29 de set de 2008

Carta a um obreiro itinirante


Querido, se você estiver lendo esta carta, é sinal que chegou em paz ao hotel, e que acabou de abrir a sua mala de viagem.


Confesso que fiquei bastante entusiasmada com o fato de seu ministério começar a ganhar projeção nacional. Percebia em seu semblante a alegria e em seus gestos a euforia diante dos convites recebidos.


No retorno de cada viagem, a sua chegada em casa era bastante aguardada por mim e pelas crianças, pois além de matar a saudade, ouvia-mos acerca das maravilhas que Deus estava realizando através da sua vida.


O tempo passou, os convites aumentaram, e o que não esperava aconteceu: você se distanciou de mim. Não é fácil passar um mês inteiro sozinha, visto que ao final de cada evento, de lá mesmo, você atende outro convite. Me sinto desamparada, angustiada e aflita.


Em suas raras e rápidas passadas em casa, você não conversa mais comigo, não me olha mais, não me percebe mais, nem me deseja mais. Estou sofrendo. Não lhe falei sobre o assunto pessoalmente porque não tive a oportunidade.


As crianças estão sentindo a sua falta. O Júnior chora constantemente sem nenhum motivo aparente. Acorda durante a noite chamando por você. Fico analisando, o que será que ele vai pensar do pai quando crescer? Será que ele terá sequelas por isto?


Faço o possível para não demonstrar publicamente meus sentimentos, finjo que tudo está bem, mas parece que os irmãos já perceberam a situaçâo, sem falar que sempre perguntam por você.


Não gostaria de me sentir como um obstáculo para o teu ministério, contudo, acredito numa frase que li a pouco tempo que dizia: "Nenhum sucesso compensa o fracasso da família".


Pense nisto. Na esperança de dias melhores,


Tua esposa.

Te amo.




Obs.: Esta carta é baseada em fatos reais.

P.S.: E depois o que surge dessa bolha que ninguém enxerga é a ponta do iceberg geralmente exposta através de um escândalo: adultério, infelicidade no lar, distância conjugal, filhos desencaminhados, enriquecimento ilícito, pedofilia, etc, etc... Nunca me esqueço de uma coisa que aprendi na Escola Bíblica Dominical - é, aprendi alguma coisa lá - sobre prioridades em nossa vida. É simples e fácil de assimilar! A professorinha dizia que em nosso coração, Deus deve estar em primeiro lugar, depois FAMÍLIA, depois Igreja, depois ministério/carreira... Sempre quando há uma inversão nessa ordem, pessoas saem machucadas!

2 comentários:

  1. também aprendi isso
    na Escola Dominical.
    Alias, naquele tempo EBD
    ensinava muita coisa.

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  2. Fala Thiago, depois dá uma olhada no desabafo que postei lá em meu blog (http://emerson.bahia.zip.net). acho que tem a ver com o seu...Forte abraço!

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Fico muuuuuuuito feliz com a iniciativa de deixar seu comentário. Aqui você pode exercer sua livre expressão e opinião: criticar, discordar, concordar, elogiar, sugerir... pode até xingar, mas, por favor, se chegar a esse ponto só aceito ofensas contra mim (Thiago Mendanha) e mais ninguém, ok? rs