21 de abr de 2009

Igreja Emergente


Pre-Scriptum 1: Minha crítica é extremamente conceitual, não peguei nenhum exemplo prático ou caracteríticas que a Igreja Emergente defende, afinal isso é muito variável.

Pre-Scriptum 2: Muitos amigos blogueiros "participam" e são grandes apoiadores da Igreja Emergente, espero que tenham a compreensão de que nenhuma das críticas aqui feitas são pessoais.



Em extrema discussão no meio virtual, temos um novo movimento cristão, que segundo alguns pode revolucionar, reformar ou "voltar às origens" do cristianismo. Não que esses sejam os principais objetivos.

Aliás o que se falta é objetividade quando fala-se de Igreja Emergente como no texto Compêndio Emergente:

Igreja Emergente: Nome dado a um movimento religioso sem estruturação, ou consolidação, que visa romper com os dogmatismos de um era , através do questionamento, da filosofia, conversação e exposição de idéias, em conformidade com o desenvolvimento natural humano. Esse mesmo mover ocorre em muitas outras áreas.

Usemos em princípio somente essa definição, ela é contraditória por si só, se estamos falando de um movimento, seja ele religioso ou não, necessariamente estamos falando de estruturação. Mas não há formas ou modelos, é a contra-resposta. Usando o argumento popular: oras o fato de não haver forma ou estrutura já é uma estruturação, já é a criação de um dogma. Afinal, se um dogma é, por definição clássica, um ponto fundamental de uma doutrina, a Igreja Emergente rompe com todos os dogmatismos de uma era? Sem nos atentarmos à limitação de era aqui utilizada, só pode-se dizer que sociologicamente é impossível se romper com todos os dogmatismos de uma época. E ainda logicamente falando, a partir do momento que você se livra de um ponto fundamental de determinada doutrina automaticamente cria-se outro ponto. Mas isso é verborragia e crítica semântica, há pontos mais práticos a serem abordados.

Ao observarmos o Wiki, vê-se alguns pontos fundamentais que nos permitem dizer que o que se busca fazer não passa de mais uma forma de interpretar a Bíblia ou o cristianismo, não necessariamente um modelo certo ou errado, mas mais um modelo. E é nesse ponto que critico, quando se cria algum tipo de movimento dentro do cristianismo e as pessoas o engessam em determinado conceito, o movimento em si ficará necessariamente limitado ao dogma.

Gostaria ainda de colocar em voga, a ideia de que a Igreja Emergente também nada mais é do que a possibilidade de discutir o cristianismo e suas implicações no mundo pós-moderno - críticas ao conceito de pós-moderno são infinitas mas limitemo-nos dizendo que esse período é simplesmente o que estamos vivendo - isso é um tanto quanto controverso em essência. Se o cristianismo tem de ser reinterpretado a cada nova era é discutível afinal, o cristianismo trata de valores interpessoais que ultrapassam eras, ou ao menos em tese era o que deveria acontecer.

Pode-se criticar que o contexto social em que vivemos é alterado continuamente e consequentemente os fatos relacionados à prática do cristianismo. Penso que esse tipo de pensamento seja o mais contraditório. Enquanto prega-se que não existe a dicotomia secular/divino, tentam separar as relações seculares das "fraternais". Discutir como o cristão deve agir em determinada época de acordo com os desafios da era em que vive é engessar toda a filosofia cristã em um contexto histórico-social.

Apesar de tudo, penso que a proposta da Igreja Emergente trata-se de um retorno à dialética, um apresenta sua tese, o outro a antítese e juntos chegam a um consenso ou a uma total dissensão sobre determinado assunto. Se é essa realmente a proposta penso que não há necessidade de se criar o muro do rótulo retornando o conceito errado de Igreja.

Se o "novo" movimento tem por principal base a dialética entendo que deve ser usado como um instrumento para as já muitas maneiras de pensar. Afinal não é mais uma doutrina, nem mais um movimento, mas somente uma chamada a um instrumento tão antigo quanto o cristianismo. Se for por exemplo para escolher somente mais um nome para uma velha definição prefiro a Religião Open Source e a Religião 2.0 muito mais "cool" e "2.0"

O que percebe-se no fim das contas é que o cristão dificilmente conseguirá viver sem uma teologia, parafraseando Cazuza, o crente continuamente brada: "Teologia, eu quero uma pra viver".

Rapha no Rapensando

P.S.: Tô quase virando um repositório de opiniões e análises quanto à Igreja Emergente, Conversa Emergente, Movimento Emergente, ou seja lá como queiram dizer. Por que não coloco minhas próprias articulações quanto ao assunto? Bem, porque ainda entendo que sou neófito no que diz respeito ao desenvolvimento do tema. Como bom ouvinte, estou assistindo e acompanhando o desenrolar desta conversa, inferindo na medida do possível, mas, procurando aprender e assimilar com os caros colegas que já tem maior bagagem e propriedade no assunto. Sempre que puder e achar viável, e entender que posso contribuir efetivamente com minha visão, o farei com todo prazer. Soltando esporadicamente minhas opiniões e argumentos no tocante à conversa emergente. O importante é que as pessoas sejam levadas a Cristo e ao entendimento de Sua vontade livre de obstáculos desnecessários que a religião impõe.

6 comentários:

  1. Realmente um Ótimo texto, acredito que á um grande equivoco quando se utiliza o termo “emergente”, pois hoje a uma infinidade de pensamentos que utilizam esta concepção sobre o que é ser emergente, isso em ângulos diferentes de discussão.

    Deixo claro: acho que estas iniciativas estão certíssimas

    Exemplificando o caso, vemos pensamentos como a discussão filosófica emergente, Igreja emergente, movimento emergente, na América latina o movimento generácion emergente, entre outros que surgem, e me parece que muitas pessoas estão se conflitando querendo defender o seu lado da história (posicionamento), e sua porção deste bolo.
    O fato é: que acredito que nestas discussões, deveria se respeitar mais o indivíduo. Seja movimento, seja igreja, seja filosofia, indiferente, toda a iniciativa que visa o bem para a igreja, seja num conceito pós-moderno, ou a idéia de alcançar num contexto contemporâneo, seja num contexto de conversão, ou num contexto de contextualização, devemos deixar em liberdade os pensadores a desenvolverem seus própios conceitos, sem este tipo de determinação castradora, que ao meu ver foi o caso do “compêndio emergente”, falo isto pois ao meu ver a ser questionado o autor demonstrou incapacidade de trazer fundamento, além de alegações prontas e preconceituosas.

    Devemos entender que as iniciativas, podem ter bases diferentes. Isto por todos vivermos em contextos diferentes, sermos influenciados por literatura, teologias, escolas, pensadores, diferentes. Por isso é fato que se deve quebrar um tipo de pensamento arrogante, que visa descaracterizar o diferente, como casos que presenciei pessoas em discussões ditas “emergentes”, onde preconceituosamente, por pensar diferente fui chamado, de “burro”, “ignorante”, “pastorzinho” etc., por pessoas que acabam por querer preconceituosamente definir ditames para uma discussão que a meu ver tem de crescer.

    ResponderExcluir
  2. Concordo com o comentário feito anteriormente... acreditar que não se pode buscar a Deus em uma instituição dita "tradicional" é lançar um preconceito imbecil, pois, num futuro, não muito distante, Igreja Emeregente será vista pelos "Pós-Emergentes" como também um movimento "tradicional". Buscar a Deus independe de lugar, independe de que tipo de Igreja se está... depende é do TEMPLO.

    Acreditar ser possível "quebrar" dogmas de uma era... é uma pretensão no mínimo mentirosa, pois ao quebrar dogmas você cria novos dogmas, todos fundamentados nos velhos, de forma que não acontece um verdadeiro rompimento, apenas uma bela maquiagem.

    A igreja, seja ela pentecostal, histórica ou emergente, deve pensar em agir como uma Igreja, feita de pedras imperfeitas que encaixam-se perfeitamente uma nas outras afim de constituir uma perfeita igreja. Enquanto ficarmos a lançar pedras no telhado da congregação ao lado... por ser melhor, por ser mais bonito, por ser mais contemporâneo... pessoas seguem para a cova sem conhecer a Deus.

    ResponderExcluir
  3. No fim, só mais um rótulo da moda. Para uma imagem mais legal entre os "não-religiosos".

    Valeu pela divulgação Thiago!

    ResponderExcluir
  4. Repensando, obrigado por expor seus argumentos, isso é de extrema relevância, creio que essa seja a essência principal da conversa.
    Mas antes de refletir em seus conceitos, quero deixar claro que, o Compêndio Emergente é um compêndio(Tratado breve em que se acha compendiado o mais indispensável de um estudo) , e não uma definição (Decisão de uma matéria duvidosa.).A intenção de tal compêndio foi de esclarecer a alguns amigos que estão pegando a conversa pela metade, sobre alguns pontos que fazem parte da conversação.È um resumo-dos-resumos, das referências usadas na conversa. Decidi escrevê-lo, após ter visto pessoas dizendo que a universidade que certificou Brian Mclaren como teólogo, deveria inabilitá-lo de tal título (Brian não é formado em teologia, é somente um praticante da mesma).Enfim, o compêndio é uma ideia informativa, do que a conversa está vivendo hoje, sem condicionamento algum, ou intento de decreto.

    Refletindo em seus conceitos:
    Se formos analisar a conversa pelo compêndio(que foi o tema), não chegaremos a lugar nenhum, usei uma linguagem para descrever os fatos somente, e de acordo com a conversa, a linguagem e a teologia são limitadas. Coisa que eu concordo tanto com eles, quanto ao seu post(Sei que muitos não).

    Agora, se formos conjecturar a conversa através de pressupostos ao seu respeito, como você abordou devido ao tema (dialética, discussão, desconstrução, estruturação, interpretação, conversação e posição), iremos chegar num outro azo , ou nas divisões do pensamento, como Phyllis Tickle e Wess Daniels arriscam a dizer : Orthonomy X Theonomy, desconstrucionistas X fundamentalistas, Augustinianos X Anabatistas – Que é necessário, mas que não pactua.

    Logo, defendo a concepção hesitante(ainda que tenha que usar a linguagem), para não tomar nenhuma postura, e, comprometer a abordagem multilíngüe da teologia, por de trás dessa conversa, movimento, ou seja lá o que for, como o amigo disse (caso contrário o termo emergente tem que ser substituído).

    “Além do mais, isso que está acontecendo entre a gente possuí termo de designação...”

    Enfim, acredito que como eu, muitos estão confortáveis em não se viver uma teologia, mas de se viver uma vida em conformidade com as expressões divinas, com as práticas de Cristo, em conformidade com a naturalidade humana(falo, da minha pessoa).O que é inaceitável, é usar o termo “emergência” para definir ministérios como IURD ou Lagoinha, por que são relevantes num aspecto.
    Bem, deixo as palavras do Papa Leão I como um grande abraço, e um exemplo do que estou querendo transmitir :

    Mesmo se alguém progrediu no entendimento divino, esse nunca estará perto da verdade quando se compreende que tais coisas ainda precisam ser descobertas. Quem acredita que alcançou o objetivo e as respostas para tudo está longe de encontrar o que procura e acaba se desfalecendo no caminho.

    ResponderExcluir
  5. Quero entender melhor o debate. Pensei, a princípio que a idéia de igreja emergente fosse muito mais radical do que está me parecendo, ou seja, desinstitucionalização, anti-denominacionalismo, quebra dos paradigmas (domingo, clero, culto, templo), etc. Mas está parecendo mais do mesmo? Pensei que ela fosse anominamente visível, ou seja, cristãos não identificados mas envolvidos e não ligados por qualquer instituição. Enfim, é mais um movimento apenas?

    ResponderExcluir
  6. Anônimo, quando me deparei com a "Igreja emergente" e fui tentando entender do que se tratava, a princípio também pensei ser algo como você bem mencionou, radical, anti-denominacionalismo, quebra de paradigmas, desinstitucionalização, etc.

    Posso dizer que nem sempre uma igreja que apresente tais características pode ser emergente.

    E uma igreja convencional também pode ser emergente.

    O fato é que a igreja que se percebe e avança partindo de onde está, na verdade está emergindo do lugar comum. Está acordando para si mesma e auto-avaliando sua missão, sua doutrina, sua metodologia, seu modelo, sua fé, etc...

    Qualquer igreja que enxergue que necessita de mudanças constantes, renovação e transformação pode ser caracterizada emergente.

    Se fosse só uma igreja radical, desinstitucinalizada, anti-denominacionalista e com paradigmas diferentes, mas que estive presa a isso, aí sim seria mais do mesmo, só que do avesso!

    O debate é extenso e cabe a todos nós contribuirmos para que seja produtivo.

    Obrigado por comentar, abraços!

    ResponderExcluir

Fico muuuuuuuito feliz com a iniciativa de deixar seu comentário. Aqui você pode exercer sua livre expressão e opinião: criticar, discordar, concordar, elogiar, sugerir... pode até xingar, mas, por favor, se chegar a esse ponto só aceito ofensas contra mim (Thiago Mendanha) e mais ninguém, ok? rs