31 de dez de 2008

Ano novo, layout novo =)


Salve, salve, galerinha do bem! Para os que estão lendo pelo blog a mudança já salta aos olhos. É isso aí, visual novo na área.

Na lateral colocarei sempre um vídeo em destaque que gostaria de compartilhar com os leitores. Em primeira instância coloquei o vídeo chamado A ponte. É muito bonito e emocionante! Nas abas subsequentes temos as postagens mais recentes, os comentários do blog e as postagens mais comentadas - as que mais deram Ibope, rs.

Estou inaugurando também na lateral desse novo "visu" o Top 5 do mês. São cinco blogs/sites que mais enviaram visitas para o blog num período de 30 dias. O que mais enviar visitas destes cinco, figurará como Top Parceiro do Mês com um banner no formato 120x60.

O esquema de parceria também fica mais organizado. Os blogs/sites que tem o banner ou mesmo o link do blog estarão, respectivamente, nos menus Parceiros e Linko Quem Me Linka.

Essas são as pequenas alterações do novo template. Espero que gostem, apreciem e naveguem bastante. Estou aberto a sugestões. Com o tempo vamos melhorando o espaço para proporcionar um ambiente leve e edificante de troca de idéias.

Desejo a todos um novo ano repleto de alegria, paz, graça e amor... =)

30 de dez de 2008

Líderes religiosos estupram noiva pouco antes do casamento



Toda vez que leio uma notícia sobre assédio ou estupro, sinto um terrível sentimento de repulsa. Principalmente quando ocorre dentro da igreja, através das mãos sujas de homens que se dizem “ungidos do senhor”. E isso tem se tornado cada vez mais rotineiro, como no caso de semana passada em que o pastor foi acusado de abusar de uma menina de 12 anos. Senti nojo e vergonha ao ler essa notícia.

Mas, se sentimos essa sensação de nojo, de imundície, ao ver mulheres e crianças assediadas por homens sem o mínimo escrúpulo, porque não sentimos essa mesma sensação ao vermos a noiva de Cristo ser insessantemente estuprada por inúmeros pastores, bispos e apóstolos? Sim, estuprada! Porque o que fazem com a igreja nos dias de hoje é um estupro; tiram a pureza, corrompem o que era intocado, imundam as vestes e, no final, deixam aquela sensação de vergonha, de humilhação. Fazem o que bem intendem com esta noiva e nenhum homem a protege ou a ampara.

E o Noivo, que a esperava imaculada, observa esse cenário de profundo desprezo para com sua noiva e percebe que, ao invés de a protegerem, protegem seus estupradores.

Essa é a situação da igreja evangélica hoje. Inúmeros pregadores e líderes pregando um evangelho mentiroso, vendendo salvação e uma falsa unção, distorcendo o que Cristo nos trouxe em vida, morte e ressurreição e seus seguidores, cegos e tolos, os protegendo e os chamando de “homens de deus”. Quem se levantará para amparar a noiva de Cristo e ir contra esses estupradores de púlpito que circulam por aí? Quem se levantará para fazer a diferença?

Essa pergunta ainda não possui resposta mas o Noivo, enfurecido, levantará soldados valentes que tragam a noiva de volta aos trajes brancos de outrora, tenho certeza.

fonte: Papo de Teólogo

Outro texto que também mostra o abuso e estupro de líderes religiosos: Fui abusado dentro da igreja

29 de dez de 2008

Crueza histórica

gaza



Os americanos usam uma expressão tosca quando querem acabar com o lero-lero, “let´s cut the crap”. No português um pouco menos tosco seria alguma coisa como, “vamos parar com o papo furado”.

O Natal mal terminou, qualquer aura sentimentalóide esvaneceu, e o jogo bruto da história já se impõe. As notícias do dia 27 de dezembro mostram como será o novo ano. Israel bombardeou a miserável Faixa de Gaza, e mais de 120 estão mortos. Mães desesperadas procuram entre os escombros o que restou do corpo dos filhos - bombas não escolhem alvos, matam indiscriminadamente!

A complicada equação da geo-política palestina ainda contém o elemento religioso. E para minha vergonha, a tradição evangélica, da qual fiz parte, legitima o direito de expulsar, matar, dizimar os palestinos, baseando-se na posse da terra que Deus deu a Abraão há milênios. Mas diante da carnificina mundial, o que são 120 palestinos mortos? No mesmo dia, talvez o dobro morra em Darfur, Congo e Zimbábue.

A história sempre foi crua. Só no século XX, turcos trucidaram armênios; russos exterminaram milhões de russos; a Europa se afogou em sangue na I Guerra Mundial; os nazistas aperfeiçoaram técnicas de extermínio em massa; americanos jogaram duas bombas atômicas sobre a população do Japão; a Guerra Civil espanhola foi horrorosa; chineses impuseram o comunismo na base da força bruta; Vietnam, Camboja e Laos tiveram seus holocaustos; ditadores latino-americanos torturaram, assassinaram e mutilaram indiscriminadamente; em Ruanda, bastaram 45 dias para oitocentos mil serem dizimados com facão e machado.

Luzes natalinas, fogos de artifício no Réveillon e as apoteóticas aberturas olímpicas não passam de andrajos rotos, que tentam disfarçar a lepra da nossa História. Somos lobos ferozes. Criamos lógicas que legitimam a morte de inocentes – danos colaterais para o bem maior da humanidade? – invocamos deus para abençoar a nossa maldade. Escrevemos teologia para explicar a nossa sina. Mas somos piores que os chacais, predadores que espreitam mesmo quando não têm fome.

As bombas que caíram sobre Gaza me deixaram com o mesmo gosto amargo que o Tsunami há alguns anos. Aliás, let´s cut the crap, esse papo de ano novo é pura balela pra boi dormir.

Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim

(Duas horas depois, o número de mortos chegou a 205. Quatro horas depois, 220 mortos. No dia segiunte, mais de 300 mortos - 150 crianças. A carnificina continua 36 horas depois, 350 mortos. Aguardemos as más notícias.)

li no Blog do Alex Fajardo

28 de dez de 2008

Igreja: o casulo do músico cristão

Desde muito cedo estou envolvido com música na igreja, tenho a alegria de ter nascido num ambiente extremamente musical, meu pai músico multi-instrumentista (tocava vários instrumentos de sopro, além de violão, teclado e acordeon), além de ser o responsável pelo coral da igreja desde sempre. Por outro lado minha mãe, nos cultos domésticos, sempre tocava acordeon e cantava muito bem, o que despertou em mim, muito cedo a veia musical.

Lembro-me aos 8 anos já estar tocando na igreja, então por baixo, são 20 anos envolvido com música diretamente no contexto evangélico, isso contando o tempo que tive fora pelos motivos que só um músico cristão sabe. E sou muito grato ao Senhor inclusive por esses momentos “fora” do ninho, por que foi nesses momentos que aprendi a me ver como realmente era musicalmente.

Nesses 20 e poucos anos, venho observando situações, comportamentos e atitudes de músicos, líderes musicais, pastores de música, ministros, e afins, e tenho aprendido muito, e gostaria de dividir um pouco do que tenho observado ao longo desses anos. Por que a igreja é o casulo do músico cristão?

Em muitas situações, a igreja para o musico, funciona como uma espécie de casulo ou ninho.

1º.: Por que é um ambiente confortável e aconchegante, “livre de ameaças”

2º.: Por que pode ser um instrumento deformador da visão que um músico pode ter de si mesmo.

Nesse momento, quero me concentrar apenas nos desdobramentos que são oriundos dessas duas situações. A igreja evangélica brasileira quase na totalidade suprimiu a beleza da arte, e sempre teve sua atenção focada em seu utilitarismo. Calma!!! Explico, a igreja lógico que, com suas raríssimas exceções, sempre esteve muito focada na recuperação do homem, mas esqueceu de uma coisa básica, o homem não vive só de pão e emprego.

A outra coisa séria, é o fato de pregar o céu e sua maravilha (e não há nada de errado nisso), mas não ensinou aquele cidadão renegado, a ver a beleza a sua volta, a criatividade do Deus da criação por exemplo.

O outro extremo, é a pregação focada no materialismo. Nenhuma das duas orientações, incluem a arte. Pergunto: Como um artista pode se sentir motivado com a sua arte, se o que ele faz não é visto como arte, apenas como algo necessário dentro da liturgia?

Nesse aspecto podemos dizer que a igreja esquece que seu Criador é o maior artista, é o Deus da Criação! É a maior autoridade em arte! Se a igreja não reconhece a arte musical, então não haverá critérios de avaliação para os músicos. Por isso em alguns contextos é muito comum um músico ficar naquela cadeira-cativa anos a fio.

E o que isso gera no músico, é uma falsa visão de si mesmo, porque todo aquele ambiente aconchegante e extremamente “utilitarista”, o faz pensar que por estar sendo útil, também é o melhor praquela realidade.

Formamos então especialistas em mediocridade, gente morta pra arte, cegos, incompetentes, arrogantes, e sem um fio de humildade, e que se opõem fortemente à mensagem do evangelho de Cristo.

Esse é do tipo que, quando chega um músico mais talentoso em sua congregação, ele trata logo de fazer aquele discurso "mata-oponente”. Nessa hora, vale tudo pra proteger seu posto-cadeira-cativa.

Elly Aguiar, músico e compositor.

fonte: Pavablog

27 de dez de 2008

É cristã a igreja evangélica?

Livro questiona a verdade cristã presente nas igrejas, abalada pela institucionalização excessiva.

Desde os primeiros séculos da história do cristianismo, inicialmente movimento leigo a partir dos ensinamentos de Jesus e de suas manifestações, a Palavra foi incorporada pelo domínio do clericalismo e do Estado Romano (séc.IV) para tornar-se religião oficial do Estado. Após o movimento protestante, na Europa dos séculos XVI e XVII, surge o Protestantismo como religião oficial de vários Estados europeus. E assim tem sido até o cenário eclesiástico atual: a história da Igreja se confundido com uma história de institucionalização.

O livro de Magno Paganelli discute o problema gerado por essa institucionalização exacerbada que, muitas vezes, extrapola o apoio na transmissão dos ensinamentos da Palavra em prol de interesses próprios, fazendo com que se percam os princípios genuínos cristãos. Dessa forma, vê-se a construção de “impérios pessoais“ em detrimento da missão das Igrejas em tomar a frente na construção do Reino de Deus.

Magno também retrata as divergências das interpretações da Palavra que tem levado a posturas errôneas de fiéis e autoridades religiosas diante do adequamento as regras estabelecidas pelas diferentes congregações.

Chama a atenção para a importância e necessidade de nos avaliarmos em nossas condutas e não perdermos de vistas que somos o “povo do livro” (A Bíblia), todos nós, padres, pastores, cristãos, evangélicos, protestantes, fiéis, etc.

Magno, entretanto, evidencia que sua obra não encerra o propósito de crítica à Igreja no Brasil, tão pouco ganha espaço por meio de revelações polêmicas, antes, seu trabalho representa uma “dividia impagável com o Corpo de Cristo” e um compromisso com a verdade, para o bem comum.

Claramente ele faz uma leitura de três áreas da vida da Igreja brasileira, a saber: 1- O rigor tomado pela Igreja, com base na tradição, que tem sobrepujado as Escrituras; 2- O domínio de propriedades da Igreja e da sua geografia, por “donos” que detém setores e constroem “impérios pessoais”; e 3- A fé, como objeto principal da Igreja e da religião cristã, discutindo como ela tem sido sustentada e transmitida por quem ensina e prepara nos meios religiosos.

A igreja é temporal e, por isso, passageira, até que Jesus venha novamente. Assim, Magno nos deixa em seu livro a mensagem de que a Palavra deve ser a pedra fundamental em nosso modo de dirigir a vida e sempre devemos voltar-nos a Ela.

fonte: Cristianismo Hoje

26 de dez de 2008

Show de profetadas

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"O início do Mês de Milagres. Assim foi definida a noite de 01 de Dezembro, no Templo do Ministério Internacional da Restauração (MIR), em Manaus (AM), destinada para a passagem do Manto de Púrpura. O culto marcou o selo do novo manto sobre o MIR, sobre a Igreja de Manaus, do Brasil e das nações.
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O Templo foi decorado com a cor púrpura desde a porta central ao altar, onde foram colocados dois grandes mantos representando o talite. As luzes também refletiam a cor púrpura, o que tornou o cenário ainda mais belo. Na decoração, havia uma série de elementos simbólicos da ceia, como: feixes de trigos, pão, leite, óleo de unção, uvas e vinho.
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Ao toque do shofar, deu-se início a celebração com os louvores entoados pelo Pastor Gilmar Britto e sua equipe de levitas. Os dançarinos, também vestidos de púrpura, faziam a coreografia dando maior sentido profético e brilho ao louvor dedicado ao Rei dos reis. Um tremendo ambiente de adoração tomou conta do templo e o Apóstolo Renê Terra Nova profetizou incessantemente um tempo de milagres em todo mês de Dezembro: "Este é o mês de milagres. Profetizo dias do sobrenatural de Deus sobre sua vida, para desatar milagres extraordinários ".
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Em seguida, o Apóstolo Renê Terra Nova ensinou que o manto que estava sobre Jesus, momentos antes da crucificação, era púrpura. “Jesus tinha uma coroa de espinhos, representando o pecado da humanidade, mas também tinha o manto púrpura representando a redenção. A Geração Púrpura está respaldada pela fidelidade, autoridade e excelência do Reino de Deus sobre a Terra”, ensinou trazendo a referência de diversas passagens sobre a púrpura: Juízes 8:26, II Crônicas 2:14 e 3:14, Cantares 3:10, Marcos 15:17-20, Ester 1:6 e 8:15 e João 19:5.
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Após a ministração, dois grandes mantos púrpura passaram sobre a multidão representando a unção de fidelidade, autoridade e excelência sobre a Igreja. A unção de Deus inundou a Igreja, sendo percebida por todos que estavam sensíveis àquele momento. O Apóstolo Terra Nova emitiu decretos, profecias e declarou que um novo nível de unção se estabeleceu em todas as áreas da vida dos discípulos presentes naquele momento, bem como sobre as cidades brasileiras e nações que acompanhavam ao vivo pela Internet.
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Em seguida, o Apóstolo Renê levantou uma oferta como uma declaração no mundo espiritual de que a Igreja de Cristo será inatingível frente à crise mundial que assola vários países. Com isso, líderes e discípulos da Visão Celular no M12 em território nacional e internacional foram desafiados a levantar ofertas que resultarão em bênçãos nas mais diversas áreas profissionais e ministeriais.
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No final, foi servida a Ceia do Senhor com pão, vinho, carne de cordeiro e ervas amargas, selando um nobre tempo de milagres, prodígios e sinais na Geração Púrpura."
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Comentário do blog Bereianos:
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Selo do manto apostólico de púrpura sobre o MIR, toque de chofar profético, equipe de levitas, danças proféticas, geração púrpura, decretos, profecias, novo nível de unção... e no final, como de costume, o momento "profético" da oferta! Com direito a "declaração no mundo espiritual" de que a igreja não vai passar pela crise mundial. Com certeza não irá, pois com tanta "oferta profética", os cofres sempre estarão cheios, não é mesmo Sr. René?
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Este foi mais um "culto profético" direto do MIR, o "serviço" oficial do Sr. René Terra Nova. Mas o pior está no final. Foi servida a Ceia do Senhor com "carne de cordeiro e ervas amargas"? Essa foi demais. Inseriram por lá novos elementos na celebração da Ceia! Será que eles sacrificam o cordeiro no altar? Ou rola mesmo um "churrasquinho" na hora da ceia?
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Eita vontade de fazer um azorrague e dar uma voltinha em Manaus! Desculpem, já Passou.


Fonte: Bereianos [via Púlpito Cristão]

25 de dez de 2008

Vamos cantar Parabéns para Jesus!



Será que esquecemos de alguém no Natal?

vi no Princess Blog

Feliz Nicolau, ops, Natal

vi no Notas de Maurício C. Serafim

24 de dez de 2008

Então é Natal?!



Pensei muito em escrever alguma coisa aqui no blog para não deixar o Natal passar em branco e coisa e tal... mas, o fato de soar muito mecânico e, sei lá, tudo muito óbvio talvez, me deixou procrastinando ao ponto de não despensar tempo para desenvolver algo legal!

Acho que a mensagem do Natal, independente se é uma festa cristã ou pagã, é Universal. Por calhar justamente no fim do ano a data evoca sentimentos de nostalgia, lembranças, arrependimentos, remorsos, alegrias, alívios e tantos outros que tendem a nos unir afinal.

É míster que procuremos ser melhores do que fomos neste ano. Então, aproveitemos esses momentos fraternos e de comunhão para refletir o que vivemos até agora e louvemos e agradeçamos a Deus por tudo.

No mais, gostaria de agradecer a todos os leitores que acompanharam este blog no decorrer do ano e contribuíram, mesmo que não deixando comentários, com a sua visita. Só de saber que sou lido, criticado, espelhado, empatizado e edificado por vocês, já é uma grande razão para continuar por aqui. Agradeço também aos leitores que vieram parar neste blog por acaso - por causa do Google, rs - ou vieram de outros blogs parceiros e acabaram gostando e passaram a ficar sempre atentos à atualizações desde então. Para os que vieram e não gostaram e colocaram aqui suas opniões e argumentos, também fico muito grato pela atenção e preocupação. Tenham a certeza de que reflito em tudo sem desdenho.

Não posso deixar de agradecer também aos grandes amigos e parceiros que vim a ter em virtude de manter esse blog. Através da web tive a oportunidade de conhecer tantos discípulos de Jesus que me impulsionam na Caminhada cristã que só posso louvar a Deus por eles. Agradeço cada blogueiro que acompanha, linka e indica o blog. Deus abunde Graça e Paz sobre todos vocês!

Um abração também pra galera que me segue no Twitter. Valeu também galera que assina meu RSS/Feeds. Ano que vem promete e a gente pega firme. =)

Durante esse ano aprendi muita coisa e espero ter conseguido mostrá-las aqui neste espaço, e dessa forma ter contribuído com outras pessoas em sua busca pela Verdade. Estamos todos mirando o mesmo Alvo. E uma coisa eu sei... não importa onde, como ou com quem você se encontra, não tire os olhos de Cristo Jesus. Dessa maneira o Caminho estará sempre alcancável. Mesmo que haja tropeços ou desvios. Mantenha-se sempre na Verdade e receba sempre a Vida abundante de Cristo.

Então fica assim... um bom Natal e um Feliz Ano Novo (é assim, né? rs)

Um grande abraço a todos! Que Deus seja o centro de cada um!

23 de dez de 2008

Caderno



Sou eu quem vou seguir você
do primeiro rabisco até o bê-a-bá
em todos os desenhos coloridos vou estar
a casa, a montanha, duas nuvens no céu
e um sol a sorrir no papel

Sou eu que vou ser seu colega,
seus problemas ajudar a resolver
lhe acompanhar nas provas bimestrais, você vai ver
Serei de você confidente fiel,
se seu pranto molhar meu papel

Sou eu que vou ser seu amigo,
Vou lhe dar abrigo, se você quiser
Quando surgirem seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel

O que está escrito em mim comigo
Ficará guardado, se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer
Só peço a você um favor, se puder
Não me esqueça num canto qualquer


[MENSAGEM]
Eu não sei se você se recorda do seu primeiro caderno, eu me recordo do meu.
Com ele eu aprendi muita coisa, foi nele que eu descobri que a experiência dos erros
Ela é tão importante quanto às experiências dos acertos
Porque vistos de um jeito certo, os erros,
Eles nos preparam para nossas vitórias e conquistas futuras
Porque não há aprendizado na vida que não passe pelas experiências dos erros

O caderno é uma metáfora da vida,
Quando os erros cometidos eram demais, eu me recordo,
Que a nossa professora nos sugeria que agente virasse a página.
Era um jeito interessante de descobrir a graça que há nos recomeços.

Ao virar a página, os erros cometidos deixavam de nos incomodar e a partir deles,
Agente seguia um pouco mais crescido.

O caderno nos ensina que erros não precisam ser fontes de castigos.
Erros podem ser fontes de virtudes!
Na vida é a mesma coisa, o erro tem que estar à serviço do aprendizado;
Ele não tem que ser fonte de culpas e vergonhas.
Nenhum ser humano pode ser verdadeiramente grande
sem que seja capaz de reconhecer os erros que cometeu na vida.

Uma coisa é agente se arrepender do que fez! Outra coisa é agente se sentir culpado.
Culpas nos paralisam. Arrependimentos não!
Eles nos lançam pra frente, nos ajudam a corrigir os erros cometidos.

Deus é semelhante ao caderno.
Ele nos permite os erros pra que agente aprenda a fazer do jeito certo.

Você tem errado muito?
Não importa, aceite de Deus essa nova página de vida que tem nome de hoje!
Recorde-se das lições do seu primeiro caderno.
Quando os erros são demais, vire a página!


[FINAL]
O que está escrito em mim comigo
Ficará guardado, se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer
Só peço a você um favor, se puder
Não me esqueça num canto qualquer

Ouça a música:


Música O caderno de Pe. Fábio de Melo

P.S.: Esses dias estava me segurando para não conversar com uma "crente" tagarela que insistia em me dirigir a palavra constantemente, tentando tirar de mim constantes concordâncias com a cabeça sobre o que ela explanava. Mas, foi indo e a língua coçou e acabei cedendo às investidas. Papo vem, papo vai e não sei como acabamos falando sobre música. E compartilhei com ela -confesso que só pra ver a reação, rs- que estava ouvindo e apreciando bastante o CD do Pe. Fábio de Melo. Pra quê? A mulher quase que me bate... rs. Disse que as músicas dele não falam de Deus e blá, blá, blá... não tem o nome de Jesus nas músicas, e blá, blá, blá... enfim, só porque o coitado é padre... rs.

O Pe. Fábio de Melo participou do Papo X com a paleolítica Xuxa. Ignorem a apresentadora e retenham o que há de bom na entrevista com esse cara.

Amar...

Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto , você não deve entregá-lo á ninguém , nem mesmo a um animal. Envolva o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro , sem movimento , sem ar - ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar se indestrutível, impenetrável , irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e pertubações do amor é o inferno.

C.S Lewis em "Os quatro amores" [via Sou da missionária]

Depois da Eternidade

Você já chegou a pensar que sua alma
Pode ser salva?
Ou talvez você pense que quando você está morto
Você precisa ficar na sua sepultura
Deus é só um pensamento dentro da sua cabeça
Ou ele faz parte de você?
Cristo é só um nome que você leu num livro
Quando você estava na escola?

Quando você pensa na morte
Você perde o fôlego ou você se mantém calmo?
Você gostaria de ver o Papa na ponta de uma corda
- Você acha que ele é bobo?
Bem eu tenho visto a verdade, sim
Eu vi a luz e eu mudei meus hábitos
E estarei preparado quando você estiver sozinho
E assustado no fim dos nossos dias

Talvez você esteja com medo
Do que seus amigos poderiam dizer
Se eles soubessem que você acredita no Deus lá de cima?
Eles deveriam compreender antes de criticarem
Que Deus é a única maneira de se amar

Sua mente é tão pequena para você cair?
Com a turma onde quer que eles corram
Você ainda zombará quando a morte estiver próxima
E dizer que eles também podem adorar o sol?

Acho que era verdade, que foram pessoas como você
Que crucificaram Cristo
Acho que é uma triste opinião sua
Estará tão seguro assim quando seu dia estiver próximo?
Diga que você não acredita
Você teve a chance mas você a jogou fora
Agora não pode recupera-la

Talvez você pensará, antes de você dizer que
Deus está morto e passado
Abra seus olhos, apenas perceba que ele é o único
O único que pode te salvar agora
De todo esse pecado e ódio
Ou você ainda zombará de tudo que você ouve? Sim!
Eu acho que é tarde demais

Música After forever do Black Sabbath

22 de dez de 2008

A igreja quebra galho da Videira



Jesus disse que Ele está para nós assim como a Videira está para os ramos.

Sem videira todo ramo é pedaço de pau e somente isto.

Sim! É madeira morta, boa para ser queimada.

Os cristãos, no entanto, foram enganados e deixaram-se enganar, pois,
desde que se determinou que "fora da igreja não há salvação", que a
Videira passou a ser a "igreja", e, também, desde então, o Agricultor,
que, segundo Jesus é o Pai, entre os cristãos é o Pastor, ou, em alguns
grupos, o Corpo de Doutrina pelo qual se faz a "poda" de membros.

Assim, para o crente, "permanecer em Jesus", [João 15], é permanecer
firme na "igreja", freqüentando, participando e se submetendo a tudo.

Do mesmo modo, "dar fruto", segundo os crentes e suas emoções
condicionadas por anos de engano religioso, é evangelismo como programa,
é acampamento como devoção, é célula de crescimento, é cantar no grupo
de louvor, é ir à reunião de oração, e, sobretudo, é dar o dízimo em dia.

E o mandamento de amar uns aos outros é algo que os crentes entendem
como amar os que são iguais a eles enquanto os tais não ficarem
diferentes. Nesse dia eles viram desviados.

Ainda no mesmo andar de engano, os crentes pensam que "ser lançado fora"
da Videira é ser disciplinado pelo Agricultor Pastoral ou pelo Conselho
de Agricultura que aplica o Corpo de Doutrinas disciplinadoras e
excludentes, aos quais supostamente não se equivocam ao separar o joio
do trigo no campo do mundo-igreja.

Ser “amigo de Jesus” [João 15], para os crentes é estar em dia com a
doutrina, o dizimo e a freqüência.

Assim, para a maioria dos crentes, emocionalmente, é assim que João 15 é
sentido e praticado.

Ora, o resultado é o desastre cristão desses quase dois mil anos!

De fato, a religião cristã é um estelionato espiritual, pois, chama para
si, como se fora Deus, aquilo que é de Deus e somente passível de
realização Nele.

O que Jesus dizia era tão simples.

O que Ele dizia é apenas isto:

Absorvam a minha Palavra; o meu ensino; e o pratiquem com amor por mim e
por todo ser humano. Se vocês sempre crerem que a Vida de vocês está em
mim e vem da obediência ao mandamento do amor, então, vocês serão meus
amigos; e, assim, toda a verdade de minha Palavra será fato e bem na
vida de vocês. Mas, sem mim, sem vida em meu amor, sem absorção do
Evangelho no coração, por mais que vocês tentem viver e buscar o bem, de
fato vocês serão apenas como galhos soltos, secos e mortos; existindo
sob o engano de que existe vida em vocês, quando, de fato, pela própria
presunção de vocês, estarão mortos sem o saberem.

O resto a História do Cristianismo nos conta!

Caio Fábio [via Liberdade pela Graça]

21 de dez de 2008

Evangélicos apostólicos romanos...

Esta afirmação assusta? Indigna?

A idolatria, por muitas das vezes combatida em púlpitos evangélicos, maciçamente, e atribuída aos católicos, não é um privilégio somente destes últimos, mas, é uma das principais atividades praticadas pelos evangélicos, sim, evangélicos, por que agora é moda ser evangélico, ser crente é brega e coisa do passado.

Mas voltemos à idolatria evangélica. Esta situação nos chamou a atenção, quando se depara e testemunha o que vem ocorrendo dentro das chamadas “igrejas evangélicas”, umas ditas pentecostais, outras não, mas, indiscutível, evangélicas, ou supostamente mostram ser!

Quantos milhares freqüentadores assíduos de igrejas que ainda não tiveram um real encontro com nosso Salvador, o Senhor dos senhores, Jesus Cristo?

Quantos milhares se aglomeram em shows pirotécnicos evangélicos, gritando palavras de ordem proferidas pelos animadores, transfigurados, pulando num frenético êxtase, onde em refrões dizem palavras doces, mas que, não transmitem a verdadeira adoração?

Mas, apesar de tudo isto, uma enfileirada marcha, dita a Jesus, mas em seus íntimos, idolatram ídolos evangélicos, idolatram as denominações, idolatram a mega pregadores, por assim dizer (sem qualquer observação sobre nomes citados):

- Muitos assembleianos, idolatram a igreja “Assembléia de Deus”, muitos chegam até a exaltarem a Daniel Berg, fazem referência até de um evangelho deste ao de Cristo Jesus;

- Muitos batistas, idolatram a igreja “Batista”, tudo o que dizem, sempre à primeira frase de um comentário, tem por certo: “Na minha igreja”;

- Muitos jovens da Renascer, idolatram ao casal Estevam e Sonia, chega a ser uma idolatria doentia;

- Uma boa parte da juventude evangélica idolatrando ao “Diante do Trono” e seus músicos, são roupas, toalhas, copos, faixas;

- Sem falarmos dos muitos que se intitulam usuários da “Universal”, que na sua maioria, dizem ter encontrado sossego na Universal, não nos braços de Cristo;

- E, nestes dias de dezembro, a grande idolatria evangélica acerca do natal e seus símbolos pagãos; por certo Jesus nasceu para se fazer Homem e sofrer por nossos pecados, mas as Sagradas Escrituras, a Bíblia, não nos relatam o dia exato deste maravilhoso Nascimento, que com certeza não foi no mês de dezembro...

Muitos irão dizer que sou radical, que sou herege, que sou isto ou aquilo, mas, a realidade não nos deixa mentir, tudo o que acima foi citado é a mais pura verdade que presenciamos nas denominações espalhadas por nosso Brasil afora. Ou vou precisar continuar minha lista, acrescentando Benny Hill, Cilas Malafaia, Marco Feliciano...

O povo que se diz evangélico precisa urgente de uma Reestruturação Espiritual, e se voltar para Deus, para o sacrifício de Jesus Cristo, pois, a coroa que Jesus suportou por nós foi de espinhos e não a apresentada pelos pregadores de plantão, assim disse Jesus: “no mundo tereis aflições” e não este mar de rosas que tanto pregam pelas denominações protestantes, ou se preferirem, igrejas evangélicas...

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas:

“Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.”

James no Jesus, o maior Amor

19 de dez de 2008

Não quero ser apóstolo



Os pastores possuem um fino senso de humor. Muitas vezes, reúnem-se e contam casos folclóricos, descrevem tipos pitorescos e narram suas próprias gafes. Riem de si mesmos e procuram extravasar na gargalhada as tensões que pesam sobre os seus ombros. Ultimamente, fazem-se piadas dos títulos que os líderes estão conferindo a si próprios. É que está havendo uma certa, digamos, volúpia em pastores se promoverem a bispos e apóstolos. Numa reunião, diz a anedota, um perguntou ao outro: “Você já é apóstolo?” O outro teria respondido: “Não, e nem quero. Meu desejo agora é ser semi-deus”. Apóstolo agora está virando arroz de festa e meu ministério é tão especial que somente este título cabe a mim”. Um outro chiste que corre entre os pastores é que se no livro do Apocalipse o anjo da igreja é um pastor, logo, aquele que desenvolve um ministério apostólico seria um “arcanjo”.

Já decidi! Não quero ser apóstolo! O pouco que conheço sobre mim mesmo faz-me admitir, sem falsa humildade, que não eu teria condições espirituais de ser um deles. Além disso, não quero que minha ambição por sucesso ou prestígio, que é pecado, se transforme em choça.

Admito que os apóstolos constam entre os cinco ministérios locais descritos pelo apóstolo Paulo em Efésios 4.11. Não há como negar que os apóstolos foram estabelecidos por Deus em primeiro lugar, antes dos profetas, mestres, operadores de milagres, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Mas, resigno-me contente à minha simples posição de pastor. Já que nem todos são apóstolos, nem todos profetas, nem todos mestres ou operadores de milagres, como consta na epístola aos Coríntios 12.29, parece não haver demérito em ser um mero obreiro.

Meus parcos conhecimentos do grego não me permitem grandes aventuras léxicas. Mas qualquer dicionário teológico serve para ajudar a entender o sentido neotestamentário do verbete “apóstolo” ou “apostolado”. Usemos a Enciclopédia Histórico-Teológico da Igreja Cristã, das Edições Vida Nova: “O uso bíblico do termo “apóstolo” é quase inteiramente limitado ao NT, onde ocorre setenta e nove vezes; dez vezes nos evangelhos, vinte e oito em Atos, trinta e oito nas epístolas e três no Apocalipse. Nossa palavra em Português, é uma transliteração da palavra grega apostolos, que é derivada de apostellein, enviar. Embora várias palavras com o significado de enviar sejam usadas no NT, expressando idéias como despachar, soltar, ou mandar embora, apostellein enfatiza os elementos da comissão – a autoridade de quem envia e a responsabilidade diante deste. Portanto, a rigor, um apóstolo é alguém enviado numa missão específica, na qual age com plena autoridade em favor de quem o enviou, e que presta contas a este”.

Jesus foi chamado de apóstolo em Hebreus 3.1. Ele falava os oráculos de Deus. Os doze discípulos mais próximos de Jesus, também receberam esse título. O número de apóstolos parecia fixo, porque fazia um paralelismo com as doze tribos de Israel. Jesus se referia a apenas doze tronos na era vindoura (Mateus 19.28; cf Ap 21.14). Depois da queda de Judas, e para que se cumprisse uma profecia, ao que parece, a igreja sentiu-se obrigada, no primeiro capítulo de Atos, a preencher esse número. Mas na história da igreja, não se tem conhecimento de esforços para selecionar novos apóstolos para suceder àqueles que morreram (Atos12.2). As exigências para que alguém se qualificasse ao apostolado, com o passar do tempo, não podiam mais se cumprir: “É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição” (Atos 2.21-22).

Portanto, alguns dos melhores exegetas do Novo Testamento concordam que as listas ministeriais de I Coríntios 12 e Efésios 4 referem-se exclusivamente aos primeiros e não a novos apóstolo.

Há, entretanto, a peculiaridade do apostolado de Paulo. Uma exceção que confirma a regra. Na defesa de seu apostolado em I Coríntios 15.9, ele afirmou que foi testemunha da ressurreição (vira o Senhor na estrada de Damasco), mas reconhecia que era um abortivo (nascido fora de tempo). “Porque sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus” (15.10). O testemunho de mais de dois mil anos de história é que os apóstolos foram somente aqueles doze homens que andaram com Jesus e foram comissionados por ele para serem as colunas da igreja, comunidade espiritual de Deus.

O que preocupa nos apóstolos pós-modernos é ainda mais grave. Tem a ver com a nossa natureza que cobiça o poder, que se encanta com títulos e que fez do sucesso uma filosofia ministerial. Há uma corrida frenética acontecendo nas igrejas de quem é o maior, quem está na vanguarda da revelação do Espírito Santo e quem ostenta a unção mais eficaz. Tanto que os que se afoitam ao título de apóstolo são os líderes de ministérios de grande visibilidade e que conseguem mobilizar enormes multidões. Possuem um perfil carismático, sabem lidar com massas e, infelizmente, são ricos.

Não quero ser um apóstolo porque não desejo a vanguarda da revelação. Desejo ser fiel ao leito principal do cristianismo histórico. Não quero uma nova revelação que tenha sido desapercebida de Paulo, Pedro, Tiago ou Judas. Não quero ser apóstolo porque não quero me distanciar dos pastores simples, dos missionários sem glamour, das mulheres que oram nos círculos de oração e dos santos homens que me precederam e que não conheceram as tentações dos mega eventos, do culto espetáculo e da vã-glória da fama. Não quero ser apóstolo, porque não acho que precisemos de títulos para fazer a obra de Deus, especialmente quando eles nos conferem estatus. Aliás, estou disposto, inclusive a abrir mão de ser chamado, pastor, se isso representar uma graduação e não uma vocação ao serviço.

Não desdenho as pessoas, sinto apenas um enorme pesar em perceber que a ambiência evangélica conspira para que homens de Deus sintam-se tão atraídos a ostentação de títulos, cargos e posições. Embriagados com a exuberância de suas próprias palavras, crentes que são especiais, aceitam os aplausos que vêm dos homens e se esquecem que não foi esse o espírito que norteou o ministério de Jesus de Nazaré.

Ele nos ensinou a não cobiçar títulos e a não aceitar as lisonjas humanas. Quando um jovem rico o saudou com um “Bom Mestre”, rejeitou a interpelação: “Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus” (Mc 10.17-18). A mãe de Tiago e João pediu um lugar especial para os seus filhos. Jesus aproveitou o mal estar causado, para ensinar: “Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20.25-28).

Os pastores estão se esquecendo do principal. Não fomos chamados para termos ministérios bem sucedidos, mas para continuarmos o ministério de Jesus, amigo dos pecadores, compassivo com os pobres e identificado com as dores das viúvas e dos órfãos. Ser pastor não é acumular conquistas acadêmicas, não é conhecer políticos poderosos, não é ser um gerente de grandes empresas religiosas, não é pertencer aos altos graus das hierarquias religiosas. Pastorear é conhecer e vivenciar a intimidade de Deus com integridade. Pastorear é caminhar ao lado da família que acaba de enterrar um filho prematuramente e que precisa experimentar o consolo do Espírito Santo. Pastorear é ser fiel à todo o conselho de Deus; é ensinar ao povo a meditar na Palavra de Deus. Ser pastor é amar os perdidos com o mesmo amor com que Deus os ama.

Pastores, não queiram ser apóstolos, mas busquem o secreto da oração. Não ambicionem ter mega igrejas, busquem ser achados despenseiros fieis dos mistérios de Deus. Não se encantem com o brilho deste mundo, busquem ser apenas serviçais. Não alicercem seus ministérios sobre o ineditismo, busquem manejar bem a palavra da verdade; aquela mesma que Timóteo ouviu de Paulo e que deveria transmitir a homens fieis e idôneos que por sua vez instruiriam a outros. Pastores, não permitam que os seus cultos se transformem em shows. Não alimentem a natureza terrena e pecaminosa das pessoas, preguem a mensagem do Calvário.

Santo Agostinho afirmou: “O orgulho transformou anjos em demônios”. Se quisermos nos parecer com Jesus, sigamos o conselho de Paulo aos filipenses: “Tende o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (2.5-8).

Soli Deo Gloria

Ricardo Gondim

vi no Meu Lugar é Aqui

18 de dez de 2008

Pra quem não entendeu Matrix...



... e, por conseguinte, não entende esse blog! rs

15 de dez de 2008

Feliz do jeito certo



A maioria dos religiosos subestima a simplicidade. Com seus adereços sagrados, indumentária distinta, termos e expressões próprias, intensa dedicação em belos rituais, nobres costumes e tradições requintadas eles se perdem da sutileza Divina. Ignoram a afabilidade do Pai e o Espírito singelo do Filho.

Um dos grandes perigos dos usos e costumes é que tais são muito passíveis de sobrepor o valor das pessoas. O pragmatismo religioso tende a visar não o envolvimento de amor com os perdidos, mas, a buscar os efeitos práticos desse envolvimento. Dessa maneira muda-se o foco das pessoas para o resultado advindo delas.

E quanto mais perto dessa mentalidade, menos práticos - por mais paradoxo que possa soar - e simplórios nos tornamos ao travar uma relação interpessoal. Quando nossas atitudes convergem na única prédica que é receber algo em função de um relacionamento, nosso comportamento equivale ao retinir do metal. Não haverá amor nem doação de nossa parte à outra pessoa porque não intentamos simplesmente amá-la, mas conseguir, da mesma, algum resultado esperado.

Queremos ser felizes em nosso contato fraternal. E equivocadamente tentamos conseguir isso de forma hipócrita e egoísta. Afirmamos a nós mesmos - por dever à consciência cristã - que amamos o próximo, mas, bem sabemos que o verdadeiro objetivo desse "amor" é alcançar alguma coisa por essa pseudodoação de nós mesmos à outrem. Os religiosos tentam ser felizes quando relacionam-se com os perdidos porque esperam desse contato "efetivo" uma conversão em potencial - leia-se um efeito proselitista.

E essa dissimulação relacional nao infere apenas na realidade religiosa, mas, também em todas as esferas da nossa vida. Ansiamos alcançar a felicidade às custas do próximo camuflando nossas relações com aparência de altruísmo. Nos casamos esperando que o outro nos faça feliz. Tornamo-nos amigos esperando beneficiarmo-nos da amizade. Pregamos o Evangelho esperando satisfação no proselitismo do outro. E essa atitude invade o campo da relação com Deus manifestando-se através de barganhas e mimos. Não isentamos o próprio Deus de nossa imaturidade egoísta e lançamos sobre Ele a responsabilidade de nos pagar o tempo, dinheiro e energia gastos em oração, em jejum, em campanhas, em máscaras puritanas e contribuições vazias de neutras intenções.

Queremos ser felizes. Mas, exaurimos o outro para que alcancemos tal objetivo. Sugamos o carinho, a atenção, a disposição, a lealdade, o amor, o dinheiro, a admiração, o talento e a amizade dos outros para nós mesmos de forma a nos saciarmos. O outro é apenas um meio que proporciona-nos um pouco de felicidade. Mas, jamais o afirmamos isso a eles. E com certeza muito menos a nós mesmos. Mas, é fato que, quando não temos o caráter de Cristo estabelecido em nossa personalidade, somos usurpadores e impostores que valem-se de qualquer coisa e de todos para que sintamo-nos felizes. E, então, tornamo-nos seres complexos, cheios de dissimulação, de omissões e mascarados. Perdemos a simplicidade de amar somente.

E por isso não somos de fato felizes. Primeiro porque Cristo não habita plena e integralmente em nós. Depois porque não podemos ser felizes esperando que isso venha do próximo. Como se fosse obrigação dele nos fazer feliz por ser nosso amigo, nossa esposa ou eposo, nosso pai ou mãe. Só aprenderemos a felicidade quando percebermos que é quando despojamo-nos pelo próximo que somos "mais que felizes".

Seremos felizes quando conseguirmos inverter nosso papel egoísta nas relações com o próximo. E ao invés de esperar que ele nos faça feliz, faze-lo feliz primeiro. E tornar esse o objetivo majoritário de qualquer relação fraternal, conjugal... social. Fazer o outro feliz sem esperar que o mesmo tenha a mesma concepção que você. E, portanto, não ter expectativas de receber nada em troca.

Evangelize pensando em fazer o perdido feliz com as boas novas de Cristo. Case-se pensando em faze-la(o) a pessoa mais feliz do mundo. Faça um amigo por acha-lo interessante e querer contribuir com sua amizade. Cultive as amizades esperando doar-se e servir ao invés de ser servido. Honre ao invés de esperar ser honrado.

Quando alcançarmos tal nível de consistência em nosso jeito de ser, refletindo a imagem de Cristo, teremos alcançado não a felicidade crônica, mas, os momentos felizes que temperam a vida.

14 de dez de 2008

A sós comigo




Para viver a essência do relacionamento pessoal com Deus é preciso, antes, reconhecer o que permeia nossos corações; nossos anseios, nossas angústias, nossas lutas internas; aceitando o que somos.

Olhando para você agora, o que vê?

Vê uma pessoa cheia de sí, garantida de seus conceitos, segura em seus planos, sempre confiante de que tudo pode fazer?

Vê uma pessoa recuada, na defensiva, cheia de temores interpessoais, farto da vida política-social, invejosa, sempre querendo ser como os outros, cheia de defeitos, cheia de mágoas, descontente com a aparência física, pouco estimada pelas pessoas, sem reconhecimento, sem verdadeiros amigos e continuamente culpando a Deus (ou a falta de Deus, ou a inexistência de Deus) pelo o que é?

Vê uma pessoa certinha, incapaz de cometer erros absurdos, cheia de fraternidade, orgulhosa por ser diferente de tantas pessoas que não se enquadram em seu perfil?

Vê uma pessoa quebrantada, ferida pelo mundo, totalmente dependente de um “ser” bem maior que todas as perseguições que já sofreu e ainda sofrerá?

Na verdade, a maioria das pessoas nem conhecem a sí mesmas. Vivem pelo “acaso”, não se importando com o quanto podem ser melhores ou o quanto estão sendo ruins. E muitas ainda se atrevem a dizer que anseiam intimidade com Deus, e outros, que têm intimidade com Ele.

O relacionamento de filho com o Pai, como amigos, está ligado ao quanto de nós mesmos conhecemos. Ninguém é amigo de Deus vivendo contrariamente ao que se conhece ser.

Alguns são cheios de sí, garantidos e seguros no que podem fazer. Com essa convicção acabam por negar um relacionamento mais profundo com Deus, pois a intimidade gera um sentimento de dependência. Um amigo depende do outro para ser forte.

Talves essa seja a palavra mais descritiva quanto a intimidade com Deus: dependência.

O desejo de Deus é que sejamos tão intímos dEle a ponto de sermos dignos de sermos chamados “amigos do Senhor Jeová”. Fomos criados por essa intenção. Desde Adão o fôlego de vida que nos move é o desejo insaciável da parte de Deus em ter verdadeiros amigos, adoradores que o adorem em espírito e em verdade.

Para se firmar uma amizade genuína é preciso cultivar a intimidade e a confiança mútua, em qualquer relacionamento.

Quando o Pai sonhou com a nossa existência Ele disse: “... Viva! Domine sobre os animais! Multiplique-se sobre a face da Terra!”; e em Seu coração imagino que tenha exclamado: “... Estou fazendo isso porque preciso de amigos, preciso de pessoas que me amem com exatamente tudo o que é e com tudo o que possui, porque o homem é semelhante a mim, e oferecerei, de graça, tudo quanto quiser possuir, para que me glorie em toda sua vida, usurfruindo de uma vida eterna e abundante de prazer, e como primeira prova de amizade chamarei isto de 'livre arbítrio'”.

Não escolhemos ser amigos de Deus. Nós aceitamos a amizade dEle ou não.

Existem pessoas que nem mesmo conseguem ser seus próprios amigos. Pessoas recuadas, que não vêm qualquer beleza em sí mesmas, internas ou externas; pessoas com constante sentimento de inferioridade e incapacidade, tímidas e temorosas com tudo a seu redor. Esses sentimentos, paradoxalmente, provêm de orgulho por serem movidos pela necessidade de aceitação e reconhecimento. Essas pessoas nunca estão contentes consigo mesmas. Estão sempre querendo realizar alguma façanha para chamarem as atenções, e quando não conseguem o esmero desejado começam a reclamar por sua aparência, pelos talentos inúteis ou pela falta deles em suas vidas, entre inúmeras outras queixas contra elas mesmas; e a culpa acaba sendo sempre do criador que as arquitetou (ou do acaso, que nunca lhes submete sorte). O fracasso dessas pessoas é o fruto do livre arbítrio mal observado. E desse modo não há como ter intimidade com Deus.

Qual o sentido de estar a sós com alguém que você não tem intimidade?

Já outras pessoas, movidas pela ilusão e alienação do mundo, tentam mostrar que são “diferentes”. Sentem-se irrepreensíveis por sí mesmas, excelentes em tudo, e com isso, melhores que a maioria. Feriseus do novo milênio. Pessoas que vão ao “templo” toda semana, levantam suas mãos para expressar suas diferenças dos demais não tão bons quanto elas, mas com seus corações minados de indiferença para com Deus. Corações hostis para a intimidade com o Aba. Pessoas ocupadas demais com tudo o que tem para realizar e, por isso, andam “sem tempo” para se aprofundarem na vida com Deus. Pessoas boas demais para depender da maravilhosa graça.

Os verdadeiros adoradores sempre estão a sós com Deus, quebrantados e feridos pelos açoites do mundo, carentes de colo e totalmente dependentes da graça para viverem. Choram em secreto, insaciáveis pelo aconchego dos braços do Pai, inconformados com o pecado, humildes para pedir o gracioso perdão, como um abraço acolhedor de Deus. Esses sim caminham para a mais profunda intimidade com Ele. Eles se reconhecem; sabem de suas debilidades; e, mais ainda, têm fê no amado amigo de todas as horas.

Aquele que deixa de se entregar ao pecado para ser amigo de Deus deve olhar para sí mesmo e se esvasiar do orgulho, do medo, da timidêz, das mágoas, do sentimento de inferioridade, ofertando o seu coração para honra e glória dEle.

Para que você possa estar “a sós com Deus” tem que aprender a estar “a sós consigo mesmo”.


PS.: Escrevi esse texto para contextualizar uma das pregações que realizei no último acampamento de jovens, onde o tema era "A sós com Deus". E acredito mesmo que só se pode estar a sós com Deus aqueles que têm o habito de estar a sós consigo mesmo (ou que, no mínimo, conseguem isso), resguardando a consciência e a fé. O relacionamento com Deus tem isso; estar sozinho e se sentir amparado, observado com diligência. Ninguém pode dizer que relacionar-se com Deus é visitar periodicamente um "templo", erguer suas mãos em motivo de adoração e se declarar familiar dos céus.

Lindoélio Lázaro em O's Lázaro's

Oração do Pai Nosso



Pai-nosso que estais no céu, e sois nossa Mãe na Terra, amorosa orgia trinitária, criador da aurora boreal e dos olhos enamorados que enternecem o coração, Senhor avesso ao moralismo desvirtuado e guia da trilha peregrina das formigas do meu jardim,

Santificado seja o vosso nome gravado nos girassóis de imensos olhos de ouro, no enlaço do abraço e no sorriso cúmplice, nas partículas elementares e na candura da avó ao servir sopa,

Venha a nós o vosso Reino para saciar-nos a fome de beleza e semear partilha onde há acúmulo, alegria onde irrompeu a dor, gosto de festa onde campeia desolação,

Seja feita a vossa vontade nas sendas desgovernadas de nossos passos, nos rios profundos de nossas intuições, no vôo suave das garças e no beijo voraz dos amantes, na respiração ofegante dos aflitos e na fúria dos ventos subvertidos em furacões,

Assim na Terra como no céu, e também no âmago da matéria escura e na garganta abissal dos buracos negros, no grito inaudível da mulher aguilhoada e no próximo encarado como dessemelhante, nos arsenais da hipocrisia e nos cárceres que congelam vidas.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje, e também o vinho inebriante da mística alucinada, a coragem de dizer não ao próprio ego e o domínio vagabundo do tempo, o cuidado dos deserdados e o destemor dos profetas,

Perdoai as nossas ofensas e dívidas, a altivez da razão e a acidez da língua, a cobiça desmesurada e a máscara a encobrir-nos a identidade, a indiferença ofensiva e a reverencial bajulação, a cegueira perante o horizonte despido de futuro e a inércia que nos impede fazê-lo melhor,

Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e aos nossos devedores, aos que nos esgarçam o orgulho e imprimem inveja em nossa tristeza de não possuir o bem alheio, e a quem, alheio à nossa suposta importância, fecha-se à inconveniente intromissão,

E não nos deixeis cair em tentação frente ao porte suntuoso dos tigres de nossas cavernas interiores, às serpentes atentas às nossas indecisões, aos abutres predadores da ética,

Mas livrai-nos do mal, do desalento, da desesperança, do ego inflado e da vanglória insensata, da dessolidariedade e da flacidez do caráter, da noite desenluada de sonhos e da obesidade de convicções inconsúteis,

Amemos.

Frei Betto [via Pavablog]

13 de dez de 2008

É o diabo em figura de gente...



Cuidado com ele, de terno e gravata bancando o decente
É o diabo vivo em figura de gente
É o pastor trambiqueiro enganando inocentes

Prestem bem atenção, o enredo macabro que ele arruma
Seu critério maior é falar mal da macumba

Dizendo que à ela também pertenceu
Sim, mas só não foi em frente porque a chefe do terreiro é a Vera

Não aceitou o jogo sujo da fera que vive a fim só de arrumação
Ele também não explica o porque da mudança da água pro vinho

Só porque na umbanda não vale dinheiro
Resolveu ser crente pra roubar os irmãozinhos

Não é fé que ele tem,é simplesmente a febre do ouro
Custa caro a palavra de Deus, o pastor chega pobre e arruma tesouro

Refrão:
Cuidado com ele, de terno e gravata bancando o decente
É o diabo vivo em figura de gente
É o pastor trambiqueiro enganando inocentes

Música: Pastor trambiqueiro de Bezerra da Silva

Ouça a música:

Loucos




Somos loucos...
loucos por loucuras
demasiadamente ao acaso
das desventuras do destino...

Somos loucos
pela liberdade,
pela igualdade
de pensamento
e [flores no caminho...

[Essa bruta loucura
mortificando o e"go"
alimentando a "espera"nça
do [beijo] brotado,
do sacrifício deixado...

Somos loucos...
[esquecidos nos becos,
suspirando o último segundo
buscando refúgio [na alma.


Juliano Antunes


P.S.: O Juliano têm excelentes poemas em seu acervo. Vale a pena visitar e degustar da arte e talento desse poeta(vivo - rs)... não esperem o cara morrer para dar valor a seu trabalho, né?!

12 de dez de 2008

Seria o cristianismo, subversivo?

O cristianismo foi criado por Deus para ser apenas uma religião que traga conforto ao homem, fazendo dele apenas um participante manipulável por pregações ufanistas, vitoriosas e sem fundamentos morais e espirituais, onde não precisamos exercitar a fé, ou mesmo que a tenhamos, mas de maneira utópica e infantil conduzimos nossa vida de forma interesseira e centrada em nós mesmos;

Ou seria o cristianismo, em essência, algo que confronta as motivações humanas e das organizações, mostrando o quão podre nós somos, sem a participação em nossas vidas de maneira coletiva e única da Trindade, onde, por momentos de questionamentos e crises, sermos transformados para questionar outros homens e a própria sociedade, sobre seus valores?

Será que se agirmos assim, seremos realmente populares e bem aceitos?

fonte: Nitrogênio

Tatuagem ou Piercing?

Não sei quanto a você, mas eu não gostaria de passar pela vida como apenas um número, ou como se fosse uma batata, que nasce, cresce se reproduz e termina seus dias, descascada e numa sopa ou ensopado. Não estou me referindo a fazer sucesso, ser conhecido mundialmente e coisas parecidas, pelo contrário.

Estou falando na realidade, de marcar vidas. Imprimir valores eternos nas pessoas mais próximas de mim. Esse final de semana passado, recebi a visita de um casal muito amigo. Ficamos lembrando coisas do passado, nossas histórias, rimos muito, também choramos. Foi muito bom tê-los aqui. Mas tem uma coisa que ficou latente nessa visita. Nós (eu e Cléa) marcamos a vida deles. Não fizemos isso de forma consciente, mas foi na realidade, a expressão do amor pela vida deles. E isso faz muita diferença.

Podemos passar pela vida das pessoas, como passageiros de um trem ou ônibus, sem nenhum compromisso, sem nenhum interesse. Ou seja, estamos no mesmo lugar pela coincidência dos fatos e horários, e só isso. Elas não se aprofundam em minha vida, e eu não me aproximo delas. É um espaço não declarado de segurança individual, mas que todos conhecem. Mas relacionamentos requer profundidade. Requer tocar em assuntos delicados, sentir raiva, sentir compaixão, ser humano na extensão completa da palavra.

Li recentemente um texto, infelizmente não me recordo onde, falando sobre as palavras coexistência e convivência. A primeira precede a última, mas não substitui. Coexistência todos nós praticamos quase todos os dias. Basta estar em pé num vagão do metrô ao lado de pessoas diferentes de você, mas que necessariamente você não precisa amar nem conhecer. Convivência requer mais profundidade, requer perdão e amor.

Usei a alusão da tatuagem e do piercing, justamente pela diferença entre marcar e apenas constar. Calma que eu explico. Apenas constar particularmente significa, apenas existir, ou seja, você sabe que as pessoas estão ali ao seu lado e só. Nem você faz diferença na vida delas, nem elas na sua. Como um piercing. Ele está ali, furado em algum lugar do seu corpo, você sabe que ele existe, mas se você quiser, é só tirar e pronto, ele não está mais lá. Ou seja, é um acessório descartável, podendo ser eliminado a qualquer momento e por qualquer motivo.

Já a tatuagem é diferente. Você também sabe que ela está lá, mas é impossível ficar indiferente a ela. Mesmo que você deseje, não dá para retirar ou extrair o desenho de lá, pois a marca é profunda. E todas as vezes que você olhar para ela, vai se lembrar quando, onde e quem fez a tatuagem. Mesmo com os progressos da medicina estética, não é possível eliminar um desenho de tatuagem assim tão facilmente.

É assim que eu desejo ser na vida das pessoas. Uma tatuagem. Que eu possa imprimir valores eternos não só na minha vida, mas na vida das pessoas que eu amo e ainda nas pessoas que eu ainda vou conhecer. Assim como Paulo declara possuir as marcas de Cristo em seu corpo, eu também quero ter e marcar outras pessoas com esse mesmo desenho.
Um desenho de liberdade, amor e salvação

fonte: Nitrogênio

P.S.: Realmente é importante refletir em como temos marcado as pessoas que se achegam a nós. E que tipo de marcas temos deixado nelas...

Jesus, o guitarrista dos séculos

Um amigo me disse certa vez, entusiasmado, que um guitarrista de um famoso ministério de louvor havia declarado que antes sua inspiração musical vinha de músicos como Jimi Hendrix e Steve Vai, mas que isso estava errado, hoje ele entende que sua única inspiração é Jesus!!

- Que legal – pensei - não sabia que Jesus tocava guitarra.

Estou certo, como já disse, que nossa maior inspiração vem do Criador, e nosso poder criativo existe porque Ele nos criou a sua imagem e semelhança, é um dos atributos que nos difere dos animais irracionais junto a capacidade de raciocínio.

Porem não há como imaginar que os cristãos sejam detentores da verdade sobre todos os assuntos da vida, a confusão entre conhecer a Verdade, que é Cristo – e ainda assim conforme Lhe agradou fazer-se conhecido – e conhecer a verdade sobre todas as coisas é absurda.

Deveria ser obvio que conhecer a Cristo não faz de nós conhecedores sobre todos os assuntos sobre todas as áreas da vida.

Por exemplo, ao servir a Cristo você não passa a saber tudo sobre a teoria da relatividade, isso acontece porque você estuda, você também não se torna um médico por começar a servir a Jesus.

Aliás, creio que não tenha tanta gente confusa sobre isso quando a área é a medicina, é ponto comum – exceto aos totalmente alienados – que para ser médico é preciso estudar e se interessar sobre os assuntos da medicina.

Em se tratando de arte e comunicação não é diferente, é preciso estudar e ter interesse verdadeiro pela produção cultural e artística moderna e histórica.
O guitarrista gospel usou uma grande frase de efeito, mas o efeito não causa nenhum benefício, apreciar o trabalho de grandes guitarristas não o faz menos dependente ou servo de Cristo nem lhe lança no “mundo”.

C.S.Lewis foi capaz de produzir uma variedade incrível de escritos - tanto os ficcionais como os teológicos - porque era um leitor voraz, entre seus livros preferidos estavam “O Peregrino” de John Bunyan e “A Rainha Das Fadas” de Edmund Spencer, um cristão e um anti-cristao, lia ainda os evangelhos apócrifos porque se interessava pela narrativa criativa, mesmo essa não contendo verdade.
O prazer que Lewis tinha pela leitura formou o escritor que nos deixou obras como “As Crônicas de Narnia”, “O Problema do Sofrimento”, “Cristianismo Puro e Simples” e muitos outros livros.

Ele não parecia temer apreciar algo “secular” ou usava frases de efeito para reafirmar sua fé e vida de serviço a Cristo.

Esse temor em apreciar o “secular” não é sinal de maturidade espiritual, pelo contrário mostra apenas uma tendência em se deixar escravizar por dogmas humanos criados por pessoas legalistas, ou revela um temor em perder a fé ou ainda um condicionamento pelo marketing do grande mercado gospel.

É igualmente triste em todas as hipóteses, pois se na primeira ficamos a mercê da religiosidade castradora de homens legalistas e seus dogmas criados com intuído exclusivo de controlar pessoas que deveriam ser livres em Cristo, a outra é fruto de pouco aprofundamento na fé, nos fundamentos de doutrinas Bíblicas e no próprio relacionamento com Deus, como disse Jesus “a casa foi construída sobre a areia e não sobre a rocha” (Mateus 7:24 a 27), e a terceira esconde um problema sério que é uma industria formada por cristãos e imitadores de cristãos – que segundo Frank Schaeffer não podem na maioria das vezes ser distintos uns dos outros - formando e doutrinando cristãos modernos.

O cristão que conhece a Verdade não deveria temer apreciar algo só porque não foi desenvolvido nos guetos evangélicos, como reflete Frank Schaeffer em seu livro “Viciados em Mediocridade

“os cristãos deveriam ser os que menos se sentem ameaçados por novas idéias artísticas, pela experimentação, por correr riscos, de olhar e apreciar o que o outro lado tem a dizer. Se os nossos pés estão solidamente enraizados na verdade, podemos observar o mundo com confiança, prazer e realização.”

Na verdade o cristão deve ter cuidado com o que é produzido nos guetos evangélicos, que muitas vezes vem carregados de heresias disfarçadas e facilmente confundidas com espiritualidade, por abaixar a guarda - já que se trata de material confeccionado por nossos “irmãos” - ficamos expostos a muita coisa que vai contra o ensino das Escrituras, e poucos tem sido como os bereanos, que como nos tempos do apostolo Paulo iam verificar “se as coisas eram mesmo assim”(Atos 17:11).

A falta de esforço e dedicação também podem vir disfarçados de espiritualidade quando cristãos querem lançar sobre a oração a responsabilidade de seu desenvolvimento artístico.

Para alguns a oração deixou de ser um relacionamento com Deus e passou a ser um amuleto ou uma abstração da realidade.

Para muitos cristãos dizer “estou orando” significa dizer “não quero fazer a parte que me cabe nisto” emendando logo algum jargão do tipo “tudo posso naquele que me fortalece” e segue trabalhando obras medíocres que só são aceitas mediante o marketing da industria gospel, caso tenha esse fator ao seu lado.

Orar em todo tempo significa ter relacionamento com Deus e esse relacionamento logo ensina que Ele se agrada do trabalho e da dedicação como podemos ver no principio da criação:

“E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.”( Genesis 2:15) “

“Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.”(Genesis 2:19)

A preguiça e a falta de interesse genuínos pelas artes trabalham contra o artista cristão, não há desenvolvimento sem suor, como disse Picasso “arte é 20% inspiração e 80% transpiração”, se queremos ter relevância nos meios da cultura e das artes vamos precisar fazer mais do que usar jargões desgastados e fingir espiritualidade.

Fábio Q no Solomon1

11 de dez de 2008

E que tudo mais vá pro inferno...



Este vídeo ilustra com bom humor como geralmente estamos preparados para responder às perguntas do mundo... basta um pouco de raciocínio, curiosidade e inconformidade com pensamentos prontos para que abalem a estrutura de "crentes" não-pensantes!

Quando converso com um "crente" e enveredo por assuntos e temas mais desconcertantes tenho a impressão, diante da sua expressão de insegurança, que é pecado não saber responder alguma coisa de modo que busca-se explicações infundadas e no mínimo ridículas e pré-concebidas para manipular ignorantes...

10 de dez de 2008

2 Denários

Esse texto ilustra com bastante clareza como muitos de nós reagimos diante da realidade trágica e feia que nos cerca. E essa realidade nada feliz serve de peneira. Os ditos "mundanos" revelam-se discípulos de Cristo no amor. E os ditos "cristãos" revelam-se... cristãos?

Domingo à noite, após a reunião, fomos até o centro da cidade para ver uma apresentação natalina. Estava muito cheio gente e permaneci de longe tentando ouvir. Passado algum tempo chegou uma pessoa que fazia um tempo eu não via. Uma cristã verdadeira, porém absorvida em pensamentos e concepções evangélicas, que não do Evangelho. Não a julgo de maneira nenhuma, pois faz o que muito fiz. Por aqui nesses dias é inevitável as perguntas: “ E vocês estão bem? Foram afetados pela enchente?”.

Após saber que tudo estava bem, ela começou sua explanação de livramento: “Eu passei a noite repreendendo pra gente ficar imune, afinal Deus faz diferença entre seus justificados pelo sangue de Jesus. Mesmo que seja verdade que muitos crentes foram atingidos” E eu sem querer ser grosseiro só dizia: “pois é”. Tentei desconfortá-la: “Acho que quem Deus “imunizou” tem o dever de ajudar os afetados não é? Fiquei triste de ver igrejas mantendo suas programações normais, enquanto a água engolia muita gente. Sua igreja fez algo em favor das pessoas?” . “Não” ela me disse. “temos lá 3 cestas básicas mas Deus não nos mostrou o que fazer com elas”. Eu ouvi isso ao fundo de hinos cristãos em praça pública, executados por “mundanos” que fizeram uma campanha pra arrecadar brinquedos usados pra crianças na redondeza pra não passarem o natal em branco. Fui remetido a uns minutos antes, quando estávamos na reunião da estação lendo em Lucas 10, o bom Samaritano, onde conclui:


Um teólogo perguntou a Jesus: Mestre que devo fazer pra ser um salvo? Ao que Jesus respondeu: Como resumes tua teologia? “ Amar a Deus sobre tudo e de toda forma, e o próximo como a si mesmo” – respondeu o teólogo. E Jesus retornou: “bingo”, faz isso e serás salvo. Infelizmente, Jesus ouve sua última pergunta:“Quem é o meu próximo?”.

Então Jesus decide contar uma história:

Certa família foi pega de surpresa por uma tragédia. Uma chuva intensa, fez com que um barranco desmoronasse nos fundos de sua casa e trouxe lama até sua cozinha. Eles olharam e viram que muito mais podia vir abaixo. Quando desceram a rua pra pedir ajuda pra salvar os móveis, perceberam que estavam ilhados pela água que havia tomado a rua com mais de 1 metro de altura. Ficaram desesperados por uns 4 dias, mesmo tendo sido alojados num galpão de uma igreja católica pela defesa civil. Pouca coisa sobrou de seus poucos pertences e a casa condenada.

Diante da situação um pastor lamentava, pois as coisas podiam ser diferentes se esse povo se voltasse pra Deus. Desse modo as pessoas ficariam protegidas, assim como ele foi. Por isso não pode parar, ele tinha um culto pra prestar ao Deus que o socorreu. Era também dia de entregar sua oferta no altar.

Logo depois, passou um ministro gospel, que teve de fazer um contorno imenso por outro caminho pra chegar no templo. Quase chegou atrasado pra campanha de 72 horas de louvor sem interrupção. Felizmente chegou bem no horário de sua escala.

Pra salvação da família que havia perdido tudo, um próximo bem distante, quem sabe de Recife, São Paulo ou Porto Alegre ou mesmo do outro lado da cidade, falou com sua patroa:“ Pega umas roupas e aquele colchão do quarto de visitas. Pega também uns 2 denários lá na gaveta pra comprar uns mantimentos. Tem uma carreta que vai levar isso pra umas pessoas que precisam mais do que nós. Depois com o décimo terceiro a gente vê se consegue ajudar um pouco mais.

No final a pergunta de Jesus: Qual desses é o próximo?

Amar a Deus com força, coração, alma e entendimento é direcionar o serviço ao próximo, mesmo que seja com apenas 2 denários.

Denário = renda pelo trabalho de 1 dia. Na média salarial brasileira uns R$ 25,00.

Ronie no Caminho da Graça - Estação Brusque [via Infinita Highway]

9 de dez de 2008

A revolução já começou...

Somos uma comunhão de grupos cristãos espalhados pelo Brasil. Grupos familiares que se reúnem nas casas. Não temos uma sede, templo ou denominação. Tampouco somos igreja em células.

Nossa história remonta ao início da Renovação Carismática (Protestante e Católica) no Brasil. O casal Offini e Elza Franco (ele presbiteriano, ela católica - cada qual com participação ativa e efetiva em sua igreja) recebeu, em 1972, uma promessa de Deus de que seriam "pais de muitos filhos". Enviados pelo padre Eduardo Dougherty (conhecido de Elza Franco), jovens católicos, ávidos e sedentos por Deus começaram a bater à porta dos Francos para aprofundamento bíblico, ainda no ano de 1972. Transformados pelo evangelho, tanto os jovens quanto Elza Franco não encontraram espaço dentro da igreja católica. O convencional e o que os livraria de inúmeros problemas seria que fossem encaminhados à igreja presbiteriana (da qual Offini Franco era presbítero). No entanto, o chamado de Deus era para algo diferente. E houve muita luta para entenderem isso e se manterem fiéis à vocação. Aquele primeiro núcleo de jovens adolescentes, que se reunia ao redor da mesa de jantar da sala dos Francos, deu início a um movimento que perdura até hoje e, com a graça de Deus, continua crescendo e se espalhando.
Reunimo-nos localmente em famílias (sempre em número adequado às instalações de uma residência). As reuniões prescindem de algumas estruturas encontradas nos templos. Tentamos, tanto quanto possível, não trazer o templo para dentro das casas. Acreditamos que a igreja doméstica tem, conforme o Novo Testamento, a sua liturgia característica. Esse modelo tem favorecido a formação de muitas pessoas em condições de hospedar igrejas em suas casas. Temos buscado de Deus cada vez mais o significado de uma liderança plural.

Há um grupo de pessoas, que chamamos "dirigentes de ministérios", que exercem uma co-liderança com outras três, remanescentes da origem nos anos 70. Nas localidades (divididas por cidades ou bairros, no caso de cidades grandes) os trabalhos são acompanhados por "dirigentes locais". Os dirigentes locais (de uma cidade ou dos bairros de uma cidade) contam com os “assistentes” para coordenarem os grupos. Nesse trabalho, os chefes das famílias (homens dignos) também passam a exercer papel destacado, à medida que entendem o chamado de Deus. Desenvolvemos ainda atividades segmentadas por faixas de interesses (nesse caso, para aprofundamento e formação): crianças, pré-adolescentes, adolescentes, jovens, adultos, casais e melhor idade. Ultimamente temos trabalhado intensamente a família para o propósito de Deus. Acreditamos que a família terá papel fundamental na restauração de todas as coisas (At 3:21; Ml 4:5,6). Alguns conceitos estão sendo muito trabalhados em nosso meio: por exemplo, a diferença entre "ser igreja" e "ir à igreja"; "atrair as pessoas para a igreja" versus "levar a igreja às pessoas" (IDE); "achar casas dignas" e, conseqüentemente, pessoas dignas que hospedem igrejas e sejam pastores para ovelhas órfãs e perdidas, conforme ministério de Paulo (At 13,14; Mt 10); "o homem integral" (viver, na prática, a integralização da vida, em todos os ambientes onde ela acontece). Realizamos, também, anualmente, vários encontros e seminários em um sítio de nossa propriedade, em Sorocaba - SP.

Estamos em busca da igreja Gloriosa que Efésios nos apresenta. Não se trata de um novo movimento ou "mover", mas da igreja "fraca", destituída de justiça própria, de arrogância, de controle humano, totalmente dependente do Cordeiro, dirigida pelo Espírito Santo, uma igreja sob o "espírito e poder de Elias" para converter o coração dos pais aos filhos e dos filhos aos pais. O que não quer dizer que não temos dificuldades. Há muitas relutâncias para entender a vocação da parte de muitos. Sem sermos dogmaticamente inflexíveis, temos procurado andar naquilo que Deus tem nos ensinado ao longo dessas décadas. Procuramos praticar e incentivar largamente o "Ministério ao Senhor" em nosso meio: reuniões para "ouvirmos de Deus", para buscarmos os interesses de Deus e não os nossos e imediatos. Um livro que temos trabalhado exaustivamente em nosso meio nestes dias é "Casas que transformam o mundo", de Wolfgang Simson. Compartilhamos de muitas coisas deste livro, sem nenhuma pretensão de transformá-lo num talmude cristão da igreja nos lares. Temos procurado ardentemente chegar ao máximo de organismo e ao mínimo de organização. Estamos indo nesta direção. Foi um grande "achado" entender que em cada lar se reúne uma igreja que funciona em tempo integral. Pais, mães e filhos (principalmente estes) atuam, uns nas vidas dos outros, como medida de proteção contra o orgulho e a hipocrisia espirituais. Neste ambiente, não dá para colocar máscaras, sob pena de tê-las arrancadas por pessoas que tão bem nos conhecem. As muitas reuniõezinhas semanais (algumas delas ocorrendo em meio às refeições) são celebradas em reuniões semanais maiores (de, no máximo, 4 ou 5 famílias), com o propósito de adoração, aprofundamento na palavra e comunhão.

fonte: Grupo News

P.S.: É muito bom saber que o sentimento de simplicidade e autenticidade que brota em cristãos inconformados com a atual realidade da "i'greja, não é propriedade dos evangélicos. E é muito bom perceber que são muitos que veem despertando para uma vivência cristã que agrega valores neotestamentários relevantes e consideráveis a nós ainda hoje. Fico feliz em ver evangélicos, protestantes e católicos tomando a pílula vermelha... =)

7 de dez de 2008

Vaca Sagrada



Embora venerado por cinco séculos, o sermão convencional tem contribuído das mais variadas formas para a degradação da igreja.

Primeiramente, o sermão faz com que o pregador seja uma virtuose artística do culto eclesiástico. Como resultado, a participação da congregação fica obstaculizada (na melhor hipótese) e excluída (na pior hipótese). O sermão transforma a igreja em um auditório. A congregação degenera em um grupo de espectadores apagados presenciando um evento. Não há espaço para interromper ou questionar o pregador enquanto ele profere seu discurso. O sermão congela e trava o funcionamento do Corpo de Cristo. O sermão promove um sacerdócio dócil por permitir que os homens do púlpito com suas mãos agitadas dominem a reunião da igreja semana após semana.

Em segundo lugar, o sermão estanca o crescimento espiritual. Pelo fato de ser uma estrada de uma só mão, o sermão embota a curiosidade e produz passividade. O sermão debilita a igreja no que toca ao seu funcionamento. O sermão sufoca o mútuo ministério. Abafa a participação aberta. Estanca o crescimento espiritual do povo de Deus.

Como cristãos, necessitamos funcionar, exercitar, caminhar para poder crescer. Podemos crescer sentados como uma estátua de sal ouvindo um homem pregar de lá de cima do púlpito semana após semana? De fato, uma das metas do estilo da pregação e ensino do NT é incentivar você a funcionar. Isto encoraja você a falar na reunião da igreja. O sermão convencional obstaculiza este processo.

Em terceiro lugar, o sermão conserva a mentalidade do clero antibíblico. Cria uma excessiva e patológica dependência do clero. O sermão faz do pregador um especialista em religião, o único que tem algo de valor a compartilhar. Trata todos os demais como cristãos de segunda categoria, como esquentadores de banco (Embora isso não expresse o geral, é a realidade). Como pode o pastor aprender dos demais membros do Corpo de Cristo quando eles estão mudos? Como pode a igreja aprender do pastor quando seus membros não podem fazer perguntas durante sua prédica? Como podem os irmãos e irmãs aprenderem uns dos outros se eles estão amordaçados e não podem falar nas reuniões?

O sermão torna a “igreja” distante e impessoal. O sermão priva o pastor de receber o sustento espiritual da igreja. O sermão priva a igreja de receber nutriente espiritual mútuo. Por estas razões, o sermão é uma das maiores barricadas que impedem o sacerdócio funcional!

Em quarto lugar, em vez de equipar os santos, o sermão remove suas habilidades. Não importa quão forte e extensamente o ministro fale acerca de “equipar os santos para a obra do ministério”, a verdade é que a pregação de sermões não equipa ninguém para o serviço espiritual. Na realidade, o povo de Deus acostumou-se tanto a ouvir sermões que os pastores acostumaram-se a pregá-los. (Sei que alguns cristãos não gostam de pregações a cada semana, mas parece que a maioria as desfruta). Em contraste com a pregação, o ensinamento do estilo neotestamentário equipa a igreja para que funcione sem a presença do clero.

Em quinto lugar, o moderno sermão é totalmente contraproducente. A maioria dos pregadores é especialista em coisas que nunca experimentou. Por ser abstrato e teórico, piedoso e inspirador, demandante e obrigatório, entretido e ruidoso, o sermão não coloca os ouvintes em uma experiência direta e prática daquilo que é pregado. Assim, pois, o sermão típico é uma lição de natação em terra seca! Falta todo valor prático. Prega-se muito no ar, mas ninguém aterriza. A maioria das pregações é dirigida ao lóbulo frontal. A moderna pregação do púlpito falha em ir além da mera disseminação de informações sobre equipar crentes a experimentar e utilizar aquilo que escutam.

Frank A. Viola em Cristianismo Pagão


P.S.: Costumo dizer que a reunião da igreja quando se dá num templo equivale a uma comunhão caracterizada por intensa observação das nucas uns dos outros, salvo os espaços projetados no modelo de cinemas stadium =). E para tal reunião a analogia de Corpo seria algo como uma boca e muitas orelhas.

6 de dez de 2008

Lembrem-se dos perseguidos...



Hoje temos liberdade religiosa em nosso país. E por hora, perseguição contra os que professam o Evangelho de Jesus pode soar algo distante para nós cristãos capitalistas e livres. Mas, há irmãos que vivenciam essa realidade de horror e inescrupulosa...

Sejamos de fato UM, no mínimo em orações!

O Missão Portas abertas têm sido de fato um grande exemplo de instituição cristã que faz contraposição à instituições eclesiais que conhecemos, que estão numa corrida desenfreada por prosperidade financeira e imunidade ao sofrimento deste mundo.

Do you're free?

vi no Meus pensamentos

Os pregadores e as praças

Sempre que não posso ir em casa para almoçar, fico aqui pelo centro da cidade. O local onde gosto de comer fica a uns cinco quarteirões e a caminho de lá existe uma praça.

Praças são locais muito interessantes... são o berço do sonho para um casal que se apaixona e caminha de mãos dadas, foi também o berço de revoluções e de ideais, o local das greves e das manifestações.

Praça também é desilusão... é onde aquele mesmo casal passa, olha a árvore e se pergunta porque não deu certo. Também é o local onde o pai de família passa seu tempo, absolutamente envergonhado de voltar para casa sem o trabalho e menos ainda, o sustento para casa. É onde os velhos se achegam e contam histórias de um tempo muito distantes, onde tudo era melhor, até as pessoas eram melhores naquele tempo. Na verdade, contam histórias para preencher o vazio que lota suas casas.

Nessa praça há todo tipo de vendedor. Aqueles que realmente estão trabalhando, outros que estão ali até algo melhor aparecer, há os tocadores de flauta, todos com rostos andinos e cabelos escorridos com versões musicais de hinos, salmos, sertanejos, mozart´s e por aí vai. Há sempre os hippies com seus badulaques feitos na calada da noite, há os vendedores de picolés, piquis, goiabas e jabuticabas. Vendem de tudo. Alguns vendem mais do que gostariam de vender. Alguns vendem-se.

Lá no canto da praça, perto de árvores frondosas há um pregador. Você consegue ver seus gestos de longe e debaixo do braço o famoso livro preto. Sua voz aparece na multidão e sua veia quase se arrebenta no pescoço.

Ao lado dele está a sua esposa ou sua seguidora, alguma irmã que nitidamente pertence a mesma igreja. Há nela todo tipo de julgamento nos olhos e suas palavras são ríspidas e carregadas de ódio. Passam por ela algumas meninas em suas mini roupas, como é de uso hoje em dia, e são exemplificadas como obra do diabo. O deficiente mental que caminha abandonado e alheio é possesso do diabo. E quem olha com olhares de desprezo são logo lembrados que irão para o inferno.

Ali estão eles... no mesmo lugar onde Jesus um dia esteve. Enquanto o povo se maravilhava com Ele, aqui o povo os odeia. Enquanto Jesus jogava as pedras no chão, estes as levantam em nome Dele. Enquanto Jesus acolhia, estes ignoram ou julgam. Aliás, nem parecem que falam do mesmo judeu... Pois um eu conheço, este outro de quem falam me parece uma divindade frouxa, ciumenta, vingativa e com muito tempo livre.

Os pregadores são mais um artigo na praça, são um fenômeno cultural, não são mais uma mensagem que consola.

Eles são vendedores de outra categoria... vendem liberdade, vendem absolvição, vendem paz e estão a procura de alguém que compre sua loucura. Afinal, a solidão de se olhar o mundo tão bonito e acontecendo com tanta naturalidade deve ser a tortura destes que acham que ser de Jesus é ser igual eles. São aqueles que fizeram de Jesus seu amuleto, seu reino particular e agora ficam a porta, escolhendo quem entra.

Lembram-me outros... aqueles que ficavam a porta, não entravam e não deixavam os outros entrarem.

César Chagas no Infinita Highway

P.S.: Aqui o César consegue descrever, creio, o cenário que pode ser visto em qualquer pracinha de qualquer cidade. É fato. Aqui em Anápolis ocorre um fenômeno também curioso. Toda segunda-feira no terminal rodoviário, é dia dos "crentes" "pregarem" a Palavra. No corre-corre, entra de ônibus, sai de ônibus, comércio tumultuado, lá estão eles com seus microfones e caixas de som, gritando - leia-se berrando - versículos soltos da Bíblia. Esperniando numa gíria que pouca gente compreende. Uma indumentária estranha para o local e o calor. E nada style - rs. Se não pregam uma mensagem de Determinismo e resolução de problemas, pregam uma mensagem dura, condenatória e julgadora. E, a cena me lembra aqueles cachorros presos atrás do portão que ficam latindo enquanto a gente passa...