26 de out de 2009

Igreja Emergente

Uma amiga que congrega conosco pediu minha opinião sobre igrejas emergentes e 10 motivos para se reunir em uma delas para um trabalho de faculdade. O texto deveria ser curto e confesso que apesar de nos reunirmos em uma igreja nos lares e ser considerados por muitos como uma comunidade emergente, nunca tinha pensado nesse assunto. Descobri que nunca me considerei parte de uma igreja emergente; sempre penso em ser parte da igreja, só e ponto. Sem sobrenomes, rótulos, títulos, expectativas, mas simplesmente viver o evangelho. De toda forma escrevi o seguinte:

"Dar minha opinião sobre a igreja emergente é tão complexo como tentar definir o que é uma igreja emergente. Dentro desse contexto vejo claramente comunidades que tendo em vista alcançar pessoas da geração pós-moderna mudam apenas a forma de se reunirem, agregando em seus cultos elementos atraentes às novas gerações como músicas, grafites, sofás, etc... criando um ambiente informal. Quando a mudança ocorre apenas na maquiagem, ou seja, uma mudança estética, minha opinião é que o resultado é superficial e não agrega ganhos reais ao cristianismo. As pessoas se apegam ao visual e criam novas castas sacerdotais que muitas vezes são mais fracas no conhecimento da Palavra e na graça de Deus do que seus antecessores chamados de tradicionais.

Quando o contexto emergente sai da superficialidade e busca os valores do Reino de Deus, independente do visual, tendo liberdade de aceitar a diversidade de nossa geração sem abrir mão da verdade do evangelho e da prática da Palavra, então minha opinião é que essa igreja está emergindo para ser modelo e iniciar um novo avivamento onde viveremos mais próximos do que viveu Jesus e nossos irmãos no primeiro século. Isso sim é vida de Deus capaz de transformar toda uma geração e emergir para restaurar vidas.

Meus 10 motivos para participar de uma igreja emergente:
1º) Construir odres novos para o novo vinho derramado pelo Senhor
2º) Alcançar pessoas excluídas pelas comunidades tradicionais
3º) Deixar um legado para as próximas gerações
4º) Viver o evangelho com simplicidade
5º) Responder ao chamado de Jesus para fazer discípulos
6º) Criar uma cultura de respeito a diversidade
7º) Formar líderes prontos para os novos desafios
8º) Servir aos excluídos sem proselitismo
9º) Edificar a geração de meus filhos
10º) Responder ao chamado do Espírito"

PS.: Depois de pensar um pouco mais no assunto e tentando esclarecer melhor um dos meus temores: o meu medo é que na busca de fugir da hipocrisia as igrejas ditas emergentes esqueçam que devemos andar como Jesus andou. A hipocrisia finge uma santidade inexistente, permitindo o pecado desde que ele não apareça ou não manche a reputação da instituição. Triste! Mas, tenho visto congregações novas, na busca de fugir dessa hipocrisia, não tratar com amor os pecadores, permitindo que eles continuem nas garras do pecado, negando a graça e a eficácia do evangelho em dar nova vida e capacitar os discípulos a não serem escravos do pecado, mas sim escravos do Senhor.

Com isso muitas comunidades emergentes mostram força e vitalidade no evangelismo, na comunhão por meio de festas e eventos contextualizados, mas não conseguem promover uma mudança de vida naqueles que se agregam e como odeiam a hipocrisia, e isso é bom, tendem a fazer vista grossa ou mesmo relativizar o pecado. Isso é falta de amor e visão da pessoa de Deus [1]. Não existe evangelho sem renúncia, sem cruz, sem perder a vida [2] e sem resistir ao pecado [3] e tanto a hipocrisia como a relativização causam danos irreparáveis. Se me perguntarem qual eu prefiro, hipocrisia ou relativismo, a resposta é nenhum deles, prefiro crer no evangelho como ele é.[4]


[1] "E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu." IJo.3:5-6



[2] "E, chamando {a si} a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se {a si} mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Porque qualquer que quiser salvar a sua vida {ou alma} perdê-la-á, mas qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará." Mc.8:34-35



[3] "Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar." ICo.10:12-13

[4] "Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos; Sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.

Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça." Rm.6:8-14 



Excelente análise e opinião do brother Marcos Siqueira no Filho Imperfeito

P.S.: Alcançar pessoas excluídas das comunidades tradicionais é meu motivo favorito, se é que posso dizer assim! =) E você o que acha?

7 comentários:

  1. Será que alguma vez existiu separação entre “ igreja” e “igreja emergente” ? Acredito que não!
    Se alguém ainda faz distinção entre o termo “Igreja” e “Igreja Emergente”, esse alguém infelizmente ainda não entendeu o que está sendo buscado.
    Certamente um nome necessita ser utilizado para descrever o progresso da Igreja. Se por acaso alguém estiver utilizando o termo “emergente” para denominar uma congregação, ou para encontrar uma igreja relevante, essa pessoa está confusa com a cosmovisão por de trás da emergência.
    Enfim, prefiro não me autodenominar, somente tentar se render a Cristo e progredir como ser humano.

    Forte abraço Thiago!

    ResponderExcluir
  2. O que posso dizer?! Você está coberto de razão, Nelson... =)

    Abração, brother!

    ResponderExcluir
  3. Bom! Queria acrescentar sete erros, que eu vejo nas igrejas emergentes e que devem ser evitados.

    1. Não acreditar ou passar a idéia de que ali o evangelho é puro e apostólico, pois de fato tal ambiente cristão é apenas um modo distinto e específico da multiforme graça do evangelho.

    2. Conseqüentemente não excluir os excluidores, tachando as tradicionais igrejas de obsoletas e decadentes, pois além de ser a arrogância das arrogâncias, seria cair no mesmo erro que tanto criticam.

    3. Não empobrecer as pessoas querendo que elas bebam somente desta “nova” fonte desprezado milhares de fontes que jorram da mesma água viva do evangelho.

    4. Não acreditar que o conhecimento libertador das amarras da religião que possuem, seja por si mesmo libertador, pois tal verdade deve estar no coração e não na cabeça.

    5. Não se preocupar em que as igrejas comuns os entendam, mas se preocupar em entender as demais, para não se tornam ao julgar o que não compreendem, os fariseus dos fariseus.

    6. Não fazer propaganda de sua pureza primitiva por não ter pastores “papas” e instituidores, pois na verdade só se troca os nomes e modos: pois ancião, bispo, mentores etc. são sinônimos e não antíteses.

    7. Não pensar que o evangelho, sobe os modelos de uma igreja emergente é uma novidade da historia contemporânea, pois tal modo de ser e pensar esteve sempre presente na historia da Igreja.

    ResponderExcluir
  4. Dito e feito: sempre que o volume de visitas ao meu blog aumenta é pq tem alguma coisa minha por aqui!! Valeu Thiago, é uma honra participar do Tomei a pilula vermelha!!

    Gresder... o seu comentário é relevante, sempre lembrando que não devemos generalizar. Nem todas as ditas emergentes tem o comportamento citado.

    Abraços,
    Marcos
    Filho Imperfeito

    ResponderExcluir
  5. Também tenho muita dificuldade com a nomeação das coisas que vivemos antes mesmo de vivermos elas. Como no contexto de missões..., hoje tem gente estudando qual onda missionária estamos, antes mesmo de vivê-la. E isso porque alguém um dia estudou os movimentos de missões ao longo da história e dividiu em 3 movimentos aos quais ele chamou de ondas missionárias. Hoje, estaríamos vivendo a 4ª onda.
    O que os de hoje esquecem é que os que viveram as 3 primeiras não as definiram assim, nem sequer as definiram, simplesmente viveram obedientes à voz de Deus.
    Temo que se fecharmos uma definição de algo que ainda estamos pra viver ou vivendo na atualidade, iremos acabar pautando nosso viver na definição e não no ouvir a voz de Deus. Acho que é mais ou menos isso quando falamos também de igreja emergente.
    Que eu viva obediente à voz de Deus e na liberdade do evangelho da Graça e Verdade de Deus..., que daqui há 100 anos estudem o que vivi e definam como quiserem!!
    Abraço!

    ResponderExcluir
  6. Irmão,

    Este seu blog é uma benção! Viu?

    Abraços, Nele,

    Sandro

    ResponderExcluir
  7. meeeu, muiitooo bom seu blog...parabéns

    =D

    ResponderExcluir

Fico muuuuuuuito feliz com a iniciativa de deixar seu comentário. Aqui você pode exercer sua livre expressão e opinião: criticar, discordar, concordar, elogiar, sugerir... pode até xingar, mas, por favor, se chegar a esse ponto só aceito ofensas contra mim (Thiago Mendanha) e mais ninguém, ok? rs