11 de mar de 2009

Profissão emergente

fonte: Folha [via Notícias Cristãs]

Ser "pastor evangélico" há alguns anos tornou-se uma grande oportunidade de projeção financeira... ehrr... ministerial. Basta um pouco de simpatia, boa oratória e eloquencia, criatividade na distorção, digo, exposição da Palavra e presença de palco, digo, púlpito. Um pouco de cara-de-pau é uma grande vantagem para quem aspira seguir essa "carreira" da fé. Não entendam mal, é preciso um pouco de soltura para pedir dinheiro... ahn... dízimo aos clientes, não, fiéis da igreja.

É uma profissão, de "fé" é claro, que vem abocanhando grande fatia no Mercado de entretenimento das massas. Desculpem, talvez não tenha escolhido bem as palavras... vem alcançando muitas "almas" na sociedade. Aqueles que se destacam como "pastores" são os que conseguem colocar em prática as fórmulas de sucesso que Cristo deixou... sabe, os ensinamentos Dele. Aquele que quiser ser o mais bem sucedido seja esse que preste os melhores serviços aos consumidores da "Palavra" de Deus... bem, não era bem isso que queria dizer... é difícil encontrar as palavras certas para explicar o árduo ofício de ocupar um cargo de "pastor"!

Outro fator importante para quem deseja seguir esta "carreira", ultimamente bastante lucrativa, é que a formação acadêmica é praticamente desnecessária. Mas, reitero, é apreciável que haja um título de importância que preceda o nome: Pastor Fulano, Reverendo Ciclano, Bispo Beltrano... Apóstolo Malandro. Assim, é mais fácil autopromover-se no meio dos concorrentes de ministério. Embora seja uma área recente, a competitividade mostra-se acirrada. Destaca-se o profissional... perdão, o ministro que tem maior capacidade de manipular, sabe, conduzir um culto e elevar a platéia ao delírio, com uma voz entonada e robusta na apresentação... quero dizer, sermão.

O "pastor" deve ser capaz de suscitar esperanças, que beiram o impossível e irracional, nas pessoas que o ouvem. Entenda como uma técnica de motivação... fazer com que as pessoas mantenham-se sempre dispostas a não desistir de conquistar seus sonhos! Isso é necessário para que elas acedam com maior facilidade ao embuste, digo, pedido que se segue. É importantíssimo que seus clientes... droga... seus fiéis compreendam que para que o serviço que buscam seja realizado é imprescindível que firmem um compromisso de pagar mensalmente 10% de suas rendas. Caso contrário, o contrato com o "Fornecedor" das bençãos inventadas... desculpe... ministradas pelo "pastor" fica descumprido, desobrigando de oferecer as benção prometidas tanto o "Fornecedor" quanto o "revendedor", pastor, perdão...

É necessário bastante paciência até alcançar a porcentagem de lucros prevista... besteira, minto, até alcançar os corações e as almas dos quais "intercedem". Embora seja uma profissão emergente com excelentes possibilidades de um piso salarial acima da média nacional e com menos trabalho e estudos que qualquer outro profissional, a carreira exige bastante força de vontade, garra e perseverança para alcançar os resultados e metas estabelecidos.

Para quem tem talento... bem, dom para isso, certo? É uma ótima dica profissional. Me perdoem a dificuldade em transpor as idéias desse novo ramo do Mercado da Dissimulação... ou seria simulação? Enfim, vocês devem compreender que é complicado conciliar os termos técnicos inerentes a essa área com os termos mais comuns e simples para entendimento dos mais indoutos...

4 comentários:

  1. Ainda há uns sete mil que não servem a Baal, que vivem modestamente e com dificuldades financeiras, que sacrificam a familia, que correm atrás e choram pelas ovelhas, que aguentam as paranóias e as traições delas e outras coisas intermináveis.
    Mas estes não encontram defensores, pelo contrário, são colocados no mesmo saco de gatos.
    Seria melhor abandonar o ministério e cuidar da própria vida. Dá muito mais lucro.
    E o que eu diria ao Senhor que me chamou para cuidar das Suas ovelhas?

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  2. Pr. Julio (e só chamo de pastor quem acredito ser pastor de verdade)

    Devo confessar que me lembrei de você ao terminar de escrever e meditei se não estaria sendo injusto com remanescentes como você.

    O fato é que para servos que realmente entenderam o que é ser chamado para ser pastor - leia-se, cuidar das pessoas de Cristo - o título pouco importa para o serviço. Na verdade, há muitos pastores que nem invocam para si tal título e fazem tanto quanto ou mais que alguns poucos(?) que dizem-se "pastores", mas que não passam de sanguessugas que esgotam a alma, a fé e a energia do "rebanho".

    Fui membro da Igreja Cristã Evangélica do Brasil por 7 anos e agradeço a Deus por ter conhecido aquele pastor... como você bem descreveu, ele vivia modestamente e com dificuldades financeiras, sacrificava a familia(tenho minhas dúvidas quanto a sacrificar a familia), corria atrás e chorava pelas ovelhas, aguentava paranóias e traições dela e outras coisas intermináveis que presenciei e vivi junto com ele. Da cidade ele era o único pastor que não tinha nem carro e visitava todos os membros montado em sua bicicleta... aprendi muito com esse cara! Hoje Deus o abençoou com um Del Rei caindo aos pedaços que ora anda, ora é empurrado... e nunca vi esse cara "determinar" coisa melhor para Deus. Ele é fiel com o pouco que tem... é de uma simplicidade tamanha! Um exemplo, como creio, você também seja, Pr. Julio... pelo que posso abstrair em seus textos, modo de pensar, sobriedade e compromisso com a Palavra de Deus. Pelos comentários decentes, fincados, as vezes contrários, mas, nunca emburrados... e mesmo assim, nunca percebi um desligamento virtual de sua parte de nenhum membro dessa "igreja 2.0".

    Quanto a encontrar defensores... não tenho dúvidas de que haja pessoas que lhe apoiam e lhe defendam em qualquer circunstância! Se "pastores" egoístas, interesseiros, manipuladores, avarentos e autoritários encontram fiéis capazes de tatuar o corpo com seus nomes, quanto mais um pastor sincero, leal, que se importa com o coração de cada um como se fosse o próprio coração, que se abstém em favor dos outros, que é altruísta e temente a Deus. Que sente o peso da responsabilidade do chamado confiado a ele por Deus encontrará ovelhas que serão mais chegadas que irmãos. Tenho certeza disso... e mesmo que não encontre alguém para valorizar o esforço, com certeza a Deus pertence o papel de honrar e exaltar tal servo que não busca para sim glória alguma...

    Peço que não se dê por ofendido com o que escrevi, visto que seu perfil passa longe... aliás, tentei (talvez sem sucesso) expressar certa alegoria de conformidade com a figura que a Veja publicou em sua reportagem sobre um "curso para pastores empreendedores" mostrando várias dicas de como "administrar" uma empresa como a "igreja". Tentei ser sarcástico (talvez com sucesso) dando continuidade à proposta da figura.

    Pr. Julio... enfim, não há como evitar ser colocado no mesmo saco de gatos, a não ser que deixe de ser reconhecido como um gato. Um padre pedófilo maculará todos a sua classe e genericamente isso não tem volta... a não ser numa mudança na opinião popular motivada por anos a fio. Da mesma forma, um pastor de verdade que ainda deseja ser chamado de pastor, terá que conviver com a imagem de seus párias. E só o seu trabalho em Deus, seu esforço e dedicação na obra a ele conferida poderá falar mais alto em seu favor! Porque, afinal, o cenário não está favorável...

    Reitero ao senhor e a outros tantos pastores decentes que vierem a deparar-se com esse texto que se excluam por seus próprios méritos do perfil aqui traçado. E não se sintam ofendidos, mas sintam-se como uma luz no fim do tunel, como uma esperança para o rebanho...

    Um grande abraço, graça e paz!

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  3. De fato se a "carapuça" não serve para o pr. Julio Soder, ele não tem que se preocupar.

    Como empreendedor que sou fiquei indignado com o que li! Mas infelizmente é verdade: tem gente "empreendendo com fé" (deles ou alheia). Que nojo!

    O sujeito não deu certo em nada, mas quer porque quer se redimir de seus erros onde? Na Igreja!

    E o pior: o modelo Mai$cediano de igreja incentiva, cultua os "vencedores"... É por essas e outras que tenho gritado constantemente:

    Maranata!

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  4. Thiago

    E enquanto Jesus não volta - temos que ser firmes para exatamente separar pela denúncia e conscientização o que é joio e o que é trigo!

    É por ir - e seus esclarecimentos para nosso querido pastor Julio merece um desdobramento como postagem.

    Vamos nessa.

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