23 de fev de 2009

Céu

Imagine a seguinte situação:

Você não é cristão, um amigo insiste para que você vá a igreja, e você aceita. O pastor fala sobre a morte e diz de uma maneira bem clara que o juízo é inevitável e que somente aqueles que "levantaram as mãos aceitando a Jesus como seu Salvador" irão para o céu, para louvar a Deus eternamente, andar em ruas de ouro e, e, e, e… muitas outras coisas maravilhosas. Os que não fizeram essa oração irão para o inferno, sofrer eternamente, levar espetada do diabo e nadar no lago de fogo. No final do culto o pastor faz uma pergunta: "Um dia você vai morrer, pra onde você quer ir? Você não quer hoje carimbar o seu passaporte para o céu? Você quer ser salvo?"

Convenhamos, qualquer pessoa com um pouco de amor próprio opta pelo céu, que de acordo com as definições usuais é um lugar extremamente chato. Nosso céu é impotente, talvez por isso falam tanto no inferno, potencializaram o terror do inferno, assim o céu, apesar de chato, torna-se a opção mais conveniente.

Certa vez li: "não podemos parar de falar no inferno, pois ele produz temor nas pessoas e assim elas aceitam a Jesus". Quer dizer que Jesus não tem qualidades suficientes? Para com isso, não podemos usar a maravilhosa mensagem do evangelho como moeda de troca ao inferno, Jesus não nos livra de um lugar, mas de algo maior: de uma maneira "infernal" de viver.

Jesus não tem apenas proposta para uma vida pós-morte, a mensagem cristã é que existe vida e vida em abundância antes da morte (Jo 10.10)

Salvação não é ir pro Céu, é seguir os passos do Mestre. Céu não é nosso destino final, nosso fim é Cristo. Não seremos felizes ao andar em ruas de ouro, seremos plenos de alegria quando o Nazareno for plenamente formado em nós.

Nossa missão não é lotar o céu, é povoar a terra de pessoas com significado existencial. Sinalizar o Reino não é "marchar para Jesus" e "pisar na cabeça do inimigo", mas é viver de modo que as pessoas vejam nossas boas obras e glorifiquem o Pai que está nos céus (Mt 5:16)

Porque sou cristão? Porque acredito em uma pessoa e o que essa pessoa sugere como vida é excelente.

Villy Camargo Fomin [via Pavablog]

4 comentários:

  1. A esperança de vida após a morte deve ser separada para sempre da mentalidade de controle de comportamento de recompensa e punição. A igreja deve abandonar, então, sua dependência na culpa como um motivador de comportamento.

    Como sempre digo; o medo do inferno ou a recompensa do céu não podem ser o motor de uma vida de boa conduta antes sim a igreja deveria ser a manifestação, inspiração e extensão das obras de Cristo através somente de uma consciência própria que busca o aperfeiçoamento no amor ao próximo.

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  2. Bem vamos lá. Um pastor um dia me disse que se alguns milagres que alguns irmãos fizeram fosse na epoca das escrituras, talvez eles seriam colocado na palavra. Digo o mesmo para este post, pois a muito tempo não leio algo que me motive a pensar, parabens pela mensagem, e digo é deste tipo que deveria os blog se preocupar. So uma coisa ouvi certa vez que em nenhum momento nos vamos morar no ceú, pois a biblia diz que ficaremos no paraiso por 7 anos e depois desceremos e Cristo será nosso rei por 1000 anos. Então até a promesa de morar no ceú tem suas controversias.
    Mas parabens pela mensagem, peço permição para postar no meu blog.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Sempre gosto de ver pessoas "aceitando" a Cristo, mas algo que me preocupa muito é se elas estão aceitando verdadeiramente todo o plano de Jesus, ou se estão apenas mudando de religião.
    Não há dúvida de que a Igreja é um ambiente baste propício para que a verdadeira conversão ocorra de maneira progressiva, mas esse ambiente também pode transformar pessoas que antes apenas não tinham conhecimento sobre Jesus em pessoas extremamente religiosas, presas a liturgias.
    E isso é horrível porque a pessoa pensa que está salva porque é evangélica e tudo mais, sem perceber a verdadeira transformação interior que Deus quer fazer.
    Quanto a buscar a Deus por ter medo do inferno, confesso que fiz isso por muito tempo, o que é bastante desagradável porque a visão que temos de Deus não é a do deus amoroso e salvador, mas, sim, do deus que gosta de ver as pessoas sofrerem e está sempre pronto a julgar qualquer deslize. Agora eu busco o céu não apenas porque é um lugar bom, mas porque é lá que o meu Deus está.

    Vou colocar o texto no a.C. Revolution, ok?
    Parabéns pelo blog!

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