catolicismo, essa talvez seja a maior diferença entre o purgatório e a igreja, enquanto no purgatório os parentes e entes queridos pagam por uma entrada, na igreja é cada um por si. Trabalhe e pague, quem sabe assim a obra de Deus crescerá e seu nome será visto pelo dito Onisciente.

Se sofrimento terrestre é sinônimo de salvação aplica-se para quem vive nos moldes da igreja atual o velho mote: "vai para o céu direto".

Raphael Rap no blog Rapensando


Essa inclinação por penitências ou pseudo-penitências é própria de qualquer religião. Costumamos dizer que a maior diferença do cristianismo para as outras vertentes espirituais e religiosas é que em nenhuma delas existe a noção de GRAÇA como se apresenta no cristianismo. No entanto, prefiriria dizer que o que difere das outras mensagens de outros "grandes homens" é a mensagem de Jesus Cristo. Não do "cristianismo"! Afinal, esta é incorruptível em sua essência e jamais desvirtuar-se-á em si mesma. Apenas ocorrem fenômenos teológicos como acréscimos e decréscimos de "i"s e "til"s das Escrituras que findam numa pregação insípida e desprovida de Verdade.

O fato é, que dizemos GRAÇA e mostramos KARMA... E isso se mostra nos expedientes religiosos que contradizem a pregação do Evangelho da Graça de Cristo Jesus! Em seu texto Confissões de um ex-dependente de igreja, Paulo Brabo expõe com bastante propriedade na citação a seguir, o que realmente ocorre quando confundimos nossa "ortodoxia" com nossa "ortopraxia":
Devo confessar o mais grave, que durante esses anos abracei a crença (em nenhum momento abalizada pela Escritura ou pelo bom senso) que identificava a qualidade da minha fé com minha participação nas atividades – ao mesmo tempo inofensivas, bem-intencionadas e auto-centradas – de determinada agremiação. Em retrospecto continuo crendo em mais ou menos tudo que cria naquela época, porém essa crença confortante e peculiar (espiritualidade = participação na igreja institucional) fui obrigado contra a vontade, contra minha inclinação e contra a força do hábito, a abandonar.
Porque insistimos na premissa de que a GRAÇA não nos basta?

2 comentários:

  1. Valeu pela divulgação do texto...

    Creio que a negação da humanidade, ou o jogar o homem na cruz é justamente dizer que a Graça divina nos basta, infelizmente o entendimento dos religiosos atuais é o extremo oposto...

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  2. Porque a Igreja muitas vezes é um grande transmissor da Divina Graça! =)

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