4 de nov de 2008

E se Caim corrompesse Abel?

Divulgação

CRIME E CASTIGO
O plano perfeito dos irmãos Hank e Andy os leva a um passeio pelo inferno

Se alguém perguntasse a Sidney Lumet qual filho de Adão e Eva é seu preferido, ele provavelmente escolheria Caim. Aos 83 anos, Lumet parece tão obcecado pela face sombria da moral humana como quando dirigiu Serpico (1973) e Um Dia de Cão (1975) – duas grandes interpretações do ator Al Pacino, que se dissolveu na carne de um policial bom incapaz de aceitar a crueldade e na de um assaltante que troca de papel com a polícia, respectivamente. Ambos os filmes não se resolvem como fábulas morais otimistas: a sensação é que a justiça jamais será total. Para o diretor, o mal vence o bem. Mas, para que essa visão ganhe o espectador, é necessário que o protagonista desenvolva a maldade com sutileza e precisão. Um esgar de raiva fora de lugar destruiria a empatia.

Pois Lumet acaba de encontrar mais um ator à altura de sua lenda: Philip Seymour Hoffman (Oscar de melhor ator por Capote), astro de Antes que o diabo saiba que você está morto. Os irmãos Andy (Hoffman) e Hank (Ethan Hawke), derrotados pela vida, bolam um golpe à prova de falhas: assaltar a joalheria dos próprios pais num sábado modorrento. O seguro daria conta do prejuízo e os dois poderiam recomeçar a vida em outro lugar (no caso de Andy, o Rio de Janeiro, onde esteve recentemente com a mulher, Gina; a talentosa atriz Marisa Tomei). O roteiro, um primor do suspense, avança até um clímax, e então volta no tempo para dar a visão de outro personagem. Assim vai dissecando a alma dos irmãos e inaugura perspectivas que engrandecem o drama. Falar mais seria estragar a experiência. Mas vale ressaltar o esforço de Seymour Hoffman para segurar as rédeas de seu personagem, enquanto este degenera num oceano de culpa e remorso. Quando ele se solta, o espetáculo é grandioso. E Lumet está ali, a 30 centímetros, filmando tudo. O filme parece uma alegoria inspirada na passagem bíblica: e se, em vez de matar Abel, Caim o tivesse corrompido? Que mal poderia surgir se o irmão justo caísse em tentação? A resposta de Lumet é desoladora. Ainda pior: verossímil.

De primeira não curti muito o filme... mas depois refletindo

Marcelo Zorzanelli (Época)

fonte: Fadário

P.S.: Também assisti ao filme. Foi porque vi uma indicação na blogosfera. Aliás, nem sei quem indicou, mas, acatei a dica... Em primeira instância fiquei meio puto com o filme. Mas, é aquele tipo de filme que você fica matutando depois pra tentar achar algum sentido ou alguma lição reflexiva.

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