18 de set de 2009

Confio?



Tudo vai bem quando vai bem. A vida nos reserva toda sorte de circunstâncias e acasos. Problemas são o princípio ativo da curso de vida. Trabalhar às vezes soa como uma prisão de segurança máxima da qual ficamos sonhando e planejando fugir. Angustiamo-nos por saber que isso não é simples. A corrida pelo pão de cada dia há muito tempo não busca apenas o pão de cada dia. Se o fosse seria mais simples, acho. Mas, não. O básico da vida moderna, ou pós-moderna, como queiram, evoca muito mais do que a singela cesta básica.

Ninguém jamais diz que o objetivo na vida resume-se a não passar fome, ter o que vestir e onde morar. Isso na verdade é um luxo que milhares apenas experimentam em fantasias da alma adormecida no breu da miséria que vivem. Engraçado - ou triste, no caso - refletir nisso. Ter o que comer, o que vestir e onde morar configura luxo para uma parcela considerável e gritante da humanidade. Sinto-me mal quando penso nisso. Eu tenho o que comer hoje, tenho o que vestir hoje e onde morar hoje. E penso que nada mais me é necessário, ao menos na ótica dos Evangelhos. Em tempos de "unção da prosperidade" conformar-se com esses três quesitos é impensável, impraticável e abominável.

Às vezes me pego analisando como tenho levado minha vida; o que tem ocupado minha mente, minhas ansiedades, meus intentos, meus planos, meus desejos e coisas do tipo. É constrangedor perceber que enquanto declaro-me crente, cristão, servo, discípulo de Cristo minha busca se resume a correr atrás de dinheiro. Acordo cedo para trabalhar, contra a vontade do meu horário biológico que jamais se acostumou com essa violência à minha mente e meu corpo - todos esses anos desde criança despertando cedinho para estudar não foram capazes de forjar tal disciplina. Então trabalho, trabalho, trabalho... no meio disso tudo, claro, há relações sociais, convívio e tudo que isso traz à tona - vide início dessa divagação. O trabalho e a renda são suficientes para prover o que comer hoje, o que vestir hoje e onde morar hoje. Mas, nasci numa geração onde essas três metas de vida causam sérios problemas aos que as ostentam. Tenho que estudar, trabalhar, estudar, ganhar dinheiro, comprar coisas, adquirir bens: carro, imóvel, móveis, roupas e muitas vezes a lista apenas vai se repetindo.

Me diz você, esse não é um mundo muito do selvagem? É uma selva disfarçada de civilização. Há leões soltos por aí que ameaçam devorar-nos. Existem seres peçonhentos em toda parte. Algumas hienas e macacos, muitos insetos... parasitas aos quilos. Muitas, muitas feras famintas de qualquer bom cordeirinho ingênuo e indefeso. O Capitalismo é a lei da selva. É cada um por si e Deus por todos.

Será?! Deus é realmente por todos? Como confiar que tudo vai dar certo e que no fim do dia você estará são e salvo em sua toca?! Jesus insiste que deixemos toda ansiedade de lado. Que deixemos cada dia cuidar do seu próprio mal. Reitera que o amanhã não pertence a nós - reflita em como a sociedade capitalista não tem a mínima noção do que seja isso.

Confiar é jogar-se do alto da copa de uma árvore? É viver irresponsavelmente crendo que Deus está cuidando de tudo e "nada nos faltará"? Ou confiar em Deus pode ser apenas trabalhar, estudar, correr atrás como um batalhador, fazer por onde alcançar as metas que propõe e ficar declarando que é Deus quem está fazendo isso, ou aquilo... ou quando não somos bem sucedidos, não foi da vontade de Deus ou coisa do tipo.

Não sei vocês, mas acredito seriamente que confiança em Deus não é brinquedo. É coisa para parrudo! Falar é fácil, mas confiar, na hora do vamos ver, quando as soluções parecem ser tão fáceis de ver quanto ovnis ziguezaqueando no céu, a coisa fica realmente feia. Como confiar em Deus nesses momentos? Como, de fato, descansar Nele e esperar que tudo coopere para o seu bem? Você realmente confia de verdade? Teu coração está a salvo no meio dessa selva perigosa? Ou você simplesmente vive do instinto como todos os outros animais? Confio que no final do dia terei sido poupado?

Me ensina a confiar, Senhor! Me ajuda na minha falta de confiança...

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