29 de jul de 2009

Empurradores de moral

Caverna é a antítese da igreja de nossos dias. Antes de tudo, uma caverna não é um lugar confortável, repleto de pessoas bem vestidas com roupas de grife, que estacionam seus carrões em um estacionamento subterrâneo ou contiguo; leitoras da bíblia NVI e dos livros da moda, tais como: “Por que você não quer mais ir à igreja” ou “Viciados em mediocridade”. Na Caverna não há um pastor efetivo, cercado de obnóxios por todos os lados, com seu diploma do mestrado, expedido na metodista, pendurando na parede do seu gabinete pastoral. Aliás, na Caverna não há gabinete pastoral. O único gabinete existente é a própria Gruta onde só se vê estalactites e estalagmites, por todos os lados. O que mais se parece com um pastor na Caverna é um cara destruído por sua insistência compulsória em nadar contra a corrente da falsa moral. O resto é pedra e água. É bom lembrar que Jesus tinha em mente construir sua igreja em uma Caverna, ou você não lembra que ele disse: “sobre essa pedra edificarei minha igreja”. Não precisamos de um estacionamento, pois não temos carro. Alguns andam em motos 125 cc, por aí, sob o risco de morrer na marginal. Tampouco temos espaço para armar uma grande tenda, enche-la de cadeiras de plástico desconfortáveis e um big púlpito de acrílico sobre um palco . Na Caverna, dificilmente as pessoas sentam e, quando o fazem, é no chão mesmo, em outras palavras, no pó. Nas igrejas da moda busca-se o bem em detrimento do mal, enquanto na Caverna queremos a verdade, posto sermos um bando de pessoas cansadas dessa gente repleta de bem que nos faz tanto mal e nos privam da verdade. Nossas bíblias sem marcas estão sendo desconstruídas por nossa experiência e pelas falácias teológicas e filosóficas inconsistentes dessa gente cheirosa, sempre importadas do reino do norte. Nós sabemos o quanto nos distanciamos deles quando falamos de nossa situação financeira a perigo, de nossa saúde capenga ou de quaisquer outras de nossas mazelas. Na Caverna não há vencedores, aliás, eles nem sabem onde estamos. Por outro lado não há perdedores, pois não temos com quem competir. Aqui não nos envergonhamos quando nossa despensa está vazia, nem mesmo estranhamos a lágrima vertida diante da ação bondosa representada por uma mão tremula estendida em favor de alguém caído. Nem sequer precisamos estar em algum buraco da terra para estar na Caverna. Na verdade, Caverna é nossa verdade, muito mais do que um lugar. Talvez nós sejamos os viciados em mediocridade e, certamente, as pessoas que não querem mais ir à igreja. Afinal, se ser medíocre é não querer fazer parte do bem e do mal deles, certamente nós os somos, seus protagonistas prediletos. Qual é a moral deles? Sim porque eles querem nos fazer engoli-la. Deus está ao lado dos vencedores? Então não quero nada com Deus. Não falo por mim, mas se há um Deus, ele viria em favor dos doentes e não dos sãos, então é desses a quem me refiro. A Igreja de nossos dias não precisa mais de um salvador. Seus pastores se bastam como tal. São emanueis montados em suas Harleys e vestidos em seus mantos La Coste. Mas os membros dessas igrejas nos visitam e até nos dão esmolas, vez em quando, só não nos convidam para cear com eles, pois poderíamos envergonhá-los com nosso cheiro e nossa roupa desgastada. Procuram-nos por alguma profecia ou um resquício de verdade. Tenho uma coisa liquida e certa, a verdade não é o maniqueísmo, nem o dos tempos de Agostinho e muito menos o atual. A verdade será Cristo?


Lou Mello, em uma excelentíssima reflexão, profunda, realista e, como sempre, contundente, no seu novo blog (+ um? rs) Caverna do Lou

3 comentários:

  1. O clero cristão luta entre sí pelo dinheiro do povo, num verdadeiro vale-tudo.

    As buchas de canhão são os apologetas, que são detratores, difamadores, blasfemos, arrogantes, metidos a sabichões, e que misturam criticas, ofensas e até palavrões junto a versículos em seus artigos - Além de falta de amor, são profanos.

    Os cristãos geraram um clero só comparável aos fariseus e sauduceus, tudo aquilo que Jesus condenou naquele clero, é agora repetido por aqueles que se auto-proclamavam cristãos.

    Se Jesus voltasse com a mesma missão que veio da outra vez, seria crucificado novamente pelos que se dizem cristãos, ainda bem que Ele não voltará da mesma forma.

    O cristianismo é a única religião, cujo o sacerdote está vivo eternamente, e no Céu - o Supremo Sacerdote da ordem de Mequisedeque.

    Portanto, qualquer mortal, que aqui nesta terra, se auto-proclamar sacerdote, está mentindo, ou está imitando os pagãos.

    Qualquer salvo que disser "Eu sou superior à você irmão, agora me sustente", além de arrogante e vagabundo, vai precisar viver uma vida falsa para parecer "mais santo" que os outros - se tornado ele mesmo e sua família como verdadeiros atores de um drama grego, cujo o máximo da espiritualidade é "o sermão", coisa que os filósofos gregos pagãos faziam e eram remunerados por tal.

    Não é atoa que o Império Romano perseguia os cristãos, por que os consideravam ateus e inímigos da religião.

    A suposta necessidade de ir à um templo, é apenas a forma dos pastores exercerem o seu sacerdócio imaginário, pelo qual são bem pagos. Não há nenhuma outra necessidade real de cristãos se encontrarem lá, senão essa.

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  2. Isso explica muita coisa..... http://capinaremos.com/wp-content/uploads/2009/07/drogas.jpg

    só!

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  3. Procura-se uma caverna em Salvador! Urgente!

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