27 de ago de 2009

Uma "baita" oportunidade não se perde


O bicho crente é danado para perder oportunidades. Nunca se viu na história desse país tamanha falta de engajamento por parte dos irmãos.

Calma, não vou seguir com um discurso de "tomar posse das portas que Deus abre em sua vida" ou coisa parecida. Na realidade o que vejo são oportunidades cotidianas que perdemos ou sequer nos esforçamos para aproveitá-las.

O discípulo só mostrará que é discípulo se aproveitar bem as oportunidades que encontra. Claro, uma aqui ou outra ali pode-se perder, mas que não seja frequente. Até porque "herrar é o mano".

O problema é quando diante de um tal, que se diz discípulo de Cristo, surge uma chance de mostrar o mínimo amor, fingido que seja, mas que ao menos por exercício o faça perceber o poder do ato, e o tal prefere negligenciar a oportunidade de estampar o caráter cristão em suas ações.

É sério, de que adianta dizer de si próprio evangélico - o que remete ao Evangelho, claro - e a única coisa que as pessoas veem são adesivos no seu carro? "Sou dizimista fiel", "Deus é fiel", "Jesus te ama", "Presente de Deus", "Foi Deus quem me deu", e mais outros adesivos sinistros da mesma espécie que devem dar impressão de que se está fazendo diferença na vida das pessoas.

É muito sério, de que vale dizer de si próprio cristão - o que, claro, remete a Cristo - e as pessoas ficarem entediadas com tanto ufanismo e sectarismo denominacional? Ninguém aguenta o cabra ficar exaltando, "ai, minha igreja é isso", "ah, minha igreja é aquilo", "nossa, minha igreja é uma bêêênção", "você TEM que ir na minha igreja porque lá Deus vai operar em sua vida"... (só eu fico enojado?)

Se você acha que poder convidar (encher a paciência de) alguém para ir em sua igreja é uma oportunidade de pregar o Evangelho, ou acha que com essa iniciativa está pregando o Evangelho... tsc, tsc, tsc, tsc... sinto informar, você não está!

Você está apenas sendo um mentecapto fruto de um Sistema de poder cujo o objetivo enrustido é intumescer a si próprio.

Por favor, abandone essa vida (em tom de apelo emocional) e entenda que existem tantas chances de você ser cristão e nenhuma delas se parece com os jargões e trejeitos que você usa porque aprendeu na igreja. É tudo muito simples. Você sempre terá a oportunidade de ser gentil ao invés de um arrogante santarrão separado do mundo. Sempre aparecerá uma boa ocasião de estar com seus colegas "mundanos" que bebem cerveja, falam palavrão, contam piadas sujas e coisas do ramo, e ao invés de ser um pária que deixa os outros desconfortáveis com sua presença, você pode usar essa tal de luz que diz ter para brilhar no meio deles. Não sabe como? Ah, então esquece... reflita bem na possibilidade de não ter essa luz, então.

Quantas oportunidades você não perde quando pode simplesmente surpreender alguém com um ato altruísta de auxílio em algo que ninguém animaria ajudar por não proporcionar algum tipo de retorno pessoal? Quantas vezes você perde aquela chance de festejar com a família, rir, brincar e jogar papo pro ar e mostrar a alegria que há em ti? E às vezes não é necessário ficar com conversa religiosa e piedosa para que as pessoas vejam em você algo Divino, santo e atraente. Sério, uma das maiores características em Jesus era a disponibilidade e a alegria em estar com as pessoas.

Se você não consegue atrair as pessoas pela alegria - força do Senhor em sua vida - e pela suavidade de viver então pense muito bem na ligeira possibilidade de não existir essa alegria em seu coração...

No mínimo você deve estar confundindo alegria de Deus com aqueles fenômenos "espirituais" na igreja.

As oportunidades de ser um "baita" de um discípulo de Cristo são tantas... mas, ainda assim insistimos em ser uns "baita" de uns filhos da mãe.

20 de ago de 2009

A história de um retorno para casa



A Volta do Filho Pródigo está cheia de ambiguidades. Está viajando na direção certa, mas que confusão! Ele admite ser incapaz de fazer isso por conta própria e confessa que iria receber melhor tratamento como escravo na casa de seu pai do que como foragido num país estrangeiro, mas ainda está longe de confiar no amor do pai. Sabe que ainda é o filho, mas reconhece que perdeu a dignidade de modo que possa ser chamado "filho"; prepara-se para aceitar o status de "empregado" de modo que possa sobreviver. Há arrependimento, mas não um arrependimento à luz do amor imenso de um Senhor misericordioso. É um arrependimento que satisfaz ao próprio ego e permite sobreviver. Conheço muito bem esse modo de pensar e sentir. Equivale a dizer: "Bem, eu não poderia resolver sozinho, tenho de admitir que Deus é a única esperança que me resta. Irei a Ele e pedirei perdão, esperando que o castigo seja pequeno e eu possa sobreviver sob a condição de trabalhar duro. Deus continua a ser um Deus severo e julgador. É este Deus que me faz sentir culpado e temeroso, fazendo-me continuar procurando justificativas. A Obediência a este Deus não nos dá a verdadeira liberdade, mas resulta em amargura e ressentimento.

Um dos grandes desafios da vida espiritual é o de receber o perdão de Deus. Há alguma coisa em nós humanos que faz que nos apequemos aos nossos pecados e impede-nos de deixar Deus banir o nosso passado e nos oferecer um recomeçar inteiramente novo. Às vezes até parece que quero provar a Deus que minha miséria é grande demais para que eu a supere. Embora Deus deseje me devolver a total dignidade da filiação, fico insistindo que me contentarei em ser o servo eventual. Mas será que desejo mesmo voltar a ter a responsabilidade de filho? Será que almejo ser completamente perdoado de modo que se torne possível começar uma nova vida? Será que confio em mim e numa regeneração total? Desejo me afastar da rebelião profunda contra Deus e me entregar inteiramente ao seu amor, de modo que uma nova criatura possa surgir? Receber o perdão exige uma absoluta aceitação para deixar Deus ser Deus e fazer toda a cura, restauração e reparos. Enquanto eu mesmo quiser fazer isso, só obtenho soluções parciais, como a de ser um empregado. Como tal, posso manter certa distância, revoltar-me, repudiar, fazer greve, ir embora ou me queixar do salário. Como filho amado, devo exigir todo o respeito e começar a me preparar para ser o pai.

É claro que a distância entre dar a volta e chegar à casa deve ser percorrida com sabedoria e disciplina. A disciplina é a de se tornar um filho de Deus. Jesus aponta que o caminho para Deus é o mesmo caminho para uma nova infância. "Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus." Jesus não pde que eu continue criança, mas que me transforme em criança.

Tornar-me criança é viver à procura de uma segunda inocência, não a inocência de um recém-nascido, mas a candura a que se chega por opção consciente.

Henri J. M. Nouwen, em A Volta do Filho Pródigo

Estou encantado com a leitura deste livro que há muito tinha vontade de ler. Philip Yancey sempre o citava vez ou outra em seus livros. Se você quer refletir na profundeza da parábola do Filho Pródigo, esta literatura é essencial.

Publiquei esse excerto também no mob de leitura "Livros só mudam pessoas"

Rumores sobre O Hobbit



O Hobbit, história que é prelúdio da trilogia de O Senhor dos Anéis, pode também ser dividida em três filmes. As duas primeiras partes ficam com Guillermo Del Toro, e a terceira fica a cargo de Peter Jackson, a fim de manter elo com a trilogia de Frodo, Gandalf e companhia.

As informações foram obtidas pelo MarketSaw, e também revelam que a nova produção terá a tecnologia 3D empregada. As informações, por enquanto, não têm valor oficial, mas as mesmas foram obtidas através de fontes ligadas à produção.

Apesar do rumor de ser uma trinca de contos, as datas oficiais ainda perduram: A primeira parte para o final de 2011 e a segunda para o final de 2012.


Mais rumores sobre o Hobbit

Vários rumores sobre a adaptação cinematográfica de O Hobbit têm surgido ultimamente, referente a elenco, direção e até o número de filmes que contarão a história de Bilbo Baggins, antes dos eventos de Senhor dos Anéis.

Antes da Comic Con, era esperado que Peter Jackson anunciasse o ator que irá desempenhar o papel principal nos longas, mas isso não aconteceu. Os nomes cogitados eram três: James McAvoy (Procurado), Daniel Radcliffe (Harry Potter) e David Tennant (Dr. Who).

Tennant foi o primeiro a desmentir o rumor de sua escalação, dizendo à MTV que não sabia de nada, e que também não tinha sido procurado por ninguém. Agora é Radcliffe quem disse não estar na produção. São suas palavras ao jornal LA Times:

“Eu teria que dizer ‘obrigado, mas não, obrigado’! Não que alguém tenha me perguntado. Honestamente não creio que eles me quereriam de qualquer maneira, está muito perto de Harry Potter. Seja lá o que eu fizer depois, não acho que haverão feiticeiros envolvidos”.


Quando falado sobre o fato de McAvoy ser o nome restante na lista tríplice, Harry, que dizer, Daniel continuou:

“Ele é fantástico. Acho que ele deveria fazer isso. Eu tenho feito essa coisa de fantasia. Na verdade ele também (Crônicas de Nárnia). Mas tenho feito por mais tempo. Ele pode assumir. Para mim chega”.


Ao que parece, Jackson e Guillermo Del Toro já tem um nome decidido para ser Bilbo, mas não vão entrar em contato com o ator até terem um roteiro sólido.

Aguardem mais informações aqui no Jovem Nerd News.

Estas são duas notícias que encontre no Jovem Nerd via MarketSaw


P.S. Radclife como Bilbo Bolseiro?! Ah, por favor, para! Já o David Tennant até que tem cara de Bolseiro... mas confesso que gostaria de ver o Senhor Tumnus (McAvoy) na pele do hobbit.

17 de ago de 2009

Update da tese 46


Essa é a 46ª dentre as 95 teses de Lutero.

46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.

Acho que se fizéssemos uma atualização para o nosso contexto, a tese ficaria assim:

46. É necessário ensinar aos cristãos, principalmente de confissão Evangélica, que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para seu sustento e de sua casa, e de forma alguma desperdiçar dinheiro com dízimos e ofertas que não encontram fim em caridade, ou seja, que não tenham por objetivo o socorro dos irmãos que não gozam do privilégio de ter um celeiro farto.

Para entendermos melhor a implicação desse update faz-se necessário refletir sobre o trecho abaixo que descreve a Igreja em seus primeiros anos de vida:

Essa Igreja não precisava orar por necessidades materiais e sociais, bastava contar para os irmãos, que a comunidade resolvia a necessidade deles.

Deus havia respondido, a priori, todas as orações por necessidades materiais e sociais, fazendo surgir uma comunidade solidária.

O pedido: “O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje. (MT 6.9) ” estava respondido, e diariamente.

Então, para haver o “pão nosso” não pode haver o pão, o bem ou a propriedade minha, todos os bens e propriedades têm de ser de todos.

Excerto do texto A igreja que não existe mais de Ariovaldo Ramos.


"Ah, o dinheiro dos dízimos e ofertas é revertido em construção e manutenção de templos, aquisição de jatinhos, impérios de comunicação, horários de televisão, equipamentos de som, etc."

E você não tem vergonha de falar isso?

16 de ago de 2009

Tomando a pílula vermelha



clique aqui p/ ver o vídeo no tamanho maior

Uma adaptação muito legal que fizeram para a cena de Matrix onde Neo toma a pílula vermelha. Ficou muito bacana e expressa de forma simples a proposta deste blog!

[dica do Charles Fernando via Twitter]

14 de ago de 2009

O ministério da futilidade


Funciona mais ou menos assim:

Uma pessoa que se converte – pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo – logo se envolve com as pessoas e rotina de sua igreja local. De cara esse envolvimento é benéfico. Pois, ao mesmo tempo em que tira a pessoa de uma má rotina de conversas e costumes, o coloca dentro de um novo grupo acostumado a trocar assuntos relacionados a cultura evangélica. Parece muito bom.

Pouco tempo depois a rotina dessa pessoa gira em torno desse grande pacote evangélico, ao ponto de muitas pessoas desejarem viver “só para o ministério” – querendo dizer com isso que o trabalho ordinário é quase que uma profanação da própria vida. Porém, esse novo estilo de vida trás no pacote: cultos semanais, cultos especiais, acampamentos e retiros, shows de evangelismos e congressos, reuniões de departamentos, reuniões de planejamentos, visitas a outras igrejas, arrumação, decoração, personalização, compras, vendas, etc. Enfim, tudo o que parece ser necessário para fazer da igreja local um grande ambiente agradável.

Uma pausa.

Como já escrevi em outras oportunidades, nasci e cresci dentro do ambiente igreja. Tive a oportunidade de presenciar algumas mudanças de costumes e modelos, o nascimento de novas denominações e o surgimento de alguns estrelas. Devido a todas essas eventualidades não tive como escapar da confrontação de minha fé prática pela essência do evangelho de Cristo. Inevitavelmente também passei a questionar o modelo e prática de muitas igrejas modernas.

Antes também é necessário dizer que fiz parte de todo esse cenário e, que também me esforço para não me tornar um refém desse sistema. É necessário dizer que creio que existem muitas pessoas bem intencionadas, pois com muita sinceridade se empenham para fazerem as coisas de uma maneira correta. Então a questão não está em torno da sinceridade das pessoas, mas dos preceitos e dos modernos modelos de igreja e ministérios e o resultado disso tudo – se não tomarmos devido cuidado. Tenho que dizer que somente as boas intenções não resultam em glória – digo a de Deus.

Continuando.

Dentro dessa nova rotina e pacote, vem um tipo de evangelho diferente do que os apóstolos haviam anunciado. O evangelho do comércio. Aprende-se o preceito dízimo e as muitas maneiras para justificar-se dos abusos de pedir dinheiro através de inúmeras campanhas e eventos especiais, porém sem nada devolver para os necessitados de sua própria comunidade. Os eventos são cobrados com o argumento de cobrir custos, as cantinas e cafés funcionam a todo vapor e as livrarias vendem seus livros, CDs, DVDs, camisetas e outras coisinhas a mais, com o objetivo de arrecadar mais recursos. Até polo comercial já existe, a famosa rua Conde de Sarzedas, cheia de produtos evangélicos apoiados por dezenas de cartazes de celebridades gospels – mas se quise-los em sua igreja, terá que pagar o cachê.

Por exemplo, enquanto estou escrevendo este texto já recebi em minha caixa de e-mails dois convites para participar de cultos/eventos especiais. Obviamente pagos. Um deles diz mais ou menos assim:

“A todos, boa tarde!

Estamos para fechar uma noite de ministração com Fulano de Tal que estará excepcionalmente uma noite em São Paulo e gostaria de saber quantos de vocês, meus amigos, participariam deste evento. Ouço dizer que haveria uma enormidade de gente para este evento. Por isso gostaria de ter mais ou menos a dimensão do numero de pessoas. Provavelmente será na quarta-feira dia XX de novembro com o custo estimado de R$ 30,00 por pessoa para cobrirmos os custos de sua vinda [e assim por diante].”

Minha resposta:

“… na real, esse é um cara que gostaria de ouvi-lo pessoalmente, pela boa música que ele faz e que também acredito ser pelo sentido certo das coisas. Mas velho, cada vez mais me proponho ir contra esse mercado evangélico. Parece o nosso governo, sempre tomando do cidadão comum e quase nunca devolvendo em benefícios. A igreja local deveria, ao menos, devolver um pouco para sua comunidade – dar de graça. Mas se houvesse uma prestação de contas ou um objetivo missionário, poderia pagar e ir. Agora, pense bem, pagar para ser ministrado, para adorar, para… Eu penso que cada vez mais a essência do evangelho de Cristo tem sido esquecida – anunciar as Boas Novas aos perdidos, de graça.

Que ele e a igreja local tenham seus custos, mas é que sempre só me apresentam custos, nada mais.

Nada pessoal. Apenas liberdade de expressão como todos os que a usam, mas a usam apenas para cobrar.”

Ainda pergunto, qual a finalidade de tantos eventos e produtos “evangélicos”?

Será que nosso modelo e estrutura se tornaram tão caros ao ponto de se tornarem ineficientes para a obra de Cristo? Por acaso alguém entende qual é a missão da Igreja? Sabemos o que significa ser missional, não departamental? Poderíamos nos tornar mercenários ao invés de missionários? É possível?

Ainda hoje, logo pela manhã, eu estava assistindo ao jornal e vi o ressurgimento do caso “corrupção de Edir Macedo, Igreja Universal e Rede Record” que ∆já acumulou em nesses últimos anos algo em torno de 8 bilhões de reais. Impressionante! Dentre muitas acusações, uma questão/acusação é a de que eles não usam o dinheiro, arrecadado dos fiéis, para aplicar em obras sociais e assistenciais, mas para enriquecer de maneira ilícita. Existe uma condição imposta pela lei que isenta igrejas de impostos para que assim estas possam usar os recursos na ajuda aos necessitados através de trabalhos sociais. Infelizmente, mau sabem eles que a grande maioria das nossas igrejas não faz nenhum trabalho social ou de ajuda aos necessitados na dimensão e proporção em que se arrecada dinheiro. Não sabem eles que muitas de nossas igrejas nem ao menos prestam contas para seus membros, que em minha opinião já é grande falta de respeito aos que entregam suas ofertas. Para a nossa vergonha ainda têm alguns que se justificam dizendo que os necessitados – órfãos, viúvas, presos, doentes e pobres – são somente na dimensão espiritual, não humana ou material.

Deus nos diz que o importante é o final e não o início das coisas. Ou seja, começar bem nessa nova vida com Deus, em Jesus Cristo, é bom; mas a questão é o que temos nos tornado depois, dia após dia dentro de nossas igrejas locais. O que temos aprendido é sobre a missão da igreja – anunciar as Boas Novas aos pobres e necessitados, de graça – ou, sobre como fazer eventos? Temos aprendido a ter piedade ou a manter prédios a todo custo, ainda que seja em detrimento de outras vidas? Será que deixamos de lado o papel missionário para assumirmos o papel de mercenários?

Temos que tomar o devido cuidado para que não nos tornemos fúteis pelas estratégias que adotamos. Ser fútil é o mesmo que ser vazio da vida verdadeira que está em Cristo e em seu verdadeiro sentimento. Em minha opinião, são muitos os que se tornaram sem nenhum conteúdo, pois fizeram da piedade uma grande fonte de lucro. Temos que tomar cuidado, pois essa prática de comercialização da fé poderá ser bem disfarçada e, quando menos percebermos, já estaremos vendidos a isso tudo. Tomem cuidado ao planejarem em suas igrejas locais. Percebam, com muita sinceridade e honestidade qual a finalidade de tais eventos. Acima de tudo saiba também que plano missionário, ajuda aos pobres, vida simples, evangelização, piedade, etc. diz respeito ao nosso papel pessoal e não o de uma igreja local. Pois isso só terá sentido como evento de uma igreja local, quando primeiro tiver para nós, na prática.


Fonte: Tropical [via Igreja Emergente]

13 de ago de 2009

Crime existencial


Em Gn 3.15, Deus faz uma afirmação, da qual, nem sempre, nos damos conta: de que a inimizade da serpente seria para com a mulher.

A serpente configurava Satanás e a mulher configurava a Igreja, que traria Cristo ao mundo.

Mas, para além das configurações, que falam do enfrentamento da Igreja do Antigo e do Novo Testamento para trazer o Cristo, primeira e segunda vez; nesse texto, Deus reinventa a maternidade. O que era, apenas, a forma como nos multiplicaríamos, passou a ser a única esperança da humanidade. Duma gravidez especial viria o salvador. Toda a esperança da humanidade repousava no útero de uma mulher.

Mas a mulher pagaria um alto preço, teria como seu inimigo o anjo rebelde.

Os homens entrariam nessa briga por serem descendentes da mulher. Mas, a briga principal era com ela, para impedir a vinda do ungido.

Talvez, isso explique porque a vida da mulher tem sido um inferno em todas as culturas. E os homens, que deveriam ser aliados das mulheres, protegendo-as dos ataques do maligno, mudaram de lado e colaboraram com essa caçada por tempos perdidos na memória.

De todas as manifestações dessa tentativa de destruir a mulher, fazê-la prostituta é a pior. E, às vezes, se faz isso dentro do casamento. E se faz isso quando a mulher é convencida que sem sexo não há relacionamento possível. Em qualquer tipo de prostituição a mulher não conta como ser humano, apenas como fonte de satisfação masculina: quanto mais serviçal, melhor! Ela não existe mais. O que existe é o macho em sua volúpia querendo satisfação plena e sem questionamento. E a única razão da existência da fêmea se sustenta em sua capacidade de dar prazer ao macho. Ela não vale pro si, vale por ele.

A gente não combate a prostituição como pecado moral, combate-a como crime existencial, porque a alma da mulher é devorada e o que resta é a sua capacidade de satisfazer a uns e enriquecer a outros: homens que a usam e exploram a seu bel prazer.

Os Céus revoltam-se, a prostituição amesquinha a mulher e insulta a Deus, que, com a mulher, fez um pacto especial, fazendo dela a portadora da esperança da humanidade, não só por trazer o Cristo, mas por ser, na maternidade que carrega no coração, a certeza de que Deus continua investindo na humanidade.


Ariovaldo Ramos, no Um clamor por Niterói


Este texto foi escrito pelo Ari a pedido do Márcio de Souza para reflexão sobre prostituição e seus desdobramentos. Aproveitando a oportunidade, quero divulgar o projeto que o Márcio está desenvolvendo: Como lidar com prostitutas

A vingança dos derrotados


Tradução livre
Tira original aqui.

10 de ago de 2009

Está preparado para se afogar?


Há muito se ouve que quem está na chuva é para se molhar. O engraçado é que muitos querem chuva, mas não querem ser encharcados por ela.

Pedimos chuva, pedimos água, pedimos torrentes e pedimos que o rio de Deus passe por nós. Mas, o que isso significa de fato?

No final do livro veterotestamentário Ezequiel, lemos a descrição de uma intrigante visão do profeta. Ele narra o movimento crescente de uma torrente de águas. Águas, estas que começam como fino córrego e conforme o profeta passava pelas águas sua profundidade aumentava até que fosse necessário nadar.

Alguns crêem que estas águas simbolizavam as bênçãos de Deus que fluíam do templo. Outros acreditam que elas dizem respeito às eternas bênçãos mencionadas por João, o apóstolo, no livro de Apocalipse. Podemos deduzir também que essas águas representam a prosperidade física e as bênçãos espirituais que Deus enviará na era messiânica. Ou podemos fazer uma leitura espiritual, comparando-as às águas vivas que fluem no interior dos crentes. Seja qual for nossa idéia quanto à passagem, uma coisa é certa; é preciso saber nadar.

Existem algumas formas como podemos encarar o que significam águas nos textos bíblicos. Ora, poderão ser bênçãos, ora castigo de Deus, ora provimento, ora renascimento, ora impropério, ora povo, aglomerado de pessoas.

Na passagem citada podemos entender as águas como bênçãos vindas de Deus. As águas do mar Vermelho contra o exército egípcio em favor de Israel sob a liderança de Moisés é um exemplo de castigo. Na peregrinação dos hebreus e o milagre da água fluindo da rocha como provimento. O batismo lembra-nos o renascimento de um novo ser em Cristo e, em Apocalipse, temos uma besta emergindo do mar, convencionalmente entendida como um Poder saindo do meio de um povo.

A questão é o que estamos pedindo quando cantamos “faz chover, Senhor”, “derrama chuva neste lugar”? Em tempos de inusitados modismos no meio cristão evangélico não é raro vermos canções melosas e molhadas. Cantamos e pedimos chuva sobre nós, sobre a igreja, sobre a família e por aí vai...

E se Deus realmente mandar chuva estamos nós aptos para nadar como o profeta Ezequiel? Nossos corações estão tão voltados para Deus que não há o risco de que venham chuvas demasiadas e inundem nossas vidas às vezes sem fundamento na Rocha? Será que temos sido amigos de Deus ou amigos do mundo? E se estamos sendo amigos do mundo, e, portanto inimigos de Deus, pedindo chuva não é arriscado sermos afogados como os egípcios no mar Vermelho? Advertidos na parábola que Jesus proferiu sobre o homem que construiu sua casa na rocha e o que construiu na areia, podemos refletir se pedir chuva é algo bom ou ruim para nós!

A falta de discernimento é advinda da falta do Espírito na vida do crente. E isso é deveras sério! Há momentos na jornada em que tempestades, torrentes de águas e chuvas assustadoras nos acometem de súbito. E se não estivermos com nossas vidas construídas sobre Cristo Jesus não estaremos prontos para suportar chuva alguma, muito menos quando estas não são como canta o hino, chuvas de bênçãos.

Quando estamos em/com Jesus Cristo não importa que tipo de águas nos sobrevenham estaremos seguros como o estavam os discípulos no barco no meio da tempestade.
Então a pergunta é, sabemos nadar? Queremos nos afogar? Queremos estar molhados? Queremos chuva, de fato?

Se você está cheio do Espírito então verdadeiramente de ti fluem águas vivas. E como tal não haverão tempestades ou inundações ruins que lhe derrubem e lhe afoguem. E também como tal as águas e chuvas de bênçãos serão vindas como refrigério, provimento e purificação para deleite do espírito.

Mas, se não enches tu do Espírito Santo, estarás preparado para afogar em águas profundas?

8 de ago de 2009

Copa 2010 Cancelada! BBB nunca mais! Real Madrid não quer mais Kaká e C. Ronaldo!


Seria um absurdo?

Seria um absurdo a população mundial pedir para que cancelem a Copa de 2010 na África e pedirem aos organizadores dela para que troquem os estádios por remédios para os doentes e alimento para os subnutridos da Africa Subssariana?

Seria um absurdo os organizadores da Copa de 2014 falarem que não vão mais gastar 10 bilhões na construção de estádios no Brasil e justificarem que vão investir todo este dinheiro para erguer alguns hospitais no nordeste e melhorar as escolas nas periferias das cidades?

Seria um absurdo a Rede Globo dizer que não vai mais passar Big Brother Brasil e durante o horário que seria exibido este programa, seria mostrado o trabalho dos Médicos Sem Fronteiras, trabalhos sociais nas favelas, e que os milhões que eram arrecadados nas ligações para o programa BBB ainda continuaria grande, e os patrocinadores deste programa iriam pagar pra ver seus produtos durante este horário?

Seria um absurdo o Real Madrid abrir mão de contratar o Kaká e o Cristiano Ronaldo, e em nota, dizer que este dinheiro vai ser aplicado para solucionar os problemas de alguns dos 50 milhões de órfãos da África?

Seria um absurdo que a mídia pop dissesse que desistiram de ficar falando sobre a vida das estrelas e que agora iriam contar as histórias das familias que vivem nas favelas, na seca do nordeste e que mendigam nos faróis?

Seria um absurdo a população se desinteressar em gastar absurdos com FastFood e se conscientizar de que estão matando a si mesmos e aos outros, e preferirem comprar alimentos saudáveis, na medida necessária, diminuir o consumo exessivo e se puderem ainda compartilhar com outros?

Seria um absurdo os Governos Mundiais falarem que o único foco agora era investir bilhões em escolas, hospitais, saneamento e habitação para os carentes, e que a população rica abriria mão de diversas mordomias para que isto acontecesse?

Seria um absurdo as empresas que fabricam armas disserem que vão a partir de agora investir em fabricar remédios contra doenças tropicais com custos acessíveis, brinquedos, roupas e livros para as crianças?

É, seria mesmo um absurdo.

Mas agora, vá até a janela de sua residência.
Você consegue ver algum mendigo?
Vá lá e compartilhe sua vida com ele.

Isto não é um absurdo.

Texto de Suênio Alves

Fonte: Fora da Zona de Conforto [via Herme Fernandes]

1 de ago de 2009

Não consigo entender

boehme

- Porque quando vamos ensinar uma música nova na Igreja, pedimos para as pessoas sentarem? Música antiga canta-se de pé; música nova, sentado? - Porque combatemos tanto quando um casal de namorados fica “grávido”, e não agimos da mesma maneira com os demais que estão com uma vida sexual ativa, mas não ficam “grávidos”?


- Porque damos um peso excessivo à não entrega dos dízimos, e não lidamos igualmente com a questão da fofoca e comentários?

- Porque no acampamento podemos louvar o Senhor de chinelos, bermudas, bonés e na Igreja precisamos ter “reverência”?

- A reverência é ao Senhor o ao Templo?

- Porque as pessoas querem ter banda larga mesmo tendo uma mente tão estreita?

- Porque sempre começamos as atividades na Igreja atrasados, mas nunca terminamos além do horário?

- Porque pregamos que Cristo liberta, mas quando a pessoa se filia à Igreja colocamos uma série de pesadas obrigações extra-bíblicas?

- Porque as demonstrações de alegria no teatro, nos shows, no futebol são somente isso - demonstrações de alegria, mas na igreja são chamadas de “emocionalismo”?

- Porque uma pessoa é um amor de irmão, mas quando é eleito presbítero muda radicalmente de atitude?

- Porque os músicos insistem em dizer “vire para o irmão que está ao lado e diga…”?

- Porque não aceitamos qualquer pessoa pregando no culto ou dando aula na Escola Dominical sem ter o preparo adequado, mas para participar da equipe de música sim?

Tenho mais perguntas sem respostas, mas vou deixar para depois.

Fonte: Maurício “continuo sem entender” Boehme, no Solomon1