28 de jun de 2009

A Perseguição De Um Quase Ateu


Conheci um blog muito legal, que vem somar na blogosfera cristã, com conteúdo pesado e uma qualidade enorme na flexão de ideias (vale muito conferir: http://genizah-virtual.blogspot.com), e acompanhando os comentários de um dos posts, logo batí o olho em um que me chamou a atenção, por refletir tão exata e sinteticamente como tenho me sentido há aproximadamente um ano:

Há uma perseguição no meio das nossas igrejas. Todo aquele que não falar o que eles querem ouvir, mas insistir em falar o que está escrito na Palavra de DEUS está sendo perseguido.

Tão perseguido ao ponto de ver obrigado a ficar fora da igreja; pois partindo daquela pra outra, as coisas não mudam continuam a mesma.

Está muito difícil encontrar no Brasil uma igreja que pregue o verdadeiro evangelho, como está escrito na Palavra de DEUS.

Eu acredito que existe, mas são poucas.

Retirado dentre os comentários do post: http://genizah-virtual.blogspot.com/2009/06/que-venha-perseguicao.html

Há cristãos me perseguindo, excluindo-me conceitualmente dentro da minha família, dentro do meu já antigo rol de amizades, fora os que não me cumprimentam mais, os que fingem não ter me visto passar, os que tentam defender os que ouvem o que digo, com medo de eu os lavar a mente com minhas opiniões, e os que ainda têm contato comigo através da amizade com minha popular esposa.

Sei que ultimamente tem acontecido o mesmo com muita gente. Tantos têm cansado da vida mediocre que têm levado, tentando se fazer acreditar que serve à Deus servindo à sua igreja, seja cantando, seja orando em campanhas de oração, seja promovendo festas profanas disfarçadas, onde se gasta o que muitos fiéis estão precisando em suas mesas, seja limpando e ornamentando templos, seja trabalhando em seu emprego de pastor, seja se subordinando a pastores e apóstolos, intitulados pelo entendimento do homem ou por caros diplomas, na puxação de saco, considerando-os autoridades em suas vidas, seja depositando seu dinheiro em nome da convicção de benção financeira ou da maldição divina pelo "roubo" ao Senhor, seja simplesmente indo às reuniões e cumprindo as programações para aliviar a pressão da ciência de sua vida torpe durante a semana que se finda no início de uma nova, delongando o mesmo cíclo hipócrita. E é totalmente compreensível que não se sintam confortáveis nesse âmbito aqueles de quem falo, incluindo-me. Esse desconforto pode levá-lo a pensar e repensar sua participação nisso tudo, e pode ser que um dia sua paciência se estoure e decida abrir a boca e refutar as asneiras ditas em nome de Deus nessas igrejas; vai ver que todo desprazer que te incomoda era o mesmo que incomodava Jesus quando lidava com os religiosos sempre o perseguindo, e é bem provável que vão dizer que está sendo usado pelo diabo para levar desordem à igreja e que você não pode fazer bem o uso do entendimento para crêr; podem censurar sua necessidade de pensar; podem fingir que você não é mais "visível" e que nunca te chamou de irmão; mas também podem chover visitas em sua casa por um período; pode ouvir muitas declarações de amor que nunca ouviu e nunca sentiu; pode receber vários depoimentos de pessoas com aparentemente os mesmos pensamentos seus e vê-las os desmentindo numa situação ou em outra, em nome do desembaraço; pode até ter problemas conjugais, percebendo que a religião tende a dividir os pensamentos entre você e seu cônjuge, bem como os sonhos e os objetivos.

Sair da igreja e se aventurar em viver o Cristianismo no presente século pode lhe fazer sofrer sérias consequências, como pouco ilustrei, e como tenho sofrido. É uma mistura de contentamento e descontentamento. Por um lado você quer continuar na ilusão de que tinha muitos amigos e que Deus te atende à medida que você trabalha para a igreja, e por outro, sente alívio por, pelo menos, não se sentir mais tão fariseu e impostor como se sentia antes.

Meu único sonho hoje que merece alguma atenção é ser cristão verdadeiro; amar desavisadamente, sem alarde, já que a vida não parece ter muito sentido sem esse amor. Antes, estava ludibriado pela sensação de dever sempre cumprido, no que pensava ser servir a Deus. Hoje, estou ciente de que não faço o mínimo do que devo fazer para dar sentido na minha vida. Tomara que um dia o amor tome o lugar da religião no coração dos "fiéis" e apague as manchas e cicatrizes daqueles que teimam a voltar para o início de tudo, tornando-se "quase ateus" na tentativa de reaprender Deus e reacreditar nEle, agora com experiência própria e não mais de ouvir falar.

Lindoélio Lázaro, no blog O's Lázaro's

Sinto total empatia ao meu brother Lindoélio!

25 de jun de 2009

Por que você não quer mais ir à igreja?


Depois de toda uma vida dedicando-se à Igreja e ao caminho que sempre lhe pareceu o certo, Jake Colsen está diante de uma dolorosa dúvida: como é possível ser cristão há tanto tempo e, ainda assim, se sentir tão vazio?

Mas o amor divino está sempre a postos para transformar vidas. Observando uma multidão numa praça, Jake depara com João, um homem que fala de Jesus como se o tivesse conhecido e que percebe a realidade de uma forma que desafia a visão tradicional de religião.

Com a ajuda do novo amigo, Jake irá reavaliar os conceitos e crenças que norteavam seu caminho. Levar uma vida cristã significa ter os comportamentos aprovados pelo grupo religioso a que pertencemos?

A cada nova palavra de João, assistiremos ao renascimento de Jake em busca da verdadeira alegria e da liberdade que Cristo veio ao mundo oferecer. Na reconstrução da sua vida, perceberemos a ação do Deus de perdão e amor.

***

"Se eu fosse vocês, perderia menos tempo falando mal da religião e investiria mais para descobrir quanto Jesus deseja ser nosso amigo sem impor qualquer condição. Ele vai cuidar de vocês e, se deixarem, se tornará, de longe, seu melhor amigo. Se o conhecerem melhor, vocês o amarão mais do que a qualquer outra pessoa. Ele lhes dará um propósito, um sentido de vida, que lhes permitirá superar todo estresse e sofrimento e que os transformará profundamente."

Sobrecarregado de trabalho e desiludido com o rumo da sua vida, o pastor Jake Colsen conhece um homem que ele acredita ser o apóstolo João e que o leva a repensar suas crenças e resgatar a fé verdadeira.

Ao longo de quatro anos, esse homem surge no caminho de Jake nos locais e momentos mais improváveis, fazendo com que o pastor enfrente seus maiores medos, mude antigos hábitos e reconstrua sua história com base em uma relação sincera com Deus.

Se você busca pela fé mesmo onde a religião não alcança e sente que ser cristão é muito mais do que seguir regras e rituais, a trajetória de Jake servirá de inspiração para encontrar a verdadeira liberdade e alegria.

Fonte: Editora Sextante

Nem preciso dizer que o título me chamou a atenção de cara! Só estou esperando o meu exemplar chegar para devorá-lo o quanto antes.

Uma notícia boa para os blogueiros. O livro está sendo divulgado na internet através de um hotblog. E toda semana está havendo sorteio de um exemplar para os blogueiros que divulgam o livro colocando o banner no blog. Saibam como funciona clicando aqui.

22 de jun de 2009

Entrevistado da vez (2)


Tive o prazer de responder algumas perguntas numa entrevista para o blog Voz no Deserto. Aliás, a honra de ser o primeiro a ser entrevistado na estreia da categoria. Deem uma passada lá e leiam prestigiando o blog e o entrevistado. ;-)

Para ler a entrevista para o Voz no Deserto clique aqui.

Em outra ocasião também fui o estreante da categoria Entrevistas do blog Celebrai! Se não leu essa, é só clicar aqui.

Agradeço ao convite de cada um! É sempre bom termos a oportunidade de expressar nossa opinião, além do blog, e poder interagir de forma mais eficiente!

19 de jun de 2009

Raciocínio circular

Quando todos de fato creem na Bíblia, podemos nos dar ao luxo de provar nossas argumentações com textos-prova. À medida em que o mundo muda, no entanto, mais e mais pessoas se mostram ignorantes ou céticas com relação à Bíblia, dizendo que "A Bíblia diz..." não prova coisa alguma. (A fim de que você não seja tentado a citar as palavras de Isaías sobre a Palavra que nunca retorna vazia, lembre-se daquilo que o próprio Jesus disse aos fariseus, "vocês anulam a palavra de Deus..." (Mateus 15.6; Marcos 7.13).

Acredito que é por isso que Paulo não citou a Bíblia para os atenienses em Atos 17; ele sabia que para persuadir as pessoas temos de começar onde elas estão e construir a ponte do lado delas para o nosso. Assim, ele citou os poetas delas, não os profetas dele. E creio que é por isso que Jesus falou às massas por parábolas. Escândalo dos escândalos: ele não se ateve ao ensino expositivo da Bíblia!

A velha apologética foi eficaz enquanto ajudou os cristãos nominais, que admitiam a autoridade bíblica, a descobrir uma fé vital. Ela tem perdido sua eficácia na medida em que o nominalismo (i.e., o descarte do rótulo de cristão também) e na medida em que a autoridade bíblica é questionada ou ignorada em vez de admitida. Do outro lado, a Bíblica serve menos como a fundação autoritativa para os apologéticos e mais como parte da textura da própria mensagem.

Brian D. Mclaren em A igreja do outro lado.

Este livro é altamente recomendado para aqueles que estão envolvidos com a igreja; com uma comunidade de fé, seja liderando ou colaborando ativamente na vida do Corpo. Mclaren faz prognósticos sobre como a igreja deverá se portar no "outro lado", o pós-modernismo. Quebra de paradigmas, reavaliações de pensamentos, estruturas, modelos, organizações, lideranças, programas, teologia, apologética, etc; são áreas tratadas com sobriedade e atenção devida neste livro.

Se quisermos que a igreja passe de um artefato histórico pouco vivo na vida das pessoas e da sociedade teremos que repensar muito como temos encarado o modo de ser igreja, ou o que temos pensado ser igreja.

16 de jun de 2009

Tá sumido!


Já dizia Calvino, "tempo é dinheiro"; dinheiro lembra trabalho; trabalho lembra prazo; prazo lembra falta de tempo... o que significa que também falta dinheiro!

Mas, é isso aí. Se estamos no meio da roda é pra dançar mesmo!

Queria poder escrever mais aqui. Queria poder ler mais outros blogs. Mas, ainda bem que há trabalho para que eu possa lamentar a ausência neste famigerado sítio na web.

Só quero dizer que o Tomei a pílula vermelha não está às moscas - caso ultimamente esteja parecendo isso. Tenho muitos selos pra aceder e agradecer. Muitos comentários pra responder. Muita gente entrando em contato no Orkut pra trocar idéias... e isso me deixa estonteante de alegria.

Mas, me perdoem por agora! Graças a Deus a ocupação impede-me de dedicar mais trabalho aqui! Não nasci em berço de ouro e ainda não ganhei na Mega-Sena (e não fazendo minha "fézinha" é que não ganho mesmo) pra ficar por conta só de coçar e blogar - duas coisas muito prazerosas por sinal. Tenho que correr atrás daquele suado "pãozinho de cada dia" lá do Pai Nosso, lembram?!

Além disso, daqui até 29 de Maio de 2010 acho que o rítmo tende a ficar cada vez mais paulatino!

10 de jun de 2009

Venha a nós...


Talvez uma analogia nos ajude aqui. Imagine que somos uma moderna empresa de construção erguendo um conjunto habitacional. Nosso objetivo: construir um grande conjunto para o bem de nossa empresa e dos futuros moradores. Assim, cortamos as árvores, retiramos a camada superficial do solo, aterramos pântanos, canalizamos córregos, e fazemos o necessário para erguer o conjunto. Ali perto, delineamos e então escavamos uma montanha a fim de obtermos matéri-prima para nossas casas e ruas. Rio abaixo, sedimentos de nosso conjunto entopem a baía. Animais fogem dela ou morrem. Plantas nativas são substituídas por espécies ornamentais em potes de plástico preto. No entanto, uma vez que nenhum desses problemas é visível ou incomoda nossos moradores, não notamos. Não é que não nos importemos; é que não notamos. Nunca sequer pensamos nos efeitos mais abrangentes do sucesso do nosso conjunto habitacional. O sucesso dele é o nosso único objetivo. Concluímos o projeto, as pessoas se mudam e ganhamos prêmios pela implantação de uma comunidade ideal.

Essa é a igreja como a temos frequentemente praticado na era moderna. O mundo existe como uma fonte de matéria-prima para ela. Tudo bem arrancar as pessoas de suas vizinhanças, contanto que venham cada vez em maior número para a igreja. Tudo bem desvalorizar seus trabalhos "seculares" conquanto os tenhamos envolvidos mais no trabalho da igreja. Não há problema algum retirarmos todas as nossas energias das artes e da cultura "lá de fora" desde que tenhamos um bom coral e um belo santuário "aqui dentro". Tudo bem porque, afinal, iremos salvas os indivíduos de um navio que está afundando; vizinhanças, economias, culturas, tudo, exceto almas humanas individuais afundarão, assim, quem se importa? Pensando desse modo, poderíamos edificar dinâmicas... à custa do mundo, e não para o seu bem.

Ao entrarmos no mundo pós-moderno, temos de nos fazer algumas perguntas difíceis: o mundo é uma montanha a ser delineada e cavada para o benefício da igreja? Ou é a igreja um catalisador de bênçãos para o bem do mundo? Do outro lado, você sabe a resposta que, creio, devemos escolher.

Brian D. McLaren, em A igreja do outro lado

É no mínimo irônico perceber que aquela que deveria ser a expressão e a imagem de Cristo no mundo transpareça e demonstre tanto egoísmo "missional". O ser humano por si só já é egoísta e oportuno por "default". Mas, com a ascenção da nova criatura em Cristo no caráter do indivíduo, é imprescindível que este seja o primeiro processo desencadeado: a morte do ego. Nada mais primordial do que o visto em Jesus; total desprendimento de si pelos outros. Um ajuntamento de discípulos assim não pode resultar em uma comunidade, uma igreja, que não visa o bem das pessoas.

5 de jun de 2009

Carta de repúdio à igreja

Como cristão evangélico no atual contexto brasileiro me envergonha o fato de ser conhecido como ‘missionário’ ou ‘evangélico’ nesse país. Não é difícil ouvir piadas e chacotas do tipo: “Ah, você é missionário! Mais um que se aproveita para tirar o dinheiro dos trouxas!?”; “evangélico, humm... então é mais um que ta ajudando a enriquecer pastor!?” Alguns “crentes” vêem esse tipo de comentário como “perseguição do inimigo”. Mas, com a atual prática daqueles que se dizem evangélicos no Brasil, o ‘inimigo’ não tem muito trabalho. Ele deve mesmo é estar se divertindo com tanta bobagem e mediocridade. Uma vergonha para aquela que deveria ser a igreja do Senhor!

O que está acontecendo? Será a grande tolerância religiosa que existe em nosso país que coopera para o surgimento de tanta esculhambação? Se for isso, então oremos ao Senhor por uma perseguiçãozinha! Peneira Senhor!

Reafirmo o meu compromisso e a minha fé no Deus Pai, Criador de todas as coisas, no Filho Jesus Cristo, Senhor e salvador para todos aqueles que crêem e confessam o Seu nome e, no Espírito Santo, consolador, santificador e que convence do pecado. Creio na Bíblia como documento base da revelação da vontade de Deus. Creio na salvação pela fé que é graça, isso mesmo, graça de Deus. Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida para todos que nele crêem.

Assim, repudio toda e qualquer tagarelice crentesca que em nada lembra o amor e doação de Jesus Cristo em favor de uma humanidade em pecado. Repudio ser confundido com os mercenários da fé que usam técnicas enjoativas de marketing para manipular a ingenuidade e a ignorância de um povo sofrido. Repudio a forma como se manipula a Palavra de Deus para fazê-la dizer aquilo que interessa a mesquinhez dos gananciosos de púlpito. Repudio a teologia da prosperidade que se revela eficaz, sim, mas somente aos seus proclamadores. Repudio a arrogância daqueles que por gritarem mais alto, fazerem mais barulho e possuírem líderes carismáticos do tipo apresentador de programa de auditório se acham mais espirituais do que a igreja da outra esquina. Repudio a prática que faz da igreja um negócio rentável que vê nas outras denominações apenas uma empresa concorrente. Repudio a mistura mística que se introduziu nos cultos e na vida do neoevangélico fazendo-o dependente de objetos, símbolos e amuletos defendidos como bíblicos. Repudio o modismo gospel que vive de shows, camisetas e adesivos, enquanto apresenta uma espiritualidade rasa e sem ética. Repudio a prática de pastores que se dizem mais pertos de Deus e, por isso, mais preparados para conseguir aqueles favores de que o povo precisa. Repudio os que se auto-intitulam apóstolos, bispos e profetas portadores de uma nova revelação divina. Repudio as editoras e gravadoras ditas evangélicas que não possuem mais qualquer critério que não o lucro para publicar seus livros e vender CDs. Repudio a prática que transforma a igreja num mero shopping center de bênçãos a serem colhidas nas prateleiras espirituais. Repudio a ignorância teológica que nega a razão e vive de experiência em experiência...

Haveria ainda muita coisa a repudiar. Mas creio que me fiz entendido. Se for isso que vemos hoje o que chamam evangélico; se é esse o testemunho dado por missionários e pastores brasileiros, então não faço a mínima questão de ser reconhecido como tal. Alguns vão me chamar de radical, outros de preconceituoso ou intolerante. Ora, se as palavras ‘evangélico’, ‘crente’, ‘pastor’ e ‘missionário’, que deveriam sugerir exemplo de integridade e caráter causam vergonha, talvez outras palavras, antes de conotação negativa, possam retratar melhor aquilo que deveríamos nos tornar hoje... Afinal, qual é a alternativa?

A igreja que busca compromisso com o evangelho de Jesus Cristo carece urgentemente de ousadia para algo nada novo: Pregar a Palavra de Deus. E isso sem medo de ouvir o que o próprio Cristo já ouviu após se apresentar como o pão da vida: “Dura é essa palavra. Quem pode suportá-la?” (Jo 6. 60). E se daquela hora em diante muitos dos seus discípulos voltarem atrás e deixarem de segui-lo (Jo 6. 66) querido pastor e missionário, não se preocupe, talvez estivessem interessados somente no pão. Ou, realmente seguiam somente a você e não a pessoa de Cristo que você nunca apresentou antes. Porém, mesmo Cristo foi abandonado e não apelou por isso...


Autor: Rodomar Ramlow
Fonte: [ Ultimato ] via Bereianos

4 de jun de 2009

seu, meu, nosso doce humilde Ego

Minhas igrejas de classe média: vocês são uma das maravilhas do mundo – nunca houve nada exatamente como vocês. Que energia, que entusiasmo e generosidade! E o que é melhor: vocês são honestos. A hipocrisia tem sido sempre um grande problema com o qual tenho de lidar e, a bem da verdade, não espero jamais erradicar este mal. No entanto, entre vocês, ele não é freqüente. De todas as formas de fingimento, o fingimento religioso é o pior. Felizmente, eu não encontro muitos fingidos entre vocês.

Tenho, no entanto, algo a lhes dizer: vocês se impressionam demais com Tamanho, Poder e Influência. Vocês são impacientes com os pequenos e os vagarosos. Vocês não discernem muito bem entre os caminhos do mundo e os meus caminhos. Aborrece-me o fato de que vocês copiam de modo acrítico as atitudes e os métodos que fazem suas vidas nos bairros nobres e afluentes funcionarem tão bem. Vocês se apegam a qualquer coisa que funcione e tenha boa aparência. Vocês fazem muitas coisas maravilhosas, mas com exagerada freqüência vocês as fazem à maneira do mundo ao invés de fazê-las à minha maneira; e isto compromete seriamente a sua obediência.
Eu entendo porque vocês procedem assim: a maioria de vocês tem sido bem-sucedida no mundo – vocês moram em boas casas, são bem instruídos, bem remunerados, bem vistos; portanto, é natural que vocês coloquem a meu serviço os valores e métodos que lhes serviram tão bem. Mas vocês não se dão conta de que qualquer sucesso que tenha sido alcançado, através de tais atitudes e métodos, foi conquistado a um preço terrível? Despersonalizando e reduzindo pessoas a funções; transformando virtualmente tudo em causas ou mercadorias a serem usadas ou consertadas ou consumidas; fazendo de tudo para manter o sofrimento a uma certa distância de vocês? As igrejas de vocês estão lotadas, funcionam bem e têm a capacidade de fazer quase qualquer coisa acontecer. Mas agora eu lhes pergunto: vocês honestamente acham que isto era o que eu tinha em mente quando lhes disse ‘Sigam-me’ e depois me dirigi para o Gólgota, em Jerusalém?

À igreja que não apenas acredita no que eu digo, mas segue o meu exemplo e faz as coisas que eu faço, eu darei uma vida simples e arrumada – que é hospitaleira para com os homens e mulheres deste mundo, que caminham sem rumo e desorientados, apressados e malquistos. Eu desejo usar vocês para dar a estas pessoas um pouquinho de Sábado e céu.

Vocês estão ouvindo? Realmente ouvindo?

Fonte: Cristianismo Hoje [via Solomon]

Contingência e o vôo 447


O mundo está em choque. De novo a contingência mostra sua cara na tragédia do vôo da Air France. Vale lembrar: contingência significa que os acontecimentos não são sempre necessários. Quando ocorre alguma coisa sem uma razão que a explique ou justifique. Contingência gera imprevisto; fatos que escapam à engrenagem da causa e do efeito. Um avião cai porque o mundo é contingente, não porque tenha sido vítima do destino ou de um plano de Deus.

Diz-se no senso comum que as pessoas só morrem quando chega a hora. Caso isso fosse verdadeiro, o destino reuniu em uma aeronave as pessoas que deveriam morrer naquele dia. Isso daria à fatalidade um poder apavorante. Impossível pensar que gente de mais de trinta países entrou no vôo 447 sem saber que obedecia a uma força cega, que determinava aquele como o último dia de suas vidas.

Igualmente, acreditar que Deus permite a queda do avião porque tem algum propósito, soa esquisito. Cada pessoa, com histórias, projetos, sonhos, foi arrancada da existência para que se cumprisse qual objetivo? Um objetivo macro? Isto é, para que a humanidade aprendesse ou se arrependesse? Isso faria com que as biografias fossem descartáveis, desprezíveis. O Divino Oleiro, sem precisar se explicar, afogaria tanta gente para conduzir a macro história para o fim glorioso? Sim? Mesmo que exista esse deus, eu não o quero.

Também, algumas pessoas aceitam que Deus tem um plano para cada morte individual. Verdade, ele é Deus, tem todo o poder e é capaz de reunir, em um só lugar, quem deveria morrer. Mas também é bom. Então todos os passageiros foram eleitos para cumprir qual bem? Satisfaz pensar que o bem de ceifar tantas vidas, mesmo sem nenhum sentido do lado de cá, está garantido na eternidade? (Deus sabe o que faz?!?!) Como explicar tal conceito para pais, filhos e parentes desolados? Todos acorrentados à trágica realidade que lhes roubou de seus queridos.

A idéia de que Deus tem um plano para cada morte se esvazia diante dos números. Um avião caiu, mas o que dizer dos incontáveis acidentes de todos os dias? O que dizer das balas perdidas que aleijam transeuntes? E dos erros médicos ou dos acidentes de trânsito? Recentemente uma senhora de nossa comunidade caiu da laje da casa em construção. Ela fotografava a obra para que a filha ajudasse com as despesas do acabamento. Quebrou a coluna e ficou paraplégica. A última explicação que se poderia dar é que Deus tinha um plano em deixá-la paralítica.

Jesus nunca cogitou o mundo sem contingência. Pelo contrário, não atrelou a queda de uma torre aos desígnios divinos; não disse que a cegueira do homem era consequência causal das ações interiores, dele ou de seus pais; advertiu que os seus discípulos enfrentariam tempestade, aflição e morte.

Contingência é o espaço da liberdade, portanto, da condição humana. Sem contingência nos desumanizaríamos. A consciência do risco de adoecer e da imprevisibilidade da morte súbita é o preço que pagamos por nossa humanidade.

O desastre do avião mostra a inutilidade de pensar que o exercício correto da religião e a capacidade tecnológica mais excelente sejam suficientes para anular a contingência. Nossa vida é imprecisa e efêmera. Portanto, vivamos intensamente. Cada instante pode ser o último – Carpe Diem!

Soli Deo Gloria

Ricardo Gondim
Texto original em seu site [via Pavablog]

3 de jun de 2009

Humildade e Honestidade em Questões de Fé

Como devem então reagir os cristãos àqueles que abandonaram a fé? Às vezes a atitude de uma reação é mais importante do que a reação em si. Espero que meu comportamento seja, primeiro e acima de tudo, um comportamento de humildade e honestidade. Eu simplesmente não tenho todas as respostas e entendo por que tanta gente veria as respostas que tenho como conversa fiada. Às vezes eu mesma penso assim. Isso não significa que eu não tenha fortes sentimentos de crença e não goste de acalorados debates, mas quando isso ocorre, eu estou interagindo com outros num espírito de troca mútia em oposição à atitude de superioridade que já tive - uma atitude que não é fácil de disfarçar.

Juntamente com a humildade há um profundo sentimento de minhas limitações, sobretudo quando se trata de converter alguém ao cristianismo. Assim, posso envolver-me num diálogo significativo sobre questões de fé com minha amiga agnóstica Judy Kupersmith sem achar que sou responsável por trazê-la de volta à fé. Isso fica nas mãos de Deus. Sou aberta e honesta com ela no que se refere às minhas dúvidas e descrenças, sabendo que essas confissões não ferem a reputação de Deus. E posso desejar-lhe "Boa Páscoa", usando minhas palavras preferidas: "Cristo ressuscitou. Ressuscitou de fato", e sei que ela as receberá de mim sem achar que estou tentando enfiar-lhe minha fé goela abaixo. Meu amor por ela e minha amizade não dependem de ela fazer ou não uma profissão de fé.

Quando estou com a Judy, não fico pensando sobre o que deveria dizer para convencê-la da verdade do cristianismo ou o que deveria fazer para mostrar-lhe aquela verdade. Prefiro simplesmente desfrutar de nossa companhia mútua - e posso dizer com certeza que o sentimento é recíproco. Nossa amizade, uma amizade entre uma cristã e uma agnóstica, é sob alguns aspectos incomum, em especial porque muitas vezes discutimos crença e descrença. Para Judy, eu sou aquela pessoa que entende sua própria herança fundamentalista - aquela que ouve sem se sentir ameaçada pela crítica e até mesmo pela zombaria dirigida a sua herança cristã legalista.

Eu levo a sério o desafio de Percy: que o escândalo do Evangelho não está na mensagem e sim no mensageiro. Pode parecer um objetivo modesto, mas confio que de algum modo, mediante a graça de Deus, eu possa refletir a mensagem evangélica sem repelir outras pessoas - especialmente quando estou interagindo com aqueles que abandonaram a fé.

Excerto de Fé e Descrença de Ruth Tucker

destaques em negrito por minha conta ;-)

publiquei esse trecho também no excelente mob de leitura Livros só mudam pessoas. Se você não conhece vá lá e participe dessa mobilização.

2 de jun de 2009

O deus que me apresentaram

O deus que me apresentaram curava doenças de pessoas que nem sabiam que estavam doentes.

O deus que me apresentaram tirava "laços de morte" porque a pessoa tinha se convertido mas, matava crianças por conta da fome, outras em enchentes e algumas outras em catástrofes.

O deus que me apresentaram falava através de profecia que uma pessoa na igreja tinha bebido, mas não costumava falar que a própria pessoa que estava profetizando roubava o dízimo que pessoas tinham entregado à igreja.

O deus que me apresentaram cobrava o dízimo e me ameaçava. E ao mesmo tempo dizia ser o dono da prata e do ouro.

O deus que me apresentaram era imutável mas, se fizéssemos uma campanha ele facilmente mudava de ideia.

O deus que me apresentaram não gostava de rebelião, desde que a pessoa não fosse, no mínimo, pastor.

O deus que me apresentaram cobrava jejuns e orações prolongadas para que seu poder se manifestasse em nós. Ao mesmo tempo que podia usar qualquer um a qualquer momento.

O deus que me apresentaram queria que entregássemos as ofertas mesmo que o único dinheiro no bolso fosse o de pagar o aluguel.

O deus que me apresentaram faz promessas individuais, mas cumpre só se houver penitência.

O deus que me apresentaram se manifestava através de pastores que faziam atos proféticos, como orar na praia com uma fogueira no meio em que nomes em papeizinhos seriam queimados. Ao mesmo tempo ficava extremamente irado se alguém fosse da macumba.

O deus que me apresentaram era meio injusto e incoerente. No entanto afirmar isso era declarar a morte, afinal ele também era vingança e ira.

--//--

Por vezes ser cético é agir de forma mais cristã do que ser um religioso cínico.



Raphael, no blog Rapensando


Interessante! Esse figura é meio que popular por aí, não é?! Engraçado que também me apresentaram esse deus... e parece que cada vez mais ele vai mais longe! Parece que tem uma equipe de publicidade e marketing pessoal muuuuito competente!